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La force d’un groupe

CHAPITRE 4 : PRÉSENTATION DES RÉSULTATS

4.4 L’art communautaire : un levier d’intervention sociale

4.4.1 Les facteurs de changement

4.4.1.1 La force d’un groupe

frase que não deixa de relembrar a maneira como Erasmo se referia ao objectivo dos Colloquia:

"Hic erat scopus meus, a quo videor non omnino aberras- se, nisi forte blandiuntur auri bus méis, qui mi hi gra- tias agunt, quod ex ill is nugis méis aliquid bonae men- tis hauserint" 215,

Em resumo,Erasmo naõ era um autor herético,pois que "animus uide- tur abesse ab haeresi, qui nihil pertinaciter asseuerat" 216, 0 que

acontecia era, na opinião de Fernandes, que alguns escolásticos, imi- tando o modo de proceder de Lombardo quanto a S, Jerónimo, isolavam co- lecções de frases para deturparem o pensamento do seu autor. Este vi- cio de encontrar heresia onde não havia senão discordância de opinião fora já criticado por Luís Vives, no De di sei pii ni s 1iber primus ;

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"Nunc quaecunque ab scholae placitis dissident, scholas- tico theologo sunt haeretica, quod crimen i t a uulgatum est, ut rebus quoque leuissimis impingant quum s i t ipsum

217 per se atroeissimum"

Este haeresis crimen, que esses teólogos, que dos livros apenas co- nheciam os t í t u l o s , aplicavam a quem deles discordava,era o que o edi- tor de Coimbra apontava aos detractores de Erasmo.

Para reforço desta sua opinião sobre Erasmo, João Fernandes acres^ centa mais um dado: o bispo de S. Tomé, Frei Bernardo da Cruz, tinha- -lhe ordenado que levasse a cabo a tarefa de adaptar os Colloquia para fins pedagógicos. Trata-se de uma informação importante, que não foi ainda devidamente tida em consideração neste processo relativo ã edição coimbrã dos Colloquia. Nada garante que tenha sido de Frei Bernardo da Cruz que partisse a i n i c i a t i v a , mas o que sucedeu foi que o bispo, ao tempo em que era reitor da Universidade, terá estimulado o professor de Retórica a preparar um texto de evidente utilidade para o ensino das la_ tinidades, num momento em que ele mesmo manifestava apreensões sobre a sua qualidade. 0 texto de Fernandes refere-se a Frei Bernardo como r e i - tor e como bispo; mas alude também ao encargo que em 1541, D. Henrique lhe atribuirá de orientar a Inquisição na área do bispado de Coimbra, dentro da organização que então o futuro cardeal então estava a dar ao Santo Oficio:

"E nada mais acrescentaremos, a não ser que o nosso r e i - tor e verdadeiramente diligente Bispo de S. Tome, encar- regado também por tua alteza de Tntenro procurador nas

- - ' 218 coisas da fé católica, nos tinha ordenado esta tarefa"

0 argumento, para além de referenciar a época da preparação do texto ex purgado dos Colloquia, tinha o seu peso na carta-prefacio a D, Henrique. pois invocava a opinião abalizada de alguém da sua confiança em matéria de ortodoxia. Ora Frei Bernardo:

"Vidit i l le prudenter, si paucis mederemur futurum ut pietas cum eloquentia primis uitae rudimentis bibere- tur" m .

Isto é, em Coimbra considerava-se, nos meios eclesiásticos, que os Colloquia eram obra perfeitamente utilizável para a educação dos j o -

vens, desde que eles fossem eliminados os passos que tivessem merecido censuras da parte de alguma autoridade teológica.

