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Chapitre 5 : Utilisabilité d’X-Torp Version 1

1 Introduction

2.5 Données analysées

Tem o causo do candidat o que prom eteu realizar coisas durant e a cam panha e foi cobrado pelo capiau eleit or. Foi assim : cont a-se que depois de uns dois anos de eleit o, aquele governador se encont ra, nas escadarias do Palácio, com um capiau. Est e, sem reconhecer o dito cuj o, lhe pergunta:

CAPI AU Ó m oço! Me faz um favô? É aqui que a gent e cum bérça com o sinhô governadô? É aqui que ele m ora?

GOVERNADOR É sim , m eu bom roceiro. Mas posso saber o que o senhor quer falar com o nosso governador?

CAPI AU Craro que o sinhô pode. Pois eu vim aqui na casa dele pram ode falá um as verdade.

GOVERNADOR ( curioso e brincalhão) E posso saber que verdades são essas?

CAPI AU Pode sim , ué. Pois eu falo sem pre às craras. Nu sô cum o esses polít ico sem vergonha e inroladô que t em por aí, não. Esses sim são uns safados, m int iroso, que gost a de im brom á os inleit ô. Nas cam panha pra m ode ganhá os vot o da gent e, eles prom ete t udo. Despois que são inleit o, se isqueci do que falô e fica t udo nu bem bão, só tom ando bebida cara e com endo dus m ió.

GOVERNADOR ( m ais curioso ainda) E o senhor veio falar com o governador sobre o quê? Algum a prom essa que ele fez na cam panha e não cum priu?

CAPI AU Pois o sinhô acert ô na m osca. O sinhô im agina que eu m oro na cidade de Pau Furado há um punhado de légua daqui. Quando esse am ardiçoado t eve lá nus com ício lá dele, disse e redisse que ia fazê um punhadão de coisa boa pra gent e... de m elhoria na cidade... e t udo o m ais. E agora j á passado dois anos o pest elent o nunca m ais apareceu e fica só se gabando nas t elevesão aí. I nda ôt ro dia eu pude vê o m izerávi no program a do Gugu. Falô e falô e num disse nada que preste. Lá na m inha rua, adonde eu m oro, na cidade de Pau Furado, t em um córgo (córrego) que passa no m eio. E lá t em um a pinguela (pequena passagem de paus) t oda podre. Pois int ão. Quando esse t ar parasit a do inferno... esse t ar que diz que guverna m as na verdade ele t á é m am ando nas t êt a da gent e... quando ele t eve lá nus com ício de cam panha, prom et eu const ruí ali, no lugá da pinguela, um a pont e bunit a, pro pessoá t ravessá im segurança... principalm ent e as criança.

GOVERNADOR ( cara de pau) E ele não realizou a benfeitoria prom etida? CAPI AU Que nada, sêo m oço. A pinguela continua lá.

GOVERNADOR O que é que o senhor vai falar com ele? Com o o senhor irá se dirigir ao nosso governador?

CAPI AU ( cuspindo fogo) Se ele falá que num vai fazê a t ar pont e, eu vô m andá ele pros quint o dus inferno com a polit icage dele. Vô xingá a fam ía dele int êra, de t udo quant o é nom e.

O sim pát ico governador dá um a risadinha e se despede do caipira para com eçar o seu dia de trabalho, que coincident em ente naquela hora era para at ender reivindicações do povo. E, para com eçar o seu dia com hum or, m anda que seu secret ário int roduza em seu gabinete aquele capiau reclam ante enfurecido.

Ao ent rar, e reconhecer o governador, o nosso cum padi sim ples da roça leva um susto, m as se recom põe diante da prim eira pergunta do político.

GOVERNADOR Pois bem , vam os lá. Qual é a reclam ação, roceiro?

CAPI AU (rodando o chapéu na m ão, cabeça baixa, sem j eit o e quase gaguejando) Eu vim ... aqui... pru que o sinhô falô prá nóis que ia fazê um a pont e onde t em a pinguela e inté hoj e num fez. Eu vim cobrá a prom essa.

