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III.4 L'experience LISE

III.4.3 Description de la ligne LISE

Em relação à formação continuada, as assistentes pedagógicas, ao indicar as formações que contribuíram para o cargo, destacam a relevância de formar-se, de buscar sempre novos cursos para atualização.

Quando afirma sobre as formações que realizam, a maioria do grupo destaca as que a Secretaria de Educação oferece. Apontam formações como congressos e cursos. Poucos APs afirmaram que buscam cursos atuais fora da oferta da prefeitura.

Algumas críticas evidenciam o tipo de formação oferecida pela Rede Municipal nos últimos anos, que pouco contribuem para a formação da assistente pedagógica. Alguns relatos confirmam o descontentamento.

Sim, participo mas acho as formações muito desajustadas com aquilo que eu preciso, então tem lá uma formação bacana na área da língua que acho que de todas que eu fiz nesses últimos quatro anos foi a melhor, mas tem muitas outras que não conversam com o que eu preciso lá na escola. Então, por exemplo, há um ano e meio mais ou menos, eu fiz uma formação pra tratar do abandono de cachorros na cidade com uma ONG chamada “focinho gelado” e eu não consigo fazer link disso com o que eu preciso lá com as crianças. Acho que as formações oferecidas ainda são desajustadas com o que é preciso nas escolas (AP1 – L.Z.).

E eu sinto bastante falta de formações que sejam dirigidas para os coordenadores. Às vezes, a gente participa de alguma formação, mas não especificamente para o desenvolvimento da função, da nossa função. É, trata muito da questão da sala de aula, e eu acho que a gente tem que ter essa base da sala de aula, mas tem que saber mais, aprender mais sobre como lidar, como intervir junto ao professor (AP – 3 K.Z.).

Acho que as formações que foram feitas para a assistente pedagógica na rede de Santo André, os encontros com as coordenadoras na rede, foram bem específicos, para trabalhar com a equipe de trabalho, trocas de experiências que nós fazíamos em reuniões, mas especificamente uma formação. Para isso, não fiz nenhuma, mais foram as trocas de informações e leituras que a gente já traz, como coordenar grupos, pesquisas de internet, que acho que contribuíram bastante (AP5 – L.C.).

Esses relatos evidenciam como as formações ainda são vistas como um momento estanque, sem aprofundamento ainda por parte das secretarias, como estudado no capítulo 3, ao analisar a história da formação dos professores. É comum encontrarmos o oferecimento de formações distantes das práticas das coordenadoras pedagógicas e sem aprofundamento, como o relato a seguir:

Uma formação contínua não, não tem. Tem os congressos que a gente participa, as pequenas que a gente faz na rede, mas uma específica assim de sequência não (AP7 – R.A.).

Participo. Quando tenho uma oportunidade, eu geralmente participo. Esse ano, por exemplo, eu fui a dois, três congressos oferecidos pela prefeitura e essa é uma das vantagens de estar no cargo (AP4 – M.C.).

Ainda em relação ao momento da pesquisa, alguns assistentes pedagógicos disseram ter realizado formações nas áreas das deficiências, dificuldades de aprendizagem e leitura e escrita, como relatado a seguir:

180 horas lá na fundação Medicina ABC, com o Dr. Rubens, mas fiz o de deficiente intelectual com as meninas do CADE19, sempre estou fazendo, é isso que traz a atualidade (AP06 – M.G.).

Eu conheci no CADE, as formações que eu tive com relação às deficiências me ajudam muito na minha prática hoje em dia (AP09 – C.G.).

Este ano a gente teve pouca coisa de formações. O que a gente teve de bacana foi do projeto Trilhas, que é parceria com o Instituto Natura e trabalha com a formação de leitores e as coordenadoras eram as formadoras escolares. Foi bem bacana. Foi um projeto bem legal. As formações que foram oferecidas pelo Instituto Singularidades, que tratavam do papel do coordenador, também foram bem bacanas, teve que ele foi dirigida, uma parte do curso foi dirigida para as coordenadoras e outra parte do curso foi dirigida para os professores (AP3 – K.Z.).

Na análise dessas questões, de onze pessoas entrevistadas, nove citaram um curso que realizaram em serviço, denominado Ação Escrita, que contribuiu essencialmente tanto para sua prática de professor como de coordenador. Apontam alguns relatos que justificam a importância desse curso.

O Ação Escrita. Acho que sim, pois me fez mudar a concepção e me fez olhar a teoria e pensar em coisas práticas para fazer com as crianças. Eu acho que é isso que fez que vai dando base para os professores. Essa foi a mais importante e a partir desta eu fui buscar outras coisas; eu fiz uma pós em cima do mesmo tema (AP01 – L.Z.).

Porque o Ação Escrita foi um curso sistematizado de um tempo, de uma duração maior, então tinha toda uma sequência de trabalho, mas, partindo daí, outras palestras, outros cursos menores, também nessa área, facilitaram. Que eu me lembre, o Ação Escrita foi o mais marcante (APC.R.G.).

