EPS Security Architecture
6.2 Requirements and Features of EPS Security
6.2.2 EPS Security Features
Perspectivas construtivistas de abordagem do desenvolvimento criticam a concepção comportamentalista, hoje em franco declínio, de que as pessoas aprenderiam como se fossem meros papeis em branco.
Cachioni (2003, p. 43), em seus estudos, sabiamente afirma: “nem a criança nem o adulto, por menos letrado e por menos intelectualmente sofisticado que sejam, são um papel em branco”. Cada um, desde que nasce, vai guardando em sua bagagem experiências e aprendizagens que podem e devem ser compartilhadas, aprimoradas e enriquecidas. Segundo a autora, enaltecer essa maneira de pensar é “reafirmar a fé na possibilidade de progresso dos indivíduos de todas as idades, dos grupos sociais e da sociedade por intermédio da educação” (Ibid., p. 43). Entendendo que o potencial humano não se encerra na velhice, abrimos um leque de possibilidades de ensinar e aprender com eles.
Há os que alegam que o processo de envelhecimento em grande escala é algo novo e que as instituições educacionais sempre abriram suas portas a todas as pessoas, porém, sabe- se que, mesmo que em menor proporção, idosos sempre existiram, e as universidades, até
muito pouco tempo, eram um espaço de privilégio dos mais jovens – aos quais sempre pertenceu o futuro do país (PACHECO em SIMSON; NERI; CACHIONI, 2008, p. 226).
Na atualidade, porém, não se justifica mais achar que os longevos são desinteressados, que não querem aprender, que se satisfazem com o papel que lhes é imposto. Venturi e Bokani (2007) afirmam:
No plano da educação [...] em que estão alguns dos principais contrastes entre as populações idosa e não idosa, quase metade dos brasileiros idosos demandam a possibilidade de voltar a estudar – seja em busca de alguma formação ocupacional técnica, ou mesmo algum curso de 3º grau, seja meramente para dar continuidade ao ensino formal, precocemente interrompido ou sequer iniciado (NERI, 2007, p. 28).
Essas pessoas, portanto, querem e têm o direito à educação, considerando-se suas particularidades e saberes. “O processo educativo deve acompanhar, ao longo da vida, pessoas que se recriam ao aprenderem e reaprenderem sempre, e que devem estar inseridas em comunidades de saber” (BRANDÃO, 2002). Sobre estas, Barros (2000) diz que cada indivíduo nelas inserido é uma singularidade, constituindo, pois, uma composição de particularidades em um coletivo. As experiências devem ser compartilhadas, os saberes divididos e os desejos de aprendizagem, que muitas vezes ultrapassam os limites da própria comunidade, mostram a busca do crescimento e desenvolvimento contínuos.
Essa convivência e interação, que deve ser intergeracional, pode mudar o olhar estereotipado que se tem em relação à velhice, contribuindo não só para o tratamento com os que nela estão, mas também na formação de uma nova visão do nosso próprio processo de envelhecimento. Ou seja, reconhecer o potencial, oferecer oportunidades e participar das ações só tem a contribuir com a formação de uma sociedade mais justa e menos excludente.
O ser humano, ao longo de toda sua existência, deveria investir num saber vivo, um saber que, em cada período de sua vida, se renovasse como conhecimento adquirido no processo de viver; o ser humano deveria poder enxergar com bastante nitidez o futuro que o espera e, dessa maneira, não ignorar o passar dos anos, o desgaste e a decadência física inevitáveis; deveria criar para si a concepção do envelhecer como sendo mais uma etapa a ser vivida por ele e seus semelhantes; perceber que, ao envelhecer, torna-se pleno, traz consigo histórias, e, em suas lembranças, marcas de toda uma trajetória vivida, contendo suas angústias e paixões; por fim, o ser humano deveria trabalhar, tendo em vista objetivos e projetos que dêem segmento à sua vida (GUIMARÃES, 2007, p. 12).
6 VELHICE E TECNOLOGIA
O quarto eixo deste trabalho aborda o relacionamento de idosos com as tecnologias computacionais, que se atrela fortemente à temática da educação e da inclusão social.
A sociedade vem sofrendo rápidas mudanças. A tecnologia invadiu seus vários âmbitos e tem se tornado, dia após dia, mais imprescindível. Vivemos em uma Sociedade da Informação, segundo Takahashi, (2000, p. 03) “uma nova era em que a informação flui a velocidades e em quantidades há apenas poucos anos inimagináveis, assumindo valores sociais e econômicos fundamentais”.
Albernaz (2011, p. 11), ao apresentar estudos empíricos multifacetados do seu grupo de pesquisa sobre novas tecnologias computacionais e práticas educacionais inclusivas, afirma:
No mundo atual a informação chega rapidamente através de diferentes canais e os hábitos mudam de forma quase imperceptível. Podemos nos emocionar com o que está ocorrendo ao vivo do outro lado do mundo graças à TV ou à Internet, ou escolher rever imagens e ler notícias em momentos mais oportunos, graças ao computador e a outros instrumentos eletrônicos (celulares, tablets de diferentes tipos, etc.).
