3 Introduction to the analysis of rural systems
3.2 Expressing an integrated representation of rural systems
Não tive a oportunidade de exercer a profissão e adiei o sonho. No início do ano de 1989 meu marido recebeu uma proposta de trabalho melhor e em outra cidade. Estava com 22 anos, grávida do meu segundo filho Bruno, meu “Cachinhos de ouro”, que nasceu no dia de santo Antônio, 13 de junho de 1989. “Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer [...]”. (COLASANTI, 2001, p. 13).
A saída de minha terra natal demarcou um período de grande transformação em minha vida. Dor, sofrimento, alegria e crescimento. Enfim, o peso do distanciamento cada vez maior
de minha família se complementava à responsabilidade da vinda do meu 3º filho, não planejado, mas muito amado. Chegava ao mundo no dia 13 de fevereiro de 1991, o “bocão da Royal”, Lucas, meu cantor preferido.
Mudamos nesse período para a cidade de Itaguaí, R.J, onde meu marido iria trabalhar na CIA Mercantil e Industrial Ingá, empresa que ficava na ilha da Madeira, nas proximidades de Itaguaí. Quanto a mim, dediquei-me aos cuidados das crianças e da casa. Mas não bastava, queria ganhar meus trocados como estava acostumada desde solteira e comecei a fazer cursos de culinária. Tornei-me uma confeiteira de bolos para festas, fornecendo quitandas mineiras que eram muito apreciadas pelas cariocas, minhas vizinhas e amigas. Consegui ficar perto de meus filhos e me realizar como profissional, parcialmente.
O primeiro ano foi muito difícil, sozinha, em uma cidade estranha com três crianças pequenas, mudamos para uma casa muito grande cheia de problemas e com fama de mal- assombrada. Era muito engraçado e estranho ver a reação das pessoas quando falávamos nosso endereço. Como éramos de “fora”, só fomos saber desta fama já morando nela. Após nossa mudança para a Rua Imaculada Conceição as coisas ficaram melhores. A rua era ocupada em quase sua totalidade pela mesma família, pessoas carinhosas e amigas. Fizemos amizade com todas as pessoas e foi como se estivesse num pedacinho da minha terra novamente. As crianças brincavam na rua, realizamos novenas de natal nas casas com celebração de encerramento coletiva. Fechamos e enfeitamos toda a rua para a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, quando o Brasil foi para a final contra a Itália. Numa única decisão de Copas do Mundo sem gols e com o placar de 0x0 a decisão foi para os pênaltis, nos quais o Brasil ganhou por 3x2, conquistando, após 24 anos, o tetracampeonato mundial com um futebol defensivo, que segundo as críticas da época, não empolgou.
Nessa rua também passei por uma provação terrível com meu filho Lucas, que teve uma pneumonia que se agravou e corremos um risco grave de perdê-lo. Foi fundamental o apoio dos/as vizinhos/as, da Solange Bebber, amiga gaúcha de Marau/ RS, a ajuda inestimável da querida Veraneide (minha ajudante de Crateús, CE, que nunca mais tive notícias, pois, perdi o contato). Considero nossa estadia em Itaguaí como um período de grande aprendizado e amadurecimento. Passamos por um processo de transformação que nos fortaleceu e deu sustentação para enfrentar as adversidades, tanto na vida íntima familiar, como profissional.
Em 1997, a CIA Ingá entrou em falência deixando vários funcionários sem emprego de um dia para outro, meu marido foi um deles. Segundo Lopes (2013), além da onda de desemprego ocasionada por seu fechamento repentino, a empresa também abandonou milhares de metros cúbicos de efluentes líquidos, que formavam um verdadeiro lago tóxico na
Baía de Sepetiba/RJ. Em decorrência desse fato, e sem nenhum vínculo a nos prender naquele estado, decidimos voltar para Minas Gerais.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela. [...]. (COLASANTI, 2001, p. 14).
