Oliver Whyte, Josef Sivic, Andrew Zisserman and Jean Ponce
4.4 Blind estimation of blur from a single image
A pele pode ser uma porta de entrada de infeções diversas, sobretudo quando existe uma prévia agressão à sua integridade, podendo ainda constituir um ponto para a disseminação da doença no organismo. A pele e a pelagem dos cães e gatos podem ser colonizadas por um grande número de fungos, que podem causar o desenvolvimento de
30 infeções oportunistas em situações de predisposição. São exemplos de fatores de predisposição o stresse, uma má nutrição, doenças debilitantes, sistema imunitário comprometido, a baixa idade, infestações por ectoparasitas ou prurido (por ser potencial fonte de microlesões) ou ainda a lavagem e utilização demasiado frequente de champôs ou sabões agressivos [70, 71].
São vários os problemas que podem afetar os animais de estimação e que requerem cuidados especiais, sendo que as otites e dermatites associadas a Malassezia e as dermatofitoses representam as micoses superficiais com maior significado em animais de companhia [71].
D
Deerrmmaattooffiittoosseess
As dermatofitoses são infeções cutâneas superficiais que podem envolver uma ou mais espécies de determinados fungos – os dermatófitos. Estes são fungos filamentosos e têm a capacidade de se instalar na pele, digerindo a queratina para utilização como substrato energético. As dermatofitoses são das infeções cutâneas mais comuns em animais de companhia, estando o Microsporum canis envolvido na maioria das situações (com uma prevalência de 90% em gatos, um pouco menor em cães). As dermatofitoses, em geral, são também mais comuns em gatos [70-72].
A dermatofitose em cães manifesta-se geralmente sob a forma de lesões localizadas, sendo mais comuns na face, patas ou cauda. Nestes animais, é normal verificar as clássicas lesões circulares progressivas, com alopécia, por vezes com pápulas ou pústulas. Nos gatos, as lesões são mais pleomórficas, normalmente de dimensões muito pequenas (sobretudo em gatos adultos), podendo incluir uma ou mais áreas com alopécia parcial, afetando sobretudo a cabeça ou os membros anteriores. O diagnóstico das dermatofitoses nunca deverá ser feito apenas com base no seu aspeto, uma vez que pode originar um diagnóstico incorreto e levar à instituição de terapêuticas desnecessárias com antifúngicos [70, 73].
Em animais imunocompetentes, as dermatofitoses podem ser resolvidas sem recurso a tratamento, num prazo de 1 a 4 meses. No entanto, a sua natureza contagiosa e zoonótica obriga à implementação de um tratamento nos animais de companhia, de modo a reduzir a duração da doença bem como a sua disseminação (a outros animais, aos cuidadores ou no ambiente). Apesar da terapia tópica não ser muitas vezes suficientemente eficaz na resolução da infeção quando utilizada isoladamente, demonstra grandes benefícios na eliminação de esporos e na limitação da disseminação destes no ambiente. Os antifúngicos utilizados nestas circunstâncias são normalmente derivados azólicos, tal como o enilconazol [Imaverol (Janssen)]. Este medicamento está associado
31 a uma baixa incidência de efeitos secundários, mesmo em gatos, tornando-se preferível a outros como o miconazol. A terapia tópica deve ser utilizada, sempre que possível, em conjunto com uma terapêutica sistémica. O corte da pelagem destes animais é muitas vezes recomendado devido à sua importância na remoção de material infetado, para além de tornar mais fácil e eficaz a aplicação dos produtos de uso tópico [72, 73].
Na terapêutica sistémica (que permite uma resolução mais rápida da infeção), a griseofulvina [Orafungil (Virbac)] mantém-se como o fármaco de referência no tratamento das dermatofitoses, tanto em cães quanto em gatos. As principais alternativas à griseofulvina são o cetoconazol ou o itraconazol. Apesar de ser geralmente mais caro, o itraconazol [Itrafungol (Norvet)] apresenta um melhor perfil de segurança, apresentando menor incidência de efeitos secundários em relação ao cetoconazol (que está associado com mais frequência a perda de apetite, vómitos, diarreia ou hepatotoxicidade). O tratamento deve ter uma duração de aproximadamente 10 semanas, garantindo também que é prolongado por um período de duas a quatro semanas após a resolução clínica [72, 73].
O
OttiitteessEExxtteerrnnaass
A otite externa é definida como uma inflamação do canal auditivo externo, que se estende desde o pavilhão auricular à membrana timpânica. A otite média consiste na inflamação da cavidade do ouvido médio, que inclui a membrana timpânica e a bula timpânica. A otite pode ser aguda ou crónica, em função da duração da inflamação, podendo afetar apenas um ou ambos os ouvidos. Trata-se de uma condição frequente em cães, mas significativamente menos comum em gatos [74, 75].
Na patogénese da otite externa estão envolvidos fatores predisponentes, primários e de perpetuação. Exemplificando [74]:
FFaattoorreesspprreeddiissppoonneennttees: estão associados a um maior risco de desenvolvimento da s
otite, mas não sendo capazes de causar doença por si próprios. A maior parte destes fatores altera o microambiente do canal auditivo, favorecendo a instalação de infeções oportunistas. São disto exemplo a conformação anatómica do canal auricular alterada, humidade excessiva ou um manuseamento inadequando da zona auricular (como traumas mecânicos, utilização inadequada de cotonetes, utilização de substâncias agressivas, etc.).
