Table 3 Governance indicators for Ethiopia and other countries
6. Analysis of SEAA
No contexto da cibercultura, surgem os ambientes virtuais de aprendizagem como espaços que podem possibilitar que diferentes pessoas participem, colaborem ou cooperem na perspectiva de um objetivo comum.
A interação entre as pessoas, por meio dos ambientes virtuais, pode favorecer uma relação colaborativa. Kaye (1991, apud BARROS, 1994) afirma que colaborar (co-labore) significa trabalhar junto, que implica o conceito de objetivos compartilhados e uma intenção explícita de somar algo – criar algo novo ou diferente, mediante a colaboração, contrapondo- se a uma simples troca de informação ou passar instruções.
Para que a comunicação colaborativa em rede de fato aconteça, é necessário um ambiente virtual que permita a tomada de decisão em grupo, o diálogo. A educação online e a utilização das plataformas de aprendizagem podem trazer uma forma diferente de se relacionar com o conhecimento conforme as possibilidades de interatividade, compreendida por Silva (2002) como um recurso comunicacional que emerge da sociedade em rede, trazendo consigo a livre expressão, o diálogo e uma nova importância para a linguagem. O autor argumenta que uma comunicação, um equipamento ou uma obra de arte são interativos quando estão imbuídos de uma concepção que contemple complexidade, multiplicidade, não linearidade, bidirecionalidade, potencialidade, permutabilidade (combinatória),
imprevisibilidade, permitindo ao usuário-interlocutor-fruidor a liberdade de participação, de intervenção, de criação.
Autores como Primo (2007), por exemplo, optam por falar em interação mediada por computador. Segundo ele, o termo interatividade está banalizado e tem um enfoque tecnicista e mercadológico. Baseado numa relação sistêmica e num olhar focado na relação entre os interagentes, defende que a interação não pode ser reduzida à transmissão de informações, que a cognição não deve ser reduzida à simples cópia do real. Propõe dois tipos de interação: mútua e reativa.
A interação mútua não é a mera soma de ações individuais, mas “é um constante vir a ser, que se atualiza através de ações de um interagente em relação às dos outros” (PRIMO, 2007, p.228). As interações reativas são marcadas por predeterminações que condicionam as trocas, ou seja, elas se estabelecem de acordo com as condições iniciais. O autor enfatiza que esses dois tipos de interação não se estabelecem de forma exclusiva.
Na educação online, as interações mútuas são fundamentais na produção do conhecimento, “no estabelecimento de um processo problematizador, opondo-se ao modelo que se funda no simples ensino online, baseado em apostilas digitais e testes automatizados de múltipla escolha, ou seja, na interação reativa” (id, p. 231).
Compreendemos que a interatividade tem um grande potencial no processo ensino- aprendizagem e no desenvolvimento dos cursos online. Porém, muitos cursos a distância adotam modelos idênticos aos dos cursos presenciais tradicionais, tanto no formato, quanto na proposta metodológica, desconsiderando as peculiaridades dessa modalidade de ensino.
No intuito de melhor compreender as possibilidades da educação online, do ambiente virtual de aprendizagem e os processos de produção de subjetividade nesse ambiente, faz-se necessária uma reflexão sobre o conceito de virtual. O que é o virtual? O virtual é real? Como o virtual pode potencializar (ou não) a interação entre as pessoas e, consequentemente, a produção do conhecimento? Essas são questões que me instigaram a pensar e tentar compreender o virtual como potência para a comunicação em rede, para a construção do conhecimento e para a formação de professores de cursos online com a utilização das interfaces do AVA.
Atualmente, é muito comum a utilização do termo virtual para designar os ambientes informacionais, a produção digital, o ciberespaço, a Internet. Entretanto, o conceito de virtual é muito mais amplo e vai além das tecnologias digitais.
Lévy (2008, p. 74) define os diferentes sentidos do termo virtual, do mais fraco ao mais forte, conforme mostra o Quadro 1.
