A.3 Recueil des donn´ees
A.3.3 Variables r´ecolt´ees
3.4 R´esultats du mod`ele logit multinomial pour le choix d’une nouvelle
A preocupação com a Análise de Conteúdo das mensagens, dos enunciados do discurso e das informações é muito mais antiga do que a reflexão que se ocupa da formalização de seus pressupostos epistemológicos, teóricos e de seus procedimentos operacionais. A definição dos símbolos, sinais e “mensagens de Deus” marca a primeira tentativa de responder à questão “O que essa mensagem significa? ”, que teve como foco a exegese dos textos bíblicos para que fosse possível compreender e interpretar as metáforas e as parábolas, segundo Franco (2008).
O que é a análise de conteúdo? Um conjunto de instrumentos metodológicos cada vez mais sutis em constante aperfeiçoamento, que se aplica a “discursos” (conteúdos e continentes) extremamente diversificados. O fator dessas técnicas múltiplas e multiplicadas – desde o cálculo de frequência que fornece dados cifrados até a extração de estruturas traduzidas em modelos – é uma forma hermenêutica controlada, baseada na dedução, na inferência. Enquanto esforço de interpretação, a análise de conteúdo oscila entre os dois polos do rigor da objetividade e da fecundidade da subjetividade. Absolve e cauciona o investigador por esta atração pelo escondido, o latente, o não aparente, o potencial de inédito (do não-dito), retido por qualquer mensagem. Tarefa paciente de “desocultação” responde a esta atitude de voyeur de que o analista não ousa confessar-se e justifica a sua preocupação, honesta, de rigor científico. Analisar mensagens por esta dupla leitura, em que uma segunda leitura se substitui à leitura “normal” do leigo, é ser agente duplo, detetive, espião ... Daí a investir-se do instrumento técnico enquanto tal e a adorá-lo como um ídolo capaz de todas as magias, fazer dele o pretexto ou o álibi que caucione vãos procedimentos, a transformá-lo em gadget inexpugnável só seu pedestal, vai um passo ... que é preferível não transpor de acordo com Bardin (2011). O mesmo enfatiza que
O maior interesse deste instrumento polimorfo e polifuncional que é a análise de conteúdo reside – para além das suas funções heurísticas e verificativas – no constrangimento por ela imposto de alongar o tempo de latência entre as instituições ou hipóteses de partida e as interpretações definitivas. Ao desempenharem o papel de “técnicas de ruptura” face à intuição aleatória e fácil, os processos de análise de conteúdo obrigam à observação de um intervalo de tempo entre o estímulo-mensagem e a reação interpretativa. Se este intervalo de tempo é rico e fértil, então há que recorrer à análise de conteúdo. (BARDIN, 2011, p. 15-16).
Ainda segundo Bardin (2011, p. 49), aparentemente, a linguística e a análise de conteúdo têm o mesmo objeto: a linguagem. Na verdade, não é nada assim: a distinção fundamental proposta por Ferdinand de Saussure entre língua e fala, que fundou a linguística, marca a diferença. O objeto da línguística é a língua, quer dizer, o aspecto coletivo e virtual da linguagem, enquanto que o da análise de conteúdo é a fala, isto é, o aspecto individual e atual (em ato) da linguagem. A linguística trabalha numa língua teórica, encarada como um “conjunto de sistemas que autorizam combinações e substituições regulamentadas em elementos definidos”. O seu papel resume-se, independentemente do sentido deixado à semântica, à descrição das regras de funcionamento da língua, para além das variações individuais ou sociais tratadas pela psicolinguística e pela sociolinguística. Pelo contrário, a análise de conteúdo trabalha a fala, quer dizer, a prática da língua realizada por emissores identificáveis. Retomando a metáfora do jogo de xadrez utilizada por Saussure, a linguística não procura saber o que significa uma partida, antes tenta descrever quais as regras que tornam possível qualquer partida. A linguística estabelece o manual do jogo da língua; a análise de conteúdo tenta compreeender os jogadores ou o ambiente do jogo num momento determinado, com o contributo das partes observáveis. Contrariamente à linguística, que apenas se ocupa das formas e da sua distribuição, a análise de conteúdo leva em consideração as significações (conteúdo), eventualmente a sua forma e a distribuição desses conteúdos e formas (índices formais e análise de coocorrência).