FFaattoorreess pprriimmáárriioos: constituem causas diretas da otite externa. Uma vez que o s
epitélio do canal auditivo externo é uma extensão da pele do resto do corpo, um grande número de otites externas estão associadas a patologias subjacentes. São exemplo de fatores primários a hipersensibilidade (as alergias cutâneas são a
32 causa de um grande número de otites crónicas em cães), parasitas (sobretudo ácaros, responsáveis por pelo menos 50% das otites em gatos), corpos estranhos (originando normalmente otites unilaterais, agudas e muito dolorosas que, se não tratadas, rapidamente podem desenvolver uma infeção secundária bacteriana) ou trauma (raro).
FFaattoorreess ddee ppeerrppeettuuaaççãão: responsáveis pela manutenção e exacerbação do o
processo inflamatório no canal auditivo, sendo-lhe frequentemente atribuído o fracasso do tratamento, independentemente dos fatores predisponentes e primários presentes. São responsáveis pela perpetuação da otite externa as infeções bacterianas e fúngicas, alterações patológicas progressivas (associadas à inflamação crónica) e a otite média (constituindo mesmo a causa mais comum do prolongamento da otite externa em cães). Todos estes fatores devem merecer a atenção devida, de modo a que se possa estabelecer um tratamento específico, dirigido e eficaz.
O tratamento das otites requer uma prévia inspeção do canal auditivo, de modo a possibilitar a identificação e eliminação do fator (ou fatores) responsável pela inflamação. Tendo em conta os fatores analisados anteriormente, torna-se evidente que a aplicação local de um produto contendo um antibiótico, um antifúngico um corticosteróide e/ou um acaricida é tudo o que é necessário para a resolução da grande maioria das situações. Na Tabela 4 estão indicados alguns dos produtos disponíveis em farmácia para o tratamento de otites.
Tabela 4- Exemplos de produtos disponíveis em Farmácia indicados no tratamento de otites
P
Prroodduuttoo AAnnttiibbiióóttiiccoo AAnnttiiffúúnnggiiccoo CCoorrttiiccoosstteerróóiiddee AAccaarriicciiddaa Aurizon(Vetoquinol) Marbofloxacina Clotrimoxazol Dexametasona -
Calmoderme(Moureau) Canamicina - Dexametasona -
Conofite(Esteve) Polimixina B Miconazol Prednisolona -
Oridermyl(Vetoquinol) Neomicina Nistatina Triacinolona Permetrina
Otomax(Intervet) Gentamicina Clotrimoxazol Betametasona -
A utilização de produtos de aplicação tópica está associada a uma baixa incidência de efeitos secundários. No entanto, a utilização de corticosteróides deve ser feita com alguma precaução uma vez que a sua absorção, embora pequena, não é negligenciável, sobretudo quando se tratam de corticosteróides potentes como a dexametasona [76].
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D
Deerrmmaattiitteess
As dermatites que afetam os cães e gatos podem ser de diferentes naturezas, tais como dermatites causadas por hipersensibilidade do organismo (associada a fatores alimentares, à picada de pulgas ou outras não associadas a nenhum deste fatores), ou dermatites provocadas por fungos ou ácaros [77].
As dermatites associadas à picada de pulgas (DAPP) devem ser prevenidas e controladas através do uso sistemático de antiparasitários, de modo a evitar a infestação do animal por pulgas. As dermatites de origem fúngica são, na maioria dos casos, provocadas pelo género Malassezia, desenvolvendo-se devido a uma reação inflamatória ou de hipersensibilidade aos antigénios e produtos do fungo. É clinicamente caracterizada por lesões eritematosas, por vezes associadas a exsudações de natureza lipídica, sobretudo nas dobras e nos espaços interdigitais. No entanto, e de um modo geral, a dermatite associada a Malassezia pode ocorrer em diferentes áreas do corpo, como nos membros, ventre, orelhas e face. Este tipo de dermatite ocorre com maior frequência em cães do que em gatos [70, 72].
O tratamento destas situações é geralmente feito recorrendo a produtos para aplicação tópica, que podem incluir miconazol, cetoconazol, cloroexidina, clotrimazol, enilconazol, nistatina ou sulfeto de selénio. As formulações tópicas utilizadas com maior frequência resultam da combinação de miconazol (2%) e cloroexidina (2%), na forma de champô [ex.: Malaseb (Dechra)] [72, 78].
No caso de dermatites eczematiformes, sobretudo quando associadas a processos pruriginosos, recomenda-se habitualmente a administração de um anti-histamínico, como por exemplo o Acalma (Flyingvet) (associação de cloridrato de hidroxizina e maleato de clorfenidramina), de modo a aliviar o prurido que pode levar ao desenvolvimento de lesões mecânicas provocadas pelo próprio animal, facilitando a instalação de infeções oportunistas [78, 79].