• Aucun résultat trouvé

3 EVALUATION OPERATIONNELLE DE LA COMPOSITION AVEC PATTERNS

3.3 Emuler le style classique

Neste capítulo, procuro analisar os artigos que avaliaram o projeto político do Partido dos Trabalhadores, tendo como ponto de partida a cidade de Diadema, na primeira experiência administrativa do PT, no Executivo Municipal, no Estado de São Paulo, em 1983 e 1984. Nesse momento, havia muita expectativa da grande imprensa e dos movimentos populares frente a um governo que se propunha popular e democrático. Em 1986, no contexto das eleições estaduais, essa experiência administrativa era vista como uma vitrine do PT. Utilizei como fontes os jornais: Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e o Jornal da Tarde, o Diadema Jornal e os Informativos Municipais.

O estudo da formação da assessoria de imprensa e a caracterização dos Informativos Municipais foram desenvolvidos neste capítulo, por constituírem o principal meio de comunicação entre a administração e a população, sendo também importante fonte de diálogo com a “grande imprensa” e o Diadema Jornal, dando visibilidade às realizações do poder público municipal em diversas áreas de atuação.

A primeira administração petista esteve inserida no contexto nacional dos governos João Baptista Figueiredo (1979-1985) e José Sarney (1985- 1990), período marcado pela abertura política e pelo fortalecimento dos movimentos populares, onde campanhas nacionais se consolidaram, como por

23 Laura Antunes Maciel, “Produzindo Notícias e Histórias: algumas questões em torno da relação

telégrafo e imprensa – 1880/1920”. In Déa Ribeiro Fenelon et al. (Orgs.). Muitas Memórias, Outras Histórias, p. 14-15.

exemplo, a luta pela Anistia em 1979, a Campanha pelas Diretas Já, que culminou em 1984, e a convocação de uma nova Assembléia Nacional Constituinte para 1986, aprovada em outubro de 1985, através da Emenda Sarney. Essas lutas uniram diferentes partidos políticos, apesar das divergências político-ideológicas já existentes.

De acordo com Maria Helena Moreira Alves, a política de abertura do Governo João Baptista Figueiredo era definida “de modo a limitar a

participação de setores da população até então excluídos e permitir que o Estado determine qual é a oposição aceitável, e qual é intolerável. Grupos ligados aos movimentos sociais de trabalhadores e camponeses, fossem seculares ou vinculados à Igreja, enfrentaram repressão contínua e sistemática” 24.

A partir da revogação do Ato Institucional nº. 5 25, os movimentos populares e as organizações de base se reestruturaram, ocorrendo alianças entre as Comunidades Eclesiais de Base e o “novo movimento sindical” na luta pela democratização do governo. O Partido dos Trabalhadores surgiu da organização desses movimentos de base e do novo sindicalismo.

Em sua obra “Estado e Oposição no Brasil”, Maria Helena Moreira Alves ressalta que “O Partido dos Trabalhadores (PT) cumpriu as exigências legais,

em 1980, em 20% dos municípios de 12 Estados. No final do ano seguinte o partido atingira o nível mínimo de organização em um quinto dos Municípios de 19 Estados, com cerca de meio milhão de filiados. Era, portanto, o terceiro maior partido de oposição. O PT nasceu das greves de 1978, 1979, 1980, em estreita ligação com os movimentos de base rurais e urbanos e com a ação social dos católicos progressistas. (...) Partido mais nitidamente de classe, o PT congregou uma série de movimentos sociais, membros de associações de moradores, comunidades de base, ativistas camponeses e sindicais. Contava também com o apoio de intelectuais oposicionistas e de parte do movimento estudantil. Por influência talvez dos animadores católicos, o PT adotou uma forma de organização muito semelhante à das comunidades de base.

24 Maria Helena Moreira ALVES, Estado e Oposição no Brasil – 1964-1984, p.273.

25 O AI 5 foi instituído em 1968 e dava ao Presidente da República poderes para suspender direitos

políticos, cassar mandatos; intervir em municípios e Estados, fechar provisoriamente o Congresso Nacional e demitir funcionários públicos.

