• Aucun résultat trouvé

Environments affecting the design of well networks

Dans le document Ground-water studiesl (Page 191-200)

Location of observation wells

7.1.1 Environments affecting the design of well networks

Um SALT constitui o resultado de ações integradas envolvendo diferentes CCC na reconstrução da cadeia logística. Esta última pode ser entendida como “o conjunto dos fluxos físicos e informacionais, bem como as ligações geográficas que estruturam as cadeias de

abastecimento e de distribuição das cadeias alimentares” (tradução nossa)370.

Na figura 19 é possível visualizar os componentes, os recursos e a malha logística existente nos C’MA. Os componentes são os atores responsáveis pela construção da cadeia, ou seja: os produtores, os consumidores e as organizações presentes no território; os recursos são formados por elementos materiais e imateriais identificados nos atores (recurso humano), nas idéias (ou na motivação da equipe), nas ferramentas (maquinário, entrepostos logísticos, pontos de venda, meios de transporte ou embalagem), na comunicação (interna e externa) e no fluxo de informação e de resíduos (logística reversa); e, por fim, a

malha logística é representada pela cadeia formada pelo abastecimento

(A), pela estocagem/condicionamento/transformação (E) e pela venda (V). Na cadeia logística existem três fluxos: i) o fluxo de abastecimento (enlèvement) entre produtores e “A” e entre “A” e “E”; ii) o fluxo de entrega entre “E” e “V”; e ainda, iii) o fluxo chamado trajeto do consumidor entre “V” e consumidores.

370 “l’ensemble de flux physiques et informationnels ainsi que dês lieux géographiques qui structurent les chaînes d’approvisionnement et de distribution dês filières alimentaires“. Cf.Ibid., loc. cit.

Figura 19 – Esquema da cadeia dos C’MA

A = abastecimento; E = estocagem, condicionamento e transformação; V = venda; T = transporte. Fonte: Messner, 2013.

Os principais trade-offs para a conformação deste cenário podem ser resumidos da seguinte maneira: investimento, pois a viabilização dos dispositivos necessita de aportes (financeiro, trabalho, conhecimento,...);

deficiências de monitoramento por parte do poder público e da

sociedade civil organizada; limitações de tempo, visto que muitas vezes os dispositivos raramente tornam-se econômicamente viáveis no curto prazo; custos de logística; carência de mão-de-obra qualificada; e dificuldades com a operacionalização da logística de transporte e de

estocagem.

Atores

Ideias

Cadeia

Produtores

Território

Comunicação

Ferramentas

E

Consumidores

Proximidade organizativa e territorial

Nos três casos analisados, a proximidade territorial e/ou organizativa entre os consumidores e os produtores deverá se tornar cada vez mais visível e explorada. Esta operação deverá ser precedida por um diagnóstico territorial, onde serão levantados os produtores e a oferta de produtos, bem como os consumidores e suas demandas. Mais precisamente, tomado como base para o trabalho seguinte, este diagnóstico inicial deverá identificar (i) os produtos passíveis de comercialização e os produtores dispostos a trabalhar em grupo; (ii) os consumidores dispostos a se integrar em CCC; e, por fim, (iii) outros diagnósticos territoriais, visando conhecer os atores e suas redes e fortalecer os “cinturões verdes” ao redor das cidades, bem como as experiências inovadoras de agricultura urbana, aproveitando a rede logística existente (entrepostos, rotas,...) etc.371

Ao diagnóstico inicial se superpõe a verificação daquilo que seria passível de aproveitamento visando o desenvolvimento do SALT. Isto na medida em que alguns já estão inseridos em circuitos comerciais clássicos e outros apresentam características inovadoras. Dessa forma, neste momento da dinâmica a cadeia poderá ser estruturada com base em três pontos de referência: abastecimento, transporte e estocagem.

No que tange ao primeiro ponto, o abastecimento, além de uma seleção criteriosa dos produtores, a produção deveria ser coordenada com base numa logística consistente. Quanto aos dois outros pontos, transporte e estocagem, face às limitações orçamentárias típica dos projetos inovadores, impõe-se valorizar ao máximo os recursos já existentes e explorar, por meio de inovações sociotécnicas, o potencial de recursos ainda subutilizados ou mesmo ainda desconhecidos. Inclui- se aqui a preocupação pela otimização dos sistemas de transporte e estocagem, sempre resguardando a coerência da plataforma ético- política ecodesenvolvimentista.

