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Johanson e Mattsson (1988) e Johanson e Vahlne (1990) apresentam a teoria das redes (network) identificando a importância das redes de relacionamento nos mercados estrangeiros. É a partir do desenvolvimento de relacionamentos interorganizacionais que nasce o processo de internacionalização.Defensores desta teoria foram, também, Coviello e Munro (1995) e Björkman e Forsgren (2000), estes últimos alertando para o facto de que a rede interna resulta do relacionamento da subsidiária com as outras subsidiárias. De acordo com Andersson, Forsgren e Holm (2002) a rede externa é fruto do relacionamento da subsidiária com vários parceiros de negócios (fornecedores, instituições de pesquisa, empresas de publicidade).

O capital humano como empreendedor é entendido por esta teoria como a força motriz do processo de internacionalização. O empreendedor é o responsável pela introdução de novos produtos e métodos de produção, pela abertura de novos mercados e, ainda, pela organização de qualquer indústria em termos de aquisições, fusões, entre outros (Andersson, 2002). Também

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Dimitratos e Plakoyiannaki (2003) defendem que o capital humano empreendedor é uma das forças chave que as empresas possuem e que permite obter vantagens no mercado internacional.

II.2.3.9. TEORIA DAS INTERNATIONAL NEW VENTURES OU BORN GLOBALS

Oviatt e McDougall (1994) introduziram uma base teórica para o estudo da internacionalização das novas empresas. De acordo com Breda (2010) estas empresas passaram a ser referidas na literatura das mais variadas formas: international new ventures (e.g. Coviello, 2006; Evangelista, 2005); Born Globals (e.g. Andersson, Gabrielsson, & Wictor, 2007; Madsen & Servais, 1997); Infant

Multinationals (Lindqvist, 1991) ou Instant Internationals (Fillis, 2001). Estas empresas começam

com uma estratégia internacional proativa, contrastando com organizações que evoluem gradualmente de empresas domésticas para EMN. No entanto, estas não possuem necessariamente ativos estrangeiros, não sendo o IDE um requisito (Oviatt & McDougall, 1994).

II.2.4. A EVOLUÇÃO DAS TEORIAS DO INVESTIMENTO DIRETO ESTRANGEIRO

De acordo com Singh e Jun (1995) e de um ponto de vista teórico, três questões dominam a literatura de IDE:

1) Porque é que as empresas nacionais evoluem para organizações multinacionais?

2) Porque é que as empresas localizam a produção num país estrangeiro, ao invés de exportar ou licenciar?

3) O que é que determina o padrão geográfico de fluxos de IDE (o que determina a escolha dos países de acolhimento)?

Para Peric e Radic (2010) a ideia de produzir fora tem percorrido um longo caminho. Várias atividades similares ao IDE dos nossos dias tiveram lugar no passado. Mas a verdadeira evolução dos fluxos de IDE mundial começou na segunda metade do século XX e teve a ver com os seguintes fatores: a) remoção de barreiras comerciais nas últimas três décadas; b) mudanças políticas e económicas dramáticas levadas a cabo em muitos países em desenvolvimento; c) globalização.

Apesar de cada uma das teorias apresentadas fornecer alguns conhecimentos sobre a complexidade dos fluxos de IDE, uma teoria integrada que combine esses elementos de forma analítica ainda não foi desenvolvida.

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De acordo com Samuelson e Nordhaus (2005) a diversidade é a razão fundamental para que os países participem no comércio internacional. Dentro deste princípio geral, vemos que o comércio ocorre devido: a) às diferenças das condições de produção; b) à diminuição de custos; c) à diversidade de gostos. A teoria de Kojima (1973, 1984) pode ser considerada um marco na teoria de IDE. É dado menos ênfase ao comércio e a atividade é focada na orientação do lucro da empresa específica. O IDE ocorre em países com uma vantagem comparativa para os países de acolhimento.

Casson (1990) sugere que a teoria de IDE é uma “interseção lógica” de três diferentes teorias: a teoria dos mercados de capitais internacionais, que explica o financiamento e partilha de risco; a teoria da empresa, que descreve a localização da sede, gestão e input utilization; e a teoria do comércio, que descreve a localização da produção e o destino de vendas.

Lucas (1993) analisa o IDE baseado na procura de fatores derivados tradicionalmente de multiple-

product monopolist. Mas porque o seu modelo é baseado nas fundações neoclássicas ortodoxas,

potencialmente variáveis importantes, para além do custo de capital e trabalho, não estão incluídas na sua análise.

