CHAPITRE III - Estimation de la durée de vie de joints soudés soumis à un spectre
III.4.4. Flexion
3.1 – Objectivo da Ficha de Práticas
Após todo o processo de recolha de informação, análise de documentos e estudo da história e cultura das comunidades ciganas, decidimos criar uma ficha que caracterizasse as práticas e intervenções promissoras com as comunidades ciganas no desenvolvimento do Programa Escolhas. O objectivo desta ficha foi a recolha de dados cuja análise e interpretação viesse promover uma discussão e consequente produção de recomendações em torno das diferentes intervenções em curso nesta área, no âmbito da educação formal e não-formal e da Educação Intercultural. A ficha foi criada enquanto formulário, contendo três partes distintas, tais como:
Figura 4 – Campos da Ficha de Práticas
Ficha de Práticas
Identificação do Projecto Implementação do Projecto Avaliação do Projecto - Componente Intercultural - Parcerias - Mecanismos de monitorização interna e avaliação - Dificuldades sentidas - Factores críticos de sucesso - Distinção - Disseminação - Informações relevantes - Contacto do Projecto - Problemas diagnosticados - Objectivos da intervenção - Estratégias e metodologias adoptadas - Destinatários e beneficiários - Resultados previstos/alcançados - Designação da Prática - Técnico responsável - Área geográfica de implementação - Contextualização do território e contexto socioeconómico
71 A ficha foi enviada a todos os projectos que indicaram em candidatura a intenção de desenvolver acções com as crianças e os jovens provenientes das comunidades ciganas, enquanto destinatárias ou beneficiárias. Neste sentido, foram contactados 7525 projectos via correio electrónico.
Para além do envio da ficha, todos os projectos foram contactados telefonicamente, reforçando o preenchimento da mesma e esclarecendo eventuais dúvidas.
Foram recepcionadas um total de 19 fichas, através das quais foi possível conhecer e analisar algumas acções em curso, para a promoção da inclusão escolar das crianças e jovens ciganos, bem como o conhecimento do meio social onde vivem.
Uma vez que cada projecto tem um coordenador, a Ficha de Práticas foi endereçada para o e-mail principal de cada projecto, ao cuidado do seu respectivo coordenador. Porém, isto não implica que os outros membros técnicos não tenham contibuído para o preenchimento desta.
Depois, procedi à análise de conteúdos das respostas na tentativa de conseguir retirar informações importantes, encontrando conteúdos precisos para identificar as práticas e estratégias utilizadas para a inclusão escolar das crianças e jovens de comunidades ciganas.
Para esta análise utilizámos a técnica de análise de conteúdos (Bardin, 2009) e procedemos à criação de uma grelha de categorias e indicadores, na página do Microsoft
Excel,, mostrando as variáveis que apresentam maiores frequências.
O uso das grelhas e dos quadros na análise dos dados, foi uma forma encontrada para organizar e simplificar a informação e apresentar os dados, com o objectivo de proporcionar uma leitura clara e objectiva e, também uma compreensão mais rápida e viva do assunto em causa.
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3.2 – Caracterização dos projectos
Os projectos Escolhas que em parte serviram de objecto de estudo deste presente trabalho, encontram-se espalhados de Norte a Sul do país, com maior concentração na área Norte e Centro de portugal.
Neste sentido, de forma a melhor contextualizarmos os meios de intervenção dos 19 projectos, Poder Escolher (LX006), Bola para Frente (LX008), Interligar (LX27), A Rodar (LX028), Projecto Sementes (LX068), Novos Desafios II (LX113), Trampolim (NC013/C), Multivivências (NC019), Percursos Alternativos (NC044), Gerações com Futuros (NC058), Tomar o Rumo Certo (NC074), Multisendas (NC135), Giro (NC144), T3tris (NC164), MUSEpe (SI001), Inclusão pela Arte II (SI004), (Re)Cria (SI012), Encontros (SI034) e Intercool (SI041), segue-se um mapa com a sua distribuição:
73 Isto, porém, reflecte o empenho e o desejo do Programa Escolhas, no combate aos problemas emergentes destas comunidades em todo o país, principalmente os problemas no âmbito da educação, que têm sido o foco principal do Programa e, também deste trabalho, que pretende dar o seu contributo nesta área.
