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Equilibre financier selon la LCP

Dans le document Session ordinaire (Page 115-118)

A visibilidade pública proporcionada pela mídia ao campo político pode resultar na formação de imagem dos seus agentes, efeito também compreendido por alguns autores como capital político. Miguel (2001, p. 9) nos dimensiona a força da mídia na formação do capital político, porém frisa que ela não monopoliza a formação desse capital:

Assim, é correto dizer que a mídia adquiriu um forte peso na formação do capital político e mesmo que, em alguma medida, condiciona as trajetórias políticas — já que a ausência de visibilidade nos meios de comunicação parece ser um empecilho sério para quem almeja os cargos eletivos mais importantes do poder executivo. Mas a mídia não possui o monopólio da produção ou distribuição deste capital; e o campo político (isto é, os agentes políticos de carreira mais tradicional) trata, por vezes com sucesso, de impor limites à influência da mídia, através da desvalorização simbólica dos tipos de notoriedade mais estreitamente associados aos meios de comunicação de massa.

O termo capital político também foi mencionado por Bourdieu (1989, p. 187-188) como "uma forma de capital simbólico, crédito firmado na crença e no reconhecimento ou, mais precisamente, nas inúmeras operações de crédito pelas quais os agentes conferem a uma pessoa – ou a um objeto – os próprios poderes que eles lhes reconhecem". Portanto, apesar do autor não enfatizar especificamente o campo midiático, é notório que a mídia amplifica o "reconhecimento e a crença" em pessoas e instituições, apesar de não ser o único instrumento de formação do capital político, como salientou Miguel.

Como comentamos acima, Bourdieu não dedicou muita atenção à mídia, mas não deixa de reconhecer o poder dos jornalistas. Ao enfatizar (p. 189) que "os homens públicos devem dar a tudo que contribui para produzir a representação (...)" usa uma nota de rodapé para ressaltar que é "o que faz com que o homem público esteja comprometido com o jornalista, detentor de um poder sobre os instrumentos de grande difusão que lhe dá um poder sobre toda a espécie de capital simbólico (o poder de 'fazer ou desfazer reputações'...)". Cita como exemplo disso o caso Watergate.

O poder simbólico é entendido pelo autor (p. 14) como "poder de constituir o dado pela enunciação, de fazer ver e fazer crer, de confirmar ou de transformar a visão do mundo e, deste modo, a ação sobre o mundo". Apesar do autor não dimensionar a força enunciativa da mídia em exercer o poder simbólico e agir sobre o mundo, o conceito é válido para a problemática dos meios de comunicação. Tanto é que esta concepção é utilizada por vários pesquisadores, a exemplo de Christa Berger (1998, p.22), Mayara Gomes (2003, p.35) e Maria Izabel Szpacenkopf (2003, p.62) que utilizam essa passagem para enfocar o poder simbólico da mídia em seus relatos.

Berger (1998, p. 21) lamenta o fato de Bourdieu não ter trabalhado o campo jornalístico como fez com outros (política, religião, cultura, academia). Talvez quando Bourdieu (1989, p. 15) fala que "o poder simbólico, poder subordinado, é uma forma transformada, quer dizer, irreconhecível, transfigurada e legitimada, das outras formas de poder" seja uma pista no sentido aferido pela pesquisadora. Ela parte da hipótese de que o

campo jornalístico detém, privilegiadamente, o capital simbólico, pois é da sua natureza fazer crer. Seu capital é justamente a credibilidade que tem a ver com persuasão e com os 'efeitos de verdade' (idem).

Mayara Gomes (2003, p.103), define o poder do jornalismo numa rede microfísica (Foucault). “Trata-se do fato de que as notícias sempre partem de algum lugar em que se dimensiona pelos seus interesses específicos, seja ele a empresa frente aos fatos ou o Estado com seus comunicados. E isso significa discursos atravessando e compondo os indivíduos”.

