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Finished medicinal product

Dans le document Assessment report (Page 28-38)

2. Scientific discussion

2.2. Quality aspects

2.2.3. Finished medicinal product

Para atingir os objetivos propostos nesta tese, o trabalho está dividido em seis capítulos, iniciado com esta seção introdutória em que foram apresentados os pressupostos teóricos e metodológicos, além das inquietações que provocaram a pesquisa.

Intitulado “Os ângulos do imaginário”, o segundo capítulo focaliza o imaginário enquanto rota de investigação para se compreender como os discursos e imagens sobre a relação cuidados com o corpo e saúde transformaram-se em fundamento para uma noção de saúde

imaginária, viabilizando os vínculos entre o real e o imaginário, sendo este entendido como categoria do pensamento humano.

Em“As dimensões da saúde e do corpo”, problematizam-se ambiguidades e definições vinculadas às ideias de saúde, doença e corpo, sendo estes conceitos tomados como construção histórica e social. Além disso, apresentam-se as práticas de agenciamento do corpo desde as sociedades antigas até os dias atuais, para se compreender como chegamos à compreensão atual de uma saúde imaginária.

Dando continuidade aos dilemas em que a saúde está situada na atualidade, no quarto capítulo, “Das dimensões às formas: a estética da reprogramação corporal”, explicamos como a ideia de forma em Maffesoli (2010) nos ajuda a olhar os objetos de análise numa perspectiva mais aberta, compreensiva e “inacabada”, tal como estão os participantes dos reality shows durante a reprogramação corporal. Situamos então o formato reality show como um produto da comunicação e da informação, em seus sentidos mais etimológicos. Também apresentamos mais detalhadamente as características específicas de Além do Peso e Medida Certa, para assim deixar que o espetáculo esteja mais perto dos olhos.

Assim, o quinto capítulo, “Pesos e medidas da saúde imaginária”, descortina as formas da saúde imaginária tendo em vista como os reality shows Medida Certa e Além do Peso tratam a reprogramação corporal em termos de uma estética da saúde. É a etapa em que ocorre a análise do corpus propriamente dita, a partir do modelo teórico-metodológico que estamos propondo, conforme já explicamos: categorias corpo sem formas, modelagem midiática dos corpos e corpo

prêt-à-porter.

Ao final de cada capítulo, temos um bloco intitulado “Corpo em comunicação”, no qual apresentamos uma síntese das principais ideias discutidas no capítulo em questão e buscamos, à luz dessa temática, inserir o corpo na perspectiva que, de fato, é o princípio norteador desta pesquisa: compreender os imaginários de saúde e aparência enquanto fomentadores de comunicação, ou seja, no sentido de uma ética da estética, sendo esta entendida para além de suas associações com a beleza e a aparência.

Por fim, no sexto e último capítulo, que chamamos de “Compreensões Finais”, retomamos sinteticamente as principais ideias que respondem ao nosso problema de pesquisa e aos objetivos levantados nesta tese, destacando como a saúde imaginária entrelaça diversos embates e contradições em torno da noção de saúde e, diante disso, indicando como o presente trabalho pode contribuir para os estudos em Comunicação, apontando, ainda, limitações e perspectivas da presente pesquisa.

2 OS ÂNGULOS DO IMAGINÁRIO

Enquanto a imaginação dos gordos traça contornos mais leves e bem definidos ao corpo que enxergam no espelho, o imaginário midiático realiza o milagre da reprogramação. Nas mãos desse deus que privilegia o prazer estético, o que era sem forma, bruto e aterrador, é enxertado de sua antiga condição. A mídia, sobretudo o reality show, se dispõe a resgatar o disforme de seu pecado original, livrá-lo do juízo final e convertê-lo ao paraíso da medida certa por onde circulam corpos esguios e sorridentes.

A salvação está em aderir ao evangelho da boa saúde, à orientação de guias- especialistas, ao arrependimento que corrige as distorções, elimina as imperfeições e produz uma nova imagem, purificada de gordura e feiura. A televisão, selecionando os corpos que estão disformes, disponibiliza o saber biomédico, promove o encontro entre o homem e a ciência, instaura a biopolítica da reprogramação, tornando-se produtora e disseminadora da saúde imaginária.

Entender os ângulos dessa abordagem nos conduz a um modo de conhecimento que privilegia as aparências, as formas e as teatralidades do viver diário, percebendo o valor das imagens que abastecem as mentalidades individuais, moldam as experiências sociais e a própria comunicação. Começaremos, portanto, com o desafio de compreender três palavras citadas nos dois parágrafos acima e que vão nortear todo o percurso empreendido nesta tese: imaginação, imaginário e imagem.