77 GOVERNADOR ( fingindo aspereza) Olha aqui, m eu am igo: o governo t em coisas m uit o m ais im port ant es a fazer do que ficar envolvido com coisinhas com o é o caso dessa pinguela aí. Não vou fazer ponte nenhum a, E daí? O que é que há?

CAPI AU (ainda gaguej ando, arrem at a) Que que há? O que que há é que a coisa é daquele j eito que nóis dois cum berçam o lá fora, m êm o, uai... Tá bão?

E sai pisando duro, rum o ao m unicípio de Pau Furado.

OLHAR SEMI ÓTI CO

O ( não) pagador de prom essas

O título, iniciado por artigo definido, apont a o sentido de um fat o conhecido, possível de ser realizado; ent ret ant o, porque seguido de um advérbio de negação, entre parênteses, inst ala a dúvida e o sentido de descontinuidade: a ação pode ou não acontecer com regularidade. A dúvida é, nas narrativas, um elem ento m anipulador, porque cria curiosidade ou dialét ica. O enunciador se coloca com o conhecedor de fat os que podem indicar um ou vários protótipos, conhecidos do auditório com o indica o art igo.

Tem o causo do candidat o que prom eteu realizar coisas durant e a cam panha e foi cobrado pelo capiau eleit or. Foi assim : cont a-se que depois de uns dois anos de eleit o, aquele governador se encont ra, nas escadarias do Palácio, com um capiau. Est e, sem reconhecer o dito cuj o, lhe pergunta:

O cont ador apresenta- se com o colecionador, porque a expressão

Tem um causo indica a escolha de um causo de seu vast o repertório, pela

inst alação de dois at ores protot ípicos: eleitor e candidato, figuras que dinam izam a tram a: o capiau fala no t em po pós-eleições e represent a a voz do espaço sem iót ico da sim plicidade interiorana; o governador fala no t em po do exercício do m andat o e no espaço sem iót ico em que sua voz é o poder.

Seu discurso pode ser considerado a expressão dos sint agm as que com põem , de form a particular, os significados do paradigm a cont ido no cont eúdo sem ântico do term o promessa. Os dois atores colocam - se polarizados não apenas com o prom itente e beneficiário, m as t am bém com o int eriorano/ eleitor e cit adino/ governador, dados que form am os sint agm as do paradigm a da prom essa.

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Sint agm a é o produto da com binação de elem entos hom ogêneos e solidários, paradigm a, o conj unt o de sint agm as que, apesar de heterogêneos, podem se substituir uns aos outros no m esm o cont exto sem ântico. Nest e causo, o paradigm a é a prom essa, seus sint agm as, o prom it ent e ( candidato, governador e cit adino) e o beneficiário ( eleitor, capiau e interiorano) .

No sintagm a do at or capiau, acrescent a- se com o característica a linguagem popular o discurso m arcado pela inadequação gram at ical e ort ográfica ( em relação à norm a culta) , a princípio polido em sua sim ploriedade, depois, pleno de xingam ent os, furor verbal e, finalm ente, estupefat o em sua gagueira, m as decisivo na m anifestação de seu pensam ent o. Tais m anifestações são próprias do papel tem ático de ator no espaço da inferioridade e no tem po da subordinação a um poder superior. A inferioridade espacial e t em poral conot a valor m enor, caract erizando o at or com o um a figura em plano periférico, exercendo o papel de inferior ou m enos significativo em face do paradigm a m aior do poder.

No sintagm a do governador destaca- se a linguagem coloquial, m as dent ro da norm a culta, dist endida, espontânea, irônica, curiosa, bem - hum orada e determ inada. Tais m anifestações são t ípicas do papel tem ático de at or que se reconhece no espaço e tem po da superioridade e autoridade, logo, revestindo- se da figuratividade que aponta o plano global, de quem det ém o poder sem a obrigação de cum prir prom essas.

O olhar sem iót ico/ fenom enológico evidencia, na análise lingüístico- sem ântica da passagem da estrutura local para a global, o percurso estrutural dos act ant es e as m odalizações discursivas que descrevem com o esses actant es exercem seus program as narrativos, desvelando sua condição de suj eit o e sua com petência para realizar ou não as t ransform ações.