A verosimilhança da hipótese aumentará se nos reportarmos aos anos que se seguiram imediatamente ao reitorado de Frei Bernardo da Cruz, que foram os do frade hieronimita Diogo de Murça, cujas l e i t u r a s teriam sido largamente alimentadas de obras erasmianas, como sugere o conteúdo da l i v r a r i a que possui a. Alem disso, e sabido como os j e r õ n i -

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mos foram bastantes receptivos a l e i t u r a s de Erasmo , que por sua vez se invocava do exemplo de S. Jerónimo como paradigma de atitudes em matéria teológica. E j á aludimos ao facto de Fernandes apelar para o exemplo de Jerónimo, no que respeitava ã questão da prioridade da vi_r gindade sobre o estado matrimonial transpondo-o para o caso da atitude erasmiana frente a heterodoxia e a ortodoxia. A sugestão chegava-lhe de vários locais da obra erasmiana, mas encontrava-se claramente formulada no prefácio às Declarationes, como j á deixámos assinalado mais em cima.

Depois d i s t o , podia o e d i t o r de Coimbra afirmar calmamente que respeitara ao máximo o texto erasmiano, limitando-se a i n t e r f e r i r para esclarecer o sentido de alguns passos com o apoio da obra do próprio autor, limando aquilo que lhe parecera menos próprio da pena de um ho- mem tão grande, eliminando, por f i m , o que não oferecia adaptação pos- sível ,

" u t nullus hominum ordo, n u l l a conditio impeti uideatur, quin potius omnes doctissimi u i r i manibus bene precen- t u r »2 2' .

Mas, garantia e l e5 esforçar-se-ia por manter cuidadosamente o e s t i l o o r i -

ginal em tudo quanto alterasse. De igual modo, tinha ensaiado s u b s t i t u i r alguns diálogos, correndo o r i sto de revelar ao l e i t o r uma habilidade no domínio do l a t i m bem menor que a de Erasmo, Não se enganou Fernandes neste ponto; na Verdade, quer os trechos que introduziu da sua l a v r a , quer os dois diálogos que refez na totalidade poderiam ser "magis tamen et pie e t c i u i l i t e r concinnata", mas ficaram longe do l a t i m claro e co- loquial do roterdamis.

Fruto t a r d i o do erasmismo peninsular? £ possïveK As hesitações do Cardeal e Inquisidor-mor D, Henrique em autorizar a venda da edição parecem confirmá-lo. No entanto, afigura-se-nos que estes Erasmi Col 1o- quia ad meliorem mentem réuocata, preparados em Coimbra para f i n s esco- l a r e s , não poderão fazer directamente parte da h i s t o r i a da e s p i r i t u a l i - dade em que se integram mais claramente as versões castelhanas de a l - guns dos Cólloquia em tempos de Carlos V, Desta f e i t a , serão bem mais um exemplo dessa permanência de Erasmo na zona da pedagogia humanista

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ate bastante tarde, sobretudo mediante edições expurgadas. Foi o caso, 222

2 - RÊVAH, La censure inquisitoriale, cit., p.98

3 - Vid. DELUMEAU, Jean, La Civilisation de la Renaissance,(Paris) 1967, cap. IX, pp. 317 ss.

4 - P.5, 1. 8 ss.

5 - VIVES, Rhetorica, cit.,p.3. Sobre o pensamento linguístico de Vives, cf. COSERIU, Eugénio, "Acerca de la teoria del lenguaje de Juan Luis Vives", in Tradicion y Novedad en la Ciência del Lenguaje. Estúdios de Historia de la Linguística,Madrid (1977), pp. 62-85.

6 - Na edição de Colónia de 1532 do De disciplinis, p.271.

7 - Cf. GARIN, Eugénio, L'Umanesimo italiano.Filosofia e vita civile nel Rinascimento, (Bari) 1970, pp. 62-69.

8 - RADETTI, Giorgio, "La religione di Lorenzo Valla", in Medioevo e Ri- nascimento. Studi in onore di Bruno Nardi, Vol. II, Firenze (1955), p. 619-620.

9 - LAVRENTII/Vallae De Latina Elegantia Libri VI. (...), na edição as- censiana de 1521, fo. I r.

10 - Ibid., fo. I v.

11 - VALLA, De Latina elegantia, cit., fo. I v.

12 - Vid. VERGERIO, Pier Paolo, De ingenuis moribus, trad. ital. in GARIN, Eugénio, Educazione umanistica in Italia, Bari 19665, p. 66.

