“Conceber o ensino implica projetar uma via, um caminho ornamentado
realidade educativa, que eleve o aluno a um patamar de excelência, na exploração e reconhecimento de todas as suas potencialidades.” (RA 107 e 108)
Enquanto profissionais de ensino, concretamente de ensino da EF, devemos projetar as atividades de gestão e operacionalização, de uma forma, mais ajustada e próxima daquilo que realmente potenciará um incremento das competências motoras e humanas dos alunos. A conceção do processo de ensino vislumbra uma análise dos planos curriculares, tendo por base o contexto educativo específico, a instituição escolar e a turma, que assumem caraterísticas particulares, únicas e exclusivas.
Segundo Rosado (2009, p. 9) “A Educação Física e o Desporto
desempenham um papel muito importante não só no desenvolvimento físico mas, também, na área do desenvolvimento pessoal, social e moral dos estudantes”. No entanto, esta conceção só tem um significado relevante se a
projeção do ensino for adaptada ao que efetivamente os alunos necessitam. Aqui, o professor de EF assume-se como o agente educativo principal, capaz de orientar e monitorizar um processo de desenvolvimento eficaz, não descurando da plasticidade que toda uma conceção deverá possuir. A aceitação da articulação das exigências e tarefas motoras é uma realidade que deve ser ressalvada e colocada em prática durante as sessões de ensino caso o mentor pedagógico assim considere.
Na conjetura que vislumbro do ensino, de como ele hoje se depara e é encaminhado, ainda considero que prevalece um enorme fosso entre aquilo que se preconiza nos programas e aquilo que se realiza ou se pode realizar pelos professores. Pois, algumas das decisões reveladas pelos agentes de ensino, nem sempre contemplem o ajuste às condições momentâneas do meio escolar, nem tão pouco, às capacidades dos seus alunos. No meu entendimento, parece haver uma certa tendência para o conformismo e para a falta de comprometimento com a profissão: “O desafio de hoje é contrariar o
facilitismo e apatia existente na nossa sociedade, o professor de educação física é um ser humano, mas tem de ser um exemplo pró-ativo e promotor da
prática desportiva” (RA 75 e 76). A desculpabilização por falta de condições
espaciais e materiais, não pode ser nunca assumida como uma posição de “deixa andar”, para que nada mude e tudo continue na mesma. O professor tem de ser pró-ativo e dinâmico, adaptando e ajustando sempre que necessário as tarefas motoras, de forma a superar as adversidades e constrangimentos climatéricos, espaciais ou até mesmo materiais. O compromisso do professor é diligenciar um ensino que dê resposta às necessidades evidenciadas pelos alunos, regulando e orientando um processo de ensino-aprendizagem adequado e promotor de um elevar de competências humanas e motoras: “O
professor de educação física deve ser pró-ativo e dotado de uma capacidade adaptativa, capaz de promover um ensino regulado e ostentado num caminho pedagógico coerente, não descurando que a qualquer momento terá de adaptar e ajustar as tarefas motoras. Os imprevistos que surgem durante a prática, em termos momentâneos, devem ser rapidamente respondidos pelo docente, de forma a puder enriquecer o ensino e promover uma aquisição de conteúdos correta e eficiente” (RA 91 e 92).
A necessidade dos professores assumirem uma prática reflexiva que enfoque o seu pensamento numa construção atraente, coerente e lógica do processo de ensino-aprendizagem é urgente. Este não deve ser banalizado nem desajustado ao contexto: “Parece-me inevitável uma reflexão conjunta
entre todos os profissionais da educação física e, não através da desculpabilização com as condições ou do contexto em que estão inseridos que se leva a uma pedagogia sem relevância” (RA 95 e 96). Nem tão pouco,
com um foco didático centrado em atividades monótonas que não contemplem as expetativas da maioria dos alunos, em que os ganhos cognitivos e motores são reduzidos. Uma vez que torna o ensino previsível e pouco relevante, envolto num fracasso pedagógico evidente. Porém, importa referir que esta postura é assumida e identificada, não por todos, mas por apenas alguns professores.