Felizmente, vi-me retornando a Minas Gerais, mais precisamente para cidade de Patos de Minas e a alegria foi imensa, estava em casa de novo! Nessa época continuei a atividade informal de vendas de quitandas e meu marido de vendas de joias. Morava a poucos quilômetros da minha mãe e de meu pai, a vida era tranquila e boa. Mas a alegria do retorno para Minas foi quebrada em 28 de março de 1998, quando de forma trágica, minha prima Vânia, se afogou na represa de Três Marias e nos deixou prematuramente aos 32 anos. Nunca mais olhei aquele lago como antes, suas águas, que não são as mesmas, eu sei, presenciaram o último suspiro daquela que foi tão importante amiga, prima, comadre. Três primas em primeiro grau que cresceram muito unidas, eu Lazara, Vânia e Lazara Eliana. Extraordinárias amigas, além dos laços de sangue, a afinidade entre nós era genuína. Da mesma idade, com pequenas diferenças nos meses, compartilhávamos tudo desde a mais tenra idade. Os sonhos, as esperanças, as roupas, as confidências... éramos exemplo de amizade e inseparáveis. Quisera eu poder mudar as cores dessa trama, mas a lançadeira incansável em seus movimentos, às vezes, cria vida própria e nos surpreende com traçados nem sempre do nosso agrado. Seguimos em frente, nos acalmamos e a saudade... Ah! A saudade segue com a gente. “Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza. [...]” (COLASANTI, 2001, p. 12).
Um desses movimentos que nos agradam teceu-se para nós outro panorama direcionando nossa mudança para Uberlândia, cidade onde já residia há alguns anos minha tia Conceição e Tio Alípio. Já existia em meu íntimo uma vontade grande de vir para essa cidade. A partir de um presente de meu pai e tendo a opção de escolhermos onde comprar nossa casa, escolhi Uberlândia. Meu pai, residindo então em São Gonçalo do Abaeté, não gostou muito. Diante dos argumentos de que seria o melhor, visto que as crianças cresciam rápido e logo precisariam ir para a faculdade, ele concordou. Mudamos em outubro de 1998. A adaptação foi instantânea e lembrei-me de um ditado popular muito repetido por meu pai: “pedra que
muito rola não cria limo”, senti pela primeira vez, em muitos anos, que havia encontrado o lugar para criar limo.
1.1.5 Profissionalização e retomada aos estudos
A perspectiva de estabilidade na cidade de Uberlândia se revelou promissora, meu marido mudou de ramo, passou em concurso, fez faculdade, especialização. Nossos filhos estudaram e conseguiram ingressar na primeira seletiva na Universidade Federal-UFU (é certo que uns ainda não concluíram, mas tenho fé). Meus planos se concretizavam como o previsto e pela primeira vez meu pai assumiu que eu tinha razão. “Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre. [...]”. (COLASANTI, 2001, p. 13).
É claro que o meu marido não me trancafiou numa torre, embora ele tenha resistido muito quanto à vontade que eu tinha de continuar os estudos e minha vida profissional. Voltei a pensar na possibilidade de resgatar meu sonho de ser professora. Agora que as crianças estavam maiores e a cidade favorecia, parecia ser possível retornar. Seguindo a corrente de conquistas, realizei em 2003 o concurso para Educador Infantil9, sendo aprovada.
Logo que comecei a atuar, percebi que seria preciso retomar com os estudos, afinal quatorze anos fora desse contexto trazem dificuldades e lacunas indiscutíveis. Voltei aos bancos da escola, já com 37 anos de idade. Estava feliz como a adolescente de outrora. Ingressei no curso de Pedagogia da Faculdade Católica de Uberlândia FCU, hoje Pontífice Universidade Católica de Uberlândia/PUC Uberlândia, curso que concluí em 2007. A sensação de outrora havia voltado, a alegria da realização pessoal, professora licenciada em nível superior, conquista que por um longo período considerei que jamais alcançaria.
Na mesma proporção que o curso de pedagogia me trouxe possibilidades de avanço e reflexão sobre a prática com crianças de 0 a 6 anos (atualmente 0 a 5 anos) trouxe também de volta as mesmas inquietações da época do magistério, no 2º grau. A faculdade de Pedagogia também me deixara com um sentimento de insegurança quanto a preparar realmente o/a professor/a para atuar em sala de aula.
Ocupar o cargo de educadora infantil colocou-me frente a dois desafios no campo pedagógico e profissional: a identidade da educadora infantil e suas funções e a valorização profissional.