13 - GARIN, Eugénio, L'Umanesimo. cit., p. 23.

14 - VALLA, De Latina elegantia, cit., fo. CXVII r. 0 Santo Ofício, porém, censurou este texto de Valla sobre "persona"no exemplar da edição de Roma 1471 existente na Biblioteca do Porto.

15 - WEINBERG, Bernard, A History of Literary in the Italian Renaissance, Vol. I, Chicago (1961) cap. I,pp.1-37.

16 - Cf. BRAUDEL, Fernand, La Méditerranée et le Monde Méditerranéen ã l'Ëpqque de Philippe II. t.2, (Paris) 1966, pp. 74-75.

17 - Cf. BOWSMA, William J., "The Two Faces of Humanism", in Itinerarium Italicum. The Profile of the Italian Renaissance in the Mirror of its European Transformations, Leiden 1975, pp. 3-60.

18 - Vid. SIMONE, Franco, II Rinascimento Francese, cit., pp. 51-54. 19 - VALLA, De Latina elegantia, cit., fo. II v.

20 - ADORNO, Francesco, "Di alcune orazioni e prefazioni di Lorenzo Valla", in Rinascimento, vol. V (1954), p. 221.

21 - VALLA, De Latina elegantia, cit., fo. CXXVII r.

22 - ASENSIO, Eugénio, "La Lengua companera del Império. Historia de una idea de Nebrija en Espana y Portugal", in Estúdios Portugueses, Paris 1974,

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pp. 1-16.

23 - SOARES, Nair, Diogo de Teive. Tragédia do príncipe João,Coimbra 1977, por exemplo p.224. Este príncipe, cujo matrimónio Teive também elogi- ou num discurso publicado em 1553, (ANSELMO, n91118), esteve no centro das atenções de muitos dos homens cultos de meados do século, como Si de Miranda, Aquiles Estaco, Jorge da Silva, Jorge de Montemor.

24 - Cf. ASENSIO, Eugénio, Estúdios portugueses, cit.,p. 172. Mas ainda numa tradição que não incluia o conceito de soberania; cf. ALBUQUERQUE, Martim de, Jean Bodin na Península Ibérica. Ensaio de Historia das Ideias políticas e de Direito público, Paris 1978, em especial o cap. IV.

25 - OLIVEIRA, Fernão de, A Gramática da Linguagem Portuguesa. Introdução leitura actualizada e notas de Maria L. Carvalhão BUESCU, Lisboa 1975, p. 41.

26 - Ibid., p.42. 27 - Ibid., p.43. 28 - Ibid., p.45.

29 - De tradendis disciplinis, ed. de Colónia 1532, p. 271-272.

30 - IOANNIS LODOVICI/VIVIS,/VALENTINI,/De/VERITATE/Fidei Christianae,/LIBRI V; na edição de Leide . 1539, p. 319-320.

31 - TRISSINO, Giovan Giorgio, La Poética (I-IV); in Trattati di Poética e Retórica del Cinquecento a cura di Bernard WEINBERG, Vol. I, Bari 1970, p. 25.

32 - RUSCELLI, Ieronimo, Le imprege illustri, edição de Veneza 1572, fo. 10 v - fo. 11 r.

33 - PAPARELLI, Gioacchino, Feritas, Humanitae , Divinitas (L'essenza uma- nistica del Rinascimento), Napoli (1973), pp. 37-39.

34 - Os Jesuítas o reconheceram, tendo-os editado no see. XVII: Des. Erasmi Roterodami Colloquia, Cum notis selectis (...) Amstelodami, Ex Typo- graphia Blaviana, MDC.XCIII. Sumptibus Societatis, de que existe um exemplar na Biblioteca do Porto.

35 - M0NÇ0N, Francisco de, Libro primero del espejo del principe christiano, cit., fo. V v9

36 - G. Budaei Parisiensis Cosilia_/ RII REGII ,(...) DE TRANSITV HEL-/le- nismi ad Christianismum,/Libri très .(...) PARISIIS (...) 1536, id.3 r. 37 - Ibid., fo. 5 r.

