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6.5 Extensions to low-light imaging

As infeções respiratórias do trato superior, são as que obtemos maior contacto em Farmácia Comunitária. São um dos motivos mais frequentes de consulta nos cuidados de saúde primários, mesmo tendo maioritariamente etiologia vírica e um decurso de infeção autolimitado. E, constituem um forte motivo do consumo excessivo de antibióticos. (34)

As URTI ocorrem por colonização de locais do trato respiratório superior como a boca, o nariz, a garganta, a laringe e a traqueia por certos microrganismos. São exemplos muito frequentes, a Nasofaringite, Rinossinusite, Otite Média Aguda e a Faringite. (38, 39)

1.1.2.1. Nasofaringite

A nasofaringite corresponde à inflamação das vias nasais, causada por vírus, como Rinovírus, Influenza, Parainfluenza, RSV, Coronavírus e Adenovírus. É geralmente uma infeção autolimitada, com duração de cerca de 6 a 10 dias. A sua frequência varia consoante a idade e a altura do ano, sendo mais prevalente nas alturas mais frias do ano. Os sintomas mais frequentes são a congestão nasal, rinorreia, espirros, dor de garganta, tosse, rouquidão, dor de cabeça e fadiga. (38)

As medidas de prevenção como a higienização das mãos e as medidas de etiqueta respiratória, são muito importantes não só para prevenir a infeção, mas também para evitar a transmissão e propagação da infeção. O tratamento tem como objetivo o alívio dos sintomas apresentados, podendo recorrer-se a descongestionantes nasais, anti-histamínicos, antitússicos ou expetorantes consoante o tipo de tosse, analgésicos e soluções salinas de irrigação nasal. Para além disso, podem ser recomendadas medidas não farmacológicas como o descanso, a ingestão de líquidos, entre outras. (38)

1.1.2.2. Rinossinusite

A rinossinusite é definida como uma inflamação da mucosa e seios nasais, e é uma causa frequente de prescrição excessiva de antibióticos.(40) Os sintomas são pouco específicos, incluem

congestão nasal, rinorreia, dor facial na zona dos seios nasais, diminuição do olfato, tosse, febre e dores de cabeça. (38) Podem durar até 4 semanas, no caso da rinossinusite aguda, (40) podendo ocorrer

variação na intensidade dos sintomas ao longo deste período de tempo.

A etiologia é frequentemente vírica, por exemplo, por Rinovírus, Adenovírus, Influenza e Parainfluenza. Mas pode também ser bacteriana, no caso do aparecimento de sinais como: secreção nasal purulenta, dor facial ou dental, sensibilidade unilateral do seio maxilar, agravamento dos

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sintomas após melhoria inicial e os sintomas persistirem após 7 a 10 dias. (38, 40) Os principais

organismos envolvidos são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Moraxella

catarrhalis. (38, 39)

Distinguir a etiologia da infeção é fundamental para selecionar o tratamento mais adequado e eficaz, através da história clínica e sintomas apresentados. No caso da infeção ser bacteriana, deve ser selecionado o antibiótico mais apropriado, para ajudar a diminuir a duração dos sintomas e prevenir complicações. Sempre com atenção à relação beneficio-risco da utilização de antibióticos. Os antibióticos devem ser reservados para casos mais graves ou de persistência de sintomas, dado que muitas infeções se resolvem naturalmente. Ou então a utilização de antibiótico pode não diminuir a duração dos sintomas e ter ainda associado reações adversas típicas desta classe. Sendo aconselhado, a monitorização da infeção e utilização de antibióticos apenas quando os sintomas persistirem por mais de 7-10 dias ou agravarem. (40)

No caso da infeção ser vírica, ou em casos em que não é necessária a utilização de antibióticos, ou até mesmo como adjuvante à terapêutica com antibióticos, pode ser utilizado tratamento para alívio de sintomas, com corticosteroides intranasais, descongestionantes, analgésicos, mucolíticos e irrigação nasal com soluções salinas. (38, 40) Em paralelo, devem ser

recomendadas medidas não farmacológicas como manutenção de uma hidratação adequada, não contactar com fatores ambientais que possam desencadear reações alérgicas, descanso, elevar a cabeceira da cama e evitar ar muito frio ou seco. (38)