Compunha-se de células organizadas ao nível das bases – os núcleos-, encarregados da organização e administração do partido” .26

No período de 1983 a 1988, a grande imprensa deu visibilidade ao município de Diadema. Havia na cidade e fora dela muita expectativa, uma vez que pela sua origem e concepção de poder, o PT diferenciava-se dos demais partidos, por manter uma relação mais estreita com os movimentos de base, principalmente com o movimento operário, participando ativamente das lutas sociais, não ficando restrito às disputas eleitorais e parlamentares. Durante a década de 90, as reportagens sobre a administração municipal diminuíram consideravelmente, pelo fato do Partido dos Trabalhadores ter vencido as eleições em diversas cidades, inclusive São Paulo.

Os artigos publicados pela Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e o Jornal da Tarde durante a gestão Gilson Menezes, abordavam uma série de questões sobre a administração, que muitas vezes ultrapassavam os limites da cidade de Diadema e referiam-se às propostas do projeto político do PT. Neste capítulo, analiso o diálogo que estabeleceram com a imprensa local e os Informativos Municipais.

Inicialmente, os artigos da grande imprensa paulistana ressaltavam que Diadema testaria a primeira administração petista do Brasil. Além desse município o PT venceu em Santa Quitéria, uma pequena cidade do Maranhão.

A “incapacidade administrativa”, segundo a grande imprensa, era enfatizada por vários artigos publicados principalmente pelo OESP e JT, ressaltando o clima de terror existente em Diadema com aqueles que não concordavam com as idéias do Partido dos Trabalhadores. Esses periódicos priorizavam a questão dos escândalos envolvendo a gestão pública, com o favorecimento de alguns membros do governo municipal e do Partido. Os conflitos entre a administração e os servidores também mostravam, segundo os jornais citados, a “incoerência e contradição” do PT enquanto governo e como oposição, pelo fato do Partido ter surgido do movimento sindical, mas enquanto administração entrava em confronto com o movimento dos funcionários municipais, que reivindicavam seus direitos.

Houve a necessidade da organização de uma assessoria de imprensa do Governo Municipal para acompanhar, contestar e pedir esclarecimentos sobre as publicações jornalísticas e também para divulgar as realizações da Prefeitura, prestar contas e esclarecimentos à população, através de um meio próprio de comunicação. O principal veículo para esse fim foi o Informativo Municipal, que se constituiu num importante material para compreendermos o momento de redemocratização do país, em que novos sujeitos políticos atuavam em novos espaços políticos, ultrapassando os limites da democracia representativa.

Além de se conhecer os problemas existentes no município, através dos informativos municipais, percebe-se a preocupação em chamar a atenção da população para o debate de temas fundamentais para a sociedade brasileira, como a Campanha das Diretas Já e a participação na Constituinte, ou seja, a prefeitura não apenas administrava a cidade, mas estava engajada nas lutas pela democratização do país, dentro de um projeto que visava uma sociedade igualitária e participativa não só nacionalmente, mas também com as lutas internacionais, como a Campanha de Solidariedade à Nicarágua.

Os Informativos Municipais tinham como principal objetivo divulgar as ações da PMD, ressaltando a atuação e os projetos dos diversos departamentos, salientando os Conselhos Populares, marca da gestão administrativa baseada na participação popular. Sua circulação era restrita ao município e procurava atingir os diversos segmentos sociais, através de uma linguagem e composição gráfica de fácil acesso e distribuição gratuita nos equipamentos da prefeitura, diferindo da grande imprensa e imprensa local, comercializadas nas bancas.

Para analisar os Informativos, empreendi uma árdua busca pelo Centro de Memória de Diadema, no Diretório Nacional do PT e, finalmente, com a jornalista Laís Oreb, responsável pela assessoria de imprensa no período em questão, com quem tive acesso a todos os números publicados de 1983 a 1988. O depoimento de Laís foi fundamental para reconstituir a trajetória da estruturação da assessoria, os principais objetivos do trabalho desenvolvido junto à população, além das dificuldades encontradas com relação à imprensa local e, principalmente, quanto à “grande imprensa”. O depoimento de Gilson

Menezes também foi muito importante, embora não tenha sido gravado por razões técnicas, mas mesmo assim, trouxe elementos que mostraram a importância da experiência sindical no trabalho da assessoria de imprensa.

