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FILE SPECIFICATION CONVENTIONS

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CHAPTER 3 MANAGING FILES

3.2 FILE SPECIFICATION CONVENTIONS

A literatura tem apontado que as crianças que sofrem abuso apresentam uma tendência de desenvolver dificuldades emocionais que podem se estender até a vida adulta, trazendo como consequências transtornos da personalidade e outros quadros psiquiátricos (Borges & Dell´Aglio, 2008).

Neste contexto, verificamos os traços de personalidade pautados na teoria dos três grandes fatores de Eysenck: o neuroticismo, psicoticismo e extroversão (Eysenck & Eysenck, 2013).

Os resultados demonstraram um panorama bem distinto. Os dois grupos expressaram fatores de psicoticismo dentro do esperado para a fase do desenvolvimento em que se encontram, não evidenciando acentuação em nenhum dos grupos estudo. Na prática, pode-se depurar destes dados que estas crianças e adolescentes tendem a ser mais precavidos, preocupados com seus atos, empáticos e afáveis.

Já no que concerne a extroversão, o grupo controle apresentou resultados mais elevados, sugerindo que estas crianças e adolescentes são mais afeitos a preferência por grupos, buscando, em maior grau, a estimulação social, além da tendência a se manter numa postura sociável e assertiva com relação às pessoas. Com este dado pode-se associar que a experiência traumática do abuso sexual corrobora ao isolamento social, que conforme estudo de Serafim et al. (2011) é um dos aspectos comportamentais presentes nos meninos.

Ao analisarmos as crianças e adolescentes do grupo de estudo, identificamos uma prevalência do neuroticismo elevado, sugerindo que estes sujeitos tendem a apresentar menor capacidade de tolerar frustrações além de certa dificuldade de conter seus impulsos. Sinalizando ainda uma maior instabilidade e menor controle emocional diante de situações de estresse.

Este dado se configura como um importante resultado, de forma tal que há um consenso na literatura de que a presença substancial de neuroticismo nos indivíduos já é um fator de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais na vida adulta, principalmente a depressão (Andrés, Richaud de Minzi, Castañeiras, Canet-Juric, & Rodríguez-Carvajal, 2016; Aldinger et al., 2014).

E, neste contexto, no qual se observa a presença de maior neuroticismo no grupo de vítimas de abuso, ressaltamos que a verificação dos traços de personalidade pode ser uma variável que irá se associar a outros fatores comuns das sequelas do abuso e potencializar uma problemática psicopatológica.

Ainda considerando o neuroticismo, Soler-Ferrería, Sanchés-Meca, Navarro, & Mateu (2014) aborda os fatores de risco nos transtornos de estresse pós-traumático e sua correlação com o desenvolvimento de neuroticismo. Este apontamento vem ao encontro de nossas observações de que quanto maior o índice de neuroticismo, maiores são as chances da pessoa vir a desenvolver o TEPT além de outros quadros psiquiátricos.

Neste cenário depura-se que a partir de uma vivência traumática, como a situação do abuso sexual, e a presença de traços de neuroticismo, os dados estatísticos do grupo de estudo confirmaram nossa hipótese, pois o grupo de crianças com abuso apresentaram maiores índices de neuroticismo, e com isto, este público apresenta possivelmente maior sofrimento psíquico e dificuldade de lidar com as próprias emoções pois, de acordo com Eysenck e Eysenck (2013), as pessoas com maiores índices de neuroticismo apresentam maiores problemas para o enfrentamento de suas dificuldades emocionais e altos níveis de ansiedade, relacionando o neuroticismo com sintomas depressivos.

Este achado também se associa aos estudos de Jeronimus, Ormel, Aleman, Penninx, & Riese (2013), Oliveira (2002), Breslau e Schultz (2013), Breslau, Chilcoat, Kessler, & Davis (1999) no que tange à associação entre os traços de neuroticismo, sintomas de depressão e quadro de ansiedade levando ao desenvolvimento do quadro TEPT.

Com isto, supõe-se que o grupo de abuso apresentou, além de altos níveis de neuroticismo, um menor índice de extroversão. Com o baixo índice de extroversão entende-se que há uma tendência maior em desenvolver relações sociais com menos vitalidade, mais apáticos e com menor espontaneidade e menor segurança.

Alguns estudos como Gamble et al. (2006) relatam que quanto mais severo for o abuso sexual, pior será o quadro de depressão e consequentemente maior o neuroticismo. Este quadro de neuroticismo vem associado com maior autoconsciência, acompanhado de sentimentos de vergonha e “embaraço”. Estes sentimentos de vergonha, ocasionada pelo abuso, podem desencadear o transtorno depressivo grave.

Para os autores Petersen, Bottonari, Alpert, Fava, & Nierenberg (2001) e Roy (2002) o neuroticismo está fortemente associado ao transtorno depressivo e situações de abusos na infância, como os abusos físicos, sexuais e a negligência. Para Roy (2002) os traumas na infância podem vir a desencadear traços de neuroticismo.

A incidência do neuroticismo também foi correlacionada negativamente com o desempenho em atividades cognitivas como o vocabulário, ou seja: maior presença de neuroticismo, menor resultado no vocabulário. Sendo assim, observa-se que a elevação do neuroticismo produza interferência na qualidade do desenvolvimento da linguagem, no

conhecimento semântico, repercutindo na inteligência geral verbal, bem como, prejudicando os benefícios da estimulação do ambiente ou da curiosidade intelectual. Isso pode ser melhor explicado, principalmente, pelo impacto social como o isolamento, por exemplo.

No estudo de Saldanha e Maia (2014) foi observada esta relação entre os aspectos cognitivos e sintomas de depressão em uma amostra de 23 crianças institucionalizadas por situações de maus-tratos, entre elas a negligencia e o abuso sexual. Neste estudo observou que neste grupo as crianças apresentaram maior quadro de sintomas de depressão e dificuldades nos aspectos cognitivos.

De uma maneira geral, a partir desta relação entre neuroticismo e cognição, entende-se que estas crianças se tornam menos comunicativa e com isto tendem a apresentar um quadro de conhecimento semântico abaixo do que é esperado, sem interesse por novos conhecimentos, pois se frustram com maior facilidade.

Isto porque as crianças que apresentam altos níveis de neuroticismo demonstram uma tendência a ter dificuldades em lidar com as emoções, instabilidade emocional, insegurança e, consequentemente, procuram menos estímulos cognitivos e intelectuais em seu meio.

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