38 - Ibid., fo.55 r.

mo Budaeo Parisiensi (...); na edição ascensiana de 1532, fo.A ii r. AO - Ibid., fo A ii v.

41 - Ibid., fo. A ii r. 42 - Ibid., fo. V r. 43 - Ibidem.

44 - A ele dedica, em 1553, Aquiles Estaco os seus In Quinti Horatii Flacci Poeticam Commentarii; cf. CASTRO, Aníbal Pinto de, "Aquiles Estaco, o primeiro comentador peninsular da "Arte poética" de "Horácio", in Ar- quivos,vol. X (1976), p.93.

45 - P.8, 1. 11 ss.

46 - De Ratione dicenti libri três, na edição de Lovaina de Rutgero Rescio, 1533, fo. A ii r.

47 - Ibid., fo. A ii v.

48 - Rhetorica, ed. de 1536, cit., p.13. 49 - Ibidem.

50 - Ibid., p. 8. 51 - LB^ IV, 664 A.

52 - Cf. MARROU, Henri-Irinee, Saint Augustin et la fin de la culture anti- que, Paris 1938, pp. 561-569. Mas e preciso anotar que scientia tam- bém designa o conhecimento literário e principalmente bíblico, isto e da sacra pagina, antes da teologia dogmática; MASSAUT, J.-P., Josse Clichtove, cit., t. I, p. 133-134 , p. 374, n.17.

53 - Nao poe, por exemplo, a questão da "eloquentia" dos textos evangélicos, como Erasmo no Enchiridion;ed. H0LB0RN, cit., p.34, 1. 22-24: " Ma- gis sapiet, magis pascet unius versiculi meditatio, si rupta siliqua medullam erueris, quam universum psalterium ad literam tantum decan-

tatum".

54 - P.9, 1. 20 ss.

55 - P.9, 1.29. Atente-se no paralelismo de expressão entre este passo e o seguinte do Ciceronianus:" Tu negas quenquam bene dicere, nisi Cicero- nem exprimât; at res ipsa clamitat, neminem posse bene dicere, nisi prudens recédât ab exemplo Ciceronis"; II Ciceroniano, ed. GAMBARO, p. 126.

56 - Basilii Magni Caesarensium (...) Opera plane diuina, na edição ascen- siana de 1523, fo. cxxxv v ss.; cf. KRISTELLER, P.O., Studies, cit., p. 363.

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58 - Cf.GARIN, Eugénio, Moyen Age et Renaissnace, trad, francesa, (Pa- ris 1969), p. 101-119.

59 - WEINBERG, Trattati, cit., vol. II, p. 157.

60 - BËNÉ, Charles, Érasme et St. Augustin, cit., p. 249-250.

61 - Cit. in MEERSHOEK, G.Q.A., Le Latin biblique d'après Saint Jerome. Aspects linguistiques de la rencontre entre la Bible et le monde clas- sique, Utrecht 1966, p.6.

6 2 _ Opere di Francesco Petrarca, a cura di Emílio BIGI, (Milano 1968^),

p. 562.

63 - De sui ipsius et multorum ignorantia liber, in Prose, a cura di G.

MARTELLOTI (...), Milano-Napoli (1955), p. 728.

64 - GAMBARO, Angiolo, Introdução a II Ciceroniano, ed. cit., p.XXXIII. 65 - Oratio super Fábio Quintiliano et Statii Sylvis, in Prosatori La,tini

del Quattrocento, a cura di Eugénio GARIN, Milano-Napoli (1952),pp. 870 ss.

66 - GAMBARO, Angiolo, introdução cit., p.XXXIII-XXXIV. 67 - Vid. in Prosatori Lfatini, cit., pp. 902-910.

68 - MARTINS, J.V. de Pina, Cultura Italiana, (Lisboa 1971), p.171-172. 69 - Lingua; LB, IV, 662 E.

70 - Basta confrontar este passo do Methodus de Er'ásnio"Neque flagitamus ut in his usque ad eloquentiae miraculum proveharis,satis est, si ad mun ditiaia aliquam progrediare, quod sufficiat ad iudicandum" (ed.HOL-

BORN, cit., p.151, 11. 33-36) com este outro de Policiano: "Quid vero praeclarius, quam praestantis virtute viros eorumque egregie res gestas exornare atque extollere dicendo..." (in Prosatori Latini.cit., p. 882).

