• Aucun résultat trouvé

Facteurs de renormalisation et susceptibilit´es ´electroniques

2.2 Groupe de renormalisation de Kadanoff-Wilson

2.2.2 Facteurs de renormalisation et susceptibilit´es ´electroniques

Os indicadores corporais, faciais e vocais que acompanham uma situação emocional têm sido considerados tradicionalmente como expressões da emoção. No entanto, podemos estar em presença de diferentes categorias de sinais, quer o evento emocional tenha lugar quando o sujeito se encontra só, quer em contacto ou comunicação com outros. Por outras palavras, é necessário distinguir os que têm como objectivo transmitir informação (verdadeira ou falsa) sobre o estado afectivo do sujeito dos que são provocados sem esse objectivo – por outras palavras, os que são voluntários dos involuntários. Em ambos os casos, trata-se de sinais parcialmente involuntários e inconscientes, mas há um grau de domínio voluntário que permite a sua alteração, quer para os ampliar, quer para os tentar esconder, em ambiente social. Mesmo neste caso, há grandes diferenças quando se trata de uma situação íntima ou não. Por isso, é preferível a classificação de ‘sinal’ à de ‘expressão’ (RUSSELL ET AL., 2003).

Numa situação de comunicação, considerara-se tradicionalmente o sujeito como o emissor de sinais que exprimem informação segundo um código que o receptor ou os receptores poderão descodificar. Esta informação é relativa às alterações de estado interno do sujeito decorrentes de um evento emocional, que será reconhecida ou descodificada pelos destinatários. No entanto, estes sinais podem ser destinados a um receptor específico, individual ou colectivo, e terem como objectivo influenciá-lo de modo a beneficiar o emissor. Como os interesses do emissor e do receptor nem sempre são coincidentes, nem sempre é do interesse do emissor fornecer informações verídicas. Mesmo não considerando o caso de o emissor forjar completamente os sinais que transmite, de modo inteiramente voluntário, tem a capacidade de poder moldar o seu grau de intensidade, conseguindo assim captar a atenção do destinatário e alterar o seu estado afectivo, mesmo sem que uma emoção específica tenha sido transmitida. O processo de descodificação tem como objectivo levar o receptor a distinguir os sinais verdadeiros daqueles que o poderão enganar, para poder prever as suas acções subsequentes. O processo de interpretação das expressões emocionais é bastante mais complexo do que a simples detecção de um sinal. A atribuição de um estado emocional ao emissor depende de vários factores, como o contexto onde ocorre, o estado afectivo do receptor, ou mesmo o género.

Embora haja dados relativamente divergentes, é um dado genericamente aceite que a atribuição de um estado emocional ao emissor baseado apenas numa expressão facial ou vocal é superior ao que seria obtido sem esse acesso, independentemente de o emissor e o receptor compartilharem a mesma cultura, idade, ou educação. No entanto, os resultados são geralmente superiores no caso das expressões faciais. Uma resposta do receptor não se limita à atribuição de uma emoção. Este pode inferir uma série de informações sobre o estado interno do emissor através

dos seus sinais emocionais, em termos de dimensões bipolares, como a valência – se está a satisfeito ou não, ou a activação – se está apático ou hiperactivo. No caso das expressões faciais, ambas as dimensões estão presentes, o que não sucede no caso dos sinais vocais isolados, onde domina o grau de activação Os sinais vocais e faciais transmitem muitas outras informações para além das emocionais, como a sua atitude relativamente à situação em curso e à pessoa com quem está a falar, o seu estado cognitivo, interesse, determinação, compreensão, entre muitos outros dados não emocionais. Baseado em informações obtidas através destes sinais, o receptor pode fazer previsões sobre a acção seguinte ou futura do emissor. Este conjunto de informações pode servir ao receptor para inferir o estado emocional do emissor, do mesmo modo que o processo inverso também é possível: através da compreensão do estado emocional, o receptor pode perspectivar outras informações (CARROLL & RUSSELL, 1996; RUSSELL ET AL., 2003).

Na transmissão de informação, mesmo quando o emissor não se encontra sob o efeito de um estado emocional, é muito difícil eliminar por completo todos os sinais afectivos, mesmo muito ténues. No caso de uma comunicação em que a prosódia não apresente quaisquer sinais deste tipo, ou estes sejam muito limitados, a atenção do receptor irá atingir os níveis mínimos, correndo o risco de dificultar a percepção do próprio conteúdo informativo. Os sinais emocionais permitem ao emissor condicionar os níveis de atenção do receptor. Como estes indicadores não são essencialmente verbais, é interessante verificar que, mesmo quando o conteúdo informativo não atinge o receptor de forma inteligível, é possível aferir o estado emocional. Experiências demonstraram que o conteúdo emocional de um exemplo falado era reconhecível, mesmo quando a articulação se encontrava filtrada, impedindo a compreensão do sentido de todas as palavras. Por outras palavras, os participantes conseguiram reconhecer a emoção subjacente apenas com o recurso à entoação (BANSE & SCHERER, 1996; BROWN, 1980; MOZZICONACCI, 1998; PEREIRA, 2000; SCHERER, 1981; SOSKIN & KAUFFMAN, 1961; apud GUSTAFSON-CAPKOVÁ, 2001).

A integração dos sinais vocais não verbais na comunicação tem como objectivo ajudar à identificação do estado emocional dos intervenientes, sobretudo do emissor. No entanto, este processo está sujeito a identificações falsas, que podem ser devidos a uma percepção deficiente do discurso. Apesar disso, o estado emocional do emissor pode ser muitas vezes correctamente identificado nestas situações. Um caso inteiramente diferente tem lugar quando estes sinais não coincidem voluntariamente com o estado emocional do emissor, e são introduzidos como forma de influenciar a descodificação do discurso num sentido diferente do que corresponderia à identificação do seu verdadeiro estado emocional. Se, neste caso, o receptor conseguir identificar esta divergência, os sinais emocionais falsos podem ajudar à compreensão das verdadeiras intenções do emissor.

Num certo sentido, este é o processo de comunicação utilizado pelos actores e pelos cantores, que não estão de facto a passar pelos estados emocionais das personagens que interpretam. É perfeitamente lícita uma paráfrase a Pessoa: o cantor é um fingidor. O que distingue um grande artista de um mediano artífice da voz é a capacidade de conseguir fingir tão completamente, que chegue a fingir que sente a dor que deveras sente.

Reflexão crítica

Podemos dizer que a matéria tratada neste capítulo corresponde à parte mais visível do processo emocional, materializada num conjunto de sinais faciais e atitudes corporais que o sujeito assume de forma involuntária e, em parte, inconsciente.

Incluímos algum material fotográfico obtido durante o processo de recolha de exemplos emocionais, apresentado no capítulo 7.

Seria desejável realizar uma investigação mais detalhada sobre os músculos envolvidos nas expressões faciais e a sua relação com as alterações do tracto vocal, projecto que, à semelhança de outros que surgiram durante a elaboração do trabalho presente, envolveria uma equipa multidisciplinar, com recurso a meios de diagnóstico por imagem.