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5.3 Results and discussion

5.3.3 Comparison of the metabolic performances

Com base na análise das narrativas obtidas por meio de entrevistas, as professoras e as pedagogas possuem idade entre 35 e 63 anos, 09 se declararam de raça/cor branca, 04 de raça/cor parda e 01 de raça/cor negra. Quanto à classe social, observamos que, durante a entrevista, as entrevistadas manifestaram insegurança em definir a classe pertencente. Onze declararam pertencer à classe média, 06 demonstraram dúvida e acrescentaram ser “media/baixa”. Uma professora declarou ser da classe pobre. Em relação à religião, 04 são da religião católica (01 não praticante), 06 evangélicas, 02 espíritas e 02 não quiseram declarar.

Sobre a predominância do sexo feminino na escola de educação básica, Bernadete Gatti mostra, em suas pesquisas, que esse não é um fenômeno recente.

[...] como já sabido, há uma feminização da docência: 75,4% dos licenciandos são mulheres, e este não é fenômeno recente. Desde a criação das primeiras Escolas Normais, no final do século XIX, as mulheres começaram a ser recrutadas para o magistério das primeiras letras. A própria escolarização de nível médio da mulher se deu pela expansão dos cursos de formação para o magistério, permeados pela representação do ofício docente como prorrogação das atividades maternas e pela naturalização da escolha feminina pela educação (GATTI, 2010, p.1362).

A formação inicial das dez professoras e das três pedagogas é na área de Pedagogia e apenas uma professora possui formação em Letras. Desse total, dez possuem especialização na área de educação, sendo que a maioria (09), cursou graduação e especialização em escola particular e 05 em escola pública – UFU. Os anos de atuação variam de 02 a 30 anos na educação. Duas já aposentaram em um cargo e estão prestes a se aposentarem no outro. Verifica-se que de acordo com o quadro apresentado as professoras e pedagogas entrevistadas, em sua totalidade, atuam em conformidade com os ordenamentos legais que preconiza.

Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nos 5 (cinco) primeiros anos do ensino fundamental, a oferecida em nível médio na modalidade normal. (BRASIL, 2017, p.20).

Para melhor conhecer as participantes da pesquisa, no próximo item apresentamos e analisamos outros aspectos relativos a cada professora e pedagoga.

6.1.1 Narrativas das professoras e docência na educação infantil

Professora Vitória70

A professora Vitória possui formação inicial em Pedagogia e especialização em alfabetização, ambas cursadas em instituição pública: Universidade Federal de Uberlândia - UFU. Declara-se apaixonada pelas crianças e pela Educação Infantil, na qual adora atuar e se sente realizada, pois vê a afetividade como um dos pontos centrais para esta faixa etária, e o papel do/a professor/a fundamental e marcante na vida da criança “[...] eu não consigo imaginar quem fala que não gosta. Está ali, mas... quer fazer outra coisa. Eu não sei como as pessoas dão conta de passar por ali quase todo dia [...], assim... não tendo esse sentimento

mesmo”. (Professora Vitória, entrevista, 2019, p.3). A narrativa da professora salienta seu envolvimento ao exercer sua atividade docente, seu “comprometimento”. Segundo Freire (2019), “não é possível exercer a atividade do magistério como se nada ocorresse conosco. [...] não posso ser professor sem me por diante dos alunos, [...] não posso escapar à apreciação dos alunos [...]. (FREIRE, 2015, p.94).

Portanto, passar pela experiência sem vivê-la, sem se envolver, sem ser coerente com o que se propôs a fazer é uma “omissão”, e sua narrativa deixa clara a consciência que tem em relação à importância de sua presença, de sua prática na vida das crianças.

Professora Cecília

A professora Cecília possui graduação em Pedagogia cursada na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pós-graduação em Ensino Superior em faculdade particular (UNITRI). Narra que sua atuação profissional inicial foi em numa clínica de reabilitação com crianças surdas na Associação Filantrópica de Assistência ao Deficiente Auditivo - AFADA –, na qual atuou

por 4 anos. Efetivada na Rede Municipal há 15 anos, atuou como docente no Ensino Fundamental por 6 anos, passando para a Educação Infantil na qual está até o momento, exercendo a função de professora regente I (RI) do 1º período (4 anos), turno manhã. Gosta de trabalhar na educação infantil e está satisfeita. A vantagem que vê é, [...] as crianças pequenas são muito carinhosas e o afeto é diferente, a maneira de lidar é diferente. [...] é mais gratificante com os pequenininhos”. (Professora Cecília, entrevista, 2019, p.3).

