1.4 Solitons dissipatifs
1.4.2 Equations dynamiques
A área inicialmente proposta como alvo de estudo compreende a plataforma continental, onde se situa a Bacia do Porto s.s., bem como o talude continental, contíguo, até ao offshore profundo.
Dado a existência de dados de sísmica de reflexão interpretados a Oeste da bacia propriamente dita, houve necessidade de compreender as relações tectono-estratigráficas entre a margem proximal interna e externa e, nomeadamente, o impacto das variações litológicas nos potenciais sistemas petrolíferos. Esta análise, embora seja um exercício especulativo, foi essencial para a previsão das litologias possivelmente presentes no
offshore profundo. Para tal, utilizou-se uma metodologia de estudo que resultou num
esquema que segue os princípios utilizados no designado «Diagrama de Wheeler» (Figura 10.3). Esta ferramenta de análise pode ser utilizada no estudo de margens subexploradas, como é o caso da área de estudo, tendo sido aplicada por Pereira (2013) no estudo da Margem Sudoeste Portuguesa, na qual se insere a Bacia do Alentejo.
O esquema idealizado por este autor serviu como referência na definição dos critérios que relacionassem os ciclos transgressivos e regressivos (2ª e 3ª ordem), variações do nível médio do mar, os principais eventos geodinâmicos e tectono-estratigráficos, e ainda o significado regional das várias inconformidades identificadas na Bacia do Porto. Estas relações terão impacto nas variações litológicas nas áreas mais distais, e irão sobretudo redefinir os potenciais elementos de sistemas petrolíferos aí presentes.
Este esquema inclui a coluna litostratigráfica sintética produzida neste trabalho, com as inconformidades identificadas e elementos de sistemas petrolíferos, bem como a síntese da estratigrafia regional da Bacia do Porto. De seguida, inseriu-se uma coluna que regista os principais eventos geodinâmicos deste sector da margem, e que influenciaram a sequência litostratigráfica, bem como uma coluna que mostra a variação eustática do nível médio do mar global, segundo Hardenbol et al. (1998) (in Pereira, 2013). Com base neste conhecimento de base, foram marcados os possíveis ciclos de transgressão e regressão de 2ª e 3ª ordem, as superfícies de inundação máxima, relacionando as unidades litostratigráficas intersectadas com os ambientes deposicionais associados.
O diagrama consiste numa secção E-W que relaciona, a Este, a coluna litostratigráfica da Bacia do Porto (margem proximal interna) e a Oeste os possíveis intervalos litostratigráficos da margem em offshore profundo. Este esquema inicia-se com a definição genérica das estruturas que estabelecem a relação entre a margem proximal interna e externa, nomeadamente as falhas normais NNW-SSE, e ainda a representação
Capítulo 10 – Análise de Sistemas Petrolíferos
dos horsts marginais e montes submarinos que limitam a sedimentação neste sector. De seguida, tendo em conta os critérios enunciados anteriormente, marcou-se a continuação de cada unidade litostratigráfica, e as variações litológicas que poderão ocorrer. Na análise da secção mais distal teve-se em conta as litologias identificadas no poço ODP 398 (a partir do Hauteriviano). Esta sondagem foi realizada num local afastado da área de estudo, apresentando uma sequência litostratigráfica cretácica e terciária diferente do equivalente na Bacia do Porto, evidenciando o carácter deposicional no sector mais distal, com ocorrência de sedimentos mais finos e, por vezes, black shales (Soares et al., 2012). O exercício de dedução das variações litológicas teve em consideração as referências bibliográficas existentes neste sector da margem, nomeadamente a partir dos trabalhos de Alves et al. (2003, 2006), Cunha (2008), Soares et al. (2012, 2014) e Pereira (2013). Foi igualmente considerada a influência dos principais elementos estruturais na variação litológica, em particular o sistema de falhas de talude continental (identificado na figura como «shelf break»), e ainda as falhas que delimitam os altos estruturais, importantes para o controlo da sedimentação neste sector da margem.
A marcação das sequências de 2ª e 3ª ordem teve como base fundamental as variações eustáticas relativas, definidas através da interpretação genérica dos principais ciclos deposicionais, a partir das litologias consideradas na coluna litostratigráfica sintética representativa da Bacia do Porto. Foram tidos em conta os ciclos definidos para a Bacia Lusitânica (Pena dos Reis et al., 2010b), nomeadamente nos eventos associados a alguma incerteza. As mudanças de ciclos foram igualmente associadas às principais inconformidades registadas na coluna litostratigráfica de base, definindo-se ainda as superfícies máximas de inundação («maximum flooding surface») no topo de cada ciclo transgressivo.
Capítulo 10 – Análise de Sistemas Petrolíferos
Capítulo 11 – Análise de Margens Conjugadas
CAPÍTULO XI
Análise das Margens Conjugadas
Capítulo 11 – Análise de Margens Conjugadas
11.1 Introdução
Tendo presente a evolução geológica do sector NW da MOI, e os resultados obtidos através da análise integrada de dados, houve necessidade de comparar a sequência litostratigráfica aqui definida com a litostratigrafia conhecida da Bacia de Flemish Pass, na margem conjugada Canadiana. Nesta bacia foram recentemente feitas descobertas comerciais de hidrocarbonetos (2009 e 2013), que foram em parte responsáveis pela mudança de paradigma em relação à dinâmica de exploração petrolífera na margem Canadiana de Terra Nova.
A comparação entre a Bacia do Porto e o equivalente da margem Canadiana foi importante de forma a entender as principais diferenças e semelhanças existentes, entre bacias que foram geradas em contextos geodinâmicos semelhantes, onde se esperariam sistemas petrolíferos igualmente idênticos. A representação da arquitectura das duas margens está presente na Figura 2.3 (Capítulo II).