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FILE OWNERSHIP AND SECURITY

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CHAPTER 3 MANAGING FILES

3.3 FILE OWNERSHIP AND SECURITY

Durante os últimos anos ocorreram grandes mudanças nos conceitos sobre família e na forma como esta se relaciona com a sociedade. Entende-se que hoje a família não tem uma definição única e nem uma maneira única de se desenvolver, mas há diversos tipos de famílias e modelos parentais (Ceconello, Antoni, & Koller, 2003).

Apesar das mudanças de valores e conceitos dentro do âmbito familiar, observa-se que há fatores compreendidos pela literatura como importantes ao desenvolvimento psíquico e emocional da criança, os fatores de proteção para um psiquismo saudável. Alguns fatores de proteção, como dinâmica de relação familiar, fatores socioeconômicos, nível de escolaridade dos pais, relação conjugal e doença psiquiátrica familiar são importantes.

Estes fatores podem ser tanto de proteção como indicadores de risco para situações de abusos intrafamiliares e também extrafamiliares, como abuso psicológico, violência doméstica e os abusos sexuais.

Cassoni (2013) faz um estudo sobre os tipos de estilos parentais e suas correlações culturais e socioeconômicas. Entende-se, a partir deste estudo, a importância do tipo de estilo parental que os genitores desenvolvem com a criança para as consequências emocionais desta. Os genitores presentes na vida da criança, participando da educação desta sem usar a força física como forma de impor regras, têm mais chances de terem filhos mais tranquilos e menos ansiosos.

Esta pesquisa se configura com o primeiro estudo a investigar os estilos parentais em meninos vítimas de abuso sexual.

Entende-se por estilos parentais, de acordo com Weber et al. (2004) citado por Cassoni (2013), a forma como se desenvolvem as práticas educativas entre pais e filhos, com atitudes que envolvem os genitores nesta relação, juntamente com os aspectos afetivos e intelectuais.

De acordo com Weil et al. (2004), pessoas que vivenciam situações traumáticas psicossociais na infância, como abusos físicos, violências domésticas e uso de drogas pelos genitores, têm uma tendência maior a desenvolver transtornos psiquiátricos na vida adulta, como transtornos afetivos e desordens de personalidade. Este público também apresenta maiores fatores de risco para neuroticismo. Este dado corrobora com resultados do grupo de estudo, cujos dados indicam maiores índices de neuroticismo e baixos de extroversão.

Estudo como o de Dong, Anda, Dube, Giles, & Felitti (2003), indica que o abuso sexual nem sempre ocorre de maneira isolada, mas com outras situações adversas: como famílias disfuncionais, agressões entre genitores, abusos psicológicos, físicos e a negligência familiar, trazendo consequências ao desenvolvimento cognitivo e possíveis transtornos psiquiátricos na vida adulta. Neste estudo fica clara a relação entre o abuso sexual e outras formas de abuso e negligência que irão afetar diretamente na percepção da criança com relação às práticas educativas dos genitores, ou seja, os estilos parentais.

Outros estudos também correlacionam famílias com estilos parentais autoritários e situações de abuso. Nestes, os filhos apresentam maior predisposição a sofrerem situações de violência psicológica e física por parte dos genitores. Estes estudos, como o de Cassoni (2013), por exemplo, indicam que os pais autoritários têm dificuldades de desenvolver uma relação de confiança com os filhos, e agem de maneira agressiva como forma de educar e impor regras, sem uma comunicação saudável. Os abusos psicológicos e físicos passam a ser consequências desta maneira de interação.

Os estudos de Tezel, Kislak e Boysan (2015) fazem uma associação entre maus-tratos na infância com o desenvolvimento de estilos interpessoais inadequados na vida adulta. Este estudo evidenciou que esta correlação é positiva, e crianças que sofrem abuso sexual desenvolvem estilos de relações interpessoais com maior esquiva e de maneira mais empobrecidas, dado que corrobora com o grupo de meninos abusados, pois estes que sofreram abuso apresentaram-se com comportamento mais esquivo e menos espontâneo (menor extroversão). Este dado também se correlaciona positivamente com a forma em que desenvolveram os estilos parentais com as figuras de referência masculina.