71 - Elegantiae, éd. cit., fo. LXVII v; cf. fo. LXVIII r: "Qui vero elegan- ter loqui nescit, et cogitationes suas literis mandat, in theologia praesertim, impudentissimus est, et si id consulto, facere se ait, in sanissimus: quamquam nemo est qui nolit eleganter et facunde dicere, quod cum ipsis non contingit, videri volunt (ut sunt preuersi) nolle,; aut certe non debere sic dicere: Ideoque aiunt, gentiles hoc modo locutos esse, non decere eodem loqui christianos, quasi illi, quos nominari more istorum locuti sint, et non more Ciceronis..."; e, evo- cando a simbologia do templo de Salomão, considerava que a "eloquentia videtur (...) regina rerum est, et perfecta sapientia" (ibidem).

p. Ill; BATAILLON, Erasmo y Espana.cit.. pp. 417 ss.

74 - GILMORE, Myron P. "Italian Reactions to Erasmian Humanism", cit., em especial pp. 107 ss.

75 - WEINBERG, Trattati, cit., t. I, p. 185.

76 - BRANDÃO, Mario, 0 Colggio das Artes. I.cit.. p. 62-63.Documentos de D. João IIT, vol.II, Coimbra 1938, p. 46.

77 - BRANDÃO, Mario, A Inquisição, cit., vol. I, p. 443. 78 - ANSELMO, Supl. 15.

7 9 " E r a s m i 0pi'«cula. A Supplement to the Opera Omnia Edited with Intro-

ductions and Notes by Wallace K. FERGUSON, The Hague 1933, p. 187. 80 - Os diálogos de Corderius, que conheceram larga difusão, eram espe-

cialmente dirigidos para a utilização nas aulas; são na generalida- de textos curtos, precedidos quase sempre de um argumento; C0LL0QVI0- -/RVM SCHOLASTICORVM / LIBRI QVATVOR. / ad pueros in sermone Latino paula-/tim exercendos (...) AVCTORE M. CORDERIO (...), na edição de 1580, de que na Biblioteca do Porto hS dois exemplares; e também o DE CORRV/PTI SERM0NIS/EMENDATI0NE/LIBELLVS,MATVRIN0/CORDERI0/au- tore (...), na edição de 1536, obra em que se recorre a língua vul- gar para certas sínteses e comparaçBes, numa orientação muito dife- rente da de Erasmo, apesar de certas formulae não deixarem de evo- car as do Holandês.

81 - Tal era a opinião de Policiano:"Postremo ne illud quidem magni fece rim quod horum scriptorum saeculo corrupta iam fuisse eloquentia obiciatur, nam si rectius inspexerimus, non tam corruptam atque de- pravatam illam, quam dicendi mutatum genus intelligemus", in Prosa- tori latini. cit., p. 878.

8 2 " Arnoldi Fabricii Aquitani de Liberalium Artium studiis oratioivid.

Quatro OraçSes Latinas proferidas na Universidade e Colggio das Artes (Sgculo XVI). Publicação e prefacio de Lufs de MATOS, Coimbra

1937, p. 19.

8 3 " H i l a r í í Moreirae (...) de omnium Philosophiae partium laudibus. et

studiis Oratio. in Quatro Orações, cit., p. 85-86.

84 - BRANDÃO, Mario, A Inquisição e os Professores do Colégio das Artes. vol. II, I parte, Coimbra 1969, p. 12-13.

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85 - Processo de Teive, cit., p. 466.

86 - BRANDÃO, Mário, O Colégio das Artes,I, cit., p. 277.

87 - Cf. BATAILLON, Marcel, Etudes sur l'Humanisme, cit., 179-180. 88 - Correspondance, I, cit., p. 51.

89 - RËVAH, La Censure inquisitoriale, cit., p. 98.