O sistema de comunicação deverá merecer também uma atenção especial. Além do envolvimento seletivo em redes locais, da agenda de trabalho deveria constar necessariamente a promoção de eventos educativos, a criação de Marcas Territoriais e a utilização de embalagens recicláveis/reutilizáveis.372 Ações que levam em conta o conjunto das cadeias deverão se tornar uma das marcas distintivas do SALT. No item

371 Ibid. 372 Ibid.

relativo a embalagens, o recolhimento daquelas que foram utilizadas deverá ser acompanhada do repasse de informação sobre as características dos produtos e dos processos envolvidos na criação dos CCC, ressaltando a sua relevância no atual estágio de evolução do debate sobre a ecologização das dinâmicas de desenvolvimento.

A gestão deverá estar permanentemente atenta aos fatores-chave capazes de minimizar os riscos de desvios, a saber: equipe de coordenação sinérgica, criativa e flexível; monitoramento permanente das ações em todos os níveis; abertura a inovações sociotécnicas; articulação em rede com experimentos similares em diferentes escalas territoriais; profissionalização do trabalho; mobilização de uma ampla gama de estagiários (jovens aprendizes, estudantes, desempregados, aposentados); busca de assessoramento técnico nos setores financeiro, jurídico, pedagógico, sanitário, de política agrária e de marketing diferenciado, com apoio da comunidade universitária – entre outros.

No caso da Feira, os alimentos deveriam dispor de identificação visual, visto que nem todos os produtos são produzidos pelos feirantes. No caso da organização de consumidores haveria tours aos produtores uma vez ao ano, financiados pela universidade ou pelos próprios consumidores. Já no caso de ponto de venda coletivo os encontros que já ocorrem entre produtores serão divulgados aos consumidores.

Haverá também dentro do SALT uma comunicação interna compartilhada no que tange aos produtores e consumidores, ou seja, os dispositivos que lhe estarão associados compartilharão entre si informações sobre os fornecedores e consumidores envolvidos em cada dispositivo.

A proximidade organizativa deverá estar sempre acompanhada da proximidade territorial, numa relação de integração sinérgica a ser embutida no planejamento estratégico. Assim, tanto as distâncias buscarão ser sempre as menores possíveis entre fornecedor-consumidor, como as logísticas buscarão o máximo de eficiência, e para isso os dispositivos farão entre si um planejamento conjunto. Haverão encontros e publicação de materias impressos e virtuais para informar sobre os dispositivos, e no SALT como um todo. E assim, cada produtor e cada consumidor poderão definir as modalidades e os dispositivos alimentares que mais lhes convém.

Difusão social das iniciativas em curso

Nos dois casos onde são comercializados alimentos mais facilmente perecíveis (a Feira e o Ponto coletivo), uma opção de

redução máxima das perdas deveria passar pela organização de um sistema de distribuição gratuita dos produtos à população mais carente.

Nunca é demais insistir na relevância da formação ideológica dos envolvidos na gestão de CCC. A intenção seria evitar que o consumo de orgânicos acabe se tornando elitizado, em detrimento da cobertura das necessidades de segurança alimentar e saúde integral dos extratos baixos e médios da população. Um desdobramento importante desta preocupação deverá passar pelo enfrentamento sistemático dos entraves burocráticos estruturais que continuam ainda hoje dificultando – paradoxalmente - o fornecimento regular de produtos saudáveis (sobretudo) à rede pública de ensino e de atendimento à saúde.

A construção de um Mercado Popular itinerante e de um Restaurante Popular, conforme os envolvidos sinalizaram na pesquisa de campo, deverão também compor a dinâmica de atuação do SALT. A combinação dessas duas iniciativas poderia assegurar maiores chances de êxito do sistema, pois os produtos que eventualmente perderem valor nas trocas comerciais convencionais poderiam ser aproveitados no preparo das refeições em empreendimentos norteados pelos princípios da economia solidária. Outra possibilidade interessante refere-se à confecção de cestas de produtos organizadas pelas próprias comunidades, em parceria com o setor público e com organizações civis.

