2.3 Effet de la d´ecoh´erence sur le bruit
3.1.1 Des nanotubes obtenus par croissance chimique
Para alguns autores, a essência da ANT não está em teoria profunda, mas no seu aspecto metodológico, com ênfase na tarefa de se seguir os atores (LAGENDIJK e
CORNFORD, 2000, p. 212), oferecendo abertura para inclusão de artefatos e pessoas nas redes e uma taxonomia para descrever em seus termos – tradução, inscrição, irreversibilidade e outros (SARKER ET AL, 2000) – as histórias contadas pelos muitos atores. Segundo Duim, o pesquisador tem que seguir quais significados e tarefas são atribuídos entre pessoas e coisas. Ele tem que seguir e elucidar processos de ordenamento (DUIM, 2007, p. 962).
A ANT, como método, não define regras para determinar como atores e redes devem ser seguidos. Ela, tampouco, determina a forma que deve ser desenhada [em uma comparação com as regras do desenho em perspectiva], mas apenas como ir sistematicamente gravando as habilidades de construção de locais a serem documentadas e registradas. Essas são implicações de uma teoria sobre o social que não pretende explicar o comportamento e as razões dos atores, mas apenas encontrar procedimentos que os habilitam a negociar seus caminhos nas atividades de construção com outros atores (LATOUR, 2007, p. 21). Essas indeterminações, que estão tanto no aspecto teórico, quanto no metodológico da ANT, mostram como teoria e método se comunicam em um movimento cíclico. Vergara (2005, p. 9) destaca a interdependência entre ambos os aspectos de estudos científicos – teoria e método – ressaltando que
―ambos buscam realizar o sentido da pesquisa. [...] Ambos se nutrem‖.
Logo, em termos metodológicos, a ANT dá uma grande liberdade ao pesquisador, que não tem, a priori, qualquer definição de quem são os atores do campo organizacional20 em estudo.
Assim, não há qualquer definição inicial de quem são os atores relevantes, posto que eles serão revelados por observação empírica e análise (HARDY e WILLIAMS, 2008, p. 5). O importante é que o ator seja alguém, ou algo, que efetivamente execute traduções de seus interesses, contribuindo para a formação de redes, criando conexões.
Essas conexões, ao contrário do que a metáfora de redes poderia sugerir, não são meros transportes, enlaces neutros entre os atores, como os links da Internet. Ao contrário, são tais que medeiam, modificam, interferem nos atores, levando-os a tomar
20 Campos organizacionais são agregações de organizações envolvidas em atividades similares. Sua utilização, oriunda da teoria institucional, juntamente com a ANT é objeto de atenção dos autores (LAGENDIJK e CORNFORD, 2000, p. 210)
determinadas ações. O objetivo da ANT é perseguir esse movimento, essas conexões e seus atores e, com isso, remontar o social (RAMOS, 2009, p. 107).
As técnicas, a natureza dos sistemas sociais, a evolução da história são elementos que estruturam os objetos de pesquisa na ANT. Os atores podem aglutinar blocos compostos de milhões de indivíduos, ou promover alianças com o aço (ver MISA, 1992), grãos de areia, opiniões e afetos (CALLON e LATOUR, 1981, p. 292- 293). Acompanhar um ator se fortalecer é uma tarefa baseada em observar sua capacidade de se associar firmemente a um grande número de elementos, ou seja, estabilizar um estado de relações de poder por meio da associação de uma série de
elementos irreversíveis. O uso da ANT leva às últimas consequências a ―necessidade de
compreender-se o objeto de pesquisa como algo preliminar até o final da pesquisa‖ (FLICK, 2009, p. 26). As redes estão, sempre, sujeitas a novos arranjos pela constante ação de novos ou antigos atores, posto que, como uma teoria do social que não se contenta com estruturas perenes, a ANT demanda que a presença do social deve ser demonstrada novamente a cada momento (LATOUR, 2005, p. 52). Em outras palavras, atores se propõem a reabrir questões estabilizadas (caixas-pretas) ou introduzir novas questões e, deste modo, realinhar atores, antigos e novos, de acordo com as renovadas preferências.
As associações, sempre em busca de novas estabilizações das redes, também
podem ser chamadas de traduções e estas ―só podem ser válidas (ou úteis) conforme determinados propósitos práticos e critérios localmente contingentes‖
(CANCHUMANI, 2008, p. 3). Utilizar um método capaz de apontar essas traduções, como é a pretensão da ANT, é uma tentativa de capturar, segundo Canchumani (2008, p. 2) ―a transformação e o deslocamento do interesse dos diferentes atores sociais
envolvidos‖. Essas traduções ocorrem, então, no local, ainda que, eventualmente, sob
influência ou com a ajuda de atores distantes. Logo, compreendê-las demanda uma posição ontológica construtivista, compreendendo a realidade sob uma ótica relativista, considerando que ela é construída em planos locais e específicos (LINCOLN e GUBA, 2006, p. 171).
Porém, como argumentam Cordella e Shaikh (2006, p. 14) e em consonância com a importância da tecnologia para o estudo em pauta, diferentemente de outras abordagens construtivistas, a ANT não considera a ação de atores ou grupos como um
movimento que busca dar forma à tecnologia de acordo com um plano próprio. A ANT considera, sim, a interação entre os diferentes atores, incluindo a tecnologia, como uma força constitutiva do que seja social. Ou seja, a realidade é construída nessa interação, incluindo humanos e não humanos com igual possibilidade de protagonismo e, dessa maneira, não tem existência autônoma (LATOUR, 1987; LAW, 1997, 2003). Ainda segundo Latour (2005, p. 149), são os próprios atores que, ativa e obsessivamente, comparam, produzem tipologias, desenham padrões, disseminam suas máquinas e organizações, suas ideologias e estados da mente. Além disso, eles produzem suas teorias, seus contextos, sua metafísica e mesmo sua ontologia (IBID, p. 147).
Como, segundo a ANT, artefatos – lâmpadas fluorescentes e baquelite em Bijcker (1992 e 1987, respectivamente), filmes de cinema em Carlson (1992), resíduos radioativos em Bruhéze (1992) – e outros elementos desprovidos de voz, tais como mexilhões ou vieiras (CALLON, 1986) podem ser atores, qualquer método que se use deve ser capaz de, juntamente com a captura do discurso das pessoas, incorporar maneiras de registrar a influência dos artefatos nas redes observadas.
Em função da grande liberdade que a ANT propugna enquanto método, sentiu-se a necessidade de algum tipo de orientação geral para o trabalho de pesquisa. Essa orientação se apresentou na forma de um modelo heurístico de análise do fenômeno da inclusão digital, tema que está ligado ao de cidades digitais, em geral, e à cidade de Piraí, em especial.