Grande parte destes projectos, também por situarem-se mais ao Centro do país, desenvolve os seus trabalhos e actividades nos meios urbanos, sendo poucos os que estão nos meios rurais. Estes trabalhos, tendo em conta a necessidade de cada projecto, são realizados directamente em escola, bairros, centros comunitários e/ou acampamentos.
O público-alvo são as crianças e os jovens das comunidades ciganas, porque são oriundos de famílias pertencentes a um meio socioeconómico mais vulnerável, apresentando problemas de várias naturezas. De acordo com a informação dada pelos coordenadores, através da respectiva ficha, grande parte destas crianças e jovens vivem em bairros sociais e com condições mínimas, nos bairros de lata (barracas) ou nos acampamentos; são crianças e jovens cujos pais estão no desemprego e têm como nível de rendimento os apoios do Rendimento social de intervenção ou apoio familiaar (os abonos, por exemplo) e os subsídios de desemprego.
Para além das características apontadas, estas crianças e jovens são muito poucos sucedidos na escola, têm pouca escolaridade e vão com muita irregularidade à escola. Por isso, os projectos têm desenvolvido muitos trabalhos com as escolas e com as famílias, que neste caso são os benificiários de muitos destes projectos, na tentativa de alcançarem mudanças positivas, como por exemplo a aproximação da escola à família e vice-versa, a compreensão de ambas as culturas e inclusão escolar e social dos seus destinatários.
3.3 – Problemas identificados
No que respeita aos problemas diagnosticados pelos projectos, as crianças e/ou os jovens ciganos com quem trabalham apresentam grandes défices escolares, são crianças
74 e jovens que por pertencerem à minoria étnica cigana, sofrem muitos preconceitos por parte do meio envolvente e, têm poucos apoios e compreensão dos professores.
Neste sentido, os problemas mais sentidos pelos projectos e que apresentam maiores semelhanças entre eles, são os seguintes: absentismo, insuceso e abando escolar, o analfabetismo ou baixa escolaridade, a desvalorização escolar por parte destas comunidades.
São tidos, também, como problemas as expectativas negativas por parte da cultura maioritária; a exclusão social e défice de competências e ansiedade social; a desvinculação com currículos escolares; técnicos e professores insuficientemente informados e capacitados para a intervenção junto de comunidades ciganas; as discrepâncias culturais ao nível da valorização escolar e a ausência do diálogo intercultural, compreensão e aceitação da diferença, entre muitos outros problemas.
3. 4 – Objectivos
Face aos problemas emergentes das comunidades ciganas, que foram identificados no ponto anterior, são vários os objectivos que os projectos traçaram para dar respostas às várias situações. Deste modo, quase todos estes projectos têm como principais objectivos, promover o gosto pela escola; aumentar a assiduidade na escola; diminuir as taxas de absentismo, insucesso e abandono escolar; promover a integração no meio escolar e social, promover aprendizagens; fomentar o diálogo intercultural; sensibilizar e auxíliar os professores no trabalho com alunos ciganos; aumentar o nível de conhecimento dos técnicos sobre cultura e comunidade cigana e interligar os saberes formal e informal reforçando a aproximação à escola e o investimento na aprendizagem formal.
3.5 – Estratégias
Para dar resposta aos problemas identificados e, consequentemente atingir os objectivos traçados, são muitas as estratégias que os projectos têm recorrido. Assim, tendo em conta os grandes problemas referidos, são utilizadas estatégias pedagógicas formais e
75 não formais, que passam principalmente pela programação de sessões em áreas de interesse destas crianças e jovens que, normalmente, não têm acesso.
De acordo com a informação dada nas fichas, os projectos têm desenvolvido trabalhos de acompanhamento e apoio dos seus destinatários, nas escolas e junto das famílias; têm desenvolvido actividades junto da população maioritária para a desconstrução de estereótipos, promover o conhecimento e valorização da cultura cigana e aproximar as duas culturas; têm criado acções de formação para os técnicos e professores que trabalham com as crianças e jovens das comunidades ciganas, produzinho o conhecimento da cultura cigana.
3.6 – Práticas socioeducativas: percepção dos coordenadores
De forma a responder aos problemas que tem colocado grandes entraves à inclusão escolar e social de crianças e jovens de comunidades ciganas, estes projectos desenvolveram práticas educativas de caracter formal e não-formal.
