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É unanime e consensual na literatura que, o 11 de setembro de 2001 representa o auge do terrorismo contemporâneo, e representa o marco de uma nova reconfiguração global face ao flagelo que tem estado na ordem do dia nos mais altos debates da segurança. O 11 de setembro mostrou que nenhum Estado democrático está isento de um atentado terrorista. A situação geográfica de Cabo Verde é inequivocamente fator relevante quando se fala de segurança, dada a sua dicotomia de representar vulnerabilidades e potencialidades,conforme demonstram Emanuel Brito (2016) e Tavares (2016). Nesta senda, e segundo Brito, para além do posicionamento geográfico existem ainda outros fatores regionais decorrente da sub-região onde Cabo Verde se insere, nomeadamente países com histórico de atentados terroristas, sobretudo; o Mali e a Nigéria, sendo foco do terrorismo nesta região. Este autor considera que as ligações aéreas e marítimas que passam pelo território de Cabo Verde também são fatores de preocupação, e adianta que nos últimos cinco anos, 6 Estados da Africa Ocidental e Central foram alvos de atentados terroristas: o Mali e a Nigéria, o Niger, o Chade e os Camarões, e posteriormente o Burkina Faso. Constata-se que 4 desses Estados que fazem parte da CEDEAO, da qual também faz parte Cabo Verde. Uma das cláusulas do Tratado é a livre circulação, ou seja, a relação de Cabo Verde com estes Estados para além de geografia tem um vinculo decorrete de um preceito legal. Por conseguinte, segundo dados do INE há uma comunidade considerável oriundo desses países que ultrapassa as 6 mil pessoas, das quais alguns residem em Cabo Verde em situação de ilegalidade, o que na ótica governamental é uma preocupação. De acordo com o nº 2 do art.º 2º da CRCV, consagra-se a separação entre as Igrejas e o Estado, ou seja, Cabo Verde é um Estado laico. Consequentemente, as comunidades desses países que estabelecem a residência em Cabo Verde podem livremente prestar culto religioso com base na doutrina da religião materna. Todavia, não se pretende estabelecer aqui uma conotação pejorativa a nenhuma religião. No entanto, sabe-se que muitas

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pessoas com intenções hostis apraveita daquelas de boa fé e dessimiam os seus males. Em 2014, o executivo de José Maria Neves admetiu a possibilidade de haver membros da Al- Qaeda e Boko Haram em Cabo Verde, o país poderia estar a ser utilizado como via de trânsito, refúgio, recrutamento e treino de grupos terroristas. Neste sentido, há sempre a considerar a hipótese de difundirem a ideologia radical e ludibriar jovens cabo-verdianos.

Por outro lado, Cabo Verde é um parceiro espacial da U E, com boas relações com alguns países já vitimados e ameaçados pelas organizações terroristas, caso da Espanha, a França, Alemanha e Bélgica, bem como Estados Unidos. Com base no princípio de reciprocidade diplomática, há muitas embaixadas em Cabo Verde de muitos países visados pelos grupos terroristas62. A Condição arquipelágica de Cabo Verde, desguarnecido de

recursos, obrigou a que o país criasse fonte de riqueza, desta feita emerge o turismo como um pilar basilar da economia de Cabo Verde63. Com o aumento do número de turistas, cruzeiros oriundos de Europa, bem como dos Estados Unidos, com um aumento de investimento no setor imobiliário turístico, por estrangeiros desses países representam alvos apelativos para os grupos terroristas. Visto que, a intenção é a mediatizaçao do ataque, assim, onde existem pessoas de nacionlidades diferentes o efeito de um atentado é bem maior.

Historicamente Cabo Verde nunca sofreu um atentado terrorista, porém, há registos de algumas detenções de indivíduos ligados ao terrorismo; um cidadão franco-cabo-verdiano, com vínculo ao grupo terrorista, Grupo Islâmico Armado (GIA) com sede na Argélia, em 2007, soube-se que o mesmo estaria em Cabo Verde refugiado desde 2005; um cidadão canadiano, com descendência cabo-verdiana, em São Vicente, argumentando descriminação pelos Estados Unidos, garantiu estar disponível para difundir o Islão radical em Cabo Verde. Em 2010, um cidadão nigeriano foi expulso de Cabo Verde por solicitação do representante dos muçulmanos, por este pregar o islamismo radical. Não se pode esquecer, porém, que Cabo Verde aceitou por via da sua política externa alguns elementos com ligação a grupos terroristas64, opina Brito. De igual modo, em 2017, dois sujeitos suspeitos de pertencerem ao

terrorismo foram detidos na cidade da Praia, capital Cabo Verde, os dois indivíduos

62Em 2012, o Governo de Cabo Verde elevou o nível de segurança nas suas fronteiras após uma eventual ameaça

do grupo Al-Qaida no Magrebe Islâmico (AQMI), vide http://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/cabo-verde-em- alerta-com-ameaca-terrorista.

63 Vide para melhores esclarecimento http://ine.cv/wpcontent/uploads/2017/03/turismo_2016_rev1.pdf- 64 Recebeu um dos presos da base americana de Guantánamo e elementos da organização terrorista espanhola ETA.

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referenciados ao tráfico de armas e droga, cuja finalidade e o financiamento do terrorismo, chegaram a Cabo Verde vindos do Senegal, ao que tudo indica o destino final seria a Europa, o arquipélago a funcionar como placa giratória.

Atendendo ao exposto, muitos são os indícios que ligam Cabo Verde a um presumível atentado terrorista, mas, no entanto, os dados não demonstram com clareza essa possibilidade. Não obstante, é de facto razão para um atenção espacial, e tal hipótese, ainda que remota, não deve ser descurada65, mas sim manter-se vigilante e atento a todos os indícios.