9 Ensino Médio, na modalidade normal; - ou Curso Normal Superior ou Pedagogia. Ensino Médio, na modalidade normal, é o equivalente ao Magistério.
Primeiro, ao exercer a função angustiavam-me as práticas e a organização do trabalho pautado na dicotomia do “cuidar e o educar”. Nas orientações para o/a professor/a ficavam explícitam a separação quanto ao educar e o ensinar conteúdos às crianças, as quais eram “função do/a professor/a”. Ao/à educador/a cabia o apoio/auxílio no fazer “pedagógico” do professor. A centralidade das ações era pautada em atividades de cuidado, sem reflexão, desqualificando qualquer ação ou espaço de construção de conhecimento. O educador não precisava planejar e pensar nas atividades com as crianças. Bastava apoiar o/a professor/a, cuidar da alimentação, higiene e proteção das mesmas.
Em termo, no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI, 1998) consta que educar significa “[…] propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada”. Então, por que as práticas angustiavam tanto? Por que nossas imagens e autoimagens (ARROYO, 2013) eram tão marginalizadas ou fragilizadas?
A compreensão da tarefa da educadora de creche como uma responsável pelos cuidados básicos da criança – tarefa para a qual a afetividade é o maior atributo como: “ter jeito”, “ter amor às crianças”, “gostar” – tem contribuído para o pequeno investimento na formação docente destas profissionais. (CUNHA e CARVALHO, 2002, p. 4).
Não esperei as respostas. Mergulhei nos estudos e debates em várias instâncias oficiais e não oficiais de formação e estudos acerca de crianças e infâncias e o papel do/a educador/a como sujeito/a mediador/a na constituição de sujeitos/as autônomos/as que aprendem e se desenvolvem de forma integral. Dessa forma, construindo “meu espaço”, debatendo, dialogando com a escola e coordenadoras quanto à importância de nosso papel foram sendo delineadas as práticas de cuidar e educar. Concomitante a esse percurso desenvolvia também estudos voltados para a área da Literatura Infantil. “Contação” de histórias era uma paixão que me acompanhava desde a infância. Importante recurso que me “salvou” ao entrar no município sem nenhuma formação prévia vinculada ao cotidiano escolar. Propus à escola em que atuava à época a realização de um projeto de “contação” de histórias para que houvesse uma revitalização e diversificação desses momentos, que até então eram realizados pelo/a professor/a regente de cada sala. Sugeri o projeto “Visitas Encantadas” (REGATIERI, 2010), porque não havia nessa época uma profissional específica para trabalhar com a literatura. Angustiava-me observar as práticas voltadas a atender um programa que historicamente dá prioridade aos conteúdos, às cobranças da família, da escola e do/a próprio/a professor/a, que
querem ver ou mostrar resultados mais imediatos, um bom desempenho visível e palpável do/a aluno/a no final do ano letivo.
Tive grande apoio da diretora e supervisora, à época Tânia Martineli e Nádia Gosuen. Esse projeto proporcionou-me oportunidades de desenvolver oficinas de “contação” de histórias em várias escolas de educação infantil da rede municipal e no Centro Municipal de Estudos e Projetos Educacionais Julieta Diniz-CEMEPE. Nascia aí meu interesse em me tornar pesquisadora. Desejava aprofundar estudos sobre a temática “Contação de Histórias no Cotidiano Escolar da Educação Infantil: das práticas vigentes à formação de leitores”. Inscrevi-me em 2010 no Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação, da Universidade Federal de Uberlândia, linha de pesquisa Saberes e Práticas Educativas. Não fui selecionada. Devido a questões particulares engavetei, também, esse sonho. Ficou para ser tecido no futuro.
Desenvolvia-se desde 2009, em Uberlândia e em várias cidades do país, um debate referente às funções do/a educador/a infantil e sua atuação no campo pedagógico dentro do espaço escolar. A luta pautava-se em demandas que garantissem aos/as profissionais, em funções similares ou correlatas ao/a do/a professor/a em unidades de educação infantil, serem integrados às carreiras do magistério de seus respectivos sistemas. O movimento apoiado por alguns parlamentares da cidade, que propunham emendas objetivas no marco legal e buscavam a valorização dos/das educadores/as diante de seu enquadramento no quadro de magistério não logrou ganhos em seus primeiros debates.
