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Enseignements pour les PTF qui appuient les réformes de la

5. Conclusions et enseignements plus généraux

5.3 Enseignements pour les PTF qui appuient les réformes de la

3.1. Caracterização da amostra das empresas

A amostra acabou por ser constituída por doze empresas do sector da Indústria Têxtil e do Vestuário localizadas no Norte do país, nos concelhos de Braga, Barcelos, Guimarães e Porto. A dimensão das empresas foi variável: 2 PE, 8 ME e 2 GE52, cobrindo toda a fileira produtiva pertencendo aos subsectores dos

têxteis convencionais, têxteis-lar e malhas.

Foi utilizado o Instrumento de Análise para Estudos de Caso (IAEC) na recolha de dados relativos às empresas da amostra embora esta caracterização tenha ficado muito aquém do inicialmente previsto já que os responsáveis não possuíam grande parte dos dados solicitados e a sua recolha ficou dependente da sua disponibilidade em os fornecer.

Em cada uma destas empresas foram aplicados os Inquéritos SIT a cerca de 25% de trabalhadores no caso das PE e ME e a 10% de trabalhadores nas GE - optando-se por entrevistar pessoas com actividades directamente ligadas ao processo produtivo.

3.2. Caracterização da amostra dos trabalhadores

Procurou-se assegurar na amostra dos sujeitos uma "aproximada" representatividade dos trabalhadores da Indústria Têxtil e do Vestuário, estando- se particularmente atento aos critérios do sexo, da idade, da função desempenhada e da antiguidade na função. Contudo, esta opção foi difícil de assegurar em algumas empresas devido aos constrangimentos relacionados com a produção e com a dificuldade em retirar os trabalhadores dos seus postos de trabalho para a realização da entrevista individual.

A amostra acabou por ser assim constituída por 329 trabalhadores (quadro 5) com actividades exclusivamente ligadas à produção, em que 57% pertencem ao sexo masculino e 43% ao sexo feminino.

PE - Pequena Empresa (menos de 50 trabalhadores); ME - Média Empresa (entre 50 a 300 trabalhadores); GE - Grande Empresa (com mais de 300 trabalhadores).

Quadro 5: Número de trabalhadores da amostra em função do género

Sexo Número de trabalhadores

Masculino 187 (56,8%)

Feminino 142(43,3%)

Total 329(100%)

As diferenças de género encontradas na nossa amostra não reflectem, claramente, a forte presença da mão-de-obra feminina neste sector (DETEFP, 2002a), o que se explica, em grande parte, pela maior dificuldade na realização das entrevistas já que, dadas as características do seu trabalho e os fortes constrangimentos da organização do trabalho a que estão sujeitas, tinham mais dificuldade em ausentar-se no seu posto de trabalho do que os homens.53

A distribuição das idades apresentada no gráfico 18 revela que é no grupo etário dos 25 aos 34 anos de idade que encontramos uma percentagem mais elevada de trabalhadores quer do sexo masculino quer do sexo feminino. À semelhança dos dados dos QP/99 (DETEFP, 2002a), 31,7% (nos homens) e 42,3% (nas mulheres) dos trabalhadores da amostra pertencem a um grupo etário ainda jovem. Contudo, a idade média de início da actividade profissional para ambos os sexos é de 14 anos de idade, o que significa que já possuem, em média, uma experiência e uma vivência de trabalho de entre 10 a 20 anos.

53 Estes constrangimentos foram mais visíveis na actividade de confecção que, pelos fortes condicionamneros de tempo

associados à organização do trabalho, dificultavam a realização das entrevistas. Contudo, é precisamente nesta área da ITV que se encontram maioritariamente as mulheres (FESETE, 1999).

Capítulo Hl 99 Saúde e trai . e evoluções

Gráfico 18: Distribuição da amostra por grupo etário e género

menos de 25 anos 25-34 ■ Homens Mulheres

Esta análise sugere, igualmente, a clara diminuição das mulheres no sector com a evolução da idade, o que poderá ser revelador de algumas dificuldades na manutenção do posto de trabalho com o avanço da idade associadas à manifestação de alguns problemas de saúde resultantes da acumulação dos efeitos de alguns constrangimentos de trabalho próprios do seu percurso profissional, frequentemente iniciado, como já se referir, aos 14 anos de idade. De resto, a repartição da amostra por área de actividade e género (quadro 6) confirma que existem áreas predominantemente ocupadas por homens, designadamente a fiação, a tecelagem, a tinturaria e acabamentos e a

manutenção e, pelo inverso, áreas predominantemente ocupadas por mulheres,

nomeadamente a confecção e a revista.