DEFINIÇÃO EXEMPLOS Virtual no sentido
comum
Falso, ilusório, irreal, imaginário, possível
Virtual no sentido
filosófico
Existe em potência e não em ato, existe sem estar presente
A árvore na semente (por oposição à atualidade de uma árvore que tenha crescido de fato) / uma palavra na língua (por oposição à atualidade de uma ocorrência de pronúncia ou interpretação) Mundo virtual no sentido da possibilidade de cálculo computacional Universo de possíveis calculáveis a partir de um modelo digital e de entradas fornecidas por um usuário
Conjunto das mensagens que podem ser emitidas respectivamente por: - programas para edição de texto, desenho ou música;
- sistema de hipertexto; - bancos de dados; - sistemas especializados; - simulações interativas, etc. Mundo virtual no
sentido do dispositivo informacional
A mensagem é um espaço de interação por proximidade dentro do qual o explorador pode controlar diretamente um representante de si mesmo
- mapas dinâmicos de dados
apresentando a informação em função do “ponto de vista”, da posição ou do histórico do explorador;
- RPG em rede; - videogames; - simuladores de vôo; - realidades virtuais, etc. Mundo virtual no
sentido tecnológico estrito
Ilusão de interação sensório- motora com um modelo computacional
Uso de óculos estereoscópicos, datagloves para visitas a monumentos reconstituídos, treinamentos em cirurgias, etc
Quadro 1: Os diferentes sentidos do virtual, do mais fraco ao mais forte. (LÉVY, 2008 p.74)
Observamos nesse quadro que o termo “virtual” ganha sentidos diferentes de acordo com a área de conhecimento. Porém, em todas elas, compreende-se o virtual como real. “O atual é o complemento ou o produto, objeto da atualização, mas esta só tem por sujeito o virtual. A atualização pertence ao virtual. A atualização do virtual é a singularidade, enquanto o próprio atual é a individualidade constituída” (DELEUZE; PARNET, 1998, p. 174-175). Mas, como se atualiza o virtual? Pensamos que a produção de subjetividade é o que possibilita esse processo de passagem do virtual para o atual, da potência ao ato.
No trecho final do livro O que é o virtual, (2009), assegura Lévy:
Seres humanos, pessoas daqui e de toda parte, vocês que são arrastados no grande movimento da desterritorialização, vocês que são enxertados no hipercorpo da humanidade e cuja pulsação ecoa as gigantescas pulsações deste hipercorpo, vocês que pensam reunidos e dispersos entre o hipercórtex das nações, vocês que vivem capturados, esquartejados, nesse imenso
acontecimento do mundo que não cessa de voltar a si e de recriar-se, vocês que são jogados vivos no virtual, vocês que são pegos nesse enorme fluxo do ser, sim, no núcleo mesmo desse estranho turbilhão, vocês estão em sua casa. Bem-vindos à nova morada do gênero humano. Bem-vindos aos caminhos do virtual! (LÉVY, 2009, p. 150)
Será mesmo o virtual a nova morada do homem? Pensemos, inicialmente, sobre a origem do termo. Virtual vem do latim medieval virtualis, derivado de virtus, que significa força, potência. Segundo Lévy (2009), na filosofia escolástica, é virtual o que existe em potência, e não em ato. O virtual tende a atualizar-se, sem ter passado, no entanto, à concretização formal. A árvore, por exemplo, está virtualmente presente na semente. Podemos pensar que o virtual é potência em processo de atualização, e que, tanto o virtual, quanto o atual, são reais. O virtual se opõe ao atual, e não ao real, e não substitui o real, mas potencializa, multiplica as possibilidades de atualizá-lo. Portanto, Lévy (1999), baseado em Deleuze, afirma que o virtual não se opõe ao real, mas, ao atual. Nas palavras de Deleuze:
Em tudo isto, o único perigo é confundir o virtual com o possível. Com efeito, o possível opõe-se ao real; o processo do possível é, pois, uma realização. O virtual, ao contrário, não se opõe ao real; ele possui uma plena realidade por si mesmo. Seu processo é a atualização. (DELEUZE, 1988, p. 339)
Lévy (2009, p.16) acrescenta, ainda com base deleuziana, que o virtual “é como o complexo problemático, o nó de tendências ou de forças que acompanha uma situação, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer, e que chama um processo de resolução: a atualização”. O atual, como resolução de uma potência, faz surgir o criativo, a diferença, o novo.
Segundo Lopes (2005), é, talvez, nesse ponto que termine o encontro das concepções de virtual entre Deleuze e Lévy. Na obra deleuziana, o virtual não se refere a uma recognição e não fundaria, em si mesmo, uma realidade a ser (re)conhecida. O virtual existiria como potência, nuvem de intensidades que estaria ao redor do atual (DELEUZE, 1996). Lévy, ao propor o estudo do virtual e dos processos de virtualização, refere-se ao virtual como algo que existe como realidade “reconhecível”, como lugar (mesmo que nunca totalizável), mas que, em um movimento de desterritorialização, passa a existir como dimensão que não ocupa um local definido dentro de um espaço, como lugar (LOPES, 2005).
