D’ALLIAGES METALLIQUES
II. 3-4 Dispositifs d’imagerie X synchrotron
Pertencente ao campo da geometria, o termo topologia cuja etimologia significa: logos (estudo), topos (lugar), foi inicialmente definido pelo matemático alemão Listing, o qual estabeleceu a seguinte definição:
Por topologia nós entendemos a teoria das características modais dos objetos, ou das leis de conexão, de posições relativas e de sucessão de pontos, linhas, superfícies, corpos e suas partes, ou agregados no espaço, sempre sem considerar os problemas de medidas ou quantidade (LISTING apud O'CONNOR; ROBERTSON, 2000)14. A topologia tem sido encontrada segundo certas recorrências temáticas em procedimentos projetuais, sobretudo nas investigações de obras da arquitetura contemporânea, preservando seu sentido a essência fundamental dessa área da geometria, ou seja, o estudo das propriedades geométricas e não de suas características formais. Sperling (2008, p. 40) ressalta que “interessa à Topologia menos a forma, que estaria vinculada à topografia e mais as relações existentes entre os pontos desta forma [...]”.
Isso se procede pelo fato de que para a topologia as distintas variações formais das superfícies, estiramento ou encolhimento, não alteram certas propriedades do espaço; deste modo, distintas formas podem estabelecer relações de congruências. Para Aguiar (2009, p. 2):
Enquanto a geometria revela um aspecto manifesto e percebido dos objetos – ela tem uma forma, é vista em pontos, linhas e superfícies – a topologia é menos visível. De fato as características topológicas – decorrentes do arranjo espacial - de um objeto arquitetônico, seja ele edifício ou situação urbana, são invisíveis em sua totalidade. A topologia está escondida; imersa em relações espaciais. A planta arquitetônica é uma explícita descrição geométrica que carrega uma implícita descrição topológica.
As relações, tanto visuais quanto de acessibilidade, estabelecidas entre os distintos lugares e/ou cômodos de uma habitação, revelam o modo de utilização do/dos espaços. Para
14By topology we mean the doctrine of the modal features of objects, or of the laws of connection, of relative position and of succession of points, lines, surfaces, bodies and their parts, or aggregates in space, always without regard to matters of measure or quantity (LISTING apud O’CONNOR;ROBERTSON,2000, Disponível em:<http://www-groups.dcs.st-and.ac.uk/~history/Biographies/Listing.html>. Acesso em 10/03/2011).
além da forma, o arranjo espacial é preponderante para a construção dessas relações que são implicitamente recheadas de fragmentações e continuidades espaciais. Deste modo, pode-se afirmar que a dimensão comportamental humana no espaço habitacional está intimamente vinculada à distribuição espacial dos cômodos.
O aberto e o fechado, as seqüências espaciais, as proximidades e distanciamentos, o manejo do espaço, são relações que podem de algum modo, sob algum aspecto, serem entendidas topologicamente. É implícito no processo projetual a busca por uma ordenação simples ou complexa do espaço arquitetônico, e essa ordenação invariavelmente é associada à geometria, especificamente às noções de regularidade, repetitividade ou coordenação modular. Porém, segundo Aguiar (2002, p. 3), a utilização desses elementos pode produzir uma aparente ordenação, mas não implica necessariamente na obtenção de uma ordem espacial, visto que:
Tal ordenação transcende à ordenação geométrica e se refere ao modo de utilização da edificação. Trata-se de fato de uma ordem topológica [...]. Topologicamente o que conta é a condição relacional, a articulação ou inflexão, a proximidade ou distanciamento, enfim, o modo como os espaços de uma edificação se relacionam ou se articulam.
As pesquisas acerca das articulações espaciais em Arquitetura com foco em aspectos topológicos centram-se nas relações espaciais invariantes, ou seja, depreendidas da forma ou das mutações formais de um projeto. Para o estudo dessas relações a topologia trata das proximidades, conectividades e continuidade entre os espaços possíveis de serem aplicados a qualquer ponto ou regiões de um objeto geométrico (fig. 1.2). Logo, a leitura espacial de um edifício ou meio urbano pode ser desenvolvida por meio de conexões e articulações próprias da Teoria dos Grafos.
Proximidade Continuidade Conectividade por caminho Figura 1.2 - Relações de proximidade, continuidade e conectividade entre espaços
Fonte: SPERLING, 2003, p. 129
A tradução de uma planta arquitetônica para um grafo, compreendido como sendo a representação gráfica constituída de pontos e segmentos de retas, tem por finalidade a
representação das interconexões espaciais estabelecidas no espaço arquitetônico. Assim sendo, de acordo com Hillier e Hanson (1998, p. 90) a planta arquitetônica pode ser apreendida por meio da construção de convex map (mapa convexo) e gamma map (mapas grafos ou grafos).
Um espaço convexo é entendido como sendo um espaço no qual todo e qualquer segmento de reta ao atravessá-lo cruzará unicamente dois pontos dos seus limites, ao contrário desse, no espaço côncavo um segmento de reta ultrapassa o limite de dois pontos (fig. 1.3)
Figura 1.3 - Espaço convexo e côncavo Fonte: HILLIER; HANSON, 1998, p. 98
A partir dessa noção, os mapas convexos apresentam os espaços/cômodos em áreas bidimensionais, representados graficamente por poligonais convexas, onde uma linha possa atravessar apenas dois pontos. Já na construção dos grafos, cada espaço convexo passa a ser representado por um círculo e a relação de permeabilidade entre os distintos espaços é representada por um segmento de reta. Deste modo, diferentes plantas podem apresentar semelhantes ou diferentes relações de permeabilidade (fig. 1.4).
Plantas Mapas convexos Grafos
Figura 1.4 - Representações topológicas de plantas arquitetônicas Fonte: HANSON, 1998, p.25-26
Ao tratar o espaço como um todo formado por partes conectadas é possível desvendar sua gramática, ou seja, seus elementos constituintes e suas interconexões. Alinhando o aspecto topológico aos conceitos arquitetônicos de topologia, pode-se então identificar tanto
os elementos fixos de uma planta arquitetônica quanto a pluralidade de soluções para um projeto (SPERLING, 2003).