Tendo em conta todos os projectos e a transversalidade das práticas existentes foram destacadas um total de 13 práticas, que em muito têm contribuido para promover a inclusão social e escolar do público-alvo. Estas demonstraram o desejo dos projectos em atenuar problemas mencionados. Estas práticas passam pelo desenvolvimenteo pessoal, social, escolar e sessões de educação para interculturalidade.
São práticas que procuraram colmatar os problemas relativos a educação; integração das comunidades ciganas na sociedade, promovendo o entendimento entre culturas.
Há pelo menos três projectos que desenvolvem as suas actividades na escola e nos bairros, nos centros comunitários ou acampamentos, o que constitui uma boa prática, “levando o bairro à escola” e a “escola ao bairro”. Tendo em conta os objectivos propostos, pelos projectos, um dos meios para alcançarem o sucesso é criar uma ponte entre a escola e a famíla, através da mediação e acções de sensibilização.
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3.7 – Componente Intercultural
No que respeita à interculturalidade, de acordo com a informação obtida, verifica-se que alguns destes projectos usam a componente intercultural trabalhando não só com as crianças e os jovens das comunidades ciganas, mas também com a população maioritária. A utilização da componente intercultural é vista pelos projectos que a põem em prática, como um dos meios cruciais para provocar o tal entendimento cultural referido anteriormente, bem como a valorização das culturas desconstruindo, deste modo, os estereótipos e preconceitos de que estas comunidades são alvo; aumentar a oportunidade e a igualdade das crianças e jovens da etnia cigana perante o resto da população, fazendo ver que em comunidade todos podem ter os mesmos acessos.
3.8 – Dificuldades
Nos trabalhos e actividades que desenvolvem com os seus destinatários e beneficiários estes projectos sentiram muitas dificuldades porque, como referido estas comunidades apresentam muita resistência a escola e têm uma forma de organização social muito distinta da população maioritária e, também porque há muito pouca compreensão da população maioritária relativamente a este grupo étnico minoritário, dificultando assim os trabalhos.
Neste sentido, de um modo geral, os projectos afirmaram que sentiram dificuldade em trabalhar com estas crianças e jovens, tendo em conta mediantes situações: conseguir uma participação assidua do público-alvo; combater o estigma dos professores perante os alunos de etnias ciganas; quebrar a resistência das crianças e dos jovens à escola; conseguir o número significativo do público-alvo, devido ao casamento precose, nomeadamente a participação de raparigas por causa da desigualdade de géneros existentes nas comunidades ciganas; sensibilizar as famílias e crianças para a importância da escola; encontrar estratégias que pudessem envolver os pais e os professores, expôr aspectos positivos da etnia cigana e diminuir a resistência do público-alvo à concentração, coordenação e aprendizagem.
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3.9 – Resultados alcançados
Mediante os objectivos traçados e das dificuldades sentidas os projectos no seu total conseguiram alcançar grande parte dos seus objectivos, o que demonstra que estam a desenvolver boas práticas educativas, consequentemente a inclusão escolar e social da população alvo. Estes resultados foram alcançados, através da combinação de práticas formais e não formais, utilizando as áreas de interesse da população alvo.
Tento em conta os contextos em que cada projecto intervém e da problemática existente, alguns projectos tiveram em conta a componente intercultural, na medida em que promoveram momentos de inter-conhecimento e diálogo intercultural entre as comunidades ciganas e a população maioritária, permitindo a integração da população minoritária. Também verificamos que, o facto de os projectos trabalharem em conjunto com a escola e as famílias, contribuiu muito para a aprendizagem das crianças e dos jovens em causa, bem como a integração destes na escola.
3.10 - Reflexão sobre as práticas educativas identificadas
Dá análise das fichas de práticas, verificamos que apenas alguns projectos revelam a preocupação com a abordagem numa perspectiva intercultural, não se centrando apenas na população alvo dos projectos em estudo, mas também no trabalho cultural com a população maioritária e na relação entre elas.
Verificamos que a utlização da componente intercultural, é uma estratégia que poucos projectos tiveram em conta para promover uma Educação Intercultural, que têm em conta a comunicação e o Diálogo Intercultural. No entanto, deste número reduzido, a utilização de práticas interculturais foram consideras importantes, para colmatar os diversos problemas identificados nos trabalhos que estes desenvolveram com as crianças e os jovens de comunidades ciganas. Isto porque, alguns problemas existentes prenderam-se com a falta de diálogo entre as culturas, a compreensão e valorização das mesmas.
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