2.6 Résultats et discussions
2.6.1 Ajout de variables explicatives
Entre os factores etiológicos da obesidade, o papel desempenhado pelos aspectos psicológicos têm recebido uma atenção crescente (Santos, Peres & Benez, 2002). Contudo do ponto de vista da psicologia, os trabalhos relacionados com a obesidade ainda são relativamente escassos e os seus resultados nem sempre são consensuais, apesar de existir um consenso de que diferentes factores psicológicos possam estar associados a doença (Oliveira, & Yoshida, 2008). Existe uma enorme dificuldade em estabelecer quais são os problemas psicológicos que causam obesidade e os resultam da obesidade e existem várias teorias sobre como os problemas psicológicos e a obesidade estão ligadas, no entanto a teoria que reúne maior consenso refere que existe uma associação bidireccional entre as perturbações mentais
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e a obesidade (Luppino, Wit, Bouvy, Stijnen, Cuijpers, Penninx et al., 2010; Gatineau & Dent, 2011; WFMH, 2010). São diversas as investigações que sugerem que existe uma relação directa entre morbilidade psicológica e o excesso de peso, embora os factores responsáveis por esta relação não estejam claros.
Diversos autores, têm sugerido que a desinibição no comportamento alimentar (Bryant, King & Blundell, 2008), impulsividade (Davis, 2009), depressão (WFMH, 2010), a ansiedade (Santos et al., 2002; WFMH, 2010) e as perturbações da personalidade podem estar na origem da obesidade (Mather et al., 2008). Outras características comportamentais e psicológicas que têm sido associados com o ganho de peso e desenvolvimento de obesidade incluem ter uma imagem corporal inferior, auto-estima e auto-motivação, estratégias de
coping pobres e poucas capacidades na resolução de problemas (Byrne, 2002; WFMH, 2010).
Santos e colaboradores (2002), acrescentam que a obesidade pode ser motivada por dificuldade em tolerar frustrações, elaborar afectos e impulsos, lidar com o stress e impulsos, medo, agressividade e discriminar sentimentos e sensações, e pode surgir como defesa contra sintomas depressivos.
Estudos comparativos entre obesos e não obesos sugerem que os obesos apresentam um comportamento alimentar desinibido (Bryant et al., 2008). O comportamento alimentar e os componentes específicos da mesmo, incluindo restrição na alimentação, desinibição e fome têm sido avaliados com Three-factor eating questionnaire (TFEQ). Pontuações mais elevadas de desinibição tem sido consistentemente associada a um maior peso ou ganho de peso ao longo do tempo (Bryant et al., 2008; Chaput, Leblanc, Pérusse, Després, Bouchard & Tremblay, 2009). Indivíduos com desinibição no comportamento alimentar são caracterizados por ter uma maior tendência a comer em excesso, por exemplo, quando a comida é muito saborosa, na companhia de alguém que come em excesso, em ocasiões sociais e quando se tem um problema emocional ou está stressado (Bryant et al. 2008; Stunkard & Messick, 1985). Relativamente a restrição alimentar os resultados de estudos que investigam essa relação com o peso tem sido inconsistentes (Bryant et al. 2008). No entanto, indivíduos com maior peso têm altos níveis de desinibição, juntamente com os níveis mais baixos de contenção (Dykes, Brunner, Martikainen & Wardle, 2004; Hays, Bathalon, McCrory, Roubenoff, Lipman & Roberts, 2002). Uma maior pontuação de fome tem sido associada com um maior peso (Chaput et al., 2009), e ganho de peso durante um período de quatro anos (Hays, Bathalon, Roubenoff, McCrory & Roberts, 2006). Indivíduos obesos também têm uma pontuação maior de fome do que indivíduos de peso normal (Harden, Corfe, Richardson, Dettmar & Paxman, 2009).
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A impulsividade enquanto traço tem sido referida como um importante factor que esta na origem da obesidade (Davis, 2009). Tem sido fortemente associada com comer demais e ganho de peso. Tais indivíduos costumam ter pobres habilidades ou competências de tomada de decisão e, portanto, se envolvem em comportamentos altamente divertidos de procura ou de risco para obter uma recompensa imediata, sem considerar as consequências (Davis, 2009). O ambiente actual que promove o consumo de alimentos a disponibilização de uma variedade de alimentos pode revelar-se problemático se a pessoa está inclinada tentar todas as opções de alimentos diferentes para a recompensa imediata, muitas vezes resultando em consumo excessivo e, portanto, a ingestão de energia muito alta (Davis, 2009).
Não existe uma associação simples entre obesidade, depressão e ansiedade (Soares, 2009). A depressão e a ansiedade estão associadas com comportamentos não saudáveis, como dietas pobres, inactividade física e sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool. Muitos destes comportamentos não saudáveis estão ligados a um aumento potencial da obesidade (WFMH, 2010). Indivíduos com depressão actual ou depressão crónica têm 60% mais probabilidades de ser obesos do que aqueles sem histórico de depressão (WFMH, 2010). Indivíduos com história de ansiedade crónica têm 30% mais probabilidades de serem obesas do que aquelas que não tiveram um diagnóstico de ansiedade (WFMH, 2010). Alguns estudos indicam que a obesidade na adolescência pode levar à depressão na idade adulta, enquanto outros estudos indicam que a depressão na adolescência leva à obesidade na idade adulta (WFMH, 2010).
As perturbações da personalidade também têm sido referidas como potenciadores da obesidade (Mather et al., 2008). A evitação da interacção social nas perturbações de personalidade paranóide e evitante poderá potenciar um estilo de vida mais sedentário e posterior aumento taxas de excesso de peso e obesidade, devido a uma diminuição nas actividades fora da própria casa (Mather et al., 2008). Características comportamentais da perturbação anti-social poderão igualmente levar ao excesso de peso nas mulheres. Por exemplo, a impulsividade que caracteriza a perturbação anti-social, pode levar a obesidade na população na medida em que é conhecida associação de impulsividade com falta de inibição em relação para comer (Yeomans, Leitch, & Mobini, 2008), o que pode levar a excessos e, portanto a maior peso corporal (Nederkoorn, Smulders, Havermans, Roefs & Jansen, 2006; Rydén, Sullivan, Torgerson, Karlsson, Lindroos & Taft, 2003b).
Na revisão da literatura duas formas de comer a noite têm sido referidas como associadas com o desenvolvimento da obesidade, síndrome do comer nocturno (night eating
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disorder) (DCRS), ambas associadas com momentos inadequados para comer (Howell et al.,
2009). Numa revisão da literatura Howell e colaboradores (2009) aponta que uma conclusão definitiva de que NES provoca obesidade não pode ser feita nesta fase devido à falta de pesquisas nessa área. No entanto, existem evidências que existe uma relação causal, na medida que a SCN se correlaciona com IMC mais elevados, a resistência a perder peso em programas de redução de peso e que SCN é mais prevalente em obesos do que em não obesos (Howell et al., 2009). SCN também é frequentemente associada ao distress e a depressão, o que pode influenciar a ingestão de alimentos (Calugi, Dalle, Grave & Marchesini, 2009). A associação entre ganho de peso DCRS e obesidade foi confirmada (Howell et al., 2009). A DCRS é frequentemente associada com o sonambulismo e ao comer durante a noite de uma forma inconsciente que consiste em combinações específicas de alimentos, substâncias não comestíveis, comportamentos de preparação dos alimentos perigosa e alimentos ricos em carboidratos e gorduras, como pão, tortas, gelados, chocolate e doces (Howell et al., 2009).