A autora continua:
A capacidade de perceber, propor e resolver problemas em diferentes áreas do conhecimento é uma das habilidades básicas de que precisam dispor cidadãos conscientes. Os problemas, por sua vez, são transmitidos, discutidos e codificados através de recursos simbólicos, como a língua, imagens e sistemas de numeração, operações lógico-matemáticas e outros instrumentos, dos mais simples aos mais complexos. Novas tecnologias facilitam sua solução (Ibid, p. 08-09).
Os idosos, portanto, vivem hoje em uma sociedade em que as informações e comunicações trafegam, cada vez mais, através de recursos tecnológicos computacionais, também utilizados para propor e resolver, inclusive, problemas do quotidiano.
A difusão e popularização das tecnologias estão estampadas na Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (BRASIL, 2010). Tal pesquisa informa que, em 2001, 12,6% das residências tinham microcomputador. Em 2009, essa porcentagem subiu para 35,1%. No mesmo período, o crescimento do número de domicílios que possuíam acesso à Internet foi de 8,5% para 27,7%.
Diante da disseminação das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e do fenômeno do envelhecimento populacional, tencionou-se lançar um olhar para aqueles sujeitos que têm procurado equilíbrio entre limitações e potencialidades, ou seja, que estão buscando uma reapropriação do tempo (NERI, 1993) para, inclusive, superar os rótulos de incapacidade, desinteresse e desatualização.
Obviamente que o avanço tecnológico não é permeado apenas de evolução e melhorias. Vê-se, a cada dia, o aumento de um fosso que separa as nações desenvolvidas daquelas em desenvolvimento ou subdesenvolvidas, o que se dá, em grande parte, em função do papel desempenhado, justamente, pelo próprio avanço supracitado (BELISÁRIO, 2010). Tedesco (2006, p. 03), por sua vez, afirma: “Embora o conhecimento sempre tenha sido fonte de poder, agora seria sua fonte principal, o que tem efeitos importantes sobre a dinâmica interna da sociedade”.
Pensar nas mudanças avassaladoras, irreversíveis e mundiais requer que se pense, também, que os nascidos no universo de ícones, imagens, botões e teclas transitam com desenvoltura no cenário atual; no entanto, aqueles nascidos em tempos de mudanças mais lentas acabam por viver conflitos com os rápidos e complexos progressos das TICs (PRETTO, 1996). O autor afirma que o analfabeto do futuro será aquele inapto a utilizar a nova linguagem gerada pelos meios eletrônicos e de comunicação – talvez o futuro mencionado já seja o presente que estamos vivenciando.
Parte da geração da terceira idade tem buscado inserção na sociedade da informação, demonstrando, em sua busca, seus anseios e dificuldades em entender a nova linguagem e em lidar com os avanços tecnológicos, inclusive, em questões básicas como os eletrodomésticos, celulares e os caixas eletrônicos dos bancos (fatores de grande complexidade para eles). Porém, nota-se, também, o grande número de “idosos iletrados em Informática, ou analfabetos digitais” em todas as áreas da sociedade (KACHAR, 2003), os quais formam o imenso bloco de indivíduos constituintes dessa nova forma de exclusão – a digital.
Assim, segundo Coelho e Cruz (2008), os compromissos relativos à alfabetização e à Educação de Jovens e Adultos, firmados pelo Ministério da Educação em nome do governo brasileiro, incluem a utilização das tecnologias digitais para o alcance das metas da educação para todos22. Como confirma Arroyo (2006), é necessário que se estabeleça maior diálogo entre os saberes e significados acumulados no trajeto de vida dos jovens e adultos (e idosos) e os conhecimentos científicos sociais, proporcionando o acesso e a garantia deles ao conhecimento, à ciência, à tecnologia e às ferramentas da cultura universal.
[...] os computadores podem ser os portadores de inúmeras idéias e de sementes de mudança cultural, como podem ajudar na formação de novas relações com o conhecimento de maneira a atravessar as tradicionais barreiras que separam a ciência dos seres humanos e esses do conhecimento que cada indivíduo tem de si mesmo.
22 Segundo Coelho e Cruz (2008), o Programa Educação para Todos baseia-se nas premissas de que a educação
é: “um direito universal; a chave do desenvolvimento humano sustentável; uma responsabilidade essencial do Estado; e alcançável se os governos mobilizarem sua vontade política e recursos disponíveis” – Conferência Mundial de Educação Para Todos, realizada em 1990, em Jomtien, Tailândia.
[...] usar computadores para desafiar crenças difundidas a respeito de quem entende o que e em que idade (PAPERT, 1980, p. 17).