No início da administração municipal não havia canais de comunicação com a população, como boletins ou jornais. O primeiro Boletim Informativo foi publicado em 15 de agosto de 1983, ou seja, seis meses após a posse de Gilson Menezes, e trazia os principais objetivos da gestão:

“A Prefeitura resolveu fazer um boletim informativo para que a população saiba o que a Administração Gilson Menezes anda fazendo. Em cada número vamos contar o que está acontecendo nos vários Departamentos e o que a Prefeitura está oferecendo à comunidade. Diadema é um município com sérios problemas de longos anos e a atual Administração já está resolvendo alguns, mas para isso, precisa da ajuda da população que deve organizar-se e reivindicar melhorias não só para si, mas para todos” 27.

Esse documento ressalta a posição da Administração frente à necessidade de organização da população, ou seja, chama os moradores a reivindicarem melhores condições de vida no município, não para resolverem os problemas individualmente, mas salientando sempre o caráter coletivo da luta e das reivindicações. Essa “matriz discursiva” 28está presente tanto nas Comunidades Eclesiais de Base como no novo sindicalismo dos anos 70, na medida em que existia uma convocação para a luta através da comunidade, de grupos solidários em busca de decisões conjuntas.

A década de 80 foi marcada pelo surgimento do novo sindicalismo e também pela ligação que existia entre os diversos sindicatos que começaram a se reorganizar na busca de interesses que tinham como objetivo a

27 Boletim Informativo n°1, 15/08/1983.

28 Eder SADER, no capítulo 3 do livro “ Quando Novos Personagens Entraram em Cena” , identifica

três matrizes discursivas que reelaboram a ótica das lutas populares: a matriz da Teologia da Libertação, presentes nas CEB’s, a matriz sindicalista e a matriz dos grupos de esquerda. As duas primeiras possuem o reconhecimento imediato por estarem próximas ao cotidiano popular e compreendendo-o como local de resistência.

redemocratização do país. A estruturação da assessoria de imprensa da Prefeitura de Diadema é um bom exemplo.

Ao ganhar a eleição, Gilson Menezes solicitou a Davi de Moraes, então presidente do sindicato dos jornalistas de São Paulo, que indicasse alguns nomes para a assessoria de imprensa do município de Diadema. A jornalista Lais Fagundes Oreb foi convidada para ser responsável por esse setor, conforme depoimento dado pela mesma. Antes do governo petista, o assessor de imprensa do prefeito Lauro Michels, que antecedeu essa gestão, era também o proprietário do Diário do Grande ABC, importante jornal regional. A principal função desse assessor era ser porta-voz do prefeito, não existindo uma estrutura que possibilitasse a cobertura de todas as ações da prefeitura.

É importante indicarmos as principais lideranças políticas da cidade antes da eleição de Gilson Menezes, para melhor compreendermos o significado da administração petista. 29

A emancipação política de São Bernardo do Campo ocorreu em 24 de dezembro de 1958, através de um plebiscito, e em 1960, foi realizada a primeira eleição municipal. Desde essa data até a administração do Partido dos Trabalhadores ,em 1983 , Diadema passou por cinco administrações. Julio Assis Simões analisa que “a criação de novos municípios e distritos fez parte,

inicialmente da estratégia de liberalização política conduzida por Getúlio Vargas, a fim de rearticular alianças no plano local com vistas à restauração da competição eleitoral (suprimida pela ditadura estadonovista). No período democrático, a criação de municípios permaneceu um importante instrumento nas transações efetuadas por lideranças estaduais e federais para reestabelecer bases de apoio locais”. 30

O primeiro prefeito de Diadema foi o professor e contador Evandro Esquível, um dos emancipadores mais ativos do município. Exerceu seu primeiro mandato de 1960 a 1964, eleito pelo PTN (Partido Trabalhista Nacional), segundo Julio de Assis Simões “um dos braços do janismo”.

29 As informações sobre os prefeitos de Diadema e suas respectivas administrações foram obtidas no livro

“Diadema: sua História”, escrito por Sylvia Ramos Esquível, ex-primeira-dama do município, na obra “O Dilema da Participação Popular” de Julio de Assis Simões e também no livro” De Menor a Cidadão”, que analisa as políticas assistenciais em Diadema, de autoria de João Clemente de Souza Neto.

