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Effectifs et structure des populations de Madagascar et Vakinankaratra à l’horizon 2050

3. Autres éléments pour appréhender le futur

3.1. Effectifs et structure des populations de Madagascar et Vakinankaratra à l’horizon 2050

O fim abrupto da URSS acarretou sua divisão em 15 Estados independentes. Destes, muitos passaram integrar a Comunidade de Estados Independentes (CEI)66, um arranjo institucional destinado a manter os laços entre as ex-repúblicas soviéticas. Nas palavras de Lenina Pomeranz (2009a), o processo de transição foi traumático, com forte impacto não apenas na economia, mas também na idade média da população, em particular a masculina. Houve redução geral do nível da atividade econômica: entre 1989 e 1998, a Rússia perdeu 45% de seu PIB (POPOV, 2006, apud MEDEIROS, 2011). Além de atingir o poder de compra da população, a “recessão transformacional” (POPOV, 2009, apud SCHUTTE, 2011) da economia russa significou a contração de investimentos em agricultura, indústria de bens de consumo e no complexo industrial-militar. No que se refere a este último, a redução das compras governamentais representou um grande revés para a indústria de defesa nacional, que tinha no governo seu principal cliente (como o é ainda hoje!). Para Popov (2009), “a redução do nível geral das despesas governamentais levou não somente ao declínio no financiamento da defesa, investimento e subsídios, mas também ao enxugamento (downsizing) do governo como um todo, o que solapou as capacidades institucionais do Estado.

Frente a esse cenário de desmantelamento do Estado, a resposta do governo de Boris Yeltsin foi de proceder a reformas econômicas radicais centradas em liberalização dos preços, desregulamentação econômica e privatização. O resultado disso foi uma forte contração dos setores não ligados à exportação e a criação de uma nova classe dominante, a dos oligarcas. O surgimento destes últimos está diretamente associado às ondas de privatizações que ocorrem durante o governo Yeltsin.

Na primeira fase de privatizações, que se estendeu de 1992 a 1994, houve a combinação de duas modalidades: a venda de ações para administradores e empregados das empresas e a privatização em massa. A venda de ações se deu pela distribuição de vouchers à população, que poderiam ser transacionados na economia (como meio de pagamento por ações de empresas, por meio de leilões, ou investidos em fundos de investimento, ou, ainda,

66 A Comunidade dos Estados Independentes é uma organização intergovernamental, criada em 1991, e formada

por 11 das 15 ex-repúblicas que integravam a União Soviética, quais sejam: Armênia, Azerbaijão, Bielorússia, Cazaquistão, Quirguistão, Moldávia, Rússia, Tajiquistão, Turcomenistão, Ucrânia e Uzbequistão. A Geórgia chegou a integrar o bloco entre 1993 e 2009, tendo sua saída motivada pela guerra em 2008.

livremente vendidos). Essa política levou à concentração dos vouchers em mãos dos dirigentes das grandes corporações estatais, os quais serão também conhecidos como a Nomenklatura, grupo de apoio e sustentação política de Yeltsin. (MENDRAS, 2012) (HARE; MURAVYEV, 2003 apud SEGRILLO, 2011) (MEDEIROS, 2011).

Na segunda onda de privatizações, os dirigentes estatais, aliados ao capital financeiro privado, passaram a lucrar com as operações de financiamento da dívida do Estado russo, por meio de empréstimos externos garantidos pelas grandes empresas estatais russas. Como consequência disso, formaram-se grandes conglomerados nos setores de construção civil, extração mineral e mídia, todos controlados pelos bancos (MEDEIROS, 2011).

A forte onda de privatizações resultou no que Goldman chamou de uma das “maiores transferências de riqueza já vistas” (BANCO MUNDIAL, 2003-2004, p. 23), que resultou no surgimento da classe dos oligarcas. Na opinião de Appel (1997), “muito da suspeita de que o processo de privatização foi desenhado para enriquecer um pequeno grupo de pessoas foi confirmado na segunda fase” (APPEL, 1997, apud SEGRILLO, 2011, p. 196). As privatizações tiveram outra consequência deletéria para a Rússia: ao entregar o patrimônio do Estado a uma classe de rentistas, a economia tornou-se refém de empresários pouco interessados em investir em setores produtivos. Esse será um dos problemas enfrentados por Putin na sua estratégia de reorganização do Estado

Concomitantemente ao processo de privatizações, o governo Yeltsin foi também obrigado a recorrer aos bancos para financiar seus gastos, em vista da baixa capacidade arrecadatória do erário russo. Os bancos abertos pelos novos ricos eram convidados a emprestar dinheiro ao governo. Como contrapartida, o Estado daria ações de empresas petrolíferas que não tinham sido privatizadas. A falta de pagamento dos empréstimos seria saldada com a venda das ações dessas companhias, o que inevitavelmente ocorreu (SCHUTTE, 2011). Esses acontecimentos estão por trás da ascensão de magnatas, tais como Mikhail Khodorkovsky, cuja força econômica levou a desafiar o poder de Vladimir Putin. Essa questão será abordada mais adiante, quando analisada a estratégia de reforço do poder do Presidente.

