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Como sabemos, a metodologia consiste no procedimento necessário, crítico e reflexivo, ocorrido nas várias etapas da pesquisa, bem como na escolha das técnicas inerentes e adequadas à problemática em causa. Por isso mesmo, a escolha da metodologia de investigação depende sempre do problema em estudo, das várias perspectivas de abordagem do mesmo, do papel dos investigadores e dos investigados e de outros factores de menor importância, como sejam, o tempo disponível ou as questões logísticas. Mas, o inverso também se verifica, uma vez que, os resultados de qualquer investigação são sempre condicionados pela metodologia utilizada.
Introdução
No caso da presente investigação, teve-se em conta a natureza do objecto de investigação (consciência bioética), pelo que a escolha recaiu numa metodologia mista, ainda que com forte componente qualitativa. Mais adiante serão justificadas e fundamentadas as opções tomadas.
A preparação desta tese, de índole científico -filosófica, tentou reflectir uma realidade substancialmente diversa da realidade própria das dissertações exclusivamente científicas ou filosóficas daí a utilização, neste caso, de uma dupla abordagem, hermenêutica e empírica. Pretendeu-se obter uma articulação destas metodologias, de forma a ser concretizada uma visão mais global e precisa, e por conseguinte mais esclarecedora, da problemática em estudo.
2.1- Caracterização da Metodologia Teórica
Iniciamos a abordagem metodológica teórica, tecendo algumas considerações sobre o tipo e justificação dos métodos utilizados para a construção da parte teórica da tese. Serão devidamente explanados os objectivos inerentes a esta abordagem.
Em virtude da natureza filosófica do assunto central tratado, foi necessário municiarmo-nos de ferramentas, também filosóficas, que permitissem elucidar o assunto em foco. Uma das mais comuns, mas extremamente poderosa e actual é, indubitavelmente, a hermenêutica.
2.1.1- Abordagem Hermenêutica
Podendo a Hermenêutica ser entendida como uma metodologia filosófica que aborda a compreensão humana e a interpretação de textos escritos, tornou-se fulcral utilizar esta abordagem para a análise interpretativa dos autores em estudo. Para Scheleiermacher4, a Hermenêutica não visa o saber teórico, mas sim o uso prático, isto
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SCHELEIERMACHER, Friedrich -Hermeneutics and criticism and other things. Cambridge: Cambridge University Press, 1998. Col. Cambridge Texts in History of Philosophy.
Introdução
é, a “praxis” ou a técnica da boa interpretação de uma comunicação, oral ou escrita, daí a sua forte adequação a este trabalho.
“’Hermenêutica’, por outro lado, na maioria, dos casos refere-se ao estudo dos métodos ou princípios de interpretação. Pode ser entendida como uma metodologia de interpretação.”5
Tendo em conta a existência de uma significativa vertente “humanística” nesta tese, entendemos eleger no respectivo âmbito metodológico, a “instrumentaria” que, por exemplo, é sugerida por João Soares de Carvalho6, a saber: (a) o método sistemático - através dele é privilegiada, a ordenação e classificação dos factos e dos materiais básicos da investigação, racionalizando os conceitos num sistema de coordenação e subordinação de dados; (b) o método inquisitivo - através das faculdades analíticas, há a tentativa de decompor ideias complexas em formas mais simples com o objectivo de facilitar a leitura e análise da tese; (c) o método demonstrativo -porque é visada a procura da certeza ou da verdade, acerca dos factos, objectos ou ideias, numa lógica de coerência, utilizam-se vários exemplos comprovativos; (c) o método crítico -através dele é averiguada, isenta e cuidadosamente, o vero significado e alcance das ideias e das intenções dos autores/investigadores estudados.
Foi, então, no âmbito do paradigma acima descrito que foram examinados, criticamente, os estudos existentes sobre as temáticas visadas, tentando expor de modo claro e conciso os diferentes pontos de vista dos diversos autores e tentando uma articulação e sistematização clarificadora dessas ideias, visando obter, designadamente, uma panorâmica inovadora para as questões estudadas.
Tentou-se criar uma arquitectura conceptual que servisse de suporte à exploração e desenvolvimento dos temas principais, numa perspectiva inovadora que articulasse diferentes tradições e áreas do saber.
5
“Hermeneutics”, on the other hand, most often refers to the study of the methods or principles of interpretation. It may be thought of as the methodology of interpretation.” EMMETT, Ross B.- Exegesis, Hermeneutics, and Interpretation. In SAMUELS, Warren J., BIDDLE, Jeff E.; DAVIS, John B. ed.- A
Companion to the History of Economic Thought. Oxford: Blackwell Publishing, 2003.
