4 Dynamique quantique 1
5.2 Une expérience typique
O outro impressor activo durante a primeira década do século XVII é Manuel de Araújo, cuja produção é muito restrita: parece reduzir-se aos anos de 1600 a 1607, nos quais não evitou entrar em disputa com a imprensa de Diogo Gomes de Loureiro pelo título de arquitipógrafo da Universidade, que ostenta na folha de rosto da obra De
medendis corporis malis per manualem operationem [...], da autoria de João Bravo Chamisso, dado à estampa em 1605. Não sabemos quais foram as origens desta oficina, mas a primeira obra conhecida dela saída parece ter sido o Compendio Spiritual da Vida
Christam [...], de Gaspar de Leão, impressa em 1600 e custeada pelos herdeiros de outro impressor coimbrão quinhentista, António de Barreira; é possível que a oficina de Manuel de Araújo tenha sido adquirida aos herdeiros desse impressor, razão que explicaria a tentativa, por parte de Manuel de Araújo, de se afirmar como o mais antigo tipógrafo de Coimbra, dando continuidade à histórica rivalidade entre as oficinas coimbrãs da segunda metade do século XVI31.
31 Na realidade, pelo menos parte do material tipográfico utilizado por Manuel de Araújo havia sido
utilizado por António de Barreira durante a sua actividade como impressor privilegiado da Universidade de Coimbra. A documentação atesta esta relação entre as oficinas de Manuel de Araújo e de António de Barreira: uma quitação dada pela Universidade a Maria Gomes, viúva de António de Barreira, datada de 4 de Maio de 1604, refere que a dívida se referia ao tempo entre a morte do marido e o contrato feito com o seu sucessor, Manuel de Araújo (Cf. Coimbra, Arquivo Distrital, Fazenda, Livro que começou a 23 de Novembro de 1602, fl. 27; cit. por M. Lopes de Almeida, Artes e Ofícios em Documentos da
Universidade, vol. I . Século XVII, Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 1970, pág. 26); outro documento, datado de 30 de Maio seguinte, mandata Pêro Soares para pagar à referida viúva a quantia de
Manuel de Araújo assume-se como impressor régio durante o tempo da sua actividade, mas este título aparece sempre junto ao privilégio de impressor da Universidade de Coimbra, da qual o rei era protector: impressor del Rey Nosso Senhor
na Universidade de Coimbra, conforme aparece no pé de imprensa da portada das
Constituiçoens synodaes do bispado de Leiria [...], por ele impressas em Coimbra, no ano de 160132. Esta situação parece evidenciar que o impressor era, efectivamente, impressor da Universidade por mercê do rei, mas, não obstante, em 1607 aparece como
tipógrafo do rei e da universidade33. Em função da escassa documentação de que dispomos, não será possível responder de forma satisfatória a esta questão.
No ano a seguir à impressão do Compendio espiritual [...] de Gaspar de Leão, saem dos prelos de Manuel de Araújo duas obras: as Constituiçoens synodaes do
bispado de Leiria [...], ordenadas e mandadas imprimir por D. Pedro de Castilho, na época titular da cátedra episcopal de Leiria e que ostentam, na portada, uma gravura que apresenta o dragão alado semelhante ao que o então já desaparecido impressor lisboeta Luís Rodrigues tinha adoptado como marca; e um Tratado [...], da autoria do Doutor Ambrósio Nunes, sobre o tratamento da peste - mas somente as quatro partes iniciais foram por ele impressas, já que a restante obra seria dada à estampa por Diogo Gomes de Loureiro34.
Em 1602, Manuel de Araújo imprime somente o Tractatus de Elementis [...] de Diogo Lopes e, no ano seguinte, a Arte do Canto Chão de João Martins, da qual não conseguimos identificar qualquer exemplar. No ano de 1604, a sua actividade limita-se à impressão da Arte do Computo Ecclesiastico segundo a nova reformação de Gregorio
XIII [...]35, composta por Leandro de Figueiroa Fajardo, uma obra profusamente
dezasséis mil réis (Cf. Coimbra, Arquivo Distrital, Fazenda, Receita e despesa da Universidade do Anno de 1595 the 604; cit. por M. Lopes de Almeida, Artes e Ofícios em Documentos da Universidade, vol. I .
Século XVII, Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 1970, pág. 27).
32 Cf. Joaquim Martins de Carvalho, Apontamentos para a história contemporânea, pág. 291.
33 Gonçalo Fernandes de Azamor, Conclusiones dialecticae. Quaestio disputanda. Vtrum opinio
intrinsecé includat fidem humanam, & fides humana opinionem?, Coimbra, Manuel de Araújo, s.d. [1607].