Por sua vez, Szpacenkopf (2003, p. 65) diz que o poder simbólico não só reproduz as relações de poder, mas também possibilita maneiras de fazer e de mudar o mundo pela imposição de uma determinada visão que permita que os fatos, os acontecimentos e a própria história sejam por ela constituídos. Utiliza como exemplo desse poderio suas análises sobre o telejornal: “Os enunciados emitidos num telejornal são sustentados por um poder simbólico, emanado de autoridade, via palavras, voz e entonação dos apresentadores e âncoras. O telejornal deve aproximar-se cada vez mais do público, tentando angariar a confiança deste, tornando-se como um defensor dos seus direitos: cria a necessidade e se oferece como aquele que vai satisfazê-la” (p.70). As conclusões da autora sobre o poder do telejornal aproximam- se das apresentadas anteriormente por Fausto Neto.

Thompson (2002, p.131), também usa o poder simbólico para compreender a visibilidade do campo político. Ele usa o "termo para referir à capacidade de intervir no curso de acontecimentos, de influenciar as ações e crenças de outros e, na verdade, de também criar acontecimentos, através da produção e transmissão de formas simbólicas". Percebe-se na última frase a concepção que também adotamos para caracterizar o campo da comunicação de massa, ou seja: produção e transmissão de formas simbólicas. Outro aspecto mencionado pelo autor diz respeito à intervenção nos acontecimentos ou criação dos mesmos, ênfase que utilizamos anteriormente para caracterizar algumas formas de influência da mídia na política e vice-versa. Thompson (2002, p.134), diz que os "políticos devem usar o poder simbólico para persuadir e confrontar, para influenciar ações e crenças, cultivar relações de confiança e influenciar, o mais que puderem, o curso dos acontecimentos". Por conseguinte, a mídia se torna a arena central onde essa luta pelo poder simbólico é travada. "Sendo a mídia o meio mais importante pelo qual os líderes políticos se relacionam com os cidadãos comuns, ela se torna assim o meio principal através do qual os líderes políticos acumulam capital simbólico no campo político mais amplo" (p. 139). Aqui o autor enfatiza a centralidade da mídia na política, tema que abordamos no capítulo um, demonstrando sua força na formação do capital político, apesar dela não se o único instrumento para este fim. Nesta obra, John B. Thompson

mostra como as mudanças na cultura política – em particular, “o gradual declínio da política baseada nos partidos classistas” – deram origem ao que chama de “política de confiança”. Neste novo contexto, a credibilidade e a confiabilidade dos líderes políticos – vale dizer, sua reputação – se torna cada vez mais importante. O capital simbólico se transformou no bem mais precioso que um político pode ter e a mídia passa a ser a arena privilegiada onde são criadas, sustentadas ou destruídas as relações do campo político29.

De fato, a política é uma mescla de simbolismo e ações. Wolton (1999[1997], p.160- 161), ressalta que o homem público não se julga mais pela capacidade de ação, "uma vez que a política é, também, a gestão de um espaço simbólico e uma mescla sábia e complicada de símbolos e ação". Por isso, os políticos são assediados por "barômetros" e por cotas de popularidade, aceitando que os media e a comunicação sejam árbitros das suas relações com os cidadãos. Mesmo com os políticos imergidos em uma lógica comunicacional, Wolton ressalva que nunca se reconquista um capital político por meio de operações de comunicação, pois essas ações transformam-se em shows que serão julgados pela mídia. Portanto, aqui o autor destaca dois aspectos enfatizados na nossa abordagem: a centralidade da mídia na política e autonomia do campo jornalístico na tarefa de mediação.

