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Etalonnage de la mesure de bruit

3.2 Description de la mesure

3.2.4 Etalonnage de la mesure de bruit

Com seu primeiro núcleo formado por volta de 1772, Piraí está localizada na região do Médio Paraíba, no estado do Rio de Janeiro, e tem cerca de 504 km2 de área.

Sua população se aproxima de 25 mil habitantes que ocupam cerca de 8 mil domicílios em áreas urbanas e rurais. Mais de 90% da água que abastece a cidade do Rio de Janeiro passa por Piraí, produzindo cerca de 20% da energia elétrica da capital nas usinas operadas pela Light (SILVA, 2002).

Figura 9 - Piraí e cidades vizinhas Fonte: Torres, 2009

Nas palavras do vice-governador do estado do RJ, Luiz Fernando de Souza, o

‗Pezão‘, a cidade sempre desfrutou de uma posição geográfica privilegiada,

especialmente após a abertura da rodovia Presidente Dutra, a Rio-São Paulo, que corta o município.

Piraí está a 70 km da capital do estado, ao lado da cidade de Volta Redonda e conta com instalações da Light, empresa de distribuição de energia elétrica de grande parte da região metropolitana do Rio de Janeiro. Porém, ainda segundo Pezão, isso não se configurava em uma vantagem para a população.

Desse modo, em 1996, quando eclode uma grave crise de emprego na cidade, motivada pela demissão de um grande número de empregados da recém privatizada Light e da Fábrica de Papel Pirahy (fornecedora da Souza Cruz vendida para um grupo estrangeiro), se estabeleceu a urgência de mudar e diversificar as fontes de arrecadação do município e de geração de renda para a população. Esta urgência decorre das demissões, mas mudanças já vinham sendo consideradas pelo poder público local.

Naquele momento, a economia agrícola e periférica (em relação a Volta Redonda e Rio de Janeiro, especialmente), nas palavras do professor Franklin Coelho, em entrevista para a IPTV durante a Campus Party 200925, foi drasticamente golpeada e o poder público se viu impelido a agir com vigor e rapidez. Foi lançado o Programa de Desenvolvimento Local de Piraí, em janeiro de 1997 (SILVA, 2002. p. 3) que visava combater o déficit de empregos que montava a 10% da população economicamente ativa e a queda da produção agropecuária. A arrecadação municipal necessitava de um substancial incremento para fazer face às obrigações do poder público. A Light foi chamada a pagar impostos sobre as áreas de sua propriedade no município e a cidade obteve na justiça o direito de recolher os impostos sobre a geração de energia elétrica, que anteriormente eram recolhidos na capital.

As prioridades da cidade foram definidas: fomentar empreendimentos econômicos; integrar empreendimentos populares às cadeias produtivas; garantir acesso a crédito, capacitar e prover assessoria técnica a setores econômicos populares; estabelecer o comércio solidário; monitorar o perfil econômico do município e criar meios de acesso à Internet para potencializar as relações entre o mercado e a economia territorializada dessas comunidades (SILVA, 2002, p. 5).

O Condomínio Industrial de Piraí (CONDIP) foi criado, às margens da Rio-São Paulo, a fim de atrair novas empresas e diminuir a dependência histórica da Light e da fábrica de papel. Ali se instalou a Cervejaria Cintra, posteriormente comprada pela Ambev. Atualmente há empresas de montagem de componentes para computadores, fábricas de isopor, fraldas geriátricas, achocolatados e medicamentos fitoterápicos e a própria Ambev. Incentivos fiscais foram estabelecidos para aumentar a atratividade do CONDIP e favorecer a criação de postos de trabalho para a população. A Secretaria de

25 Veja a entrevista em http://bit.ly/iptv2009.

Promoção Social tem feito a intermediação entre a necessidade das empresas e os cidadãos cadastrados em sua base de dados.

Piraí desenvolveu o Polo de Piscicultura, a fim de complementar e diversificar atividades que não competissem diretamente com a pecuária leiteira. A produção de tilápias e do filé do pescado foi disseminada pelo município. Cooperativas de trabalhadores, especialmente aqueles de baixa qualificação e idade a partir de 40 anos, foram estimuladas em várias áreas, com destaque para artesanato e produção de macadâmia, e pessoas foram capacitadas para atuar cooperativamente (SILVA, 2002, p. 9). Fomentar o empreendedorismo é, ainda hoje, um desafio em um município sem essa tradição, dependente de dois grandes empregadores por várias décadas. Acões na área de habitação e saneamento foram desenvolvidas. Na saúde, os alvos iniciais foram diminuir o número de cesarianas e erradicar a desnutrição infantil. A educação teve mais de 31% de recursos municipais garantidos.

Essas iniciativas ligadas ao desenvolvimento fazem parte de uma visão do então prefeito, Pezão, que em julho de 2009, defendendo uma verdadeira ‗emancipação‘ dos município e sua busca por autonomia financeira, disse que ―o que é preciso é resolver os municípios. Resolvendo os municípios o país se resolve‖ (Pezão, entrevista concedida ao autor). No seu entender, essa busca – ―resolver os municípios‖ – deve ser uma iniciativa local, com o município se articulando para obter recursos, internamente, com aumento de arrecadação, e por meio de parcerias com outras instâncias de governo, iniciativa privada e com a própria população.

Para conseguir essa articulação e superar a falta de funcionários preparados para planejar o desenvolvimento e atender as demandas geradas a partir dele (SILVA, 2002, p. 15), a prefeitura procurou o apoio das universidades. Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade de Brasília (UnB) são exemplos de instituições de ensino superior que, até hoje, trabalham junto ao município participando de diversos projetos relacionados às iniciativas de desenvolvimento.

Em resumo, o processo de desenvolvimento do município, cujo catalisador foi a crise de emprego de 1996, se fundamenta em uma concepção de desenvolvimento não mais restrita ao componente econômico, mas articulada com as questões social e ambiental, articulando ações nas áreas de saúde, educação, meio ambiente, geração de

emprego e renda e aproximação entre áreas rurais e urbanas, com apoio de práticas gerenciais voltadas para parcerias e participação popular (SILVA, 2002, p. 17). Durante esse tour de force para recuperação do município foram lançadas as bases para a empreitada digital de Piraí

O foco do trabalho exige um recorte do processo de desenvolvimento local sobre a utilização da tecnologia da informação. Porém, dado que a estrutura da análise que foi feita contempla o cruzamento dos elementos do modelo 2iD+ com as áreas de atuação do programa Piraí Digital, vários do desenvolvimento em geral de Piraí foram revistos em sua relação com a TI. Ficará claro, então, para o leitor como foram feitas as associações entre diversos atores que propiciaram um aprofundamento desigual em cada um dos aspectos do desenvolvimento como planejado.

Na próxima seção, os aspectos ligados ao acesso à internet, incorporados ao processo de desenvolvimento de Piraí, serão abordados por meio de uma introdução ao programa Piraí Digital.