Os três termos estão nas conversas do senso comum, nos conteúdos publicitários, nas informações jornalísticas, nos circuitos acadêmicos. Tão repetidas quanto mal interpretadas, imaginação, imaginário e imagem são palavras que, seguramente, estão na moda. Definir é também selecionar. Tendo em vista, portanto, que os termos são utilizados com diferentes sentidos e que estes perpassam os contextos sociais e históricos nos quais estão inseridos - e dos quais não conseguiremos dar conta nesta pesquisa -, os recortes aqui empregados se alinham às bases teóricas que referendam este trabalho. Partiremos da definição extraída de Dicionários das áreas de Filosofia e de Comunicação e, ao longo do capítulo, retomaremos as noções a partir das teorias do imaginário.

Imaginação, do latim imaginatio, quer dizer, em geral, a possibilidade de evocar ou produzir imagens, independentemente da presença do objeto a que se refere (ABBAGNANO, 2000). Aristóteles foi o primeiro a defini-la nesses termos, distinguindo-a “em primeiro lugar da sensação, em segundo lugar da opinião”.

Atrelada a expressões bastante repetidas no cotidiano, como “dar asas à imaginação” ou “imaginação fértil”, a palavra remete, no senso comum, a criar, representar, pensar e até “viajar”, no sentido de transcender uma realidade mais palpável e concreta.

No Dicionário de Comunicação (2009), a imaginação é apresentada como algo negligenciado, visto que, diante do pensamento científico e da técnica, as pessoas abandonam a capacidade de imaginar para consumir imagens já prontas. Mas, o que se imagina quando se pensa em imagens?

A noção de imagem esteve em torno de contradições desde que os filósofos gregos começaram a pensá-la. Para Platão, imagem é ideia que se faz de alguma coisa, sendo a ideia o verdadeiro real; enquanto Aristóteles definia a imagem como algo adquirido pelos sentidos, mas sem matéria. Neste sentido, a imagem é: 1) produto da imaginação; 2) sensação ou percepção, vista por quem a recebe. Este segundo significado foi usado largamente tanto pelos antigos quanto pelos modernos.

De acordo com o Dicionário Crítico de Teologia13, para a tradição judaico-cristã, imagem assume alguns sentidos: o cristológico (Cristo, imagem do Pai); antropológico (homem criado à imagem de Deus); literário (metáforas, símbolos, analogias utilizadas pela Bíblia) e também o psicocultural (a imagem da mulher, do homem, de Deus etc). No entanto, para além desses distintos usos e significados, o que nos faz retomar essas noções é a perspectiva de que a carga negativa associada à imagem é uma herança do cristianismo.

No Decálogo, Deus assegura sua exclusividade diante dos deuses de outras culturas, ordenando no primeiro e segundo mandamentos: “Não terás outros deuses diante de mim; Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirá”14. A

fim de impedir a idolatria, essa proibição foi a sentença que delegou a imagem ao descrédito e toda uma condenação, no Ocidente. Diferentemente das culturas não-ocidentais, baseadas em fundamentos pluralistas.

Fica mais fácil compreender esta perspectiva quando conhecemos o sentido etimológico da palavra. No latim, está atrelado a algumas palavras como imago, icona e simulacrum, sendo a primeira a mais geral, que vem de imtari, imitar. Em grego, o termo correspondente é eidos, cuja raiz etimológica é idea ou eidea, conceito que foi desenvolvido por Platão.

13LACOSTE, Jean-Yves. Dicionário Crítico de Teologia. Tradução Paulo Meneses. São Paulo: Paulinas, Edições

Loyola, 2004.

14 Extraído de Êxodo 20.3-5. BÍBLIA, Português. A Bíblia Sagrada: Antigo e Novo Testamento. Tradução de

O Dicionário de Filosofia de Japiassu e Marcondes também traz a perspectiva da Psicologia, segundo a qual a noção de imagem abarca toda representação sensível (auditiva, tátil etc.) e, com base nisso, “podemos ter uma imagem de uma melodia em nossa cabeça, ou a imagem de nosso corpo. Essa imagem (objeto do espírito) se distingue desse outro objeto do espírito que é a ideia, na medida em que possui como ponto de partida uma percepção sensorial” (2001, p. 101). Buscando uma aproximação do verbete “imagem” com o seu uso exacerbado na mídia e na cultura atual, o Dicionário da Comunicação sintetiza que as imagens servem como forma de analogia ou para realçar características pelas quais um objeto ou ser são identificados.

Por último, chegamos à palavra imaginário. Nos dicionários da língua portuguesa, definições como: “ilusório”, “irreal”, “fantástico” (Aurélio15) e “criado na imaginação”

(Houaiss16) são utilizadas em significado ao vocábulo “imaginário”. No Dicionário da

Comunicação (2009), a pesquisadora Márcia Benetti resgata a raiz etimológica da palavra (do latim, “imaginariu”) e destaca o imaginário como alvo de estudo de diversas disciplinas, tendo como base comum a recusa simplista entre real e imaginário, incorporando a contradição e a ambivalência. É exatamente a partir desta compreensão que o imaginário é tomado em nossa pesquisa. Diante disso, seguiremos adiante em mostrar de que imaginário estamos falando, quais as fontes em que bebemos e traremos de volta, ao longo desse percurso, as ideias de imaginação e imagem atreladas à perspectiva da mídia, nosso foco de estudo.

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