Com base na literatura, entende-se que o grupo de meninos abusados desenvolveu percepções negativas com relação ao estilo parental, principalmente frente à figura do genitor, visto que esta relação de afeto foi rompida, desencadeando uma relação conflituosa. É possível supor que estes genitores tenham se utilizado de padrões autoritários, com comportamentos agressivos, regras rígidas e até mesmo o uso da força física na educação dos filhos, muitas vezes como método para conseguir realizar o abuso sexual.

Os dados também mostraram que há uma relação entre os estilos parentais desenvolvidos e os aspectos cognitivos, principalmente no Subteste do WISC-III - Vocabulário. Há uma relação entre a forma de utilizar-se de práticas educativas com a área da comunicação e semântica.

Acredita-se que pais que se utilizam de práticas educativas autoritárias não desenvolvem uma relação afetiva com os filhos, não há um “espaço” para o afeto. O que se sobrepõe a isto são ações rígidas regidas pelo poder autoritário sem espaço para comunicação e diálogo.

As questões do desenvolvimento de vocabulário, semântica e forma de se expressar não são áreas de responsabilidades apenas dos educadores/professores. Acredita-se que esta é uma função, também, da família, pois a partir do diálogo e do afeto pode surgir, nas relações entre pais e filhos, o diálogo. Porém, quando genitores desenvolvem crenças e valores que a educação se desenvolve a partir do poder e autoritarismo, não há como surgir nesta relação o afeto e consequentemente o diálogo (Cassoni, 2013). Com isto pode-se supor que estes fatores descritos podem ter desencadeado esta associação entre os estilos parentais e o baixo desenvolvimento de vocabulário no grupo dos meninos abusados.

Os dados também mostraram que quanto maior a percepção negativa de estilos parentais, maior a presença de neuroticismo. O estudo de Ceconello et al. (2003) mostrou que crianças que são educadas de maneira rígida, com punições físicas, apresentam uma baixa autoestima, sentimento de insegurança, culpa e quadros de ansiedade e depressão. Estes genitores apresentam-se pouco interessados nas atividades do dia a dia da criança, proporcionando uma menor socialização e menor relação de afeto.

Podemos entender que o abuso sexual se relaciona positivamente com estilos parentais negativos e com o neuroticismo. Sendo assim, a presença dessa tríade se caracteriza como um importante fator de risco para o desenvolvimento emocional e social, bem como pode se associar a uma probabilidade de adoecimento psíquico. Com isto, as práticas educativas negativas associadas à ocorrência do abuso sexual, podem corroborar padrões de comportamentos de risco delinquencial em suas vítimas (Gomide, 2006).

A partir do estudo realizado com os meninos que sofreram abuso, é importante ressaltar as limitações que surgiram na metodologia como: o pequeno número dos participantes de ambos os grupos (de abuso e o controle) que se deu devido à limitação do tempo de execução do trabalho e pela dificuldade de acesso às escolas por ser uma temática complexa de trabalho, dificultando com isto, um número maior de participantes.

Com relação aos instrumentos surgiram algumas questões que poderiam ter sido avaliadas como o tempo de abuso que ocorreu com cada participante e também possíveis questões neurológicas e/ou psiquiátricas do genitor/abusador, porém não foi possível pelo fato dos participantes estarem em segredo de justiça e em muitos casos sem acesso ao genitor; e consequentemente a limitação do tempo também foi um fator preponderante. Será de grande relevância novos estudos em que possa ser avaliado os aspectos neurológicos e psiquiátricos do genitor/abusador, para que desta forma possamos compreender de forma mais ampla a dinâmica destas relações.

Por outro lado, o trabalho alcançou o objetivo em que se propunha, trazendo à luz do conhecimento científico as correlações de três importantes variáveis com meninos que sofrem abuso sexual.

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