1.1.2.3. Faringite

A faringite é uma inflamação da faringe muito prevalente, que provoca de uma forma geral dor, sensação de garganta inchada e dificuldade em engolir. Pode ser causada por diversos microrganismos, principalmente por vírus e, portanto, na maioria das vezes é autolimitada. Mas também pode ser causada por bactérias, sendo o Streptococcus β-hemolítico do grupo A (SGA), segundo a classificação de Lancefield, o agente mais prevalente. (41, 42) Além disso, pode ser causada

por outros fatores como refluxo, rinite, tosse persistente, fumar e certas alergias. (38, 43)

A diferenciação da etiologia, face às inúmeras causas, é muito importante para a escolha de tratamento, especialmente se o agente causador for o SGA, ou Streptococcus pyogenes, para prevenir um potencial agravamento da infeção ou risco de complicações e a transmissão. (38, 43)

A infeção por SGA afeta, maioritariamente, crianças entre os 5 e os 15 anos, mas também adultos. (44) Provoca uma infeção sazonal, com pico entre inverno e o início da primavera. A

transmissão ocorre tipicamente por contacto próximo, através das mãos e das secreções nasais. Tem um período de incubação de 1 a 3 dias, desenvolvendo-se rapidamente os sintomas, como dor de garganta, febre, eritema e inchaço faríngeo e linfadenopatia dos locais onde se instala a infeção. (38, 43) Regra geral, uma infeção não tratada dura cerca de 7 a 10 dias. O tratamento com antibiótico

eficaz diminui a duração dos sintomas e previne o risco de complicações, como a febre reumática.(38, 43)

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O tratamento sintomático com anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) e analgésicos pode ser importante para o alivio da febre e/ou das dores, tanto como adjuvantes a terapêutica com antibiótico, como nos casos com diferente etiologia ou em que o uso de antibióticos não é necessário.

(45, 46) Uma vez que, em grande parte do casos, mesmo com etiologia bacteriana, a infeção resolve-se

de forma autolimitada no período de 7 a 10 dias, devendo ser ponderado o benefício e o risco do uso de antibióticos. Ou seja, o uso de antibióticos deve ser reservado para os casos mais graves ou para casos de infeção por SGA para prevenir o risco de complicações, daí ser tão relevante distinguir a etiologia da infeção.(44, 47)

1.1.2.4. Otite média aguda

A otite média aguda (AOM) corresponde a uma inflamação da porção média do ouvido com aparecimento rápido dos sinais e sintomas. (48) É uma infeção frequente, principalmente em crianças,

sendo uma causa comum de consulta pediátrica e prescrição de antibióticos. (49) A incidência desta

infeção é mais prevalente em crianças com infeções respiratórias víricas prévias, por RSV, Influenza ou Adenovírus. (41) Pode ser causada por vírus, mas também por bactérias, predominantemente Streptococcus pneumoniae, Haemophilus Influenzae e Moraxella catarrhalis. (49)

As manifestações clínicas podem ser específicas, mais localizadas, como dor de ouvidos, otalgia, dificuldade de audição, perturbação do equilíbrio, vertigens e até a formação de fluído na porção do ouvido afetada. Ou podem ser manifestações gerais/sistémicas, como febre, irritabilidade e náuseas. (41, 49) Os sintomas agudos duram, na maioria dos casos, cerca de 4 dias.

O tratamento para alívio sintomático da dor e febre, com analgésicos é fundamental neste tipo de infeção. (48) No caso da infeção ter origem bacteriana pode recorrer-se também ao tratamento

com antibióticos, para reduzir a duração dos sintomas.

O diagnóstico e tratamento precoce e eficaz resultam na resolução dos sintomas e na prevenção de complicações e sequelas locais, relacionadas com o ouvido, como perda de audição ou sequelas em estruturas adjacentes. (41, 49) Tal como nos casos acima mencionados, o tratamento com

antibióticos deve ser bem ponderado e reservado para casos mais graves, tendo em conta fatores clínicos, a idade do paciente e os fatores de risco associados. De forma a evitar o uso desnecessário em pacientes com infeções ligeiras, historial saudável e com baixo risco para desenvolver complicações e, assim reduzir o risco de criar resistência aos antibióticos. (48)