Table 5.1. Priority Checker Conversion
4. The DM-Multipath Configuration File
Neste capítulo, procurou-se perceber se as características do país do mutuário, no que respeita ao tipo e nível de desenvolvimento do sistema financeiro e ao tipo de sistema de governo, influenciam o spread de taxa de juro dos financiamentos sindicados. Para isso, foi utilizada uma amostra de cerca de 85.000 empréstimos, entre 2000 e 2012, efetuados a cerca de 25.500 mutuários não financeiros de 122 países.
No que diz respeito aos resultados obtidos, é encontrada evidência de que, ceteris paribus, os mutuários de países com sistema financeiro baseado nos bancos obtêm financiamentos com uma taxa de juro inferior à de mutuários de países com sistema financeiro baseado no mercado. Estes resultados são consistentes com a ideia de que o sistema baseado nos bancos apresenta vantagens informacionais, que permitem aos intermediários financeiros minimizar os problemas de assimetria de informação. Estes resultados são, também, consistentes com a ideia de que, neste sistema, os credores são mais eficientes na monitorização dos mutuários, o que ajuda a limitar comportamentos discricionários da gestão.
Os resultados obtidos suportam, também, a hipótese de que os mutuários de países com sistema financeiro mais desenvolvido suportam spreads mais baixos. Este efeito é consistente com a ideia de que sistemas financeiros mais desenvolvidos resolvem melhor os problemas de agência e permitem a redução dos custos de transação, bem como apresentam maior disponibilidade de serviços financeiros, que por sua vez permitem o recurso a capital alheio com custos mais baixos.
Relativamente ao sistema de governance, os resultados obtidos revelam que os mutuários de países com um sistema de governo societário de tipo anglo-saxónico suportam spreads superiores aos mutuários de países com um sistema de governo do tipo continental. Também estes resultados são consistentes com a tese de que a maior proximidade e o relacionamento de longo prazo entre os credores e os mutuários nos países de governo continental minimizam os problemas de assimetria de informação e proporcionam uma monitorização mais eficiente pelos credores. Os resultados são ainda consistentes com a literatura que defende que os bancos, nos países com sistema de governo continental,
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obtêm vantagens informacionais através da posição acionista ou da nomeação de administradores para o conselho de administração do mutuário, e que tal se materializa em custos de financiamentos mais baixo.
Neste estudo foi também testada a hipótese de os spreads estarem dependentes da inclusão de cláusulas de proteção nos contratos de empréstimos. Foi encontrada evidência de que o nível de desenvolvimento financeiro, o tipo de sistema financeiro e o tipo de sistema de governo permanecem igualmente relevantes na determinação do spread quando analisados em conjunto com as cláusulas de proteção. Os resultados obtidos permitem concluir que os mutuários que oferecem maior nível de proteção são também chamados a suportar maiores spreads, pelo que se conclui que a proteção é complementar (e não substituta) do spread.
Assim, os resultados obtidos sustentam a importância do tipo de sistema financeiro e do seu nível de desenvolvimento. Porém, também deixam claro que este último aspeto parece ser predominante. Na realidade, utilizando uma subamostra de mutuários que divulgam periodicamente informação financeira, os resultados confirmam a relação negativa entre o spread e o nível de desenvolvimento financeiro e sugerem a perda de relevância do tipo de sistema financeiro na explicação dos custos de financiamento dos empréstimos que não Investment Grade. Este resultado é consistente com a inferência de Levine (2002) sobre o predomínio do nível de desenvolvimento financeiro em detrimento do facto de o sistema financeiro ser orientado para o mercado ou ser orientado para o banco.
Neste capítulo é ainda verificada a relevância do nível de rating atribuído pelas agências de notação de risco aos empréstimos dos mutuários. Nas subamostras utilizadas, para diferentes situações quanto à notação de risco de crédito, os resultados para o tipo de sistema financeiro, nível de desenvolvimento financeiro e tipo de sistema de governo permanecem consistentes com o evidenciado na amostra total. Assim, as conclusões, genericamente, mantêm-se inalteradas nas subamostras por nível de rating. Para a subamostra de mutuários que divulgam informação financeira constata-se que o tipo de sistema financeiro apenas permanece relevante nos mutuários Investment Grade.
Ao longo deste capítulo fica evidente como a notação de risco de crédito afeta a perceção do risco dos credores. Comparando as estimativas para as subamostras Investment Grade
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e Sem Rating afere-se que a estimação para a subamostra com melhor nível de risco de crédito apresenta um menor número de variáveis com significância estatística. Talvez o facto de os empréstimos não serem analisados por qualquer agência de rating exija que os credores analisem com cuidado um maior conjunto de fatores que potencialmente tenham impacto no reembolso do crédito, enquanto que para os mutuários com menos risco de crédito não terão de preocupar-se com tantos fatores pois já estarão a ser considerados na análise de risco desenvolvida pelas agências de rating. Neste sentido, o nível de rating e as características do empréstimo e do mutuário que certificam o seu reembolso são, em grande medida, substitutos.
Em suma, os resultados obtidos são consistentes com Carey e Nini (2007) e Houston et al. (2012), que evidenciam que os financiamentos são mais baratos nos países europeus continentais, o que sugere que a localização do mutuário é um fator importante no processo de intermediação financeira. Na realidade, o estudo constante deste capítulo evidencia que as características do país do mutuário, designadamente no que respeita ao tipo sistema financeiro, nível de desenvolvimento financeiro e o tipo de sistema de governo societário, são relevantes na determinação dos custos de financiamento.
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