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Description des variantes de tracé

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A interação ICT-Indústria no Brasil é fortemente marcada pela escassez de relações formais de cooperação entre as partes. Tal problema tem sua origem nas características destas relações.

Ainda predomina no Brasil a interação induzida pela oferta espontânea de conhecimentos pelos pesquisadores universitários (CERTI/CELTA, 1997, p.5), a seu gosto e disposição. Esta corrente, denominada de “technology push”, se contrapõe ao processo denominado “market pull”, em que a pesquisa universitária é orientada pelas necessidades das empresas.

É consenso, nas discussões sobre o assunto, que a segunda corrente precisa ser intensificada para que C&T cumpram seu papel social. Porém, isto não desqualifica a oferta de conhecimentos pelo meio acadêmico. O problema está mais na deficiência do processo de transferência do conhecimento ao setor produtivo do que na orientação ao processo de geração deste conhecimento.

A tendência histórica da academia em desenvolver a pesquisa sem vinculação a resultados desejados em termos de inovação, talvez esteja pautada na comodidade que isto representa. Desenvolver pesquisa orientada a resultados, e principalmente com a participação da iniciativa privada na sua execução ou

financiamento, é mais complexo do ponto de vista da operacionalização. Este fato tem levado as ICTs, e sobretudo os pesquisadores que nela atuam, a optarem por formas mais simples de interação.

BONACCORSI e PICCALUGA (1994 apud LIMA,1999, p. 52) apresentam uma taxonomia de interação universidade-empresa. Esta taxonomia está baseada nos seguintes critérios de categorização: a) grau de comprometimento de recursos; b) duração; e c) grau de formalização. O Quadro 1 apresenta a classificação proposta pelos autores.

TIPO EXEMPLOS

A RELAÇÕES PESSOAIS

INFORMAIS

Consultoria individual por acadêmicos, fóruns de integração, workshops, ex-acadêmicos

empresários (spin-offs);

B RELAÇÕES PESSOAIS

FORMAIS

Intercâmbio de pessoal, especialização de funcionários nas universidades;

C INSTITUIÇÃO DE LIGAÇÃO Relação de parceria via terceiros (intermediários

de ligação), sob a forma de associações industriais (como “corretoras”), institutos de pesquisa aplicada;

D ACORDOS FORMAIS COM

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Pesquisas contratadas, treinamento periódico, pesquisa cooperativa, desenvolvimento de protótipos e testes;

E ACORDOS FORMAIS TIPO

GUARDA-CHUVA

Sem objetivos específicos, patrocínio da indústria para P&D nos departamentos

universitários, doações privadas para pesquisa;

F CRIAÇÃO DE

ESTRUTURAS PRÓPRIAS PARA A INTERAÇÃO

Parques tecnológicos, incubadoras de empresas, consórcios de pesquisa.

QUADRO 1 – Classificação das Relações Universidade-Empresa

(BONNACORSI e PICCALUGA, 1994, apud LIMA, 1999)

Para LIMA (1999, p. 98), “a relação de consultoria, tanto informal quanto oficializada, é provavelmente a mais antiga e difundida das formas de interação”.

Citando STAL (1994), o autor chama a atenção para a preocupação recente com diretrizes que regulem os contratos entre universidades e empresas, pois predominam ainda os contratos informais entre o pesquisador e a empresa, muitas vezes sem conhecimento da universidade.

VELHO (1996, p. 76) cita um estudo realizado nos EUA, tratando da percepção dos empresários quanto à melhor forma de estabelecer relações com as universidades. O estudo mostra que, na visão dos empresários americanos, a forma mais produtiva para estabelecer consórcios entre a universidade e a empresa é a partir de relações com a base da universidade, ou seja, a partir de contatos iniciais entre docentes-pesquisadores e a própria empresa.

A afirmação de LIMA (1999, p. 140) reforça esta conclusão. Segundo o autor, “as empresas não buscam ainda as unidades acadêmicas enquanto instituições, mas pessoas em seus quadros cuja competência profissional já são conhecidas na prática.”

Buscando explicar este fenômeno, RIPPER FILHO (1994, p. 141) observa que “interações entre indivíduos requerem bem menos esforço do que interações formais entre instituições. Isto significa que formas de interação que envolvem participação individual são, em geral, mais eficientes e estáveis”.