90 - BATAILLON, Erasmo y Espana,cit.. p. 422, n. 16. Em 1606 ainda se estranhava a proibição do livro de Alberto Pio; cf. BAIÃO, Anto- nio, "A censura literária inquisitorial", in BASc. vol.XII (1918), p. 505.

91 - Cf. ALLEN, P.S., Erasmus. Lectures and Wayfaring Sketches, Oxford 1934, "Erasmus1 Services to Learning", em especial p.58.

92 - P.9, 1. 35 ss. 93 - LB, I, 420 A. 94 - LB, IX, 818 DE.

95 - RAPP, Francis, L'Église et la vie religieuse en Occident a la fin du Moyen Age, Paris 1971, pp. 306-309.

96 - LUBAC, Henri de, S.J., Exégèse médiévale. Les quatre sens de l'Ecri- ture, (Paris 1959), t. I, p. 295, n.3.

9 7 - 0 que de alguma forma se reflectia na voga da bruxaria ao longo do sec. XVI; cf. DELUMEAU, Jean, La civilisation de la Renaissance, cit., cap XV; cf. também FEBVRE, Lucien, Le problème de l'incro- yance au XVI siècle. La religion de Rabelais, Paris 1962, pp. 458 ss.

98 - MONÇON, Francisco de, Primero libro del espejo del principe chris- tiano, cit., fo. xxxiiii v.

99 - Ed. HOLBORN, cit., p. 66-67; na tradução castelhana, ed. AL0NS0, p. 229-230.

100 - PAYNE, "Towart the Hermeneutics of Erasmus", cit., em particular pp. 23 ss.

101 - Durante algum tempo foi habitual sublinhar certo "intelectualismo" no pensamento erasmiano : cf. HUIZINGA, Érasme, cit., p. 170; con- tudo não há que esquecer que a linha central do seu modo de pensar e fundamentalmente religiosa, em sentido até escatológico, não lhe faltando aspectos místicos em vários locais da sua obra; cf. DE VOGEL, C.J., "Erasmus and his Attitude towards Church Dogma", in Scrinium, vol. II, p. 123. Além disto, Erasmo foi também poeta re- ligioso (cf. REEDIJK, The Poems of Erasmus, cit.) e peregrino

que se insurgia contra o espectáculo "pagão" da maioria dos seus contemporâneos: cf. HALKIN, Léon­E., "Érasme pèlerin", in Scrinium, vol. II, pp. 239­252.

102 ­ Por exemplo no Methodus:"lam quod ad eas attinet litteras, quarum adminisculo commodius ad haec pertingimus, prima cura debetur per­ discendis tribus Unguis Latinae, Graecae, Hebaicae, quod constet omnem scripturam mysticam hisce proditam esse."; ed. H0LB0RN, cit., p. 151, 1. 25­28.

103 ­ Cf. no Enchiridion, referindo­se ao culto dos santos pelas pessoas incultas: "Ego vero non tam damno eos, qui haec simplici quadam superstitione faciunt, quam qui emolumentum suum secuti ea, quae tolerabilis fortasse sunt..."; ed. H0LBORN, cit., p.66­67.

104 ­ Uma atitude muito próxima tomava Azpilcueta no seu Commento en ro­

m a n c e e n o Manual de confessores; com uma diferença: enquanto Erasmo

se concentrava na questão do aperfeiçoamento espiritual interior, o dr. Navarro punha a tónica no serviço de Deus.

105 ­ DELUMEAU, Jean, Le Catholicisme, cit., pp. 243­248; cf. também LUBAC, Henri de, Exegese médiévale, cit., t. IV, p. 404­405.

106 ­ Daí a referência ao mundo sórdido —­ cf. o colóquio Opulentia sordi­ da,mantido por João Fernandes — habitado pelos frequentadores de bordeis, pelos embriagados, ladrões, etc.; cf. Exomologesis, LB, V,

153 F, onde se encontra um testemunho pessoal. Não admira que em tex­ tos como a Praeparatio ad mortem a evocação desse mundo se torne útil para a contraposição com o mundo espiritual. Vid. MARGOLIN, J. ­ C , Recherches érasminennes. cit., p. 30; MARLIER, Georges, Erasme et la peinture, cit., pp. 113 ss.