Neste contexto, as inovações corporificadas na estruturação de CCC de alimentos saudáveis, livres da adição de venenos, passaria a ser vista como um serviço público essencial e um direito inalienável das comunidades. Sua disseminação daqui em diante dependeria (i) de apoio político para facilitar a compreensão da lógica profunda dos SALTs na massa da população, bem como os benefícios que eles poderiam proporcionar a todos os segmentos sociais; (ii) de uma repartição equilibrada e flexível das tarefas entre os agentes envolvidos e de um planejamento estratégico de todos os elos da cadeia; (iii) de um aprimoramento constante da logística de abastecimento e distribuição, bem como da logística reversa, no ganho crescente de eficiência, redução de custos e de preços; e, por fim, (iv) de uma preocupação permanente pela internalização dos princípios de aprendizagem social

adaptativa em sistemas de gestão ao mesmo tempo integrada e compartilhada de bens comuns.373

Promoção de tecnologias sociais

A criação de “bancos de idéias”, como sugere Tauile (2001), para o aperfeiçoamento dos processos e o desenvolvimento de sistemas de gestão e divulgação informatizados dos dispositivos analisados poderia se revelar também como um aporte digno de registro. Pois permitiria não só a obtenção de ganhos de escala, mas também o aperfeiçoamento dos processos de inovação sociotécnica em curso e a conquista de

vantagens diferenciadoras374 - no sentido atribuído ao termo pelos teóricos do ecodesenvolvimento territorial.

Por sua vez, o processo de reorganização interna do Núcleo Gestor das CCE deveria ser intensificado, mediante articulações duradouras com outros grupos sensíveis ao ideário ecológico-político sediados na comunidade acadêmica. Dessa forma, ele poderia dispor de melhores condições de barganha política visando dispor, a médio prazo, de um espaço próprio de atuação no Parque Ambiental, ainda em fase de planejamento pela Reitoria da UFSC.

Haverá também uma publicação que desempenhará a função de manter a história do dispositivo e, assim minimizar os efeitos causados pelo seu desconhecimento.

Os CCC como itens prioritários de pesquisas orientadas para ações de planejamento

Os três dispositivos, além da perspectiva de maturação de um SALT nos próximos tempos, deveriam se tornar alvos de pesquisas integrativas, de escopo interinstitucional, abarcando suas múltiplas dimensões: agronômica (fatores que potencializam ou limitam as novas dinâmicas produtivas); sociológica (relações sociais, políticas e culturais entre consumidores e produtores); nutricional (efeitos da alimentação na saúde individual e coletiva e opções de recriação de hábitos alimentares); educacional (acolhimento de estudantes e docentes nos dispositivos, organização de palestras e vivências); e comunicacional (elaboração de embalagens, folders, cartazes, banners, participação em programa de rádio, etc.) – dentre outras.

Ou seja a pesquisa sobre o SALT e mais amplamente sobre os CCC vem ganhando maior atenção dentro da comunidade científica e da sociedade em geral. Seu desenvolvimento, conformado por diferentes modalidades e dispositivos de comercialização permitirá novas ações de planejamento dos sistemas agroalimentares locais

374 Cf. Tauile (2001, p. 15) são “aquelas construídas pela ação objetiva dos agentes e que realimentam a própria competitividade”.

º º º 5.1 SÍNTESE DO CAPÍTULO

O destino das nações depende da maneira como elas se alimentam Brillat-Savarin375 Um envolvimento mais intenso do CEPAGRO e do LACAF- UFSC, além de outras entidades vinculadas constitui uma condição essencial para a consolidação do SALT em pauta neste trabalho. Isto representaria um salto de qualidade de indiscutível valor para os CCC analisados, tanto em termos de profissionalização crescente das ações realizadas, quanto de estreitamento dos vínculos de cooperação com as universidades e institutos extra-acadêmicos de pesquisa tecnológica, além da rede de movimentos populares e organizações civis. O fortalecimento institucional do ponto de venda coletivo permitiria alcançar níveis mais satisfatórios de garantia em termos de volume, regularidade, diversidade e qualidade dos alimentos agroecológicos oferecidos. Por sua vez, a presença de organização dos consumidores tenderia a gerar uma relação mais equilibrada entre os níveis da oferta e da demanda.

Pelo fato da iniciativa de organização dos consumidores e da feira livre terem surgido no próprio âmbito da universidade, enquanto um projeto de extensão de alta relevância para a promoção do ideário do ecodesenvolvimento territorial em nosso País, torna-se imperativo intensificar e canalizar, junto aos órgãos superiores de gestão universitária, demandas específicas por recursos considerados indispensáveis à dinamização dessas experiências pioneiras.

