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ELEA’s technological capacity

Figure 1 Breakdown of ELEA’s sales

3. ELEA’s technological capacity

A proposta semiolingllística do discurso desenvolvi^ da por Charaudeau inscreve-se na p e r s p e c t i v a da AD a partir do estabelecimento das hipóteses de base que nor teiam o t r a ­ balho, ou seja, a sua re pr e s e n t a ç ã o do ato de linguagem c o ­ mo encenação e correlat i vam e nte o po s tul ado da i n t e n c i o n a l i ­ dade .

A proposta foge aos limites da m e c â n i c a do "esquema da comunicação" e do discurso monológico. Considera, ao c o n ­ trário, o ato de linguagem como um ato de interação que r e ­ sulta de u m projeto de signif icaç ã o (projeto de fala) da par te dos sujeitos envolvidos.

Adota um duplo circuito de comunicarão, externo e interno, o que permite dizer que consi d era fatores ideolõgi^ cos que, porem, não são de se nv olv i dos de modo explícito em suas análises.

0 modelo cobre os aspectos mais importantes de uma análise discursiva, pois e xplora o discurso através de v á ­ rias direções, direções estas que vão conduzir para a s i g n i ­ ficação do discurso como um todo.

3,

PROPOSTA DE ORLANDI

ORLANDI (1987) propõe uma t ipo l ogia que se inscreve na p e r s p e c t iva da AD.

Visto que a pr õpria autora diz acreditar que a esco lha de uma tipologia está vinculada, entre outras coisas, à concepção de discurso adotada pelo analista, passaremos p r i ­ m eir am e n t e a explicitar a concepção adotada. Para isso vamos nos reportar â fala explica ti va que a autora apresenta na in trodução da 2- ed. de "A l i n g ua g em e seu funcionamento".

A A D aparece como pr op o s t a crítica que procura pro- b l emat i z a r as formas de reflexão sobre a lingu age m já estabe lecidas. Não trabalha com produtos em si, mas com a l i n g u a ­ gem em andamento e não se constitui em uma teoria descritiva n e m explicativa, mas trata da d e t e r min a ção h i s t ó r i c a dos pro cessos de significação. Assim, pr e ss u p õ e e q u e s t i o n a a l i n ­ güística, mas abre espaço em r e lação às ciências sociais.

Tem como base a relação da l i ngu a g e m com suas cond^ ções de produção por conceber a l ing u a g e m como i n t e r a ç ã o . A linguagem não aparece como instrumento de comuni cação ou transmissão de informação, ou suporte de pensamento, mas c o ­ mo lugar de conflito, de confr o n to ideológico, onde a s i g n i ­

ficação se apresenta em toda sua complexidade.

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em explorar um texto se dava em função de uma interpretação dirigida que deveria culminar com situações já p r e d e t erm ina das. Já para A D o que importa é o pro cesso de compreensão do p rocesso discursivo.

A AD possui relações com a Pragmática, com a teoria da Enunciação e da A rg umentação, considerando sempre a r e ­ flexão sobre o ideológico. Isso por partir do princ ípi o de que não h á_discurso sem sujeito n em sujeito sem ideologia.

A autora estabelece três fundamentos para a AD: a t e o r i a , a crítica e a i d e o l o g i a .

Uma noção que de se mp e n h a papel fundamental no traba lho de Orlandi ê a de f u n c i o n a m e n t o , pois do ponto de vista da A D dá-se destaque ao modo de funcion a men to da linguagem, lembrando que esse funcion am en t o não se restringe ao lingüís tico, representa também os pr ot a g o n i s t a s e o objeto do dis^ curso, ou seja, as condições de produção. Considera o funcio namento discursivo como sendo a atividade estruturante de um discurso determinado, por um falante determi nad o para um in terlocutor determinado, com f inalidades específicas.

Outro ponto que f u nda m e n t a o trabalho em questão são os conceitos de formação d i s c u r s i v a e formação ideológica, conceitos diretamente ligados a noção de sujeito, que ê f u n ­ damental em AD. Sujeito, formação dis c urs i va e ideológica fa zem parte de u m contexto que deve ser c onsiderado por tem im plicações no e s t a b el e cim e nto da ti p olo g ia em questão.

Considerar a lin g uagem como interação po s s i b i l i t o u ã autora apreender o que ela chama de um dos tropeços das teorias lingüísticas que é a ilusão s u b j e t i v a , ou seja, o su

jeito ac r edita ser a fonte e x clusiva de seu discur so quando, na realidade, retoma sentidos pre e xis t ent es, urna vez que é submetido as formações discursivas e ideológicas.

