Amit Agrawal
7.4 Code selection
Os TDAR permitem a obtenção de resultados apenas em minutos, de uma forma fácil e sem necessidade de equipamentos sofisticados. Podem ser imunoensaios enzimáticos ou imunocromatografia/imunoensaios óticos. (42)
Os testes atualmente disponíveis no mercado, quando realizados de forma correta, apresentam especificidade e sensibilidade elevadas, sendo que no caso dos resultados positivos não há necessidade de confirmação por cultura, podendo ser considerados como diagnóstico para infeção
Beatriz Gomes | 27
por SGA e para tomar a decisão de prescrição de antibioterapia. No caso dos resultados negativos, a confirmação depende da sensibilidade do teste realizado, da prevalência e do risco de desenvolver complicações. (42-44) Mas, caso o teste apresente sensibilidade elevada (>90%) não há necessidade deconfirmação por cultura, e pode-se considerar o diagnóstico negativo para infeção por SGA. (45)
Os TDAR são sem dúvida uma vantagem para distinguir a etiologia da infeção, influenciando tanto o diagnóstico como o tratamento, levando a uma maior confiança no diagnóstico e a uma redução significativa da prescrição de antibióticos quando o teste é realizado em comparação com quando não é, assim como uma diminuição dos custos com a utilização desnecessária de antibióticos.
(52, 55) Sendo assim, sempre que possível e relevante, o teste deverá ser realizado para permitir o
diagnóstico e, consequentemente o tratamento mais adequado.
1.1.5.1. Teste Rápido OSOM® Strep A
O teste de deteção antigénica rápido OSOM® Strep A (Sekisui Diagnostics) permite a
deteção qualitativa de SGA, a partir do exsudado faríngeo. (54) A recolha e qualidade da amostra, são
fundamentais para a realização do teste com sucesso e fiabilidade. As amostras devem ser recolhidas com uma zaragatoa estéril nas amígdalas e/ou na parte posterior da garganta, evitando os dentes, as gengivas, a língua ou as bochechas (Figura 2 – Anexos II). (45, 54)
O OSOM® Strep A é um teste de imunocromatografia corada em tira, que possui anticorpos
de coelho revestidos numa membrana de nitrocelulose. A partir da amostra de exsudado faríngeo são extraídos os antigénios específicos do SGA, por extração química, através de uma solução de extração, que permite a libertação do carbohidrato (antigénio) da parede celular do SGA, se este estiver presente na amostra.
A tira teste é depois colocada em contacto com a solução de extração, depois de extraídos os antigénios, através da extremidade absorvente. Esta solução migra ao longo da membrana de nitrocelulose, por capilaridade. Se os antigénios de SGA estiverem presentes na amostra vão formar um complexo com os anticorpos anti-SGA móveis, presentes na tira, conjugados com partículas de latex coradas (azuis). Este complexo formado, fica depois retido pelos anticorpos de captura, que se encontra fixos na linha teste, formando-se uma linha azul, por causa das partículas coradas indicativa de um resultado positivo, por presença de antigénios de SGA. Presentes na tira teste estão também moléculas de BSA (albumina sérica bovina) móveis conjugadas com partículas de latex coradas (vermelhas). Estas, vão ligar-se aos anticorpos fixos na linha de controlo (anti-BSA), que se encontra a seguir à linha teste. Formando-se uma linha vermelha, na zona de controlo, devido as partículas de latex (vermelhas), independentemente da existência de antigénios de SGA na amostra, o que demonstram a validade do teste. (54, 56)
O kit do teste permite a realização de 50 testes, e inclui: tiras teste; tubos de ensaio; zaragatoas estéreis; os reagentes 1 (Nitrato de sódio 2 M) e 2 (Ácido acético 0,3 M) para fazer a solução de extração; um controlo positivo (Streptococcus do grupo A não viáveis, azida sódica 0,1%); um controlo negativo (Streptococcus do grupo C não viáveis, azida sódica 0,1 %) e um folheto
Beatriz Gomes | 28
com as instruções de utilização. (54) Os Streptococcus utilizados para os controlos são não viáveis,dado que os teste também consegue detetar os microrganismos nesta forma.
O controlo de qualidade é também um ponto importante e crucial para a confiança na realização destes testes. Em termos de controlo interno, existem 3 passos de controlo ao longo do procedimento (Anexo II), nomeadamente, a cor da solução de extração, que muda de rosa para amarelo com a adição do reagente 2 ao reagente 1. Esta mudança indica que ocorreu uma mistura correta dos reagentes e que se encontram em boas condições, funcionando como controlo interno dos reagentes de extração.
A linha de controlo vermelha é também um controlo interno, uma vez que o aparecimento desta linha comprova que foram utilizadas as quantidades corretas de reagentes, para ocorrer fluxo ao longo da tira, e que a própria tira teste está em perfeitas condições. O que valida o procedimento executado e os resultados obtidos, e um resultado só é válido se esta linha surgir. As linhas azul ou vermelha podem apresentar variação da densidade de cor ao longo de toda a linha, mas o resultado considera-se válido. (54, 56)
Por outro lado, a cor do fundo também funciona como controlo, e um teste só é válido se o fundo estiver incolor ou, pelo menos, possibilite a visualização dos resultados. Poderá observar-se alguma coloração azul por detrás da linha de teste, em resultados positivos, mas desde que a linha de teste e a linha de controlo sejam visíveis, os resultados são válidos. Para o controlo de qualidade externo, existem disponíveis no kit controlos positivo e negativo, que permitem assim verificar a qualidade dos reagentes, das tiras e da execução do procedimento de forma correta. (54)
Este teste de diagnóstico apresenta bons resultados de especificidade (98%) e sensibilidade (96%), mas como outros apresenta também limitações. É um teste para deteção apenas qualitativa de antigénios de SGA, mas não possibilita a diferenciação dos microrganismos viáveis dos não viáveis, não permitindo a diferenciação entre portadores sintomáticos e não sintomáticos. Os dados que são obtidos através da realização do teste devem ser utilizados como complemento a outras informações, como o historial clínico e os sintomas apresentados, que juntos possibilitam o diagnóstico e a decisão da melhor opção de tratamento. (54) Além disso, a qualidade do teste depende muito da qualidade da
amostra, principalmente no caso dos exsudados faríngeos, dada a dificuldade de recolha da amostra e a técnica e experiência do profissional que realiza a recolha. Uma má recolha de amostra ou até uma concentração de antigénio inferior ao limite de deteção do teste poderá comprometer a sensibilidade e, portanto, o resultado do teste. Daí que no geral, a especificidade destes testes seja muito elevada, mas a sensibilidade poderá variar por estar dependente da qualidade da amostra recolhida. (45, 54)
Para realização do TDAR de SGA nas farmácias, o primeiro passo antes de realizar o teste é perceber se o utente se enquadra nos critérios, com base nos manifestações clínicas, e explicar bem o procedimento e a utilidade do teste. Por fim é fundamental esclarecer o utente, antes de fazer o teste, que não sairá da farmácia com um antibiótico, independentemente do resultado do teste ser