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Cons´ equences du th´ eor` eme de Hahn-Banach

Dans le document Topologie, Analyse Fonctionnelle (Page 92-97)

Estes museus eram uma fonte de ensinamentos muito importante no contexto do século XIX. Recordo que a disseminação das ideias era dificultada pelas limitações que haviam neste século a nível de deslocações, o que fazia com que as novas descobertas demorassem algum tempo para se difundirem. A segunda metade deste século veio trazer algum avanço com o

desenvolvimento das vias de comunicação, mais propriamente com a introdução das máquinas a vapor.

A realização das exposições universais deram igualmente um grande impulso e contributo à divulgação do que de melhor o país produzia, possibilitando aos países menos desenvolvidos tecnologicamente, apetrecharem-se de

maquinaria, contribuindo para o desenvolvimento das suas indústrias e mesmo da agricultura.

Consequentemente, sendo as escolas industriais pólos disseminadores de novas ideias que iriam alimentar a tão desejada industrialização de Portugal, os museus, a par dos outros estabelecimentos auxiliares anteriormente descritos, proporcionavam aos estudantes, maioritariamente artífices, o conhecimento prático de que careciam, tendo a possibilidade de contactar directamente com os objectos, ver como eram, de que eram feitos e mesmo ver as máquinas que os fabricavam.

Se esses conhecimentos contribuiriam de facto, para o desenvolvimento prático e intelectual e para a melhoria do fabrico dos objectos que correspondiam à sua arte, já não o podemos comprovar.

Na minha perspectiva, tais espaços, muito embora não tivessem o cunho necessário que o emergente processo exigia, conforme o que apontamos no ponto 2.2, foram um espaço vocacionado e privilegiado para a aquisição de novos conhecimentos.

Recordo que mesmo os alunos que tinham a possibilidade de ir às exposições universais não podiam manusear os objectos o que talvez dificultasse a

apreensão das novas tecnologias.

No espaço do museu tecnológico era diferente, com a ajuda dos lentes, os alunos tinham um contacto mais próximo com os objectos o que era muito mais vantajoso e rentável.

Um dado curioso é a questão dos próprios manuais de ensino que evoluíram de maneira a serem mais ilustrativos do que descritivos o que permitia às classes operárias, não muito instruídas, entender de forma mais didáctica as novas tecnologias.90

Com o surgimento dos Museu Industriais e Comercias esta questão foi alargada. Agora as novas descobertas e invenções estavam ao alcance de todos ou, melhor, da cidade do Porto, que respondeu, em massa, à chamada, apreciando, de forma mesmo efusiva, a existência deste novo espaço de conhecimento.

Agora, para além dos alunos das escolas e institutos industriais, todos

poderiam apreciar as maravilhas tecnológicas que desfilavam em vitrinas bem organizadas e com os objectos devidamente classificados e com catálogos editados especificamente para o efeito.

Para além do carácter contemplativo de toda a exposição, qualquer pessoa especialista em qualquer área, poderia ali alimentar a sua curiosidade,

adquirindo novos conhecimentos e se dar conta dos avanços tecnológicos que se iam verificando.

O museu passa a ser um local vivo, onde os visitantes se podiam deslocar para aprender sempre mais.

Um dos aspectos mais interessantes nesta questão, de que o museu poder ser uma fonte de ensinamentos, foi a constituição dum gabinete de estudo das exposições de indústrias e artes industriais que permitia aos visitantes fazer algumas cópias do que estava exposto, como se pode ver em notícia publicada na altura da sua inauguração:

Previne-se o publico de que está aberto o gabinete de estudo das exposições de Indústrias e artes Indústrias, inauguradas em 1 de Janeiro de 1888.

Segundo o regulamento provisório, é permittido a qualquer visitante tirar cópia das estampas e modelos de gessos expostos (Art. 1º).

90 Em finais de oitocentos houve grandes tiragens de obras publicadas na Biblioteca do Povo e

das Escolas (antecessora da Biblioteca de Instrução Profissional), abrangendo um grande número de leitores, inclusive, devido a títulos com alguma especificidade e estratos profissionais bem delimitados.

A cópia póde ser feita em desenho á vista, ou decalcando. Todo o material de desenho é fornecido gratuitamente pelo museu.

As horas úteis de estudo são as do serviço publico do museu. A primeira série de exposições, que abrange quatro mil estampas, é preenchida pelas collecções de estudo do conservador.

O regulamento provisório para o serviço do gabinete de estudos, está patente no museu.91

Fica assim bem patente a ideia de que um museu, como serviço público, é de grande utilidade para toda a cidade, não ficando apenas destinado aos alunos das escolas que lhe estavam associadas, mas também para a sociedade em geral.

Este gabinete tinha, sem dúvida, uma função muito específica, que o projectava para muito mais além do que a contemplação de raridades

industriais vindas de outros países, concentrava-se em colocar à disposição de

todos, o Museu Industrial e Comercial da cidade do Porto.

Esta prática acabou por se perder na maioria dos museus, mesmo nos actuais, o que, em muitos casos, é de lamentar.

A prática só era possível com a constituição deste tipo de espaços na escola pois, sem eles, o objectivo principal deste ensino deixava de ter sentido, uma vez que este era o factor que distinguia o ensino industrial do ensino praticado na Academia Politécnica do Porto que era, essencialmente, teórico.

Outro factor que terá contribuído para que tanto o museu como os outros estabelecimentos fossem um local de aprendizagem onde a tecnologia mais actual era utilizada no ensino, foram os homens que dirigiram o Instituto Industrial durante o século XIX, como foi o caso do José Parada e Silva Leitão e Gustavo Adolfo Gonçalves e Sousa que envidaram todos os esforços para estar sempre a par das inovações tecnológicas que surgiram a bom ritmo na segunda metade do século XIX, trazendo estas novidades para escola e, consequentemente, para a cidade do Porto.

Não nos podemos esquecer que a museologia, já deste o século XVIII se vinha a especializar e os valores culturais, políticos e pedagógicos passaram a ter

grande importância na sociedade. Os Museus convertem-se, deste modo, numa aula permanente de lições históricas.92

E, na realidade, isto era o que realmente tal tipo de museu pretendia ser – uma aula permanente – uma fonte de saberes práticos que alimentava o ensino industrial.

Tais museus tinham sempre uma mais-valia pedagógica: a observação directa dos objectos, mesmo tratando-se de réplicas dos originais e o seu próprio manuseamento, principalmente no Museu Tecnológico, o que servia perfeitamente a vertente prática do ensino industrial.

Os museus, quaisquer que tenham sido as suas denominações, foram um complemento muito importante para o ensino industrial, pois permitiram aos alunos, que tinham uma ideia redutora da instrução, adquirir uma visão alargada e actual das tecnologias emergentes.

Através da prática, foram adquirindo conhecimentos a que nunca teriam acesso se não tivessem frequentado este tipo de estabelecimento de ensino

especializado.

A escola, através dos seus métodos de ensino, composto por aulas teóricas e práticas, permitia aos seus alunos uma formação prática e actualizada no campo industrial e comercial, de que tanto carecia o país e principalmente a cidade do Porto, que vivia aliás como toda a Europa desenvolvida, tempos de desenvolvimento e incremento nestes sectores.

92 FERNÁNDEZ, Luis Alonso – Museologia (Introduccioón a la Teoría y Práctica del Museo).

III.

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