O R L A N D I , apoiada em P i c h e u x , define formação diseur siva como sendo aquilo que numa formação ideológi ca dada (isto ë, a p artir de uma posição dada em uma con juntu ra sõ- c io- his t õr i ca dada) determina o que pode e deve ser dito. A ilusão do sujeito resulta desse co m plexo mecanismo. Vejamos o que diz LAGAZZI, a respeito:

”0 sujeito da t i n g u a g e m &ata, nao de, qualquen tugan, mas de. uma posição ja definida sociat, histon.ic.a e. i d e o t o g i c a m e n t e , ou que. se. devine no jogo discunsi- v o , no embate de. fonças, mas s empne de. um t u g a n ao mesmo tem po de.tznmX.nado p e t a / detenmina don. da kistonia desse sujeito, t ugan este que o ¿mpe.de. de. sen a on.ige.rn absotuta de seu discun SO." (LAGAZZI, 1988:97-8).

A ilusão subjetiva r e sul t a da idëia de que o suje.i to tem de ser or ig em absoluta de seu discurso:

Mas na realidade hã uma sob r ede t erminação e inter- relação de um sistema mais complexo:

Na esquem a tiz a ção acima a parte pontil hada represen ta a permeação entre as formações, e no interior do esquema, também o in t er-relac i o n a m e n t o entre os planos responsáveis pela de terminação do sujeito do discursivo (ver f l e c h a s ) .

A idéia de que o sujeito falante é a fonte exclusif va de sentido do seu di scurso não passa de uma ilusão diseur siva que se fundamenta, segundo Pê c heu x (1975) em um duplo esquema de esquecim e nto (devendo-se entender por "esquecimen to" não algo que estava em algum lugar e se perdeu, mas que nunca foi c o n s c i e n t i z a d o ) :

a) esqueci m ent o n 9 1: o Sujeito se constitui pelo esquecimento daquilo que o determina;

mação discur siva que nos domina, a m ane i ra pela qual s e l e ­ cionamos certas palavras, certas expressões, e não outras. Chega-se a uma ilusão referencial: parece que existe c o m p l e ­ ta corre s p on dência entre o que se diz e o referente.

Temos no primeiro caso um apagamento i d e o l õ g i c o ; no segundo, lingüístico. Lagazzi, ao falar sobre o assunto,diz:

f

"0 6ujzZto 6z con6tZtuZ no Zntz n.ion. dz uma {¡oH.maq.ao dZ6cun.6Z- va, ma6 a n.zZação que. zZz Z6ta be.Ze.ce. com Z66a £on.maq.ão d o m i ­ nante e com a¿ outn.a6 ^on.maqroz6 dZ6cun.6Zva6 que. aZ 6 e zntn.zcn.u- zam, a n.zlaç.ão que. zZz z6tabzZz ce. zntn.z a& vãn.Za6 ^on.maçõz6 d Z A c u f u Z v a ò , z pn.opH.ia da hZ6tS H.Za de. cada 6ujzZto e não pn.z-

zxZ6tz a z66z 6ujzZto. Cada kZò_ ton.Za pnoduz um dZ6cun.6o dZ^z- n.zntz. Tn.ata-6z, a66Zm de. uma con6tZtuZção mútua:o 6ujzZto 6z conòtZtuZ no Zntzn.ZoH. dz uma {on.mação dZ6 cun.6 Z v a , ma6 ao mz6_ mo tzmpo con6tZtuZ uma n.zZaçao pn.opn.Za com Z66a onmação dZ6- cun.6Zva, n.zZaç.ão Z66a pzn.mzada pzZa hZ6tón.Za dz66z òujzZto . ”

[LAGAZZI, 1988:25).

3.1 - D is cu rs o/ te xt o

Para consti t uir sua t i p olo g ia Orlandi e s t a b ele ceu a distinção entre texto/discurso. Essa necessidade surgiu do fato de discurso ser um conceito teõrico que não pod e r i a ser delimitado em termos de analise por não existir um discurso mas um estado de um proces so discursivo. Para a analise se tornar operãvel era n ece s sár i o trabalhar com uma u nidad e del.i mitada. 0 discurso foi então considerado como conceito teõr:L co e m et odológico e o texto seu equivalente, sua c o n t r a p a r ­ tida no plano analítico. Então, o objeto da explicação e o

d i s c u r s o , enquanto a unidade de análise ë o t e x t o .

Ao nivel m e tod o lóg i co a AD não é um nível diferente de análise, considerando os níveis fonético, sintático, s e ­ mântico. Pode-se trabalhar com u n ida d es de vários níveis, pa lavras, sentenças, períodos, etc., sob o enfoque do d i s c u r ­ so. Essas unidades, além da e s p e c if i cid a de de seu n í v e l —le­ xical, mo r fológico, sintático, semântico —, tam bém pode m r e ­ ceber dados da per spe c tiv a discursiva.