Esquível tinha grande influência junto aos sitiantes e comerciantes de Vila Conceição, um dos bairros que compunham Diadema. Tinha grande rede de contatos na cidade e fora dela, principalmente devido a atividades relacionadas a transações comerciais de terras na região. Antes de ser prefeito exerceu o mandato de vereador em São Bernardo do Campo em 1947. Aumentou seu prestígio por ter implantado um curso de alfabetização de adultos na Vila Conceição, por ter sido o responsável pela construção da Casa Paroquial e do cartório, na década de 50. Desde esse período, lutou pela emancipação de Diadema.

Na primeira eleição em 1960, concorreu com o adhemarista Lauro Michels, do PSP (Partido Social Progressista), que durante os anos 60 e 70, tornou-se um importante político local, além de ser pecuarista e empreendedor imobiliário. Vencendo por uma pequena diferença de votos, na sua primeira gestão Esquível concedeu isenção de impostos para empresas que se instalassem na cidade por um período de até seis anos, medida que acarretou um crescimento industrial e urbano.

Esquível e Michels consolidaram-se como importantes políticos e disputaram o poder até a década de 70, procurando o apoio de lideranças locais e dando grande estímulo à formação de associações de moradores, que serviam como base eleitoral.

Lauro Michels exerceu a segunda gestão de Diadema no período de 1964 a 1968, também estimulando o desenvolvimento industrial do município, atraindo indústrias de pequeno e médio porte, voltadas a complementar as montadoras de automóveis que se estabeleceram em São Bernardo do Campo. O Governo Municipal facilitava a aquisição de terrenos e se comprometia a providenciar infra-estrutura urbana.

De 1969 a 1973, Evandro Esquível assumiu novamente a Prefeitura, desta vez pela ARENA, sendo conivente com o regime militar. Nesse período, houve o desenvolvimento de microindústrias no ABCD paulista, o que causou graves problemas, de acordo com Simões: “empurraram os loteamentos

Estado, ao norte do município e, sobretudo da represa Billings ao sul”. 31Os primeiros gestores deram maior atenção aos incentivos fiscais para a instalação de indústrias do que para a regulamentação do uso do solo urbano, o que fez com que os problemas se agravassem dado o grande afluxo de pessoas que chegavam aos municípios, atraídos pela industrialização.

Ricardo Putz, com o apoio de Michels, foi eleito prefeito e governou de 1973 a 1977 De acordo com Julio Assis Simões, “surgiu como representante de

lideranças de camadas médias – professores, funcionários públicos, pequenos industriais e comerciantes em ascensão no município – empunhando a bandeira da ‘renovação’”. 32Elaborou o plano diretor de zoneamento, concluiu a construção do Paço Municipal e pressionou o Governo Estadual para ampliar o número de escolas no município. Em sua gestão, iniciou um programa de apoio à moradia econômica, assessorando projetos de auto-construção. Ao enfrentar algumas restrições, por ser considerado prefeito da oposição, Putz aderiu à ARENA, o que causou reações do MDB local.

Em 1976, Lauro Michels foi novamente eleito pelo MDB, governando de 1977 a 1983. No seu mandato, priorizou projetos de urbanização nas áreas centrais, onde se localizava grande parte do comércio. Iniciou o saneamento básico da cidade e construiu o prédio da divisão de cultura, composto de biblioteca e teatro, além do ginásio esportivo. Essas construções localizavam- se no centro do município, contrastando com a pobreza das regiões periféricas. Assim como Putz, Michels também se desligou do PMDB e aproximou- se do governo Maluf, eleito pela ARENA, para obter financiamento para obras por ele consideradas sociais, como a construção de postos de puericultura. De acordo com Simões ao final do governo, em 1982, Diadema já possuía 300.000 habitantes, sendo que um terço morava em favelas: “A crise econômica

nacional do início dos anos 80, repercutiu imediatamente em Diadema, com o fechamento de pequenas indústrias e o aumento do desemprego. Foi com este quadro pouco promissor que a gestão Gilson Menezes teve de se defrontar de saída” 33.

31 Julio de Assis SIMÕES – O dilema da participação popular - a etnografia de um caso, p. 60. 32 Julio de Assis SIMÕES. O dilema da participação popular – a etnografia de um caso, p. 61. 33 Ibid, p.65.