34 Na verdade, o pé de imprensa ostenta somente o nome de Diogo Gomes de Loureiro: «Acabouse de
Imprimir, na Officina de Diogo Gomez Loureyro Impressor da Vniuersidade»; porém, no final da quarta parte, surge um colofon que indica: «Impresso en Coimbra por Manuel D’araujo». Sabemos, deste modo,
que a partir deste ponto a obra foi impressa por Diogo Gomes de Loureiro. O privilégio real, impresso no início do volume, foi concedido ao autor, o que pode indicar que existiu algum conflito entre Ambrósio Nunes e Manuel de Araújo, que terá conduzido à mudança de impressor; acresce o facto de Manuel de Araújo não ter impresso qualquer outra obra da autoria de Ambrósio Nunes, tendo Diogo Gomes de Loureiro impresso várias nos anos seguintes.
35 Gregório XIII (Romagna, Bolonha 07.06.1502 – Roma 10.04.1585), no século conhecido com o nome
de Ugo Boncompagni, era filho do mercador Cristóvão Boncompagni e de Ângela Marescalchi. Estudou direito na Universidade de Bolonha e participou no Concílio de Trento entre 1561 e 1563, por ordem de
ilustrada com tabelas e gravuras demonstrando a forma de elaborar diversos cálculos; no pé de imprensa, o tipógrafo assume-se como Impressor delRei, surgindo, a meio da folha de rosto, a gravura com o dragão alado semelhante à marca de Luís Rodrigues, o que indica a origem de, pelo menos, uma parte do seu material tipográfico.
O ano de 1605 é ocupado a imprimir o primeiro tomo de uma obra de medicina da autoria de João Bravo Chamisso, professor na Universidade de Coimbra: De
medendis corporis malis per manualem operationem [...]. A impressão desta obra confirma a especialidade de Manuel de Araújo em relação a obras científicas e de medicina, mas a sua actividade termina aqui no que toca a este tipo de obras. Mas, por outro lado, é nesta obra que o impressor utiliza, no pé de imprensa, o título de
arquitipógrafo da Universidade. Por outro lado, Manuel de Araújo assume-me frequentemente como tipógrafo régio, mas está sempre associado à Universidade de Coimbra, excepto em 160736: depois de nada ter impresso no ano anterior, há um pequeno fascículo ligado às provas académicas, da autoria de Gonçalo Fernandes [de Azamor], em que o autor se propõe dissertar sobre uma quaestio: Vtrum opinio
intrinsecè includat fidem humanam, & fides humana opinionem? Trata-se, no entanto, de uma obra com um alcance muito restrito, lida, possivelmente, apenas no âmbito dos intervenientes da prova e indubitavelmente produzida com um fim específico.
A actividade de Manuel de Araújo terá terminado nesse ano, mas sem que, antes, tenha dado à estampa a obra Poemata [...], para uso académico, da autoria de Tomé de Paiva37.
Pio IV. Em 1565 é nomeado cardeal de Espanha e é eleito papa em 14 de Maio de 1572, sucedendo a São Pio V. A sua acção destaca-se pela reforma do calendário e pela luta contra a reforma protestante, no seguimento do Concílio de Trento: cria seminários para formação do clero, bem como a Universidade de Roma, conhecida como Gregoriana, e insiste na repressão dos abusos praticados entre a hierarquia eclesiástica; cria o Index Librorum Prohibitorum para controlo dos livros que circulavam pela Europa católica. Foi um forte opositor de Isabel I de Inglaterra, que tentou depor estimulando os católicos irlandeses e ficou recordado por celebrar a Noite de São Bartolomeu, uma reacção católica que implicou a morte de centenas de protestantes, com um Te Deum.
36 Não são conhecidas obras por si impressas no ano de 1606.
37 O fim da oficina de Manuel de Araújo, sem certezas absolutas, pode estar associado aos problemas
existentes entre o impressor e a Universidade, a propósito do pagamento das moradias: a 8 de Junho de 1605, a Mesa da Universidade dirige uma informação ao rei, na qual alega que não tem obrigação de pagar a verba de seis mil réis para casas, por isso não ter sido firmado no contrato inicial; acrescenta-se que, se o tipógrafo não quiser trabalhar sem essa verba, a Universidade pode prescindir de um dos seus impressores (Cf. Coimbra, Arquivo Distrital, Fazenda, Livro que começou a 23 de Novembro de 1602, fl. 49; cit. por M. Lopes de Almeida, Artes e Ofícios em Documentos da Universidade, vol. I . Século XVII, Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra, 1970, pág. 36).