CAPI AU Ó m oço! Me faz um favô? É aqui que a gent e cum bérça com o sinhô governadô? É aqui que ele m ora?

GOVERNADOR É sim , m eu bom roceiro. Mas posso saber o que o senhor quer falar com o nosso governador?

79 CAPI AU Craro que o sinhô pode. Pois eu vim aqui na casa dele pra m ode falá um as verdade.

GOVERNADOR ( curioso e brincalhão) E posso saber que verdades são essas?

CAPI AU Pode sim , ué. Pois eu falo sem pre às craras. Nu sô cum o esses polít ico sem vergonha e inroladô que t em por aí, não. Esses sim são uns safados, m int iroso, que gost a de im brom á os inleit ô. Nas cam panha pra m ode ganhá os vot o da gent e, eles prom ete t udo. Despois que são inleit o, se isqueci do que falô e fica t udo nu bem bão, só tom ando bebida cara e com endo dus m ió.

GOVERNADOR ( m ais curioso ainda) E o senhor veio falar com o governador sobre o quê? Algum a prom essa que ele fez na cam panha e não cum priu?

CAPI AU Pois o sinhô acert ô na m osca. O sinhô im agina que eu m oro na cidade de Pau Furado há um punhado de légua daqui. Quando esse am ardiçoado t eve lá nus com ício lá dele, disse e redisse que ia fazê um punhadão de coisa boa pra gent e... de m elhoria na cidade... e t udo o m ais. E agora j á passado dois anos o pest elent o nunca m ais apareceu e fica só se gabando nas t elevesão aí. I nda ôt ro dia eu pude vê o m izerávi no program a do Gugu. Falô e falô e num disse nada que preste. Lá na m inha rua, adonde eu m oro, na cidade de Pau Furado, t em um córgo (córrego) que passa no m eio. E lá t em um a pinguela (pequena passagem de paus) t oda podre. Pois int ão. Quando esse t ar parasit a do inferno... esse t ar que diz que guverna m as na verdade ele t á é m am ando nas t êt a da gent e... quando ele t eve lá nus com ício de cam panha, prom et eu const ruí ali, no lugá da pinguela, um a pont e bunit a, pro pessoá t ravessá im segurança... principalm ent e as criança.

O papel t em át ico do capiau é de reivindicador, em nom e de seu povoado, da prom essa do político e para isso m ostra com pet ência m odalizada por um querer, saber e poder interpelar o outro sobre a consciência de que a prom essa constit ui um contrato, cuj o não cum prim ent o cria estado t ensional, disfórico. O papel tem ático do governador é de alienado dos problem as do povo e sua com petência diz respeit o a um poder e saber sobrepor-se a problem as ou contrat os t ransform ando- os em ridículos e criando um a dist ância que lhe acentue o

status de poderoso.

Para Bert rand (2003) , a seqüência da m icronarrativa com post a de sint agm as form a a estrutura t em át ica local, cuj o desenvolvim ent o dem onst ra a existência de um paradigm a, estrutura global, que orient a as recorrências isot ópicas dos sintagm as em todo o discurso narrativo. Assim , na estrut ura global do plano de base, o povo de Pau Furado quer entrar em conj unção com um a ponte. Por isso, é necessário um program a de uso, no qual um a supost a Secret aria de Obras do Estado entre em conj unção com um a ordem assinada pelo governador, im plicando out ro program a de uso, o governador ent rar em conj unção com tal vontade polít ica.

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Não sendo realizado esse últim o program a de uso, m anifest a- se claram ent e o não cum prim ent o da prom essa, o que m arca disforicam ent e a configuração da autoridade política, no discurso e no im aginário do suj eito coletivo, represent ante de sua cidade. Entret anto, o não- cum prim ent o m arca euforicam ente a reação do governador que, transform ando a prom essa em um dado côm ico, t ira- lhe a significação ou peso político. A possibilidade da divergência das reações deriva de um a sit uação de cont rat o.

A sem iót ica reconhece dois t ipos de cont rat o, com o expõem Greim as & Court és ( 1979: 85) , ent endidos de m odo part icular.