Ao nível analítico, na p e r s p e c t i v a da AD o texto é visto como uni d a d e de significação, sendo o lugar mais ade quado para se observar o fenômeno da linguagem.

3.2 - Tipo

Segundo Orlandi, toda análise de di scurso pressupõe uma tipologia. Raramente, porem, os analistas explicitam a tipologia que constitui o seu material de análise, do que decorre um d e s c o n h e c i m e n t o da tipologia em análise de discurso, bem como dos di ferentes critérios que instituem as difere ntes tipologias.

Para a autora, t i p o , em AD, tem a m e s m a função cla_s sificatõria, que têm as categorias na análise lingüística. É pr i n cí p io organizador, p ri meiro passo para a possibil idade de se g e n e r a l i z a r e m certas ca ra c terísticas, se agr upa rem cer tas p r o p r i e dades e se d i s t i n g u i r e m classes.

N o rm al me nt e todas as análises de discurso supõem uma tipologia. 0 que significa:

a) que a tipologia é con dição n e c e s s á r i a da análise; b) que o tipo está inserido nas condições de p r o d u ­ ção do d i scurso sob dois aspectos: enq uanto mod e l o e e n q u a n ­ to atividade.

Constrói sua tipologia a partir da definição de t:i po dada por J.-M. M a ra n d i n (1979), que considera tipo enquan to cristalização de funciona m ent o discursivo, como

"uma configuração de traços for malò aòòociados a um efeito de s entido caracterizando a a t i t u ­ de do loc u t o r face a seu dlscur ¿>o e através desse face ao d e s ­ tinat ari o. " (J.-M. MARAWPIW,

1979, apud Orlandi, 1987:131).

Orlandi desloca da d efinição o que se refere a "ati^ tude do locutor face ao d est i natário", por c onsiderar a rela ção de interlocução enquanto i n t e r a ç ã o .

A escolha de critérios constitui ponto fundamental no estabelecimento de uma pr op o s t a tipológica. A tipologia em questão toma como criterio o r e ferente e os part icipantes do discurso — em outros termos, o objeto do discurso e os interlocutores. Conside ro u- se dois pr o cessos na p roduç ão/ ca r acterizaçâo da linguagem, o p a r a f r á s t i c o e o p o l i s s ê m i c o . Estes dois processos vão e s t a b ele c er a tensão básica do d i s ­ curso, tensão entre texto e contexto h i s t ó r i c o - s o c i a l , o que não permite mais conside r ar o dis c urs o como m era transmissão de informação mas, antes, como efeitos de sentido.

A tipologia e s t a b el ec ida por Orlandi distingue tres tipos de d i s c u r s o : lúdico, polêmico, autoritário, e os crite rios adotados de rivam da noção de interação e polissemia. Da interação resulta o criterio que leva em conta o modo c o ­ mo os interlocutores se c o n s i d e r a m e ë dentro desse aspecto

de interação que entra o critêrio da r e v e r si bilid ade que d e ­ termina a dinâmica da interlocução. Depende da r e v e r s i b i l i ­ dade uma maior ou menor troca de papêis entre locutor e alo-

cutãrio no discurso. Sem essa re v e r s i b i l i d a d e a fala não se constitui. A p olissemia de t erm i na a relação dos i n t e r l o c u t o ­ res com o objeto do discurso.

Apresentados os principa i s pontos de vista da autora considerados como fundamentais na formulação da propos ta ,pas^ saremos a descrevê-la.

Discurso l ú d i c o : é aquele em que a reversibilidade entre interlocutores é total, sendo que o objeto do d i s c u r ­ so se m a n t ê m como tal na i n t e r l o c u ç ã o , r esul tan do disso a po lissemia aberta. 0 exagero ê o n on s e n s e .

Discurso p o l ê m i c o : é aquele em que a r e v e r s i b i l i d a ­ de se dã sob certas condições e em que o objeto do discurso esta presente mas sob p ers p ect i vas p art i c u l a r i z a n t e s dadas pelos p a r ticipantes que p r o c u r a m lhe dar uma direção, sendo que a p o l i ss e m i a é controlada. 0 exagero é a injúria.

Discurso a u t o r i t á r i o : é aquele em que a reversibili^ dade tende a zero, estando o objeto do d iscurso oculto pelo dizer, havendo um agente exclusivo do discurso, e a polisse mia ê contida. 0 exagero é a or d e m no sentido militar, isto ê, o a s s u j eitamento ao comando.

Convêm lembrar que estes tipos de discurso devem ser considerados em termos de dominância, conside ran do que não há tipos puros. Suas caracter í sti c as dev em ser pensadas em termos de seu funcionamento dominante.