De acordo com Saltine (2008, p.89), “Não é necessário grandes carinhos, precisamos apenas de alguém que nos veja, observe, perceba que existimos e que estamos aqui – a isso chamo de relação afetiva”. Analisamos, nesse sentido, que a professora Cecília expressa ter encontrado na educação infantil satisfação não só no campo profissional, mas também na dimensão afetiva. O “fio condutor”, nas relações que se estabelece na escola, especialmente neste nível de educação, pode contribuir significativamente com as aprendizagens das crianças e com o grau de satisfação das professoras.

A professora Rebeca

A professora Rebeca cursou Pedagogia na Faculdade Católica de Uberlândia - FCU, atual PUC-Uberlândia, rede privada. Não possui pós-graduação. Salienta que sua atuação profissional se iniciou aos 17 anos, quando na época cursava o Magistério (nível médio) e com por meio de uma bolsa começou a atuar como professora de educação infantil, tendo trabalhado em duas escolas particulares de Uberlândia. Efetivada na Rede Municipal desde 2005, há 14 anos atua na Educação Infantil, exercendo atualmente a função de professora regente I (RI) do 2º período (5anos), turno manhã.

Diz estar satisfeita trabalhando com a educação infantil, destaca que às vezes as condições não correspondem ao que esperava, mas não se arrepende, porque nasceu para atuar na área da educação, “[...] o salário não é lá essas coisas assim, pelo tanto que a gente [...] eu investi tanto e o retorno não é aquilo que você almejava [...]. (Professora Rebeca, entrevista, 2019, p.5).

Os dados resultantes da análise trazem representações de como nossa “imagem” veio se constituindo no decorrer dos tempos. Segundo Arroyo (2000), nos é negado um tratamento digno, salários decentes e condições de trabalho que possibilitem desenvolver nossa docência em condições mínimas de qualidade. E ser professor/a de educação infantil carrega uma imagem de que os salários não precisam ser tão altos. Para esse “ofício, essa função”, o que já ganhamos está bom demais. Coadunamos com Arroyo (2000) quando escreve que “Somos a imagem que nos legaram, socialmente construída e politicamente explorada. [...]. Como pesa essa imagem!” (ARROYO, 2000, p.34-35). Nesse sentido, entendemos que as expectativas que criamos em relação à docência, às vezes nem sempre correspondem às realidades com as quais nos deparamos no exercício das escolas ou das redes de educação. Nosso enfrentamento é com questões que vão além, que envolvem essas representações que nos legaram e mudar isso, só atrelados a um coletivo fortalecido.

Professora Carolina

A professora Carolina possui formação inicial em Letras e especialização na área de educação, ambas cursadas em instituição privada. Está há 30 anos no exercício da docência. Atuou também no ensino fundamental, cargo que já se aposentou. Está perto de aposentar na educação infantil, da qual gosta muito e a vantagem é que aprende sempre com as crianças. Paulo Freire (2015) traz contribuições significativas sobre “essa forma de compreender e

viver o processo formador, “[...] não há docência sem discência, as duas se explicam [...], quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. (FREIRE, 2015, p.25). Ao analisarmos a narrativa da professora, foi possível inferir que ela demonstra respeitar a criança enquanto sujeito participante do processo de ensinar e aprender.

Professora Júlia

A professora Júlia, tem graduação em Pedagogia e Normal Superior cursadas na Faculdade Católica de Uberlândia e especialização em Psicopedagogia no Passo 1 (instituições Privadas). Atuando há 13 anos na área da educação, destes, 07 anos foram como contratadas em biblioteca no Estado. Iniciou na rede municipal de ensino de Uberlândia como educadora infantil e há 6 anos foi aprovada em concurso e efetivada como professora, cargo atual.

Sobre sua atuação na educação infantil declara estar muito satisfeita e que este é seu perfil. Cita como vantagens a sinceridade das crianças e poder ver o desenvolvimento delas, “[...] ela chega para nós e no final do ano quando vemos todo o desenvolvimento dela é bem significativo, ver tudo o que conseguimos com a criança”. (Professora Júlia, entrevista, 2019, p. 2). De acordo com Paulo Freire, ensinar exige reconhecer qual o nosso papel e a responsabilidade que temos de contribuir com transformações na vida dessas crianças e no mundo, “[...] não é só o de quem constata o que ocorre, mas também de quem intervém como sujeito de ocorrências” (FREIRE, 2015, p.74), nesse sentido, vemos na professora Júlia uma docente que acompanha e acredita no potencial de seus educandos, sinais que analisamos demonstrar sua concepção de avaliação para promoção da aprendizagem das crianças.