1 0 7 " Enchiridion, ed. H0LB0RN, cit., p. 67, 1. 14­16.

108 ­ Cit. in GILMORE, Myron, "Italian Reactions to Erasmian Humanism", cit. p. 86­87.

109 ­ Ed. H0LB0RN, cit., p. 66.

110 ­ GILMORE, "Italian Reactions", cit., p. 87.

111 ­ LB, III, 696 DE; cf. BAINTON, Roland H., Erasmus of Christendom, (New York 1969), p. 225, n.27.

112 ­ Commento en romance, éd. cit., p. 340.

113 ­■ Tratava­se de uma noção de otium humanista que incluia vários elemen­ tos da tradição literária medieval; cf. MASSAUT, J.­P., Josse Clich­ tove, cit., vòl. I, p. 173­175.

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114 - O que foi interpretado como uma conversão de Erasmo; cf. HYMA, Albert, por exemplo in The Life of Desiderius Erasmus«Assen 1972, p. 129-130. 115 - Cf. TRACY, Erasmus. The Growth of a Mind,cit., pp. 95-96.

116 - Cf. BRAVO, Bernardo, S.J., "Influjos de la Devotio Moderna sobre Eras mo de Roterdam", cit., p.105.

117 - No entanto, a um nível mais profundo do pensamento religioso de Eras- mo tal distinção poderia perder o seu significado, como parece ter sido o caso de Juan de Valdês: vid. NIETO, Jose C , Juan de Valdês and the Origins of the Spanish and Italian Reformation , Genève 1970, pp. 260-261 e n.12.

118 - Methodus, ed. HOLBORN, cit., p. 151, 1.13-15. A mesma ideia surge em vários outros textos, como na carta a Dorpius; cf. Érasme, Eloge de Folie nouvellement traduit par Pierre de NOLHAC (...) Suivi de la Lettre d'Érasme à Dorpius avec des annotations de Maurice RAT, Pa- ris (1953), por exemplo p. 214, p.234. Sobre a questão, cf. MASSAUT, Josse Clichtove, cit., I, p. 383, n.44.

119 - 0 que não deixava de ficar próximo da condenação da superstição por parte dos autores de orientação mística, como Tauler; cf. BIZET, Mystique allemands, cit., p. 97 e "Tauler auteur mystique?", in La Mystique Rhénane, Paris 1963, p. 175, onde se põe em destaque o pa- pel de guia de almas de Tauler e o seu esforço para as orientar no sentido da contemplação pura.

120 - Ha que anotar que Erasmo chega as edições dos textos evangélicos e dos textos antigos, isto é das "fontes", através de um itinerário que passa pela leitura das Epístolas de S.Paulo, na esteira de Vi- trier e de Colet, e pela simpatia por Valia; cf. RENAUDET, Augustin, "Paris de 1494 i 1517: Église et Université. Réformes religieuses. Culture et Critique humaniste", in Courants religieux et Humanisme, cit., pp. 21-24.

121 - Enchiridion, ed. HOLBORN, cit., p. 151, 1. 13-15.

122 - Como foi o caso do convento de Lorvão ao tempo da abadessa D. Filipa de Eça, dos mosteiros de Semide e de Cheias; vid. as cartas de D. João III a Baltasar de Faria sobre o assunto, in Corpo Diplomático Português, t. V, p. 206, pp. 465 ss. por exemplo.

123 - Vid. WALKER, D.P., "Origine en France au début du XVIe siècle" , in

Courants religieux et Humanisme, cit., pp. 112-115 em especial. 124 - Como fez Maria Cazalla; cf. BATAILLON, Erasmo y Espana, cit., p.472.

125 - Pontos em que convergiam varias correntes do pensamento religioso da época histórica do Humanismo, se bem que nem todas se possam integrar nele. Há que anotar que João Fernandes deixou permanecer na sua edição dos Colloquia, com modificações é certo, a Apologia de Reuchlin, cujo pensamento, largamente eclético, se orientava no