A escola de hoje exige ao professor de EF a construção de uma identidade profissional própria, pautada pela constante modernização e reinvenção de conhecimentos. Importa que o professor persista na busca de
conhecimento que lhe permita assumir um desempenho mais aprimorado e eficaz, com o intuito de promover uma aquisição de conteúdos motivante, relevante e significativa para os alunos. Cabe ao professor, perante a mutação e modificação constante dos valores presentes na nossa sociedade, assumir uma postura ativa de preparação e orientação dos alunos para o futuro, em que a autonomia e a responsabilidade se constituem como dois elementos preponderantes para um êxito pessoal e coletivo: “A capacidade de liderança,
de autonomia, de companheirismo, de entrega, de responsabilidade, de compromisso coletivo são fundamentais para os alunos se tornarem em seres autónomos e pró-ativos na sociedade. Saberem ser e estar dentro desta é crucial, para puderem tomar sempre as opções mais corretas para a sua vida. Estes valores e princípios são tão importantes se os alunos seguirem os seus estudos no ensino superior ou até mesmo se integrarem o mercado de trabalho” (RA 69 e 70).
A colocação em prática de uma posição comprometida com a profissão docente, com bons hábitos de trabalho e um bom conhecimento da matéria de ensino, permite alcançar com sucesso um processo de ensino direcionado às necessidades educativas dos alunos. Na sequência desta perspetiva, Alarcão (1996b, p. 180) aconselha, “Professor: conhece a tua profissão e conhece-te a
ti mesmo como professor para te assumires como profissional de ensino”. O
mesmo autor advoga ainda que no processo de ensino-aprendizagem, importa que o professor ajude o aluno atribuir significado às aprendizagens, revelando- lhe, “os porquês da sua aprendizagem (finalidades); o quê da sua
aprendizagem (conteúdo); o como da sua aprendizagem (estratégias)” (1996b, p. 182).
A precisão pedagógica que almejei alcançar e a determinação em puder ser um mentor competente, resultaram numa procura constante em adquirir, o mais rápido possível, um conhecimento abrangente sobre o contexto escolar, concretamente acerca dos recursos humanos, das instalações e dos materiais disponibilizados pela escola. Esta busca pelo conhecimento foi ainda, consubstanciada pela caraterização da turma, que foi efetuada no início do ano letivo.
A necessidade de confrontar as minhas conceções com a realidade vivenciada, de perceber o que poderia esperar do ensino e até onde conseguiria ir, conduziram-me a um ato reflexivo premente, consistente e fundamentado ao longo do ano letivo.
Tudo isto levou também a uma análise reflexiva sobre os programas educativos da disciplina de EF. Ou seja, saber “o que ensinar” e “como
ensinar” os alunos, tendo em conta a sua diversidade e o contexto escolar.
Para o efeito, a análise efetuada no início do EP, referente ao Projeto Educativo da Escola e ao Regulamento Interno do Agrupamento, especificamente acerca da disciplina de EF, revelou-se fundamental e essencial para a adequação do programa de EF à realidade escolar. Além disso, teve um importante contributo na formalização de normas de condutas e regras de comportamento, sem as quais o ato de lecionar não teria a mesma eficácia.
O estudo referente ao currículo nacional de EF surgiu como uma tarefa na qual atribuí especial dedicação, dado a relevância que tem para todo o processo de ensino aprendizagem. Nesta tarefa procurei fazer um ajuste do programa à realidade escolar e às caraterísticas dos alunos. Pois, pretendia articular os objetivos, os conteúdos e as finalidades da disciplina a uma formatação rigorosa dos critérios de avaliação, elaborando assim o planeamento anual de EF para a minha turma
Todo o planeamento, tanto anual, como das unidades didáticas (UD) e planos de aula, foi consubstanciado por uma vasta investigação e pesquisa acerca da educação em geral, das estratégias e metodologias passíveis de serem utilizadas e, ainda, pelas especificidades da escola e das caraterísticas únicas e exclusivas da turma.