Éramos chamados de Educadores/as Infantis, mas, no quadro de carreira, de “Assistente Administrativo”.
As funções, de forma sintética, se pautavam em “cuidar, orientar e executar atividades lúdicas pedagógicas e lúdico-educativas para crianças, auxiliando no planejamento, orientação, e desenvolvimento do processo de ensino, juntamente com os demais profissionais do sistema educacional, conforme projeto político pedagógico da Unidade”. (UBERLÂNDIA, 2004).
Com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), nº 9.394/96, que prescrevia o abandono do caráter assistencialista e considerou a educação infantil a primeira etapa da educação básica o/a professor/a, a partir daí, para atuar, necessitaria ter a formação mínima em nível médio na modalidade normal ou em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena e em universidades e institutos superiores de educação. Muitos municípios continuaram a fazer concursos com a exigência de apenas nível fundamental ou médio, com nomenclaturas como auxiliar de recreação, berçário,
auxiliar de creche, pajem, entre outras, até os dias de hoje. Mas os aprovados e empossados exercem atividades de docência, pois parcela significativa das creches, de fato, faz trabalho pedagógico, porém com salários e direitos inferiores aos dos/as professores/as, mesmo apresentando a qualificação exigida por lei.
O movimento de enquadramento profissional dos educadores/as, segundo Alves (2012, p.137) contemplou três dimensões; “a dimensão política de organização da categoria” (ausência de representatividade sindical), a “dimensão política administrativa (engavetamento das proposições do grupo)”, “a dimensão legal”, (dificuldades de inserção de emendas, restrições legais quanto à transposição, etc.).
Após um período de dez anos sem revisão do Plano de Cargos e Carreiras10 dos profissionais no município de Uberlândia as perdas se tornaram significativas do ponto de vista financeiro e também organizacional. O Plano foi revisto durante os anos de 2013 e 2014, na gestão do prefeito Gilmar Alves Machado (2013-2016) e da secretária de educação Gercina Santana Novais. Em 2015, entrou em vigor uma nova legislação sobre a organização da carreira dos/as profissionais do município, incluindo o da educação. Os ganhos para várias categorias foram consideráveis e os/as educadores/as infantis obtiveram aumento no salário- base, redução de carga horária sem redução de salário (trabalhavam 30 horas semanais tiveram sua jornada reduzida para 25 horas conforme Decreto nº 15.176 de 29/09/2014), mas não conseguiram o tão sonhado enquadramento na carreira de magistério. Foram colocados no quadro da educação, pois se trataria de cargo derivado, ação considerada ilegal.
Nesse período, não ocupava mais o cargo de educadora infantil, mas continuei apoiando o movimento. Havia sido aprovada em 2011 em concurso público para professora de Pré ao 5º ano do ensino fundamental da rede municipal de educação de Uberlândia, MG. Nomeada em 2012, tomei posse na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Professora Carmelita Vieira dos Santos, Bairro Tibery, assumindo a função de professora R211, desenvolvendo o projeto de Literatura e Musicalização. Função exercida com muita satisfação pelo respaldo oficial para trabalhar a literatura e a “contação” de história, minha paixão.
No ano de 2013, sendo servidora efetiva da rede municipal de educação de Uberlândia e atuando como professora nessa modalidade de ensino, lotada na referida
10 O Plano de carreira dos servidores do quadro da Educação da Rede Pública Municipal de Ensino de Uberlândia, na forma da Lei n° 11.967, de 29 de setembro de 2014, está disponível no Diário Oficial do Município de Uberlândia n° 4493.
Disponível em: <http://www.uberlandia.mg.gov.br/uploads/cms_b_arquivos/11610.pdf>. Acesso em: 10 Jun. 2018.
11 O/A professor/a Regente II na rede municipal de ensino de Uberlândia é o/a professor/a que atua em aulas específicas sobre Culturas Regionais e Locais, Música, Literatura, Arte, Educação Física.
unidade escolar, recebi convite para compor a equipe de professores/as formadores/as no Centro Municipal de Estudos e Projetos Educacionais Julieta Diniz (CEMEPE)12, função que desenvolvi junto à equipe do Núcleo das Infâncias13 e demais Núcleos Interdisciplinares que compunham a estrutura organizacional da gestão política pedagógica. As ações interdisciplinares dos Programas e Projetos de Estudos, Pesquisas Educacionais e Intervenção Pedagógica pautavam-se na responsabilidade de promover a formação contínua e em serviço com os/as servidores/as da educação nas diversas áreas e mais especificamente com as profissionais da educação infantil, estruturada pelas suas demandas formativas, necessidades dos/as alunos/as e urgência de desenvolver formação na escola, no CEMEPE, na Universidade Federal de Uberlândia e em outros espaços formativos.