Professora Izabel

A professora Izabel possui formação inicial em Pedagogia e especialização em Educação Infantil (ambas cursadas em instituição privada). Declara que iniciou sua carreira docente em 1979 como professora de ensino fundamental, trabalhando com turmas Multiseriadas71, mas ficou pouco tempo, pois foi aprovada em concurso para a educação infantil em dois cargos e já atua por mais de 30 anos (já aposentou em um cargo).

71As classes multisseriadas são salas com alunos de diferentes idades e níveis educacionais nas qu ais estão cerca de 60% dos estudantes do campo. Segundo o Censo Escolar 2017, existem 97,5 mil turmas do Ensino Fundamental nessa situação em todo o País, número que vem permanecendo praticamente

Quando perguntada se estava satisfeita em trabalhar na educação infantil, a professora destacou que ama, diz que foi uma escolha por preferência, mas faz uma observação quanto às mudanças que tem observado ultimamente em relação à participação das mães, dos pais ou outros responsáveis pelas crianças.

Parece que as escolas de educação infantil viraram creche. [...] Por que o que que eles fazem? Eles pegam os filhos, as vezes eles não olham nem a mochila dos filhos, de um dia para outro e joga o filho ali. Ali a van pega os meninos, leva para outra escola particular, põe o menino ali, o dia todo. Quer dizer, não está tendo mais aquela preocupação[...], eu fico muito triste com essa mudança que está acontecendo, é uma mudança muito triste. (Professora Izabel, entrevista, 2019, p.3-4).

Ao analisarmos a narrativa da professora Izabel, percebemos a necessidade apontada por Saltini (2008, p.95), de entendermos que a validade de toda ação educativa, envolve compreender sobre quais condições concretas de “aprender e conhecer” essas crianças são colocadas, qual sua realidade? Em qual contexto social estão inseridas? Daí derivam as discussões que poderíamos desenvolver em páginas e páginas. Para o momento apresentamos breves considerações que possam vir a contribuir com nossa análise. Sobre isso, Saltini nos traz um questionamento: “Caminhamos para uma nova postura educativa?”. Destacamos visualizar que avançamos consideravelmente em relação às políticas públicas de atendimento à infância no Brasil (dados já apresentados anteriormente), porém, em consonância com essas mudanças “[...] não devemos esquecer que a relação com os pais dos alunos deve ter outro enfoque. Enquanto se criava uma escola para satisfação dos pais, hoje cria-se uma escola para o “desenvolvimento do pensar da criança”, do pensar na relação com o outro, e com o mundo social72”. (SALTINI, 2008, p.108). Nessa vertente, fazer valer o PPP, quando ele aponta “a necessidade de compartilhar com pais e responsáveis não só as informações sobre frequência e rendimento dos alunos, mas também a responsabilidade de elaborar e executar a Proposta do Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola”. (UBERLÂNDIA/PPP, 2015, p.25). Assim, apresentar e discutir com os/as pais/mães ou outros responsáveis, os objetivos e as propostas da escola, o que a escola tem a oferecer e a família a contribuir em termos de educação, a fim de atingirem objetivos comuns em relação a aprendizagem e desenvolvimento das crianças (seus filhos ou dependentes), pode ser um caminho otimista.

inalterado nos últimos dez anos. Disponível em:< https://www.todospelaeducacao.org.br/conteudo/perguntas- e-respostas-o-que-sao-as-classes-mu>. Acesso em 22 out. 2019.

72 Importante destacar que no ano de 2008 tínhamos um projeto de escola que possibilitava pensar essas possibilidades. Hoje (2019), essa perspectiva do desenvolvimento do pensar da criança está sendo questionada. Em tempos de projetos de uma “escola sem partido,” o que se defende é uma escola que transmite conhecimento e não que ensine a pensar.

Professora Larissa

A professora Larissa, cursou Pedagogia na UNIPAC e pós-graduação em Inspeção Escolar pela faculdade Católica de Uberlândia (instituições privadas). Iniciou sua atuação profissional como educadora infantil na rede municipal de educação de Uberlândia, fazendo transposição73 de cargo em 2012, quando foi aprovada em concurso público de Uberlândia.