Teve o curso que eu fiz em 2008, aqui pela rede, o Ação Escrita, que fez com que a gente pudesse rever muita coisa na nossa prática e até refletir e colocar em prática muitas atividades. Eu tinha um 3º ano na época e muita coisa que eu estava aprendendo no Ação Escrita eu pude fazer com os meus alunos. Teve um resultado muito positivo, e são coisas que eu uso até hoje, pois influenciaram muito na minha prática enquanto AP (AP04 – M.C.).

19 CADE

Além de ter o foco no trabalho do aluno, no desempenho da aprendizagem do aluno, ajudava o assistente pedagógico, o coordenador, a organizar as pautas formativas para o trabalho com os professores, orientando toda dinâmicas das reuniões e o trabalho da escola também (AP05 – L.C.).

Olha o trabalho com o Ação Escrita. Ele faz a gente repensar muita coisa e muda tua concepção, tanto em relação à formação de aprendizado quanto de formador, porque te faz olhar algumas coisas de forma diferente. Então, o Ação Escrita que nós tivemos aqui na rede alguns anos atrás foi muito importante para essa mudança (AP07 – R.A.).

O Ação Escrita foi divisor de águas na rede. Eu já tinha isso. Foi uma nova concepção em alfabetização, e eu acho que o Ação veio contribuir. Me deu todos os subsídios enquanto formadora, desde preparar uma pauta, desde levar uma reflexão para... ah, uma discussão, acompanhar a discussão em ação, né. Só para você ter um exemplo, eu acho que eu vou voltar à primeira pergunta, mas nós fechamos a avaliação esse ano com os professores. Nós fechamos que para o ano que vem, o que que falta, a gente dá formação, muitos encaminhamentos em conselho. Mas faltou nós levantarmos algumas coisas em conselho e eu vi que tem professor que não fez. Eu nem tive pernas para acompanhar, por conta da estrutura aqui. Isso é uma coisa interessante, portanto nós fechamos com o grupo que no ano que vem, quando falarmos de revisão de texto, daqui 15 dias todos mundo vai aplicar e vai trazer. Então, em relação a essa formação em serviço, eu tenho isso bem claro que eu acho que vai discutir e trazer que isso ficou bem claro no Ação Escrita, a gente fazia isso todo tempo, e toda a questão teórica (AP10 – C.L.).

Ah, eu acho que o Ação Escrita foi um marco. Ele me ajudou porque mexeu com a concepção, primeiramente com a minha, né, e depois eu tenho que acreditar naquilo. Eu acreditei que era a proposta melhor, mais adequada, que favorecia a construção de conhecimento das crianças. Nesse sentido, eu acho que ela veio como um marco dentro da rede, que, além de eu ter esse privilégio de estar estudando com excelentes formadoras, né, que era a Rosa e a Mara na época, a gente teve que ao mesmo tempo passar para os professores. Eu lembro que eu tive um grupo de 28, durante dois anos; era um aprendizado constante. Eu achei que isso, como AP eu levava tanto para meu grupo de professoras, cursistas como para escola. Assim, a gente conseguiu lidar com as questões de aprendizagem voltadas à alfabetização depois desse curso. O que que me estimulou a estudar mais, a me aprofundar naquelas questões. Eu tinha argumentação pedagógica diante dos desafios na alfabetização (AP11 – R.S.).

Aqui na rede teve o Ação Escrita, que eu acho que contribuiu bastante mesmo. Fiz também enquanto professora, né, é, quando entrei na rede eu já fiz o curso, mas eu acho que me deu um grande aparato. Se a gente for pensar em questão de teoria, de alfabetização, eu acho que valeu bastante a pena. Teve um curso

oferecido pela rede que valeu a pena também, em 2008. Se eu não me engano, era sobre matemática, matemática no cotidiano escolar, durou um ano inteiro e também foi bem bacana, bem importante (AP03 – K.Z.).

O número significante dos sujeitos entrevistados que citou essa formação e o detalhamento das contribuições desse curso revela características que podem contribuir para uma boa formação do coordenador pedagógico.

Ao analisar os depoimentos, foi possível perceber algumas características do curso:

a) mudança de concepção; b) prática de sala de aula;

c) curso com duração de tempo maior, aprofundamento no tema e sequência de trabalho;

d) ajudava na prática do assistente pedagógico a realizar pautas formativas, levar à reflexão e a ser formador;

e) trabalhava com os cursistas conceitos, conteúdos; todos colocavam em prática na escola para posteriormente discutir.

Muitos desses aspectos revelam-se na teoria apresentada por Garcia (2009) no capítulo 4, nos princípios formativos, e na teoria de Schön (2000) apresentados no referencial teórico do capítulo 3, sobre a prática pedagógica.

Assim como apresentados nesse mesmo capítulo, alguns dos assistentes pedagógicos entrevistados foram formadores e outros professores.

Na última questão da entrevista, foi pedido que os assistentes pedagógicos sugerissem que tipo de formação desejavam realizar para ajudá-los nas suas ações. Segue o quadro com as sugestões.