O cont rat o será cham ado unilateral, quando um dos suj eit os em ite um a "propost a" e o out ro assum e um "com prom isso" em relação a ela; será

bilateral ou recíproco quando as "propostas" e os "com prom issos" se

cruzam . [ ...] a "propost a" pode ser int erpret ada com o o querer do sujeit o S1 que o sujeit o S2 faça ( ou seja) algum a coisa; o "com prom isso", por seu lado, nada m ais é do que o querer ou dever de S2 assum indo o fazer sugerido ( grifos do autor) .

O suj eito governador fez no com ício em Pau Furado, ant es das eleições, um a proposta expondo seu "querer", proposta que foi aceita e assum ida pelos eleitores, os quais se com prom eteram a "querer" e "dever" votar nele. Cum priram o com prom isso, sem um a recíproca. Sent iram - se lisonj eados com a proposta do político, m as não se reconheceram com petentes de pedir o com prom isso de fazer a ponte, bast ou- lhes a palavra do candidat o.

O riso do governador é, pois, o riso do escárnio diante da estreit eza de raciocínio do povo que, após dois anos, m anda um representant e cobrar a prom essa sem out ra arm a senão a palavra de um sim plório.

GOVERNADOR ( cara de pau) E ele não realizou a benfeitoria prom etida? CAPI AU Que nada, sêo m oço. A pinguela continua lá.

GOVERNADOR O que é que o senhor vai falar com ele? Com o o senhor irá se dirigir ao nosso governador?

CAPI AU ( cuspindo fogo) Se ele falá que num vai fazê a t ar pont e, eu vô m andá ele pros quint o dus inferno com a polit icage dele. Vô xingá a fam ía dele int êra, de t udo quant o é nom e.

Para at ualizar o paradigm a do cum prim ento da prom essa, instala- se um novo program a de uso: o capiau deve persuadir o governador a

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t ransform ar o cont rat o unilat eral em bilat eral e assum ir o com prom isso de execut á-lo, m andando const ruir a ponte e inst aurando o princípio j usto da "t roca". Com ent am Greim as & Court és ( ibid.: 85) :

O cont rat o aparece à prim eira vist a, nesse caso, com o um a troca diferida, sendo a dist ancia que separa sua conclusão de sua execução preenchida por um a t ensão que é ao m esm o t em po um a espécie de crédit o e de débito, de confiança e de obrigação ( negrito do autor).

A espera de dois anos para a construção da ponte corresponde à confiança no governador e ao débito que lhe foi estim ado. O povo pode ser qualificado com o cordato, paciente e confiante na vontade política e a indignação do capiau, nesse m om ento é j ust ificada e, sobret udo, pacífica, porque se m anifesta som ente por palavras, em bora, em sua m aioria, xingam ent os.

Com o não há t roca de valores, o governador não é int erlocut or do cont eúdo do discurso do capiau; não lhe responde, não partilha o cont eúdo a não ser para fazê- lo falar m ais e para saber suas int enções. Não quer conhecer suas reivindicações, apenas sua potencialidade ofensiva e preparar, se necessário, a defesa. Ent re parênt eses indicações pontuam posição de defesa e denunciam a consciência de sua superioridade e poder: curioso, brincalhão. Cara de pau. Fingindo

aspereza.

Com plem ent am Greim as & Court és:

Mas se se olha m ais de pert o, percebe- se que um a sim ples operação de t roca de dois obj et os- valor não é apenas um a at ividade pragm át ica, m as se sit ua, no essencial, na dim ensão cognit iva: para que a t roca possa efet uar-se, é preciso que as duas part es sejam asseguradas do "valor" do obj et o a ser recebido em cont rapart ida, por out ras palavras, que um cont rat o fiduciário ( m uit as vezes precedido de um fazer persuasivo e de um fazer int erpret at ivo dos dois sujeit os) seja est abelecido previam ent e à operação pragm ática dita.