Esses acontecimentos demonstram que as elites dirigentes (administrativas, econômicas, locais e nacionais) sobreviveram ao colapso da ordem institucionalizada e guardaram seu lugar no aparelho de Estado. Ao longo dos anos 1990, a fraqueza do Estado central e do poder político de Yeltsin não pôs em perigo as administrações locais, mas lhes

permitiu, ao contrário, se consolidarem, ao se adaptarem à economia de mercado (MENDRAS, 2003, p. 11). Esses fatos terão consequência para o período posterior, em que há um reforço do Estado, no governo de Vladimir Putin, e a tentativa de manter sob controle as elites dirigentes locais.

Cabe, ainda, mencionar as dificuldades econômicas do final da década de 1990, que repercutiram na arena política e foram responsáveis pela crise no seio da cúpula do governo, a qual foi o pano de fundo para a ascensão de Vladimir Putin ao poder, em fins de 1999.

Em 1998, o preço do petróleo atingiu seu ponto mais baixo (em termos reais) desde o choque de 1973. Nesse ano, a Rússia sofreu uma crise de balanço de pagamentos, que culminou na declaração de moratória sobre a dívida pública e na forte desvalorização do rublo (que perdeu dois terços de seu valor em um período de cinco meses). Em março de 1999, as reservas internacionais caíram para um patamar de US$ 10,8 bi, valor insuficiente para custear dois meses de importações do País (SEGRILLO, 2011). O PIB per capita encolheu para 71% do que era em 1992 e o ambiente político entrou em ebulição, com o presidente Boris Yeltsin trocando três vezes de primeiro-ministro até sua saída, em dezembro de 1999 (SCHUTTE, 2011).

Após a desvalorização da moeda, a economia russa se recuperou de forma relativamente rápida. O PIB per capita aumentou 18% em apenas dois anos (1999-2000), e a balança comercial, que chegara a ficar quase equilibrada no primeiro semestre de 1998, voltou a apresentar expressivos superávits – US$ 36,2 bilhões em 1999 e US$ 60,7 bilhões em 2000 (SEGRILLO, 2011). Por outro lado, a forte desvalorização cambial teve desdobramentos positivos, como um grande processo de substituição de importações, o qual foi fundamental para a recuperação da economia russa no período subsequente.

Um dos fatores que mais contribuíram para a recuperação da economia russa foi o aumento dos preços do petróleo, principal produto de exportação do País. Após acordos de preços firmados pela Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP), o preço do produto teve uma valorização quase ininterrupta até 2008, quando sofreu impacto da crise financeira internacional. O aumento do valor das exportações russas teve reflexos diretos no incremento das reservas internacionais do país, que chegaram a US$ 598 bilhões em 2008 (SEGRILLO, 2011).

Quanto à política externa do período, esta esteve engajada nos esforços de reforma interna e na tentativa da Rússia de se aproximar do Ocidente, por via da integração a suas

instituições. Em certa medida, pode-se afirmar que a Federação russa ensaiou uma inserção internacional muito similar à chamada “autonomia pela participação” (VIGEVANI, CEPALUNI, 2007) do governo brasileiro na mesma época. A Rússia desejava uma relação mais próxima do Ocidente, e esperava, com isso, receber dividendos da participação nos organismos capitaneados pelo Ocidente. Contudo, o País logo veria suas expectativas frustradas, em vista da recalcitrância do Ocidente em se relacionar com a Rússia. Dentre as prioridades do governo russo, na época, estavam a inclusão no Conselho da Europa67, no G7, na Organização Mundial do Comércio (OMC), na Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE), e a reforma da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) (LUKYANOV, 2010). A maior abertura da Rússia ao Ocidente, de maneira a contrastar com o período comunista e se mostrar disposta a alterar seu perfil de inserção, logo se transformou em frustração, ante às dificuldades e incertezas dos EUA e da UE no trato com a Rússia. Esse sentimento será ainda mais forte no segundo mandato de Putin, quando a Rússia passa a incorporar o discurso de defesa da multipolaridade, contestando abertamente a política estadunidense.

De modo geral, pode-se afirmar que a política externa russa, nos anos 1990, caracterizou-se por perfil tímido nas mais diversas instâncias internacionais. O desmantelamento do bloco soviético, somado à deterioração da política doméstica e à crise econômica interna tiveram como consequência o encolhimento do poder russo e o retraimento de sua ação externa. Nesse sentido, a Rússia concentrou seus esforços nas reformas internas e buscou dar atenção a sua esfera de influência mais direta, a Comunidade dos Estados Independentes (CEI) (DONALDSON, NOGEE, 2005). O movimento na direção de uma abertura para as demais regiões, como a América Latina, só será esboçado na década seguinte, momento em que o Estado russo terá mais condições e capacidades para se lançar em uma política externa mais arrojada.