A interação ICT-Indústria ocorrida fora das estruturas institucionais está sujeita às políticas e diretrizes individuais de cada pesquisador, e portanto depende de suas motivações. Por tratar-se da mais freqüente modalidade de interação, as conclusões às quais se chega a respeito destas relações acabam se estendendo de forma equivocada à interação ICT-Indústria como um todo.

Assim, quando fracassa a interação com o pesquisador, alimenta-se o preconceito da indústria em relação à academia, baseado na atuação do pesquisador individual. Por outro lado, quando a indústria se depara com um pesquisador comprometido com suas necessidades, passa a estreitar a relação individual com este, muitas vezes abdicando das oportunidades de uma relação mais ampla com toda a instituição.

Mesmo apresentando-se como a mais simples forma de interação, a consultoria do pesquisador revela dificuldades do mesmo em lidar com o meio empresarial. Segundo CUNHA (2004, p. 5), “o pesquisador não está familiarizado com as questões burocráticas do processo. É difícil localizar nichos de mercado, negociar preços, “vender” seu produto, pois essa não é sua área de atuação”. Para

a autora, o pesquisador sente a dificuldade de chegar junto ao empresário e discutir com a mesma linguagem: “ele é doutor na sua especialidade, mas desconhece a linguagem administrativa para sensibilizar o empresário”, complementa.

Esta dificuldade, na visão de CHADDAD & ANDREASSI (2004, p. 1), se concentra mais nas áreas tecnológicas. Os autores citam como exemplo o bom resultado que as escolas de Administração, Economia e Contabilidade, obtêm na venda de seus serviços de consultoria e treinamento às empresas. Para os autores, “a rigidez e a burocracia universitária escondem o despreparo do pesquisador advindo das áreas eminentemente técnicas de lidar com o ambiente empresarial, de falar a mesma linguagem das empresas.”

Por sua vez, a interação ampla entre ICT e indústria encontra com freqüência inúmeras barreiras ao seu funcionamento. Na visão de FERREIRA (in: CERTI/CELTA, 1997, p.13), “as universidades e as indústrias têm diferentes interesses, perfis e formas de atuação que precisam ser devidamente reconhecidas e respeitadas por ambas as partes”.

Para LIMA (1999, p. 184), “enquanto os empresários engajados em projetos cooperativos buscam soluções práticas em curto prazo, os acadêmicos visam primordialmente aos ganhos didáticos e instrumentais dos projetos, sentindo-se menos pressionados por prazos e taxas de retorno”. Para o autor, esta atitude de ambos os lados leva a um aumento dos preconceitos mútuos.

A reversão deste quadro passa pela criação, nas ICTs, de estruturas adequadas para facilitar a aproximação e interação com a indústria. Além disso, é necessário que individualmente os pesquisadores entendam a importância destas estruturas e as utilizem efetivamente.

Porém, cabe observar que os agentes indutores da interação ICT-Indústria precisam ter escopo adequado de atuação, pois do contrário não alcançarão o resultado desejado. Trabalho realizado por SEGATTO e SBRAGIA (apud LIMA, 1999, p. 57) sobre a importância de instituições de ligação entre universidades e empresas, mostra que tanto do lado das empresas quanto do lado das universidades há uma conscientização da necessidade destas instituições.

Quando se passa a analisar em detalhes as opiniões dos pesquisadores universitários, percebe-se a existência de uma visão distorcida da função a ser atribuída a estas instituições. Para os pesquisadores, elas devem ter caráter muito

mais administrativo e burocrático, ficando a cargo dos próprios pesquisadores a gestão estratégica da interação.

A solução proposta pelo presente trabalho, que representa a criação de um novo agente indutor da relação ICT-Indústria, tem como diferencial justamente o enfoque mais estratégico na atuação deste agente. A busca por um modelo ideal de atuação é legítima, dada a necessidade de se eliminar as dificuldades existentes no processo de interação ICT-Indústria, de forma que o mesmo se torne mais intenso e eficaz.

Para ULLER, 1995 (apud MOTA, 2004, p. 5):

Embora universidades e empresas possuam desafios tão distintos, comunidades internas tão diferentes, objetivos e expectativas tão distantes, como a inovação tecnológica é de interesse de ambas, podemos construir mecanismos que permitam cada qual desenvolver suas atividades, sem que haja uma descaracterização.

O que se deve buscar, na opinião da autora, é um processo de interação, e não de integração. O entendimento desta diferença de conceitos, de ambas as partes, pode ser o fator decisivo para que a aproximação entre academia e empresa aconteça de modo mais saudável.

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