Lemos, Cardoso e Palácios (2005) dizem que virtualizações e atualizações fazem parte da composição daquilo que chamamos de realidade e que o real pode ser o conjunto de
processos de virtualização e atualização sucessivos, em que os primeiros são dispositivos de questionamento de um determinado estado de coisas, e os segundos, formas de resoluções desses problemas.
Segundo Alliez, no livro Deleuze Filosofia Virtual (1996), a relação do atual com o virtual constitui sempre
[...] um circuito, mas de duas maneiras: ora o atual remete a virtuais como a outras coisas em vastos circuitos, onde o virtual se atualiza, ora o atual remete ao virtual como a seu próprio virtual, nos menores circuitos onde o virtual cristaliza com o atual. O plano de imanência contém a um só tempo a atualização como relação do virtual com outros termos, e mesmo o atual como termo com o qual o virtual se intercambia. Em todos os casos, a relação do atual com o virtual não é a que se pode estabelecer entre dois atuais. Os atuais implicam indivíduos já constituídos, e determinações por pontos ordinários; ao passo que a relação entre o atual e o virtual forma uma individuação em ato ou uma singularização por pontos relevantes a serem determinados em cada caso. (ALLIENZ, 1996, p. 54)
Essa relação entre atual e virtual nos interessa na medida em que, refletindo sobre o ambiente virtual de aprendizagem, podemos pensar que o espaço virtual pode potencializar a força do virtual em processo de atualização. O ciberespaço é um enorme hipertexto planetário, um conjunto de hipertextos interligados entre si, onde podemos adicionar, retirar e modificar partes desse texto vivo (LEMOS, 2008). Portanto, o ciberespaço, como espaço virtual, é real, pois o virtual como real diz respeito ao modo de ser das “coisas” incorpóreas e à produção de signos.
Pelo que foi posto e entendendo o virtual vinculado à tecnologia, ao ciberespaço compreendemos que o virtual, como real, é uma nova morada do gênero humano, conforme declarou Lévy (2009). Porém, pensando o virtual para além das tecnologias digitais, como possibilidade infinita para o pensamento, força, potência, não podemos considerar o virtual como uma nova morada, pois sempre foi a morada do ser humano. Não temos outro mundo, temos o mundo do agora, e o virtus sempre fez parte da vida do homem. No virtual, aprendemos, nos comunicamos, produzimos subjetividade, vivemos. Nesse sentido, o virtual não diz respeito apenas à utilização das tecnologias, mas elas potencializam as discussões sobre a virtualidade e trazem questões importantes para compreendermos a contemporaneidade. Quando falamos em ambiente virtual de aprendizagem, estamos falando de um espaço real, porém diferente da nossa sala de aula convencional, pois o AVA traz outras potencialidades, outras possibilidades para a educação.
Mas, o que significa ambiente virtual de aprendizagem (AVA)? Investigando o significado de AVA na literatura, encontrei cinco diferentes definições: Almeida (2003) define AVA como sistemas computacionais disponíveis na Internet, que integram várias mídias, linguagens e recursos, apresentam informações, promovem interação e socializam produções em qualquer tempo e espaço. Santos (2003, p. 223) afirma que “ambiente virtual é um espaço fecundo de significação, onde seres humanos e objetos técnicos interagem, potencializando, assim, a construção de conhecimentos, logo a aprendizagem”. Para Vavassori e Raabe (2003, p 135), “um ambiente virtual de aprendizagem é um sistema que reúne uma série de recursos e ferramentas, permitindo e potencializando sua utilização em atividades de aprendizagem através da Internet em um curso a distância”. Segundo Pereira (2007, p. 4), “AVAs consistem em mídias que utilizam o ciberespaço para veicular conteúdos e permitir interação entre os atores do processo educativo”, ou seja, Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) consiste em uma opção de mídia que está sendo utilizada para mediar o processo ensino-aprendizagem a distância. Já Valentini e Soares (2005, p. 19) afirmam que o AVA é um espaço social de interações “cognitivo-sociais sobre ou em torno de um objeto de conhecimento: um lugar na Web, cenários onde as pessoas interagem, mediadas pela linguagem da hipermídia, cujos fluxos de comunicação entre os integrantes são possibilitados pela interface gráfica”.
