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Diversification des modes de gestion de l’emploi et segmentation accrue des marchés du travail

RECEPTACLE PRIVILEGIE DE L ’ EPARGNE SALARIALE ET DES MENAGES

E. D ES SYSTEMES DE REMUNERATION ET D ’ ALLOCATION DES RESSOURCES DEDIES EN FONCTION DES CATEGORIES DE MAIN D ’ OEUVRE

2. Diversification des modes de gestion de l’emploi et segmentation accrue des marchés du travail

Dentre os processos cognitivos, as funções executivas do indivíduo se constituem em ferramentas imprescindíveis à manipulação de informações (entendendo manipulação como as ações necessárias para reter tais dados do ambiente, bem como o tratamento que receberá até ser consolidado pela memória de longo prazo).

Função executiva é o termo empregado para descrever a capacidade cognitiva que permite aos indivíduos controlar e coordenar pensamentos e comportamentos, em atividades

realizadas de maneira independente e dirigidas a metas (Saboya, Franco & Mattos, 2002). Estas habilidades incluem a atenção seletiva, tomada de decisão, inibição voluntária da resposta (habilidade de controle voluntário, que pode se opor a uma resposta automática emitida pelo indivíduo), planejamento e memória operacional. Cada uma dessas funções executivas tem um papel decisivo no controle cognitivo, por exemplo, filtrando as informações que são captadas do meio ambiente e descartando aquelas sem relevância funcional (atenção) (Vaughan & Giovanello, 2010; Blakemore & Choudhury, 2006).

Dentre as funções executivas mais importantes na infância encontram-se a memória operacional e a atenção seletiva (Fockert, Rees, Frith & Lavie, 2001). A memória operacional é uma parte do sistema de memória que armazena e manipula provisoriamente informações importantes durante a realização de atividades cognitivas complexas, desempenhando um papel crucial tanto na aprendizagem quanto no raciocínio e na linguagem (Kopasz et al., 2010). É uma memória de curto prazo, que trabalha com dados por algumas horas até que sejam gravados de forma definitiva (Baddeley, 2003). Exemplos do emprego da memória operacional no dia-dia são o local onde se estaciona um automóvel ou o número de telefone que deve ser lembrado: ambas são informações necessárias apenas num determinado momento.

Além disso, a memória operacional prepara as informações retidas para serem armazenadas na memória de longo prazo, que possui o papel de guardar de forma definitiva a informação, permitindo sua recuperação ou evocação. Também é nela onde estão contidos todos os dados autobiográficos e todo o conhecimento do sujeito. Vale lembrar que os tipos de memória discutidos na última seção (memória declarativa e memória não declarativa), bem como suas subcategorias, fazem parte do sistema de memória de longo prazo. Por isso a memória operacional é importante para a memória de longo prazo, na medida em que

armazena os dados para tarefas específicas, não a sobrecarregando com informações desnecessárias (Baddeley, 2003).

O sistema tripartite de memória operacional proposto por Baddeley e Hitch (1974) era dotado de três componentes: o executivo central, a alça fonológica e o esboço visuoespacial. O executivo central (“Central Executive”) atua como controlador da capacidade de atenção e supervisiona dois subsistemas de trabalho especializados no processamento e manipulação de quantidades limitadas de informações em domínios altamente específicos: a alça fonológica (“Phonological Loop”), responsável por informações verbais e acústicas e o esboço visuoespacial (“Visuospatial Scratchpad”), realizando uma função semelhante com a informação espacial e visual. No ano 2000, Baddeley incorporou mais um subcomponente ao seu modelo, o buffer episódico (“episodic buffer”). Este subcomponente seria responsável pelo processo de integração da informação verbal e visual com a memória de longo prazo, em uma representação episódica única, porém de códigos multidimensionais (Baddeley, 2000).