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CARVALHO, João Soares de -A Metodologia nas Humanidades: Subsídios para o Trabalho
Introdução
Para criar uma moldura teórica coerente foi necessário dispor, e utilizar, de um conjunto adequado de metodologias e técnicas.
2.1.2- Fontes Bibliográficas
Além das fontes bibliográficas primárias, constituídas pelas obras directamente relacionadas com os temas visados, foram identificadas outras fontes secundárias, da mesma natureza, constituídas por obras versando problemáticas afins ou acessórias.
Foram consultadas obras de carácter geral, sobre Filosofia, Educação, Ética e Bioética, Axiologia, ensaios sobre Pedagogia, Filosofia da Educação, dos Valores e do Conhecimento, Educação e Ética Ambiental, estudos de Ecologia, Zoologia, Biologia Experimental, Biologia Conservacionista, Evolutiva e Ambiental, e ainda comunicações, artigos científicos, sites e livros sobre Metodologia e Museologia Científica. Foram adicionalmente compulsadas, obras de carácter histórico, sociológico e psicológico, por promoverem a compreensão e /ou análise dos temas em estudo.
2.1.3- Tratamento de Fontes Bibliográficas Identificadas
Neste domínio entendeu-se necessário, como método de trabalho, a elaboração de uma listagem bibliográfica “catalogada”, a qual incluiu não somente livros, como também, artigos científicos e filosóficos, sites, revistas e jornais especializados e ainda, enciclopédias temáticas.
Os dados bibliográficos recolhidos foram objecto de sistemática e permanente actualização e (ou) reformulação, ao longo, não só do período efectivo de investigação, como também, durante o próprio período de redacção dos procedimentos e resultados dessa investigação. Esta opção implicou a múltipla reelaboração de alguns capítulos, ao longo da elaboração da tese, mas confere um carácter de actualidade ao texto, que de outro modo, poderia ficar filosófico -cientificamente comprometido.
Todas as metodologias acima enunciadas suportaram o próprio processo hermenêutico, já que este serviu de instrumento geral de construção teórica da tese.
Introdução
2.2- Caracterização da Metodologia Prática
Nesta secção do trabalho serão apenas enunciados os princípios metodológicos básicos do estudo empírico. No capítulo IV “Opção Metodológica”, são discutidas e fundamentadas as opções metodológicas tomadas para o estudo da realidade em causa.
A questão consciencial tinha sido, classicamente, tratada através do método filosófico, ou seja, de natureza especulativa contudo, neste trabalho optou-se também, por usar uma metodologia de carácter empírico. Apesar do risco inerente a esta escolha, partiu-se do princípio que qualquer objecto mental se encontra disponível para ser estudado por metodologias desta natureza, tendo o cuidado de não tentar explicar o fenómeno exclusivamente baseado na vertente científica.
Nesta tese, pressupõe-se7 que se pode aceder ao comportamento cognitivo, que espelha a acção da consciência (enquanto ferramenta de individualização da realidade que permite análise e acção fora do “Eu”), através da análise (semântica) do discurso produzido pelo sujeito.
Entendeu-se ser factível o estabelecimento da possibilidade de conhecimento, análise e caracterização da consciência, na vertente bioética, por meio da investigação do discurso dos indivíduos quando sujeitos a situações pré -determinadas.
Para se aceder à faceta consciencial que lida com a natureza (moral) da relação Indivíduo/ Natureza e Indivíduo/ Animal foi necessário colocar os sujeitos numa condição de dilema ético -moral que envolvesse os agentes, Sujeito e Animal e/ou Natureza. A sujeição dos indivíduos a este clima de decisão e posterior análise do discurso justificativo foram as circunstâncias e ferramentas usadas para o estudo empírico da realidade da consciência bioética.
Nesta tese não foram usados os métodos veiculados por estes autores, não tanto por dificuldades de natureza prática (tempo versus esforço), que sempre podem verificar-se neste tipo de estudos mas, fundamentalmente, por não satisfazerem, na totalidade, os objectivos propostos.
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No capítulo IV.1- Tipo de Estudo Empírico -serão discutidos os pressupostos necessários a esta assumpção.
Introdução
Tendo em conta o tipo de objecto e o objectivo do estudo, entendeu-se adequado utilizar ferramentas de investigação pertencentes às Ciências Sociais. No nosso caso em concreto, o estudo empírico enquadra-se num modelo quase -experimental.