O exam e da dim ensão cognit iva im plicada na troca é im portante para se reconhecer o perfil ou o papel tem át ico do capiau e seus concidadãos, pois essa dim ensão sustenta o contrat o fiduciário. No caso da pont e, a fidúcia, ou confiança, result a de experiências da vida cot idiana suficientem ent e persuasivas para levar a cidade a crer na necessidade de sua const rução, experiências que, não sendo vividas pelo governador, não

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o sensibilizaram para interpretar sua im port ância e a determ inar a construção. A pont e não tem o m esm o valor para a cidade e o governador, vist o que são suj eit os com perspectivas, anseios e prát icas diferentes, em bora o papel tem ático do político sej a contem plar e int erpret ar tais práticas, posto que é eleito para representar o povo na inst ância do governo.

Pergunt a- se: de que espaço discursivo fala o enunciador? A que t em po se report a?

O sim pát ico governador dá um a risadinha e se despede do caipira para com eçar o seu dia de t rabalho, que coincident em ent e naquela hora era para at ender reivindicações do povo. E, para com eçar o seu dia com hum or, m anda que seu secret ário int roduza em seu gabinete aquele capiau reclam ante enfurecido.

Ao ent rar, e reconhecer o governador, o nosso cum padi sim ples da roça leva um susto, m as se recom põe diante da prim eira pergunta do político.

GOVERNADOR Pois bem , vam os lá. Qual é a reclam ação, roceiro?

CAPI AU (rodando o chapéu na m ão, cabeça baixa, sem j eit o e quase gaguejando) Eu vim ... aqui... pru que o sinhô falô prá nóis que ia fazê um a pont e onde t em a pinguela e inté hoj e num fez. Eu vim cobrá a prom essa.

GOVERNADOR ( fingindo aspereza) Olha aqui, m eu am igo: o governo t em coisas m uit o m ais im port ant es a fazer do que ficar envolvido com coisinhas com o é o caso dessa pinguela aí. Não vou fazer ponte nenhum a, E daí? O que é que há?

CAPI AU (ainda gaguej ando, arrem at a) Que que há? O que que há é que a coisa é daquele j eito que nóis dois cum berçam o lá fora, m êm o, uai... Tá bão?

E sai pisando duro, rum o ao m unicípio de Pau Furado.

As expressões entre parênt eses e as que m ostram ironia no t ext o ( o

simpático governador dá uma risadinha, ... começar o seu dia com humor)

const it uem em breagem enunciativa: quem fala no turno do capiau não é m ais este, m as o enunciador que, situado no espaço da crítica social, reveste- se da figura do capiau para dizer o que acredit a deva ser dito, confirm ando a inclinação dos enunciadores de causos para a defesa dos m enos favorecidos.

O enunciador cria atores com papéis tem áticos bem definidos. O capiau representa o cidadão em conj unção com o obj eto- valor consciência de sua responsabilidade para cobrar do hom em publico seu dever fazer obras para o bem - estar da com unidade. O governador, ao cont rário, est á em disj unção com essa responsabilidade e em conj unção com um poder-

83 ser poderoso e servir a seus int eresses pessoais, ent re os quais divert ir- se

à cust a do poder, com o dest aca o t ext o.

No exercício desses papéis há outras diferenças: o governador usa sua espert eza para ouvir o capiau e definir sua posição na espera fiduciária. O capiau, ingênuo, fala ao governador ant ecipando o result ado insat isfat ório dessa espera.

Há program as narrat ivos e obj etos- valor diversificados, com o tam bém m odalidades de m anipulação diferenciadas, porém , focalizando um m esm o aspect o disfórico. O Capiau usa a int im idação: se ele falá que

num vai fazê a tar pont e, eu vô m andá ele pros quinto dus inferno... vô xingá a fam ia dele entera de t udo quanto é nom e. O governador usa a

provocação: Não vou fazer ponte nenhum a. E daí O que é que há

A realização da am eaça do Capiau situa- se no plano verbal, cognit ivo, atenuada pelo uso de verbo no fut uro perifrást ico. A do Governador está no plano da ação, de conj ect uras não faladas, m as insinuadas disforicam ent e no uso dos verbos no presente e no interrogativo, ao invés de acent uar a dúvida, faz lem brar as várias ações a serem realizadas.

O program a narrativo do governador é ent rar em disj unção com reclam ações cont ra seu governo, cuj o Dest inador dessa t ransform ação é a