Para Franco (2008) são perfeitamente possíveis e necessários o conhecimento e a utilização da análise de conteúdo, enquanto procedimento de pesquisa, no âmbito de uma abordagem metodológica crítica e epistemologicamente apoiada numa concepção de ciência que reconhece o papel ativo do sujeito na produção de conhecimento. As mensagens expressam as representações sociais na qualidade de elaborações mentais construídas socialmente, a partir da dinâmica que se etabelece entre a atividade psíquica do sujeito e o objeto do conhecimento. Relação que se dá na prática social e histórica da humanidade e que se generaliza via linguagem. Sendo constituídas por processos sociocognitivos, têm implicações na vida cotidiana, influenciando não apenas a comunicação e a expressão das mensagens, mas também os componentes.
Bardain aponta as fases da análise do conteúdo dividindo-as em três polos cronológicos. São elas: 1) a pré-análise; 2) a exploração do material e 3) o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação.
Conforme Bardain (2011, p. 125), a pré-análise é a fase de organização propriamente dita. Corresponde a um período de intuições, mas tem por objetivo tornar operacionais e
sistematizar as ideias iniciais, de maneira a conduzir a um esquema preciso do desenvolvimento das operações sucessivas, num plano de análise. Recorrendo ou não ao computador, trata-se de estabelecer um programa que possa ser flexível (quer dizer, que permita a introdução de novos procedimentos no decurso da análise), deve, no entanto, ser preciso.
A segunda fase, a fase de análise propriamente dita, não é mais do que a aplicação sistemática das decisões tomadas se as diferentes operações da pré-análise forem convenientemente concluídas, afirma Bardain (2011, p. 125). Quer se trate de procedimentos aplicados manualmente ou de operações efetuadas por computador, o decorrer do programa completa-se mecanicamente. Esta fase, longa e fastidiosa, consiste essencialmente em operações de codificação, decomposição ou enumeração, função de regras previamente formuladas.
Por fim, a terceira fase, declara Bardain (2011, p. 125) é a etapa em que os resultados são tratados de maneira a serem significativos (“falantes”) e válidos. Operações estatísticas simples (percentagens), ou mais complexas (análise fatorial), permitem estabelecer quadros de resultados, diagramas, figuras e modelos, os quais condensam e põem em relevo as informações fornecidas pela análise.
Segundo Franco (2008, p. 12-13), as condições textuais que envolvem a evolução histórica da humanidade; as situações econômicas e socioculturais nas quais os emissores estão inseridos, o acesso aos códigos linguísticos, o grau de competência para saber decodificá-los resultam em expressões verbais (mensagens) carregadas de componentes cognitivos, subjetivos, afetivos, valorativos e historicamente mutáveis. Nesse sentido, a Análise de conteúdo assenta-se nos pressupostos de uma concepção crítica dinâmica da linguagem, aqui entendida como uma construção real de toda a sociedade e como expressão da existência humana, que, em diferentes momentos históricos, elabora e desenvolve representações sociais no dinamismo interacional que se estabelece entre linguagem, pensamento e ação. De acordo com esse autor,
O que está escrito, falado, mapeado, figurativamente desenhado, e/ou simbolicamente explicitado sempre será o ponto de partida para a identificação do conteúdo, seja ele explícito e/ou latente. A análise e a interpretação dos conteúdos são passos (ou processos) a serem seguidos. E, para o efetivo caminhar neste processo, a contextualização deve ser considerada como um dos principais requisitos, e mesmo como pano de fundo para garantir a relevância dos sentidos atribuídos às mensagens. (2008, p.16).