De referir, também, que as teorias económicas de internacionalização são especialmente aptas para explicar o processo de internacionalização de grandes unidades que empreendem processos de integração vertical nos mercados internacionais, mas dizem pouco sobre formas de cooperação empresarial a que recorrem habitualmente as empresas de pequena e média dimensão (Alonso, 1994).

Por outro lado, as teorias comportamentais de internacionalização baseadas nas conclusões da escola de Uppsala, apresentam-se especialmente úteis para pequenas e médias empresas que dispõem de recursos limitados, ou para aquelas que se encontram nas primeiras fases do seu processo de internacionalização e que necessitam de adquirir experiência e interessadas em comprometerem gradualmente a sua organização nesse processo.

Existe, ainda, a necessidade de separar as teorias do comércio e investimento dos serviços das teorias do comércio e investimento de bens. De acordo com Banga (2005) três razões se destacam para a necessidade de uma teoria do IDE nos serviços: 1) é difícil identificar as vantagens específicas da empresa no caso dos serviços; 2) formas “non-equity” de envolvimento estrangeiro, por exemplo licenças, contratos de gestão e franchising, são amplamente utilizados

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em alguns serviços; 3) no contexto internacional a dificuldade de fragmentação de serviços torna- se mais complexa.

Os serviços diferem dos bens num considerável número de recursos. As suas principais características distintivas são a intangibilidade, a heterogeneidade, a perecibilidade e a inseparabilidade entre a produção e o consumo (Agarwal & Ramaswami, 1992; Terpstra & Yu, 1988; Weinstein, 1977).

Torna-se claro, através da revisão da literatura que se apresentou, que as diferentes aproximações ao comércio internacional resultam numa ampla e diversificada recolha bibliográfica. A internacionalização é, assim, um constante processo de aprendizagem. Embora as teorias sejam apresentadas de uma forma isolada, elas devem ser entendidas como complementares e não de modo dissociado ou alternativo. As novas teorias do comércio internacional combinam diferentes tecnologias e competição imperfeita e sugerem que determinadas circunstâncias políticas de comércio restritivas podem ser benéficas. A tabela II.1. resume cada uma das teorias aqui abordadas e apresenta os seus principais autores.

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Tabela II. 1. Resumo da Teorias do Comércio Internacional

Teorias Breve Descrição Principais Autores

Teorias Clássicas do Comércio Internacional

Teoria Mercantilista

Desenvolvida na Europa entre os séculos XV e XVIII afirma que o desenvolvimento económico de um país se realiza através da acumulação de metais preciosos. A atração dessas riquezas resultava do incremento das exportações e da restrição das importações, na procura de uma balança comercial favorável, contando com uma forte intervenção do Estado na economia.

Fisiocratismo Surge na segunda metade do século XVIII e identifica a agricultura como a verdadeira riqueza das nações, pelo que o Estado devia estimular o trabalho da terra.

Teoria da Vantagem Absoluta

Um país deveria concentrar as suas exportações no bem onde fosse produtor a custos inferiores ao resto do mundo. O comércio internacional conduz a importantes ganhos para os dois países intervenientes na troca e consequentemente para a economia mundial, já que gera riquezas ao nível global.

Smith (1776)

Teoria das Vantagens Comparativas

Cada país é levado a especializar-se, não nas produções em que há vantagem absoluta, mas sim, naquelas em que há maior vantagem relativa. Através do comércio internacional todos os países seriam beneficiados, os países exportam os produtos em que têm maior vantagem comparativa e importam aqueles em que têm uma desvantagem comparativa. Ricardo (1817) Teorias Neoclássicas do Comércio Internacional

Teoria das Dotações Fatoriais

Explica as trocas internacionais com base na abundância ou escassez relativa dos fatores de produção de que são dotados os países (terra, mão de obra, recursos naturais, capital). Um país tende a especializar-se na produção de bens que recorrem aos fatores que o mesmo possui em maiores quantidades.

Heckscher (1919); Ohlin (1933); Samuelson (1948, 1949, 1953)

Teoria da Procura Interna

A procura é caracterizada pelos produtos diferenciados procurados num país. Todos os países limitariam a sua produção aos bens que estivessem dentro da faixa de qualidade dos produtos consumidos internamente.