Wilson Gomes (2004, p.19) situa a partir dos anos 60 o surgimento das tentativas de se pensar não mais simplesmente os efeitos e recursos da comunicação de massa nos fatos políticos, mas a relação entre as duas grandezas institucionais: a comunicação e a política. O autor também compreende o jornalismo como campo: "trata-se de um espaço social onde se busca, controla e distribui um recurso ou valor específico em função do qual as práticas e representações se ordenam como um sistema" (p. 53). Esse recurso ele diz estar associado à autoridade jornalística e comporta prestígio, reconhecimento, fama, celebridade, lugar de fala etc. Enfim, sua perspectiva de abordagem também valoriza o poder simbólico ou capital acumulado pelos indivíduos, em sintonia com a teoria dos campos de Bourdieu. Gomes (p.62) defende "o jornalismo como campo específico e autônomo em face do campo político", pois no caso da produção da imagem política, há uma tensão e uma competição entre os agentes do campo político e os agentes do campo jornalístico, "com todas as vantagens para esses últimos por controlarem a esfera da visibilidade pública"(p. 63). Isso faz com que o campo político adquira habilidades e astúcias para produzir fatos e mensagens que superem os filtros e selecionadores do campo jornalístico, atingindo assim a visibilidade midiática. Portanto, o autor respalda nossa abordagem sobre a relativa autonomia do campo jornalístico sobre o

29 Comentário sobre o livro feito por Venício de Lima, no artigo "Cobertura da mídia, cautela e serenidade"

político, pois o primeiro tem o poder sobre os espaços de visibilidade pública, tornando-se o principal agente no poder simbólico dos governantes. Isto não elimina a utilização de estratégias de comunicação dos políticos para seduzir o campo midiático, bem como utilizar outros recursos de comunicação pública sem permear o campo jornalístico.

Gomes (2004, p.60), em sua obra, questiona a utilização do termo "meios" de comunicação de massa, diante das alterações contemporâneas na visão instrumental da comunicação social. "Quando a comunicação e a cultura de massa foram deixando de ser meios para se transformar em ambientes fundamentais para a política contemporânea, a coisa chega mesmo a inverte-se, pelo menos para os mais atilados, que pretendem ver a política como um dos meios de que se servem os agentes institucionais da comunicação de massa para obtenção do poder". Nesta confusa interface, o autor diz que nem sempre é possível distinguir quem seria de fato o meio e quem seria seu operador.

A necessidade de incorporar nas linhas de pesquisas as interfaces entre o campo da comunicação e da política, ao invés de simplesmente assinalar a última instância como subalterna à primeira. Rubim (2000, p.13) enfatiza essa temática como um saber instalado em zona fronteiriça de conhecimento, até mesmo pluridisciplinar, no que é preciso superar preconceitos que obliteram sua compreensão. Esta postura implica a não aceitação "da dominância de um campo sobre o outro, com base em concepções meramente instrumentais. Antes, deve-se propor uma disputa persistente entre a comunicação e a política para assegurar o predomínio de um dos campos sobre o outro". Acrescenta o autor que a assimilação do caráter de disputa não representa apenas conflito, mas também como complementaridade, pois os campos necessitam interagir um com o outro para se efetivar socialmente. É isto que nossa tese vai demonstrar, pois governar com a mídia implica na complementaridade e no conflito entre os dois campos, onde um depende do outro para desenvolver suas funções sociais. Assim, como o governo depende da mídia para consolidar alguns objetivos governamentais e vai tentar interferir no seu conteúdo informativo, a mídia necessita do governo para informar a sociedade. Este trabalhado de mediação muitas vezes interfere nos rumos do governo, pois a agenda política também pode ser alterada a partir da interferência da mídia.

Rodrigues (1997) também utiliza a noção de campo em seu livro "Estratégias de Comunicação". A contribuição do autor para nossa pesquisa é a noção de campo social que ele apresenta, definindo também as especificidades afins do campo midiático e campo político. O primeiro ele apresenta como um campo autônomo que emerge com a modernidade da sociedade. Apesar de não creditar a Bourdieu a versão seminal de campo, preferindo mencionar as origens da palavra nas ciências exatas, o autor (p. 143-144) diz que um campo

social constitui uma instituição social, uma esfera de legitimidade. Cita como exemplo de campos sociais o religioso, político, econômico, científico, familiar, militar. Curiosamente não cita a mídia, tarefa que vai executar num capítulo posterior. Como percebemos, além da noção de campo de Rodrigues não ser fundamentada na sociologia de Bourdieu, sua visão é fragmentada em relação a de Miguel e de outros autores, pois não aborda os conflitos existentes entre os campos político e midiático. Limita-se a enquadrar o campo da mídia como instrumento de mediação dos demais campos sociais, minimizando as tensões existentes nesta relação.

