2-Les signes endocriniens
G- EVOLUTION A MOYEN ET LONG TERME
2- Evolution radiologique et récidive
FONTE: ADAPTADO PELA AUTORA DESTE ESTUDO (2014) A PARTIR DE MARKOVÁ (2008)
Esta relação de triangularidade (figura 1), proposta em nossa pesquisa, é possível, na medida em que estudiosos deste campo teórico, como Madeira (2005), destacam que o “eu sujeito da representação” - referente básico do processo de estruturação de representações - não é um “eu” abstrato, mas um sujeito individual e coletivo ao mesmo tempo, que constrói sua condição juvenil nas relações com o outro e com o mundo, construindo representações e sendo por elas orientado.
Assim, situamos o nosso problema de estudo, como propõe Nascimento (2014), no campo relacional, no qual o jovem egresso do PROJOVEM Campo, sujeito da Representação Social, se apropria do objeto do conhecimento, qual seja: a condição juvenil do campo, numa dinâmica simbólica, construtora e reconstrutora de imagens e significados, que orientam a sua conduta de jovem do campo.
Neste sentido consideramos que os processos de construção das Representações Sociais estão intimamente relacionados às condições e aos contextos dos jovens egressos do programa PROJOVEM Campo no Município de Bragança, nos quais emergiram as representações sobre a condição juvenil. Assim, a partir da triangularidade, reafirmaremos que não se trata de uma juventude do campo que isoladamente produziu representações sobre sua condição juvenil, mas
de jovem egresso do Programa PROJOVEM Campo Saberes da Terra, que (re)constrói os sentidos e significados de sua condição juvenil, orientado pela vivência num Programa que se apresenta como proposta de inclusão social, dando os limites e contornos para a sua construção de jovem do campo, neste município.
Diante desta triangularidade delimitamos nossa abordagem como propõem outros estudiosos da Teoria das Representações Sociais como Jodelet (1986), Jovchelocitch (2002), Duveen (2007), Marková (2008) e Nascimento (2014), na perspectiva processual e sociocultural das Representações Sociais, pois como descrevem Schulze e Carmargo (2000):
[...] a abordagem processual é voltada para as questões culturais e históricas, que busca compreender os processos que geram e mantém as representações vivas nas interações entre os indivíduos e grupos sociais (2000; p. 288)
Isto significa dizer que precisávamos articular o processo de construção das representações dos jovens egressos do PROJOVEM Campo às dinâmicas socioculturais que estavam inseridas nas vivências desses jovens. Na perspectiva de responder a essa articulação recorremos à visão de Moscovici (1978), de que as Representações Sociais são construídas em relações de negociações que ocorrem na tensão e nos conflitos e que para compreendê-las faz-se necessário analisar o processo no qual elas se constituíram. Como descreve Moscovici:
[...] as representações sociais são formadas através de influências recíprocas, de negociações implícitas no curso das conversações em que as pessoas se orientam para modelos simbólicos, imagens e valores compartilhados e específicos. (2009, p. 208)
Assim, partindo da compreensão de que os grupos sociais constroem as bases cognitivas dos fenômenos e/ou objetos das Representações Sociais, em processos de negociações, em função dos interesses e das implicações para os próprios sujeitos, reafirmamos a ideia de que as representações podem ser interpretadas como um fenômeno inscrito na história e na cultura, nas relações materiais, na vida social, na qual a subjetividade ocupa um lugar na zona de contato, por meio de uma dinâmica conflituosa de comunicação/tensão/mudança.
A partir desta visão podemos dizer que as Representações Sociais de jovens egressos serão assumidas por nós como ponto móvel, dentro de um sistema de transformações [no caso dos sentidos e imagens da sua própria condição juvenil], que compreende uma rede de representações, derivada de relações intergrupais e interinstitucionais dos jovens sobre a condição juvenil, na esfera pública, bem como, um processo de reprodução e renovação da própria cultura. Como explica Duran:
Em qualquer cultura há pontos de tensão, de fratura, ao redor dos quais novas Representações Sociais emergem. Nos pontos de clivagem há uma falta de sentido, um ponto onde o não familiar aparece, colocando em ação algum tipo de trabalho representacional para familiarizar o não familiar e assim restabelecer um sentido de estabilidade. (2009 p.40)
Em síntese podemos dizer que, se por um lado o campo sociocultural nos permite captar os elementos para analisarmos as tensões e conflitos presentes na vida dos jovens que constroem as representações sobre a condição juvenil, por outro lado a abordagem processual nos permitiria reorganizar não apenas a representação em si, mas as redes de relações que as configuraram.
Neste sentido, em que compreendemos que o campo sociocultural e a abordagem processual se complementam, enquanto proposta metodológica para nossa problemática de estudo, buscamos, na leitura de Jodelet (2001, 2009), as orientações que nos permitiram construir uma estratégia para organizar a lógica das dimensões que compõem a teia das Representações Sociais, implicadas neste estudo.
Assim, seguimos os suportes indicativos dos estudos de Jodelet (2001; 2009), sintetizados nas seguintes formulações: Quem sabe? O que sabe? Quais efeitos? para analisarmos o processo de construção das Representações Sociais dos jovens, egressos do Programa PROJOVEM Campo Saberes da Terra sobre a sua condição juvenil do campo e ousadamente acrescentamos a este estatuto o Para quê? para estabelecermos as relações com a proposta nacional de inclusão social implementada em nível local, como estratégia, no próprio dinamismo que as geraram [comunicação/tensão/transformação], em suas diversas dimensões e níveis, possibilitando-nos investigar a objetivação e a ancoragem, na análise dos
diferentes elementos envolvidos, articulando a este movimento os tempos históricos passado, presente e futuro, conforme apresentamos no quadro 3.
QUADRO 3 - LÓGICA DAS DIMENSÕES DA TEIA DAS REPRESENTAÇÕES