Constatamos que, nas definições de Almeida (2003), Santos (2003) e Valentini e Soares (2005), o ambiente virtual de aprendizagem se refere à interação entre as pessoas, favorecida ou mediada pelos objetos técnicos, dando ênfase à comunicação para a construção do conhecimento. Porém, nas definições de Vavassori e Raabe (2003) e Pereira (2007), o AVA está vinculado à aplicação na Internet. Em minha compreensão, o ambiente virtual é muito mais do que um espaço acessado por meio da Internet. Os ambientes virtuais de aprendizagem não se restringem ao uso das tecnologias da informação e comunicação.
No intuito de ampliar esse conceito e como contribuição da tese, no processo cartográfico, definimos ambiente virtual de aprendizagem como um dispositivo de
produção de subjetividade, que é a combinação do visível, invisível, dizível, do silêncio, das forças, atitudes, relações e linhas, que conectam as pessoas que o habitam e que pode proporcionar afetos alegres e tristes, aumentando ou diminuindo a potência de agir de cada pessoa. Essa definição está alicerçada em leituras de vários autores (DELEUZE, 1988,
2005; DELEUZE e GUATTARI, 2007, 2008, 2009; GUATTARI, 2008, 2009; AXT, 2006, 2008; OLIVEIRA, 2006) e na experiência de atuação na formação de docentes online no contexto da cibercultura e no processo da cartografia das subjetividades em AVA.
Como um dos atributos do ciberespaço, o virtual permite a organização do conhecimento em forma de rizoma31 (DELEUZE; GUATTARI, 2009). Apoiados na concepção de rizoma, podemos pensar, tanto na organização do conhecimento, quanto na própria compreensão do ambiente virtual de aprendizagem, como possível máquina revolucionária ou máquina de guerra, que, na definição de Deleuze (1992, p. 50), trata-se de "um agenciamento linear construído sobre linhas de fuga. Nesse sentido, a máquina de guerra não tem, de forma alguma, a guerra como objeto; tem como objeto um espaço muito especial, espaço liso, que ela compõe, ocupa e propaga”.
O professor disse no fórum “Novos amigos chegam em nossa casa32” do Espaço Dialógico
(FD160310)33 Estou me sentindo muito desafiado neste curso. Trabalhar na educação é sempre um desafio muito grande e, no caso da formação de professores, o "friozinho na barriga" é ainda maior. [...]estou aqui para partilhar conhecimentos, experiências e dúvidas. Creio que podemos crescer muito ao participar de um espaço como este. [...] Defendo que os formadores possam participar desses ambientes de formação constantemente. Sozinho me sinto desconfortável. Prefiro ter com quem compartilhar dúvidas, descobertas, ideias, informações corriqueiras etc., Esse enunciado indica a força do trabalho coletivo, colaborativo, rizomático no espaço virtual e que pode, em algum momento, encontrar linhas de fuga, superar as instâncias de poder presentes no AVA e favorecer a potencial máquina de guerra.
Em outro momento da pesquisa de campo, inseri no ED, no fórum “Conversando sobre EaD”, a mensagem a seguir com o objetivo de provocar reflexão e discussão entre os professores-parceiros34. O e-mail incorporado à mensagem foi enviado por um aluno do curso
31 Rizoma é um termo da biologia, mais especificamente da botânica, é uma ramificação própria de algumas plantas que pode brotar de qualquer ponto da planta e pode funcionar como raiz, talo ou ramo, independentemente de sua localização na planta. Deleuze e Guattari (2009) utilizam a imagem do rizoma em oposição à forma segmentada de se conceber a realidade e o conhecimento - imagem arborescente. Para facilitar a compreensão do leitor, ainda nesta seção serão detalhados os princípios do rizoma.
32 O Espaço Dialógico foi criado no Moodle/UFBA e, inicialmente, era um espaço virtual sem propostas de discussão ou configurações definidas a priori. A partir da demanda da prática da EaD no curso “Mídias na Educação” (curso em que os professores-parceiros atuavam), os professores foram inserindo fóruns de discussão, wikis, chats e outras interfaces, compartilhado material multimídia para leitura (texto, vídeos, imagens) e produzindo o ED, formando-se com o outro. O fórum ”Novos amigos chegam em nossa casa” foi criado para a apresentação dos professores, já que, mesmo trabalhando no curso “Mídias na Educação”, nem todos se conheciam.