Os problemas de Diadema eram inúmeros no início da década de 80. Segundo o documento “PT Diadema – 21 anos com você”, para que o Partido dos Trabalhadores pudesse concorrer às eleições municipais, era necessária a filiação de 600 pessoas. Em junho de 1981, 775 pessoas filiadas ao Partido realizaram a Convenção Municipal, que indicou Gilson Menezes para prefeito. Pela legislação eleitoral do período o mesmo partido podia inscrever mais de um candidato, vencendo o mais votado dentro da legenda com maior número de votos. Com isso muitos partidos inscreveram até três candidatos, como podemos observar:

Resultados da votação para prefeito de Diadema, em 198234

Candidatos/Partidos Nº Absoluto de Votos % Gilson Menezes PT 23.310 23.310 27,80 Romeu C .Pereira Orlando Annibal Francisco Guillen PMDB 11.411 6.525 4.696 22.632 13,61 7,78 5,60 26,99 Marion Magali Jorge Ferreira Ricardo Putz PTB 14.155 4.680 3.108 21.943 16,88 5,58 3,71 26,17 PDS (Eiziro Okasaki) 4.277 5,10 PDT 100 0,12 Brancos Nulos 3.610 4,30 TOTAL 83.838 100,00

Fonte: Tribunal Regional Eleitoral

As administrações anteriores a Gilson Menezes adotaram políticas de expansão industrial e priorizaram o investimento nas áreas centrais do município, sendo que a rápida expansão urbana não foi acompanhada com obras de infra-estrutura.

Assumindo o poder municipal em 1983, Gilson enfrentou sérios problemas principalmente nas regiões periféricas, como por exemplo, a falta de saneamento básico e a necessidade de urbanização das favelas. Para resolver esses problemas, era necessário criar canais de comunicação com a população, buscando maior participação na definição de prioridades. O primeiro passo para essa aproximação entre poder público e munícipes foi a formação da assessoria de imprensa.

Na entrevista de Laís Oreb, responsável pela assessoria de imprensa, ela deixa claro que seu papel não era de porta-voz do governo, mas sim a de facilitar o acesso da imprensa ao governo e vice-versa.

“Quando eu fui para lá então o que existia era uma sala, uma máquina de escrever elétrica e duas escrivaninhas, (...). Aí me arrumaram uma secretária e era uma secretária para atender telefone, ela começou ao mesmo tempo a recortar jornal, a fazer um arquivo de jornais, que é imprescindível numa assessoria de imprensa não só arquivar, como fazer um caderninho, que a gente chamava de caderninho. Nós fazíamos um caderninho diário de todas as matérias que tinham saído de Diadema, ou então de alguma coisa assim muito importante a nível político tanto nacional como estadual e mandava xerocar e aí mandava para o prefeito e depois para os secretários. Na época não eram secretarias, eram departamentos, mas os então na época secretários também começaram a pedir os nossos caderninhos, então essa menina que era secretária todo dia de manhã ele já chegava recortava tudo que tinha saído sobre Diadema, mandava xerocar, fazia os caderninhos, mandava entregar nos departamentos e deixava para o prefeito ler.”

Nesse depoimento, fica evidente que a preocupação inicial era levantar e analisar o que estava sendo publicado sobre Diadema na imprensa local e nacional para análise da administração. As publicações eram realizadas

através de um esforço individual e posteriormente da equipe, para estruturar esse departamento.

“O primeiro informativo fui eu que fiz na máquina elétrica , inclusive eu fiz num final de semana, porque como a confusão lá era muito grande, então eu fui num sábado e levei meu filho para poder fazer o boletim tranqüila (...)”.

Boletim Informativo nº. 1 publicado em 15 de agosto de 1983.

Através desse informativo, constata-se que a Prefeitura buscava criar canais de comunicação que facilitassem e consolidassem a relação entre o

Poder Público e a população. O próprio documento indicava que os pontos de distribuição eram fundamentalmente o transporte coletivo e os equipamentos públicos, freqüentados pela maior parte da população (escolas, postos de saúde, entre outros), ou seja, a administração criava mecanismos de distribuição para veicular as informações, o que também era feito pela