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11. Function Key Handler

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Program 6- 11. Function Key Handler

Com Wagner, a tríade de Moscovici “Ego-Alter-Object” foi retomada por duas vias: a transformação diacrónica das RS e por via dos intercâmbios sociais. Através e na interação comunicativa do Ego e do Alter, um Alter intervém sempre na relação entre o Ego e o Objeto, cada polo do triângulo é implementado empiricamente sob diversas formas, em que o processo dialógico resulta na partilha de conhecimento marcado por características históricas, culturais e retóricas, e apresenta aspetos argumentativos e controversos. Wagner relaciona a produção interativa das RS e a sua natureza linguística: os discursos sociais apresentados em público ou nos encontros quotidianos garantem a natureza holomórfica das RS; isto é, eles constituem objetos sociais e instituições, descrevem as ações dos atores, e guiam o comportamento interativo com o intuito de manter e reproduzir as condições sociais.

Wagner (1994) identifica três campos de investigação sobre as RS e que constituem o que o autor designa por “topografia da mente moderna” sendo, designadamente, os seguintes: primeiro, a abordagem original às RS, enquanto conhecimento leigo de ideias científicas popularizadas; segundo, existe uma área vasta de objetos histórica e culturalmente construídos a longo prazo, e os seus equivalentes contemporâneos; e, terceiro, existe uma área de eventos e condições sociais e políticas, nas quais prevalecem as representações que têm um significado mais recente para a vida social. A sociogénese é o denominador comum dos diferentes tipos de RS aqui discutidas, considerando que são socialmente elaboradas e coletivamente partilhadas.

Na análise apresentada por Wagner (1993), as representações não podem ser percecionadas enquanto explicações do comportamento “social representations logically cannot serve as explanations of subsequent behaviour of social individuals” (Wagner, 1993: 237), primeiro, porque as crenças racionais, as decisões e as ações envolvem, necessariamente, conhecimento socialmente construído o qual ganha expressão através do consenso coletivo, pelo que as representações são uma forma de validar o conhecimento racional. O autor considera que um dos problemas lógicos e metodológicos na TRS é a relação entre representação e comportamento social. Ora, não se trata de uma

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relação direta entre representação e comportamento, como apresentada por Jodelet (1989) mas que deve ser esclarecida tendo em consideração, essencialmente, dois aspetos: (i) a RS não diz respeito ao comportamento dos indivíduos em strictu sensu, mas sim enquanto membros de grupos sociais, em que a sociogénese valida os sistemas de conhecimento dos grupos como um todo e dos seus respetivos membros; (ii) as RS não são concebidas como cognições que apenas intervêm entre estímulo e resposta comportamental, mas como estruturas simbólicas que estabilizam os estímulos e os comportamentos num simultâneo movimento circular.

Um dos aspetos característicos do conhecimento popular é o facto de ele integrar peças e fragmentos das ideias e das teorias científicas, em consequência da secularização de um espectro mais alargado de classes sociais na sociedade. Através da escolarização criou-se a possibilidade de os indivíduos das sociedades modernas tomarem contacto com os factos e avanços do conhecimento científico. Neste sentido, a ciência desempenha um papel importante como fonte quotidiana de conhecimento, assim como autoridade para a legitimação e justificação das decisões e das posições ideológicas “Science became a source of everyday knowledge despite the fact that the man and the woman in the street have no idea of scientific rationality” (Wagner, 1993: 201). Quando questionadas, é mais frequente as pessoas darem uma descrição de descoberta científica singular do que uma definição válida das características do conhecimento científico. Duran et al. (1992) referem que, nas sociedades modernas, a autoridade da ciência fica rotulada por definições sociais, políticas e morais, ou seja, por argumentos não-racionais, do que propriamente por introspeção à sua racionalidade inerente.

Em suma, a ignorância do público sobre a racionalidade científica resulta numa forma de conhecimento “científico” popularizado, no qual os conceitos e teorias se tornam desligados das suas fontes originárias, i.e., do processo de produção de conhecimento científico, e transformam os objetos ontológicos e rigorosos em mitos da vida quotidiana (Moscovici, 1984, 1988). Por outro lado, argumentos quase-científicos, se usados seletivamente, prestam-se a tornarem-se num discurso quotidiano e a serem usados como argumentos a favor do conhecimento pré-existente. Assim, o conhecimento cientifico-

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popular pode ser usado como fonte para uma justificação secundária de convicções ideológicas pré-existentes e servem de explicação metafísica dos factos sociais. No discurso sobre as “coisas”, o apelo à ciência justifica-se, frequentemente, pelo facto de ela ter um

authorative status enquanto definição socialmente legitimada, sobrepondo-se, assim, a

outras formas do saber míticas e históricas, e à religião noutros tempos. Raramente as teorias científicas são popularizadas no seu todo e, como consequência, a popularização da ciência resulta no fracionamento das teorias originais. Enquanto popularização do conhecimento científico, a RS assume funções declarativas, instrumentais e explicativas: 1) descreve e dá significado ao fenómeno social para o qual a ciência popular parece ser significante; 2) integra sistemas morais pré-existentes, adicionando importância às convicções ideológicas; e, 3) fornece uma compreensão quotidiana das suas razões mais marcantes.

A imaginação cultural é outro campo de investigação analisado por Wagner (confere realidade às coisas que habitam no mundo social. A representação de tais objetos (os que são historicamente enraizados, por ex., papéis de género, mulher, loucura, etc.) tornam o mundo inteligível para os membros dos grupos sociais e culturais. Eles promovem a concertação da interação social, o que não só recria os próprios objetos, mas também define os atores como partes complementares dos objetos e dá aos objetos sociais um sentido de pertença a comunidades específicas e a culturas Wagner, 1993, 1994). A RS de objetos culturais representa, em primeiro lugar, o conhecimento declarativo: delimita os objetos e as entidades, estrutura as suas características e fixa o seu significado no contexto social (exemplo descrito no que diz respeito à RS da infância).

O terceiro campo de investigação, estruturas sociais e eventos, diz respeito aos “objetos” com um significado menos duradouro de relações sociais: as representações sobre estruturas sociais e eventos apresentam-se enquanto o produto de um processo explícito de avaliação social das pessoas, grupos e de fenómenos sociais. Estas têm características semelhantes às da imaginação cultural: significado histórico de curta duração e frequente validade limitada à dimensão das populações que as descrevem. Estas representações são diacronicamente menos estáveis e sincronicamente menos válidas, i.e., são partilhadas por

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pequenos grupos de pessoas. Geralmente, estas RS são sobre conflitos sociais e desigualdades sociais, como por exemplo: desigualdade, xenofobia, conflitos nacionais, movimentos de protesto, desemprego, agressão, entre outros.

De acordo com Moscovici, (1988) estas RS sobre polémicas de problemas sociais são muito mais explícitas do que as sobre teorias científicas ou sobre a imaginação cultural hegemónica, sendo efetivamente a fonte da identidade social, guiando o pensamento coletivo e a ação social dos grupos. Neste sentido, a Identidade social, as associações de grupos e a ação coletiva determinam e recriam-se mutuamente, de modo que os objetos sociais e os eventos são combinados de tal forma que correspondem às intenções, ações e fundamentos ideológicos dos indivíduos (Tajfel, 1982).

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