33 São utilizadas as abreviaturas RP, FD, CH, DC, EM, EN, para nos referirmos às falas retiradas das reuniões presenciais (RP), dos fóruns de discussão (FD), chat (CH), diário de campo (DC) no Espaço Dialógico, dos e-mails (EM) enviados pelos professores e das entrevistas individuais (EN), respectivamente. A sequência dos números que seguem a abreviatura indica a data em que ocorreu a mensagem, por exemplo, (RP150709) foi retirado da reunião presencial do dia 15 de julho de 2009. No intuito de facilitar a leitura, as falas dos professores estão em azul.
34 Os professores-parceiros são os professores do Curso a Distância “Mídias na Educação”, que foram sujeitos da pesquisa. No capítulo 3, descrevemos, detalhadamente, os parceiros da pesquisa.
“Mídias na Educação” para os seus colegas e tutor e, posteriormente, foi encaminhado para o meu e-mail por um professor-parceiro.
(FD091209)35 Pessoal, Recebi hoje cedo no meu e-mail uma mensagem de uma aluna do curso Mídias na Educação. Acho que o que a professora coloca é muito significativo para podermos pensar a EaD. Somos professores-tutores-formadores comprometidos com a qualidade da educação e, por isso, é importante ouvirmos o outro. O outro aluno,
professor, cursista, colega, eu... Mensagem da professora: "Colegas e tutora,
Preocupada com a qualidade de um curso a distância que bem sabemos fica à desejar, gostaria de saber o motivo de total falta de interação deste módulo avançado nas atividades. Se realmente a metodologia é assim eu peço desculpas. Recebi um e-mail que depois de dezembro só haverá interação em fevereiro, estou sentindo um certo distânciamento já algum tempo. Concordam comigo ou é assim mesmo."
Acho que temos muito o que conversar sobre essa mensagem, não acham? Qual a imagem que os cursistas têm da EaD? qual a nossa postura frente aos desafios postos? O que estamos fazendo para melhorar a nossa prática na EaD? abraço, Elmara
Após a socialização da mensagem no ED, houve um longo silêncio; nenhuma mensagem foi enviada pelos professores para aquele tópico do fórum. Cinco meses se passaram até que uma professora-parceira, que, na ocasião, já havia se desligado do curso “Mídias na Educação”, fez alguns questionamentos naquele fórum de discussão:
(FD200510) Estive distanciada deste espaço por motivos de estudo e pesquisa, mas como casa que tem o dialogo como fundante aqui estou para trocar saberes. Lendo a mensagem da professora não pude deixar de lembrar dos anseios e expectativas enquanto tutora que fui neste curso Midias na educação. Um dos anseios, escutar o aluno a partir da consciencia e amplitude do meu papel diante do cursista e da coordenação. Afinal, qual a concepção de tutoria que permeia nosso fazer nesta proposta de curso? Uma tutoria pro-ativa ou reativa?? afinal nosso papel (enquanto tutor) é primordial para a realização e efetividade da educação online, não é verdade?.
Essa mensagem criou, mais uma vez, certo desconforto, pois ficou evidenciada a ausência de discussão sobre o papel do tutor no curso e a ausência de formação dos
35 Todas as “falas” dos professores-parceiros, tanto no Espaço Dialógico quanto nos e-mails, foram transcritas literalmente. Portanto, as possíveis incorreções (erros gráficos) ou incoerências (erros lógicos) nos enunciados dos professores foram mantidas, conforme orientação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), NBR 10520/2002.
professores para atuar em cursos online. A mensagem da professora foi a única no tópico de discussão “Conversando sobre EaD” no fórum “Educação a distância: construindo novos caminhos”.
A minha intenção neste estudo não é fazer a análise das pessoas, mas interpretar os acontecimentos no Espaço Dialógico, entendido, nessa tese, como um conjunto de pequenos eventos que configuram algo mais ou menos territorializado, encontro entre pessoas produzindo fluxos, relações. Os acontecimentos são singulares e não previsíveis, como na lógica baseada na identidade, na qual tudo está definido. Esses eventos (a mensagem da aluna, o encaminhamento da mensagem pela pesquisadora-viajante para o ED, a mensagem da professora no fórum, o silêncio) poderiam ter se configurado com uma linha de fuga, ou seja, poderiam ter agenciado o desejo de outros professores para discutir o papel do tutor na EaD e, quiçá, transformado algumas práticas reativas de tutoria. Porém, nesse caso, a discussão proposta no espaço coletivo também poderia expor as fragilidades da formação dos docentes online, do curso e da própria EaD. Não podemos afirmar que os professores não foram agenciados com esse acontecimento, pois oito acessaram o fórum36; porém não se