Avanços nesta direção dependeriam também de um volume muito mais substancial de financiamento público e de uma ampliação maciça da base atual de produtores e consumidores. Pois

as iniciativas de circuitos curtos buscam atualmente otimizar a organização da cadeia logística. Nós entendemos aqui por cadeia logística o conjunto de fluxos físicos e informacionais posto em prática por uma organização dada, em particular pelas etapas de abastecimento em matéria-prima (aqui a produção agrícola), de estocagem, de transformação e

375 “La destinée dês nations dépend de la manière dont elles se nourrissent” apud Rastoin, op. cit.

condicionamento e de distribuição dos produtos acabados (aqui os alimentos pré-cozidos e prontos para o consumo). (grifo do autor, tradução nossa)376

Um estudo-referência que pode contribuir com a construção de um SALT no território estudado foi publicado recentemente por Messner (2013). Sua linha de argumentação está sintetizada no seguinte quadro:

Quadro 10 – Elementos-chave da cadeia logística de um SALT

Atores Coordenação

Trabalhadores

(operacional, estruturação, contratos particulares) Externos

(poder públicos, estrutura privada, consultorias) Idéias Ajuda ao agricultor

(liberar tempo, incentivo à transição agroecológica,...) Vocação social

(solidaridade, contato humano, preço justo,...) Agroecologia

Otimização logística

(diminuição dos custos, eficácia energética,...) Ancoragem territorial

(reconectar o tecido territorial, produtos locais,...) Redução do impacto ecológico

Produtos de qualidade Ferramentas Informática

(base de dados, sítio eletrônico, gestão,...) Estudo do mercado

Apoio do poder público

(logística, financiamento, regulamentação,...) Diagnóstico territorial

Malha logística

(reutilização dos circuitos clássicos, inovação,...) Planejamento das tarefas

(segundo competência, aproveitamento do tempo,...) Espírito do grupo

(cooperação, reciprocidade, redes,...)

376 “les initiatives de circuits courts cherchent donc aujourd’hui à optimiser l’organisation de la châine logistique. Nous entendrons ici par chaìne logistique l’ensemble des flux physiques et informationnels mis en place par une organisation donnée, en particulier pour le étapes d’approvisionnement en matère primière (ici la production agricole), de stockage, transformation et conditionnement et de distribution des produits finis (ici les aliments prêts cuisinés et consommés). Cf. Messmer, op. cit., p. 8.

Coordenação da produção

(pesquisa agrícola, assistência, animação,...) Comunicação eficaz

(adaptação de técnicas reconhecidas,...) Capital Humano

(simpatia, investimento, ser conhecido no território,...) Abastecimento Diversidade na oferta

Proteção da produção

Recebimento de produtos não-locais (critérios transparentes de seleção,....) Restituir o tempo trabalhado pelo agricultor Estocagem Explorar todo o espaço disponível e útil

(caminhão, ponto de venda,...) Espaço colaborativo

(compartilhar com outro projeto,...) Local ideal

(aluguel barato, fluxo de consumidores, estratégico,...) Condicionamento Enbalagem inteligente

(reciclável, conservação, dimensão adequada,...) Fazer chamado à mão-de-obra competente Comercialização Pontos de venda

(comércio, lugar público, escolas e universidades,...) E-commerce

Contratos

Entrega à domicílio Transporte Organização das rotas

(distribuição e entrega) Meio de transporte

(clássicos, inovadores,...) Otimizar o trajeto de retorno

(recoletar os dejetos orgânicos, recicláveis,...) Comunicação Comunicação adaptada

(boca-a-boca, redes, eventos, internet,....) Instrumentos clássicos

(flyers, mídia, marca,....)

A logística como ferramenta de comunicação (embalagem, transporte, pontos de venda,...) Técnicas reconhecidas

(contratos, ofertas promocionais, 1ª compra,...) Conceitos inovadores

(venda express, aluguel de espaço nos supermercados,...)

Logística Reversa Coleta de Informação

Coleta dos Resíduos (orgânicos e recicláveis) Retorno das caixas aos agricultores Fonte: Baseado em Messmer, 2013.

Portanto, ao contrário da inexorabilidade das mudanças climáticas, o futuro dos sistemas alimentares “se inscrevem nas questões e nos debates políticos que lhe são precedentes”. (tradução nossa)377

377 “ s’inscrivent dans des enjeux et dês débats politiques qui les ont precedes.” Cf. Hubert, Caron e Gayomard, op. cit., p. 238 tradução nossa)

Dans le document Ground-water studiesl (Page 191-200)