O autor demonstra que a esfera da comunicação se constitui na modernidade como um campo relativamente autônomo, enquanto instituição de uma ordem axiológica própria, a dos valores de mediação entre os restantes campos sociais. Define (p. 152) a mídia como o campo cuja legitimidade expressiva e pragmática é por natureza uma legitimidade delegada dos restantes campos sociais e que, por conseguinte, está estruturado e funciona segundo os princípios da estratégia de composição dos objetivos e dos interesses dos diferentes campos.

Quanto às relações entre o campo político e a mídia, o autor (p. 161) diz que é difícil delinear todos os contornos e descrever todos os aspectos das relações que hoje se estabelecem entre o poder político e a informação nos regimes democráticos. Os seus resultados são particularmente notórios, não só por ocasião das campanhas eleitorais, mas também no relacionamento dos governantes com os media. É que os órgãos de informação nas democracias tornaram-se cada vez menos claramente meios de informação, de propostas, de projeto de sociedade, de programas políticos, e cada vez mais um campo social de encenação pública de imagens de marca que emprestam aos homens públicos, em função da sua própria estratégia de diversão e sedução. O campo político, por seu lado, molda-se à lógica publicitária e do marketing em detrimento da sua função ideológica tradicional.

Percebe-se no parágrafo anterior que Rodrigues desta vez reconhece as transformações provocadas na política, uma vez que a lógica estética da mídia interfere nas práticas políticas contemporâneas. Assim ele adverte que nas sociedades democráticas, generaliza-se hoje a idéia de que o poder político tende para a transparência total dos seus atos, esquecendo que a lógica do poder, ao contrário da lógica da informação, não é a função de transparência, mas do segredo, quem detém o poder é aquele que for detentor do segredo ao passo que disseminar informação não é deter, mas disseminar o poder (Rodrigues, 2002, p.161-162).

Partindo da premissa que informação é poder, os jornalistas e os funcionários do governo disputam o domínio da informação, pois a posse dela representa também um controle sobre a opinião pública, onde tanto a mídia quanto o Estado exercem influência. Como diz

Bagdikian (1990[1993], p.14), "as autoridades sempre reconheceram que para controlar o público, precisam antes controlar a informação. Aquele que se apossa primeiro das informações e das idéias detém o poder político – o poder de revelar ou ocultar, tornar públicas algumas partes e não outras, aguardar os momentos oportunos, predeterminar a interpretação do que é revelado".

Portanto, na interação entre o campo político e o campo da mídia, o governo ao dar informação aos jornalistas está disseminando poder, ou seja, compartilhando poder com os meios de comunicação, tema em foco nessa pesquisa. Assim, governar com a mídia, é dividir o poder com ela, tornando-a parceira na consecução dos objetivos políticos de quem governa. Da mesma forma, num regime democrático, implica em aceitá-la como um fiscal das ações do Estado, exercendo um mandato transparente aos olhos da opinião pública, que percebe os principais fatos políticos nacionais através das notícias. Isto significa em alguns momentos ser governado pela mídia, pois a repercussão negativa de ações governamentais no campo jornalístico pode provocar uma mudança de rumos e correções de ações, alterando a agenda política em função da imprensa. Esta ambígua e complexa interação entre os dois campos será discutida nos próximos capítulos, utilizando alguns dados empíricos da relação da mídia com o governo Lula, onde a hipótese do agendamento mútuo ajudará a compreender alguns fenômenos em curso na política nacional. Antes é oportuno conhecer um pouco da evolução dos meios de comunicação no Brasil, observando como historicamente o campo da comunicação vem sendo priorizado pelo campo político.