Quadro 5 – Sugestões de formação

(Continua) AP1 Eu acho que eu preciso de ajuda para organizar pautas formativas e pra

sistematizar um trabalho que tem começo, meio e fim, porque, em geral, a gente vai tratando de falar das dificuldades das crianças, mas nem sempre isso tem continuidade.

Quadro 5 – Sugestões de formação

(Continua) AP2 Acho que gestão de relacionamento é muito importante. A gente precisa

trabalhar um pouco mais a relação profissional entre as pessoas no ambiente de trabalho, porque é muito difícil ainda a gente tentar organizar algumas questões e as pessoas envolvidas não levarem para o pessoal. Uma formação na área da matemática, acho que seria bastante interessante.

AP3 A intervenção, eu acho que é primordial a questão do planejamento, de saber um pouco mais sobre o planejamento do trabalho é sobre intervenção, é eu acho que tem coisas ainda que são equivocadas no na nossa função, que se misturam muito com as questões administrativas. Eu acho que precisava de mais formações com sentido de ter mais foco no pedagógico.

AP4 Que eu pudesse escolher algum tema para me aprofundar, olha nós tivemos o singularidade também agora a pouco tempo aqui na rede que falou justamente para o coordenador pedagógico, então foi uma coisa que contribuiu bastante. Então, lá a gente falou um pouquinho dessa questão, que eu falei que faltou pra mim na minha formação da organização da rotina e, como eu tava começando na função, recentemente me auxiliou bastante a enxergar um pouquinho como seria o meu trabalho, né.

AP5 Então, acho que gestão de pessoas seria uma ótima formação. Coordenação de grupo, estratégias de trabalho para grupos, dinâmicas, elaboração de pauta de trabalho, acho que seria formações nesse sentido, que contribuiria muito para o trabalho do AP na rede.

AP6 Eu acho que como AP, a liderança, a gestão, a ética, não que a gente não tenha, mas acho que lapidar essa postura é muito importante, saber conquistar o grupo, não uma forma disciplinadora, mas assim você saiba passar, mas também saiba cobrar. Tudo isso a gente consegue aprender, mas na raça e, às vezes, assim como alguns cursos, você pode aprender diferente.

AP7 É uma formação voltada para área de matemática, porque, para a alfabetização, para área de escrita, a gente tem muito embasamento, mas na área de matemática acho que fica um pouco a desejar, porque aí eu, tendo essa formação, consigo passar o trabalho diferenciado para as meninas.

AP8 Eu gostaria de me aprofundar nas questões de políticas públicas. Acho que dentro da escola a gente precisava se aprofundar mais nestas questões, até para a gente ter alguns parâmetros mais amplos para poder melhorar alguma coisa, porque a gente fala, a gente tá engatinhando na educação, mas alguma coisa errada tem acontecido. Se a gente percebe que nossos índices das provas externas são ruins, né, porque 5 ou 4 é muito baixo, tudo bem que a gente sabe que a média do Brasil também é baixa, mas o que pode ser feito para melhorar isso, né. Então, a gente tinha que pensar mesmo em estratégias de trabalho de sala de aula, porque existem falhas ainda, pensar em formações pontuais para qualificar o trabalho de leitura em sala de aula, de escrita também.

Quadro 5 – Sugestões de formação

(Continua) AP9 Eu acho que uma formação como gestora, porque eu não tenho, sou uma

gestora, mas eu não tenho uma formação específica sobre isso, que trate da gestão escolar, porque eu não pretendo fugir da área, para ver quais são os novos teóricos, quais são as novas propostas.

AP10 Eu acho que formação em outras áreas, acho que falta, matemática em primeiro lugar, porque o que eu busquei, tive algumas formações na rede, mas falta muito, só que acho que eu to meio caminha andado, o que eu gostaria muito de fazer, completar com formação em corpo movimento, arte, música, teatro, outras áreas.

AP11 Eu gosto de formações que são voltadas à gestão, eu gosto. De gestão voltada à coordenação eu queria muito. Acho que é importante focar como o AP organiza o trabalho dele frente aos grupos de professores, como ele é,,, desenvolveria um trabalho voltado à leitura de semanário, a uma formação que ele deve organizar diante dessa formação, como ele faria esse trabalho, mas como assim, ele organizaria diante do tempo que ele tem semanalmente, do tempo que ele tem quinzenalmente, então seria uma organização de gestão, a médio, a curto e a longo prazo, diante de toda demanda do coordenador.

Sete dos sujeitos entrevistados sugeriram formação na área da gestão, em como melhorar o trabalho do assistente pedagógico, no planejamento das ações, nas intervenções nas devolutivas, na organização da rotina, para cumprir sua função, ou seja, reflexão sobre suas ações.

Isso mostra a pertinência da formação em serviço pelos coordenadores para qualificarem suas ações na formação do professor, que é o seu foco principal.

A especificidade das áreas do conhecimento também mostram-se importantes no processo de formação do coordenador, como apontam quatro das assistentes pedagógicas que desejam saber sobre as áreas para se tornarem parceiras experientes dos professores.