Quando perguntada se estava satisfeita trabalhando com a educação infantil e quais as vantagens de se trabalhar neste nível, diz que ama estar com essa faixa etária. Aponta que gosta de atuar nessa modalidade de ensino porque se trabalha muito o lúdico, e adora a afetividade das crianças e de ver como elas desenvolvem. [...] as mães me falam, meu filho nunca apresentou, nunca fez teatro e agora ele está aprendendo, está apresentando... está desenvolvendo. É isso que nós temos que trabalhar com as nossas crianças, permitir que eles atuem, que eles sejam autores da própria história [...]. (Professora Larissa, entrevista, 2019, p.4). Nesse sentido, Paulo Freire (2015), escreve “[...] onde quer que haja mulheres e homens há sempre o que fazer, há sempre o que ensinar, há sempre o que aprender”. (FREIRE, 2015, P. 74- 82). Analisamos a possibilidade de estar presente na narrativa da professora sua convicção de que a mudança é possível, visto que somos “programados para aprender,” o que nos compete então é criar oportunidades e respeitar a autonomia dessas crianças.

Ao narrar já ter trabalhado no ensino fundamental, fala sobre a diferença entre a educação infantil e salienta que vê certa vantagem emocional.

[...] a vantagem emocional pra mim... na educação infantil eu estou sempre a cada dia eu estou relembrando a minha infância. Uma infância não vivida. Eu tenho oportunidade de estar vivendo isso com eles. Não falo porque é bonito, por demagogia porque eu não tive uma infância de brincar com crianças, e ali eu tenho. Eu não tenho habilidade artística nenhuma! Não consigo desenhar uma casinha com árvore! Corto tudo torto, minha coordenação motora é péssima! Mas assim, o que que eu faço: eu busco essa função... peço às pessoas que eu sei que têm a habilidade em fazer, eu recorro a essas pessoas e pago. [...]. (Professora Larissa, entrevista, 2019, p.4, grifo nosso).

73LEI COMPLEMENTAR Nº 40/1992- dispõe sobre o estatuto dos servidores públicos do município de Uberlândia, suas autarquias, fundações públicas e câmara municipal. Seção VII Da transposição- Art.29 - Transposição é a passagem do servidor de um para outro cargo de provimento efetivo, de carreira diversa, mediante aprovação em concurso. Disponível em:<https://leismunicipais.com.br/estatuto-do- servidor-funcionario-publico-uberlandia-mg>. Acesso em: 17 out 2019.

O relato da professora Larissa traz as marcas de sua história, de sua experiência de vida. Jorge Larrrosa (2002) nos situa enquanto sujeitos da experiência, de forma encantadora, [...] “a experiência é o que nos passa”, o sujeito da experiência seria algo como um território de passagem, algo como uma superfície sensível que aquilo que acontece afeta de algum modo, produz alguns afetos, inscreve algumas marcas, deixa alguns vestígios, alguns efeitos”. (LARROSA, 2002, p.24). Ao expor essa experiência que lhe “tocou” analisamos que a professora buscou quebrar barreiras em função de transformar essas experiências em novas oportunidades de construir vivências diferentes. Suas experiências vividas que deixaram marcas que a frustra, de acordo com sua narrativa, não foram obstáculos para que viesse a ser uma professora que busca, que propõe e que intervém de forma significativa, mesmos que para isso ela tenha que buscar o auxílio de terceiros, “[...] eu busco essa função ... peço às pessoas que eu sei que têm a habilidade em fazer, eu recorro à essas pessoas e pago”. Apresenta também elementos que constituem a importância da “interação e das brincadeiras”, práticas que devem caracterizar o cotidiano da educação infantil de acordo com a BNCC/2017, “[...] ao observar as interações e a brincadeira entre as crianças e delas com os adultos, é possível identificar, por exemplo, a expressão dos afetos, a mediação das frustrações, a resolução de conflitos e a regulação das emoções”, questões fundamentais nesta etapa. (BRASIL/BNCC, 2017, p37). Portanto, analisamos que a professora, ao destacar que tem a oportunidade de viver essa infância não vivida, está trazendo consigo possibilidades de transformação de sua realidade e também da realidade das crianças com as quais tem o compromisso de oferecer práticas que proporcionem o seu desenvolvimento integral e mudanças em suas realidades, se necessário.