Capítulo II! . .— trabalho relaeões e evoluções

Quadro 6: Distribuição da amostra por área de actividade e género

^ííMêÊM iããÊÈ::::éiitMeíiê \^MiU -SSÊB Masculino Feminino Tota t

Área de actividade sujeitos Ns 19 42 % sujeitos NB % 0,7 Ne sujeitos 20 % Fiação Ns sujeitos 19 42 10,2 1 % 0,7 Ne sujeitos 20 6,1 Tecelagem Ns sujeitos 19 42 22,5 14 9,9 56 17,0 Confecção 8 4,3 64 45,1 72 21,9 Tinturaria e Acabamentos 43 5 23,0 4 2,8 47 14,3 Revista 43 5 2,7 19 13,4 24 7,3 Armazém e Embalamento 19 25 10,2 15 10,6 34 10,3 Manutenção 19 25 13,4 1 0,7 26 7,9 Outros 26 187 13,9 100 24 16,9 50 15,2 Total 26 187 13,9 100 142 100 329 29,7

Estas diferenças costumam estar relacionadas com o tipo de trabalho desenvolvido, sendo a confecção e a revista frequentemente designadas como "tipicamente femininas", já que por um lado, exigem aptidões tidas como mais "femininas" - como é o caso da destreza e agilidade manual - e, por outro lado, prolongam a experiência adquirida na esfera doméstica e familiar (FESETE, 1999).

Em termos de antiguidade na função actual, constatou-se, através do quadro 7, que a distribuição é bastante heterogénea. Embora cerca de 25,7% dos sujeitos se situem no intervalo entre os 2 e os 5 anos de antiguidade, verificamos que os valores sofrem grandes oscilações, assumindo valores de 12,9% quando a antiguidade é superior a 20 anos.

Quadro 7: Distribuição da amostra em função da antiguidade na função (em percentagem) Antiguidade na Função Percentagem de Trabalhadores

< 2 anos 15,4% [2, Sfanos 25,7% ^i^M-^::^WM ::::':'::':-:':: [5,10[anos 16,9% [10,15[anos 23.6% [15, 19[anos 5.5% > 20 anos 12,9% Total 100% Capítulo I

Ao reflectir nestes valores constata-se que a manutenção dos postos de trabalho não é regular, indicando que, se há trabalhadores que mantêm as suas funções há mais de 20 anos, há, por outro lado, outro grupo de trabalhadores (41.1%) cuja experiência na função é inferior a 5 anos. Estes valores parecem indicar que, em certos postos de trabalho, as normas de produção e as condições de trabalho a partir de um certo período, se tornam insustentáveis levando os trabalhadores a mudar de função, embora outras análises mais exaustivas merecessem ser realizadas.

Ao nível das habilitações (quadro 8) a maior parte dos trabalhadores possui ou o 1Q ciclo do ensino básico (37,2%) ou o 2- ciclo do ensino básico (39%) sendo,

portanto, nestes níveis de escolaridade que se concentra a maioria dos trabalhadores, o que é também revelado pelas estatísticas dos QP/99 (DETEFP, 2002a).

Quadro 8: Distribuição da amostra em função do nível de habilitações literárias (em percentagem) Habilitações Literárias Percentagem de Trabalhadores Inferior ao 1Q ciclo do ensino básico 3,1 %

1B ciclo do ensino básico 37,2%

2- ciclo do ensino básico 39,0%

3e ciclo do ensino básico 11,3%

11a ano 1,5%

12B ano 7,9%

Total 100,0% Estas primeiras descrições da amostra permitiram não só situar as características

sócio-demográficas dos trabalhadores como sustentar uma reflexão mais contextualizada das características e das condições de realização do trabalho no sector da ITV. Convém, agora, desenhar as grandes tendências em termos do estado de saúde dos sujeitos inquiridos.