Linder (1961)

Teoria dos Custos de Transação

Internalizar os processos de produção intermediários reduz a incerteza pelas imperfeições do mercado a contornar. Foi enfatizado o desenvolvimento dos custos de transação no desenvolvimento de operações externas.

Coase (1937); McManus (1972)

Teoria da Organização Industrial

Baseia-se na premissa de que fazer negócios no estrangeiro é mais caro e trabalhoso que no mercado doméstico. Para a empresa obter êxito no estrangeiro, deve explorar as vantagens comparativas em cima das imperfeições de mercado e produtos. O IDE é visto como uma estratégia pela qual as empresas oligopolístas procuram exercer e aumentar o seu poder de mercado.

Caves (1971); Hymer (1960); Kindleberger (1969) Cap ítu lo II In vest im ent o D ire to E stran geiro

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Teorias Breve Descrição Principais Autores

Novas Teorias do Comércio Internacional

Teoria do Ciclo de Vida do Produto

Depois de exploradas as oportunidades no mercado de origem da EMN, essa exporta para outros países as suas tecnologias e operações para recomeçar todo o ciclo. Em relação ao IDE, na Fase II investe-se em mercados externos similares e na Fase III investe-se em países em desenvolvimento. A variável da localização é determinante.

Hufbauer (1966); Posner (1961); Vernon (1966); Wells (1968, 1969, 1972)

Teoria da Vantagem Competitiva

O que se deve procurar entender são as características decisivas numa nação que permitem às empresas criar e manter uma vantagem competitiva em determinado campo (fatores, procura, indústrias relacionadas e de suporte, estratégia, estrutura e rivalidade das empresas, acaso e o Governo).

Porter (1933)

Teoria da Internalização

Parte da ideia central de que a empresa nasce para integrar as transações que o mercado realiza de uma maneira ineficiente ou mais dispendiosa para a empresa. A definição do modo de entrada deverá ser aquela que minimiza os custos de transação, sendo que a exportação é o ponto de partida para o IDE.

Buckley e Casson (1976); Horst (1971); Rugman (1980)

Teoria Eclética

Para que o IDE ocorra três séries de fatores têm necessariamente que ser conjugados: vantagens de propriedade, vantagens de localização; vantagens de internalização.

Dunning (1973, 1988, 1993, 2001); Dunning e Kundu (1995); Dunning e Mcqueen (1981, 1982) Modelo de Internacionalização de Uppsala

Os estudos do comércio internacional cruzam os limites da teoria económica para abranger também a teoria do comportamento organizacional. O IDE tem a ver com fatores ambientais, experiência da empresa, tamanho dos mercados, distância psíquica, afinidades culturais e laços sociais.

Johanson e Wiedersheim-Paul (1975); Johanson e Vahlne (1977)

Modelo de Internacionalização baseado na Inovação

A importância da inovação como fonte principal da dinâmica do desenvolvimento capitalista. As inovações rompem com o quadro de equilíbrio e dão lugar ao desenvolvimento, ao progresso e à evolução.

Bilkey e Tesar (1977); Cavusgil (1980); Czinkota (1982); Dollinger (1995); Schumpeter (1984, 1985); Simmonds e Smith (1968)

Teoria Baseada nos Recursos (RBV)

Teoria mais focalizada nos aspetos intrínsecos à empresa/organização (Resource-Based View). A empresa terá de começar por identificar e avaliar os seus recursos e descobrir quais aqueles onde poderá desenvolver uma vantagem competitiva.

Galbreath e Galvin (2004); Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (1999)

Teoria das Redes

Importância das redes de relacionamento nos mercados estrangeiros. É a partir do desenvolvimento de relacionamentos interorganizacionais que nasce o processo de internacionalização. O capital humano é entendido como a força motriz deste processo.

Andersson (2002); Björkman e Forsgren (2000); Coviello e Munro (1995); Johanson e Mattsson (1988, 1990)

Teoria das International New Ventures ou Born

Globals

As empresas começam com uma estratégia internacional proativa, contrastando com as organizações que evoluem gradualmente de empresas domésticas para EMN, no entanto, não possuem necessariamente ativos estrangeiros, não sendo o IDE um requisito.

Andersson, Gabrielsson e Wictor (2007); Coviello (2006); Evangelista (2005); Oviatt e McDougall (1994)

Fonte: elaboração própria

Cap ítu lo II In vest im ent o D ire to E stran geiro

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