A atenção, por outro lado, trata-se do mecanismo relacionado diretamente à ativação e ao funcionamento das operações de seleção, distribuição e manutenção da atividade psicológica, a partir dos estímulos captados no ambiente (Gaddes & Edgell, 1994). Segundo Gaddes e Edgell (1994), ela é subdividida em atenção sustentada, alternada e seletiva, sendo esta última considerada um dos processos cognitivos que compõem as funções executivas (por isso, nossa discussão abordará apenas essa categoria). A atenção seletiva é a capacidade mental de selecionar apenas uma pequena quantidade de informações oriundas do ambiente, em relação à grande parcela de estímulos disponíveis (Rossini & Galera, 2006).

Além disso, ela está associada à memória operacional e depende diretamente da sua capacidade. Indivíduos que apresentam baixo desempenho cognitivo, quando submetidos a tarefas que avaliam a memória operacional, por exemplo, têm maior dificuldade em bloquear a ação de distratores (estímulos relevantes para o indivíduo, contidos em tarefas ou situações),

tornando difícil a priorização dos estímulos do ambiente sobre os quais se deterá (Fockert et al., 2001). Em outras palavras, níveis de atenção seletiva e de memória operacional estão intimamente relacionados.

Analisando-se a memória operacional e a atenção na infância e adolescência, percebe-se que o desenvolvimento das funções executivas assume um papel de grande destaque. Segundo Welsh, Nix, Blair, Bierman e Nelson (2010), memória operacional e atenção seletiva passam por um processo de rápido desenvolvimento durante o período pré-escolar (entre 3 e 5 anos de idade), sendo que, no contexto escolar estão intimamente relacionadas à aprendizagem da criança. Ainda segundo Welsh et al., tais funções executivas permitem às crianças organizar seus pensamentos e comportamentos de forma flexível em relação ao meio. Até aproximadamente os 13 anos de idade haverá um desenvolvimento substancial da memória operacional (Davidson, Amsoa, Anderson & Diamondd, 2006), em relação às outras fases de vida, que reflete o desenvolvimento estrutural do córtex pré-frontal.

O início da puberdade se constitui num período de grandes oscilações no desenvolvimento das funções executivas. De acordo com Blakemore e Choudhury (2006), por volta dos 10-12 anos verifica-se um aumento no volume da substância cinzenta que compõe o córtex cerebral, mais especificamente no lobo frontal. Tal fato se reflete no aumento do desempenho cognitivo em alguns tipos de tarefas (por exemplo, em atividades que medem o tempo de reação, indicador importante na avaliação da atenção seletiva), em relação ao período do desenvolvimento anterior a esse. Após a puberdade, por volta dos 13-14 anos verifica-se um aumento ainda mais consistente no desempenho, até que este se estabiliza na faixa dos 16-17 anos. Isso é reflexo do desenvolvimento neural dos indivíduos em idade pré- escolar, que atinge o seu ápice com a consolidação do córtex pré-frontal.

Funções executivas e inteligência fluida estão intrinsecamente relacionadas (Halford, Cowan & Andrews, 2007). Diferenças individuais em Gf são mais evidentes em testes

comportamentais que dependem criticamente das funções executivas, mais particularmente da memória operacional e controle da atenção (Kane & Engle, 2002). Essa forte relação entre a memória operacional e Gf foi demonstrada em humanos por Jaeggi et al. (2008), que mostraram a transferência dos ganhos obtidos com o treinamento da memória operacional para Gf. Estes resultados apontam para as potencialidades da intervenção voltada para o desenvolvimento de Gf e, por conseguinte, g, em crianças.

Os conceitos mencionados são importantes para o entendimento do desempenho cognitivo do indivíduo, na medida em que estão amplamente associados a um rendimento satisfatório numa gama variada de atividades cotidianas, das mais simples às mais complexas. A seguir, apresentamos alguns estudos que analisam possíveis relações entre sono e funções cognitivas em crianças, e como esta relação influencia o desempenho cognitivo.