Professora Bianca

A professora Bianca possui formação inicial em pedagogia pela UNITRI e especialização em Educação Especial pela Faculdade Católica de Uberlândia/ FCU, ambas instituições privadas. Atua na área da docência há 18 anos. Declara que gosta da educação infantil, pois se identifica muito com as crianças, gosta de brincar, de ver no que realmente elas tão desenvolvendo, “apesar de que tem muitos alunos que fazem a gente refletir: será que a nossa prática está certa?” (Professora Bianca, entrevista, 2019, p.3). Ressalta que está satisfeita e a vantagem de se trabalhar com a educação infantil, e principalmente com essa idade (4 anos), se justifica por ser a base, e tudo o que se trabalha nessa idade vai fazer com que a criança se torne um adulto melhor.

[...] eu falo muito isso... a fase dos 4 anos é a puberdade da criança, porque eles vão sair de um processo que tinha um educador pra apoiar, então eles vão começar a ter mais autonomia, [...] Porque se eu trabalho hoje, que é a fase também de 4, 5 anos que é o egocentrismo, se eu trabalho, e a criança reconhecer que está fazendo algo errado... que o brinquedo não é só dela, é do outro também, eu vou trabalhar para que a criança não se torne um adulto egoísta [...]. (Professora Bianca, entrevista, 2019, p.3).

Saltini (2008), ao falar de desequilíbrio grupal, regras e limites, escreve, que a criança quando está longe da família busca satisfazer suas necessidades básicas, “amor, afeto, acolhimento”, com o professor e no grupo.

Essas necessidades geram um desequilíbrio, o qual por sua vez busca a satisfação do prazer e da cooperação. O brincar com o outro é uma forma de organizar-se e equilibrar-se tanto interna quanto externamente, assimilando e acomodando-se constantemente. Para que haja relação, é necessário que as leis próprias de cada um entrem em comum acordo, buscando entre frustração e satisfação um ponto que sirva a ambos. A necessidade recíproca do inter-relacionamento afetivo gera um equilíbrio. [...] A percepção dos próprios desejos e dos desejos do outro é o primeiro passo para o desenvolvimento da autonomia moral. (SALTINI, 2008, p.98-99)

Analisamos nesse sentido, o papel da professora “sensível” e que questiona: “será que a nossa prática está certa?”, se autoavalia em função da aprendizagem, com responsabilidade constata e percebe que sua intervenção pode fazer a diferença, “eu vou trabalhar pra que a criança não se torne um adulto egoísta”, assim criando e estruturando regras, trabalhando limites estará orientando essas crianças e formando-as para serem adultos autônomos, menos egoísta e egocêntricos.

Professora Laura

A professora Laura é formada em Pedagogia em instituição privada, na UNITRI, em 2002 com várias especializações (não citou os nomes) e destaca que a que mais contribuiu para sua prática foi a Psicopedagogia e a Gestão. Narra que está em sala de aula há 14 anos. Ao ser perguntada sobre a sua satisfação em trabalhar na educação infantil, afirma que está satisfeita e gosta muito, mas, às vezes sente frustrações. Vê como vantagem de atuar com essa faixa etária a afetividade e o fator idade da criança, visto que por ela estar em formação, pode contribuir mais com o desenvolvimento da criança.

Fala com muito carinho de seus/suas alunos/as e que são um grupo muito heterogêneo. Destaca como dificuldade maior conquistar o respeito da criança, “[...], mas quando você ganha o respeito dele, você consegue... agora tem crianças que você tenta de todas as formas

chegar a ele e você não consegue. [...] ele mesmo fala pra você: Ah, eu não quero isso, e eu acho que isso pra uma criança de 4 anos, muito forte uma coisa dessa.” (Professora Laura, entrevista, 2019, p.3).

Apreendemos na narrativa da professora Laura uma preocupação com crianças em tão tenra idade se negarem a interagir, ter contato, uma busca de compreensões sobre sua realidade, um querer bem nos dizeres de Paulo Freire.

E o que dizer, mas sobretudo que esperar de mim, se, como professor, não me acho tomado por este outro saber, o de que preciso estar aberto ao gosto de querer bem, às vezes, à coragem de querer bem aos educandos e à própria prática educativa de que participo. Esta abertura ao querer bem não significa, na verdade, que, porque professor me obrigo a querer bem a todos os alunos de maneira igual. Significa, de fato, que a afetividade não me assusta, que não tenho medo de expressá-la. Significa esta abertura ao querer bem a maneira que tenho de autenticamente selar o meu compromisso com os