O trabalho desenvolvido no período de 2013 a 2016 fundamentou-se em uma rede de apoio estabelecida entre os núcleos e instituições formadoras para desenvolver formação contínua com as unidades escolares, a qual foi organizada em cinco Polos, conforme as regiões da cidade: Polo Centro, Polo Oeste, Polo Norte, Polo Sul e Polo Leste.
As formações eram planejadas e executadas em parceria com outras secretarias, órgãos públicos e instituições de ensino público e privado. No que competia ao Núcleo das Infâncias (NINF), este tinha como objetivo desenvolver estudos, pesquisas e intervenção sobre as infâncias e discutir as concepções de cuidar e de educar, considerando aprendizagens e projetos educativos voltados para as infâncias e as crianças da (e na) contemporaneidade.
Promulgada a Lei nº 12.796, em 04 de abril de 2013, que dispõe sobre a obrigatoriedade da matrícula de crianças aos quatro anos de idade nas instituições de educação infantil, tornou-se obrigatória a elaboração e expedição de documentação comprobatória sobre frequência, aprendizagem e desenvolvimento do/a aluno/a. Em decorrência, o NINF se preocupou em abordar, nas formações, temas que propiciassem o
12O Centro Municipal de Estudos e Projetos Educacionais Julieta Diniz (Cemepe) é uma Instituição de ensino com o objetivo de desenvolver programas e projetos de estudos, pesquisa e intervenção pedagógica no cotidiano das unidades escolares, nos espaços das salas de aula e demais espaços educativos. Oficializado pela Secretaria Municipal de Educação por meio do Decreto Nº 5338, em 15/10/1992. Pelo Decreto nº 14.035 de 29 de abril de 2013, que institui a Rede Pública Municipal pelo Direito de Ensinar e de Aprender no Município de Uberlândia MG.
13 Através do Decreto Nº 14.035, de 29 de abril de 2013, foram criados dez núcleos: Núcleo das Linguagens (NLIN) Núcleo das Infâncias (NINF) Núcleo do Ensino Fundamental (NEF) Núcleo de Tecnologia e Educação (NTE) Núcleo de Apoio às Diferenças Humanas (NADH) Núcleo de Educação em Direitos Humanos (NEDH) Núcleo dos Assuntos Estudantis (NAE) Núcleo de Gestão Democrática (NGD) Núcleo de Educação de Jovens e Adultos (NEJA) Núcleo de Educação das Relações Etnicorraciais (NERER) ‐ Decreto 14.934 de 06 de junho de 2014.
debate sobre a relação entre as práticas educativas desenvolvidas no município e as orientações curriculares estabelecidas em âmbito nacional e municipal para essa modalidade. Destaca-se, nessa perspectiva, o projeto “Um Olhar Sensível e Reflexivo sobre a Reorientação Curricular na Educação Infantil”. As formações com os/as profissionais da educação, por meio desse projeto, se pautaram na articulação das práticas sociais com as políticas públicas e os conhecimentos pertinentes e específicos dessa etapa educacional. Os temas que fizeram parte dessa formação foram: Currículo, Avaliação, Culturas, Organização do tempo e do espaço escolar, Transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental, Dimensão Relacional do Ambiente Escolar e Relação Família Escola.
No decorrer das formações, em diálogos sobre os procedimentos que seriam adotados a partir das orientações legais quanto à avaliação do desenvolvimento das crianças, e, também, como se daria a elaboração dos documentos para registro da trajetória escolar nessa etapa da educação, ouvimos algumas queixas dos/as professores/as: “como fazer? Não temos tempo para escrever relatório de cada criança, para que esse relatório? É só mais trabalho da atual gestão política, ninguém vai ler ou a maioria dos pais (muitas vezes estavam se referindo