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Dans le document Topologie, Analyse Fonctionnelle (Page 42-47)

De seguida iremos apresentar os pontos principais da obra cujo capítulo serve de base à análise que iremos apresentar de seguida retirado do livro The

Posthumous Papers of the Pickwick Club (comumente conhecido como The Pickwick Papers) escrito por Charles Dickens em 1836 e cujaversão portuguesa que aqui apresentamos se intitula Os Cadernos de Pickwick. Assim, a obra foi escrita para publicação em fascículos, The Pickwick Papers é uma sequência de aventuras vagamente relacionadas. A personagem principal do romance, Samuel Pickwick, é um velho rico e cavalheiro presidente e fundador do Clube Pickwick. Para alargar as suas pesquisas em fenómenos curiosos da vida, ele sugere que ele e outros três Pickwickianos (Sr. Nathaniel Winkle, o Sr. Augustus Snodgrass, e o Sr. Tracy Tupman) façam viagens a lugares remotos de Londres e relatem as suas descobertas aos outros membros do clube. As suas viagens pelo interior do país fornecem o tema principal do romance.

O seu principal valor literário é formado pelas suas inúmeras personagens memoráveis. Cada personagem em The Pickwick Papers é desenhada comicamente, muitas vezes com personalidades exageradas. Alfred Jingle, que se junta ao elenco no capítulo dois, proporciona uma aura de vilania cómica. Os seus truques desonestos colocam repetidamente os Pickwikianos em apuros. Estes incluem a tentativa de Jingle que quase foi bem-sucedida de fuga com a solteirona Rachael Wardle da mansão Dingley Dell, as desventuras com o Dr. Slammer, entre outros.

Há um tom humorístico geral, por vezes brevemente substituído pela sátira social cortante (incluindo contra o sistema jurídico), o livro apresenta também uma forte crítica social através da estereotipia das suas personagens.

Além disso, há uma crítica ao espírito científico da época. As personagens principais, embora abertas aos procedimentos racionais da ciência,

demonstravam grande inabilidade para situações que exigiam exequibilidade e que alicerçam a maior parte dos episódios cómicos do livro.

A versão Inglesa utilizada neste estudo – texto de partida – consiste num romance reeditado em 2003 pela Penguin. Este romance foi publicado pela primeira vez em fascículos entre 1836-1837 sob o pseudónimo de Boz e em forma de livro em 1837. A versão objeto do nosso estudo baseia-se nessa primeira edição. Esta primeira obra de ficção de Dickens constituiu originalmente uma série de legendas para a obra do caricaturista Robert Seymour. Porém, a forma espirituosa com que são descritos os acontecimentos do bondoso e ingénuo Samuel Pickwick e seus amigos no Pickwick Club foram imediatamente bem-sucedidos o que fez de Dickens uma sensação literária. Esta versão, com a introdução e notas de Mark Wormald, permite-nos a clarificação quer do contexto no qual a obra se insere, quer da obra em si e do objetivo do autor:

Much more importante was what he now annouced as ‘the author’s object’: to place before the reader a constant succession of characters and incidentes; to paint them in vivid colours as he could command; and to render them, at the same time, life-like and amusing’. (2003-15)

Ao longo da obra o envolvimento do Sr. Pickwick em diversos episódios é predominantemente cómico. O Estilo de Dickens é diferente da forma de escrita moderna, isto é, nesta os autores expõem opiniões, ele cria personagens diferentes.

Assim, e sucintamente, a obra descreve a criação inicial do Pickwick Club dirigido por Samuel Pickwick que decide estabelecer uma sociedade em que quatro membros viajam pela Inglaterra fazendo relatos das suas viagens. Os quatro membros são o Sr. Pickwick, um empresário reformado amável e filósofo cujos pensamentos sobre a realidade vão sendo apresentados; Tracy Tupman, um mulherengo que nunca faz uma conquista; Augustus Snodgrass, um poeta que nunca escreveu um poema, e Nathaniel Winkle, um atleta de enorme inépcia. Relativamente à versão portuguesa utilizada neste estudo – texto de chegada – consiste numa tradução de Maria Vale de Gato com prefácio de Ricardo Araújo Pereira publicada pelas edições Tinta da China e constitui a segunda tradução da

obra feita em Portugal, tendo a primeira sido levada a cabo por Henrique Lopes de Mendonça em 1898.

Para o presente trabalho escolhemos a tradução publicada mais recentemente, uma vez que, e como a própria tradutora afirma na nota textual e de tradução “ […] a versão de Lopes Mendonça (…) está algo desatualizada e parceria em certos trechos menos compreensível ao leitor de hoje, […]” (2003:17) detalhe que justifica a nossa escolha face ao objetivo do nosso estudo no sentido da adequação da tradução, com autenticidade, em termos lexicais, semânticos e sintáticos à Língua de Chegada tal como ela se fala na atualidade, ou seja, para um leitor contemporâneo.

Esta versão é ainda prolixa em exemplos de comédia, por exemplo no léxico, na sintaxe e mesmo semanticamente, para os quais a tradutora consegue, através da utilização de equivalentes em português, dar a mesma forma e significado. A razão por que escolhemos esta obra prende-se com o facto de, para além de ser um clássico da literatura mundial, a versão portuguesa ser um bom exemplo de uma tradução feita com autenticidade. Como verificámos a existência dessa autenticidade? Sobretudo no facto de a tradutora conseguir desencadear no leitor os mesmos efeitos gerados no leitor do original recorrendo a recursos de caráter lexical, com expressões cujo registo de língua – umas vezes cuidado, outras familiar é semelhante em português pelas equivalências encontradas. O mesmo acontece em termos semânticos e sintáticos – recursos em análise no nosso estudo.

Por outro lado, quando lemos esta obra e comparámos com a tradução vimo-la como um desafio para qualquer tradutor e, face ao exposto anteriormente, considerámos que seria importante dissecar os meandros da sua tradução numa tentativa de, por este meio, podermos encontrar formas de reflexão sobre a tradução literária em geral e, sobre esta obra em particular.

De seguida levaremos a cabo o nosso estudo de caso. Considerámos que ao analisar esta tradução, a forma mais fácil poderia ser o de tentar encontrar erros e ajuizar somente com base neste pressuposto. Contudo, chegámos à conclusão

que tal procedimento não era efetivamente o objetivo do nosso estudo, uma vez que esta análise contrastiva pretende apenas demonstrar e não corrigir, uma vez que consideramos este trabalho um bom exemplo de autenticidade em tradução. Assim, iremos de seguida apresentar contrastivamente o capítulo I do livro apresentado (na versão inglesa e portuguesa) e a respetiva tradução.

Optámos por apresentar contrastivamente os diversos excertos da obra, numerando os exemplos encontrados e analisando, posteriormente, a sua pertinência para o nosso estudo como recursos que promovem a autenticidade e porquê. Após o que recorremos a tabelas para determinar quantitativamente o recurso que mais se destaca na promoção da autenticidade.

Não consideraremos na nossa análise diferenças no original e tradução que sejam inevitabilidades da transposição de um sistema linguístico para outro, como, por exemplo, alterações sintáticas que sejam específicas do nosso sistema linguístico, alterações lexicais que sejam gramaticalmente necessárias na língua portuguesa ou mesmo alterações semânticas devido à inexistência na língua portuguesa. Neste conjunto de situações não se trata de escolhas do tradutor de equivalências promotoras de autenticidade, mas tão-somente de características específicas dos sistemas linguísticos envolvidos.

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