CAPÍTULO III

O ESTADO E A COMUNICAÇÃO

Para compreender o relacionamento do Estado com a mídia, temos que inicialmente compreender um pouco da evolução dos meios de comunicação no Brasil, observando o histórico relacionamento do governo com os empresários do ramo. As organizações de mídia no país desenvolveram-se a partir de intimidades com o poder, onde as políticas públicas de comunicação e a distribuição de concessões de rádio e televisão foram utilizadas com critérios políticos. Isto somado a crescente desregulamentação do setor, seguindo a tendência internacional do neoliberalismo, proporcionou uma concentração de propriedade sobre meios de comunicação, limitando uma efetiva democratização da comunicação no território nacional.

O Estado consolidou-se como um dos principais anunciantes do mercado publicitário, fortalecendo financeiramente os grupos de mídia no Brasil. Esta prerrogativa muitas vezes foi utilizada como manobra política, para interferir no conteúdo jornalístico a partir de pressões econômicas sobre os meios de comunicação. Isto também pode ser compreendido como uma forma de incentivar monetariamente as empresas de comunicação, pois além de atender necessidades informativas do governo – normalmente legítimas – acaba subsidiando o desenvolvimento econômico da mídia.

Portanto, é oportuno fazer um breve resgate histórico sobre o relacionamento do Estado com a mídia no país, demonstrando que este intercâmbio transcende o papel de mediação da política governamental atribuído aos meios de comunicação de massa. Os enlaces políticos, econômicos e culturais que interferem nas políticas governamentais para o setor, denotam como a comunicação foi historicamente utilizada como um recurso adicional na consolidação de objetivos de governo.

Veremos similaridades na expansão da mídia no Brasil com a história da evolução da comunicação americana, conforme demonstrou Cook (1998), pois também em nosso país o Estado foi um dos maiores incentivadores na formação de grupos de comunicação para a integração nacional, que se desenvolveram sob os auspícios governamentais. Enquanto a expansão dos meios de comunicação na Europa foi inspirada no modelo britânico da BBC de

Londres, modelando a comunicação como um serviço público e estabelecendo formas de controle social sobre o setor, na América Latina a mídia se desenvolveu baseada no sistema americano, voltado para o livre mercado, minimizando o controle do Estado e da sociedade civil sobre a comunicação. Analisando o desenvolvimento dos sistemas de difusão, Thompson (1995, p.243-246) aponta diferenças entre os sistemas britânico e americano. Nos EUA as empresas de mídia se desenvolvem numa forte dependência da publicidade, na distribuição de programas por redes nacionais e com fraco controle governamental. Já, na Inglaterra foram concebidos na proposta de serviço público de difusão, com atuação do Estado no controle da expansão do sistema britânico de comunicação. Assim como em outros países, o desenvolvimento da TV afetou outras indústrias de mídia, o fluxo de publicidade também passa a migrar com mais intensidade para TV, diminuindo os investimentos em outras mídias. No Brasil veremos que o fenômeno é semelhante, inclusive com o crescente investimento governamental em publicidade na televisão.

Como demonstrou Thompson na América do Sul e Central, muitos países viviam sob forte influência política e econômica dos EUA. Os referenciais de regulamentação foram adotados no modelo americano, com a maioria das instalações, bem como técnicos e treinamentos fornecidos por empresas americanas. Empresários locais desenvolveram estações comerciais de difusão que depois através de fusões e incorporações, “foram gradualmente transformados em impérios familiares oligopolísticos”(p. 252). O maior grupo de comunicação do Brasil, a Rede Globo, se desenvolveu com dinheiro americano, recebendo na década de 60 recursos ilegais do grupo Time-Life, na ordem de 6 milhões de dólares, enquanto a rede Tupi, do grupo de Assis Chateaubriand, havia sido montada com 300 mil dólares1. Mesmo com o Congresso Brasileiro rejeitando o acordo Globo Time-Life em 1969,

pois a lei de comunicação de massa não permitia a entrada de capital estrangeiro, o dinheiro já

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