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La description des contextes choisis

Chapitre 3 : La méthodologie

3.1. Méthodologie

3.1.2. Échantillonnage des macrorestes

3.1.2.1. La description des contextes choisis

De acordo com o que vem sendo discutido, a percepção dos riscos ambientais envolve diferentes fatores, entre eles destacam-se aqui, o conhecimento que se tem sobre o processo natural relacionado ao(s) risco(s). Ou seja, só é possível perceber os riscos de inundações, por exemplo, quando se tem uma noção do que são inundações e dos fatores que condicionam a ocorrência das mesmas. Já a adoção de medidas preventivas vai depender, além das condições econômicas, da percepção que o sujeito apresenta sobre os riscos e suas possíveis consequências. Baseando-se nisso, discute-se nesse subitem, o papel da EA frente aos riscos de inundações, sublinhando que a mesma pode transmitir e produzir conhecimentos capazes de exercer influência no desenvolvimento de percepções mais próximas da realidade objetiva, assim como no modo de reagir frente aos riscos em questão.

A educação ambiental é um processo social e político fundamental na construção de estruturas cognitivas e conceituais do indivíduo, pelo fato de desenvolver juízos de valores e percepções (GARCIA, 1993). Ou seja, a EA exerce influência no desenvolvimento da percepção das pessoas, o que ocorre em função do fato de que através dela é possível transmitir importantes informações, contribuindo para que o indivíduo assimile conhecimentos importantes no desenvolvimento da percepção ambiental.

A EA deve ser entendida como o processo que permite ao indivíduo compreender as relações de interdependência com seu entorno, a partir do conhecimento reflexivo e crítico de sua realidade biofísica, social, política econômica e cultural, para que, a partir da apropriação da realidade concreta, possam ser geradas atitudes de valorização e respeito por seu ambiente. (SANTOS, 2007).

Considerando-se que a EA abrange práticas que colaboram para que o indivíduo perceba melhor o ambiente ao seu redor e suas inter-relações, compreende-se que a mesma apresenta grande potencial no sentido de favorecer mudanças importantes na percepção dos riscos ambientais, já que estes se destacam significativamente dentro da problemática ambiental que vem se revelando à sociedade. Nesse sentido, Souza (2006, p. 57) coloca que:

Cabe à educação ambiental colaborar para a construção de um conhecimento crítico a respeito dos riscos, além de despertar novos valores ou resgatar valores perdidos, atuando conseqüentemente na formação de atitudes positivas para com o ambiente e com a própria vida.

Nas atividades de EA voltadas para os riscos de inundações é fundamental que sejam transmitidos conteúdos para que os residentes locais compreendam os componentes e relações que caracterizam as planícies fluviais, a fragilidade das mesmas, o que é e como se dá o processo de inundação e como o ser humano pode atuar de modo a reduzir as chances de ocorrerem inundações com danos significativos. Os educadores ambientais precisam colaborar para que a população perceba que o sistema ambiental apresenta múltiplas interações entre seus componentes, e que por isso, uma dada ação atua mais diretamente sobre um determinado componente, mas indiretamente compromete os demais, o que por sua vez compromete o equilíbrio ambiental e consequentemente interfere na vida das pessoas. Desse modo, torna-se mais fácil que os moradores do bairro

compreendam como se configuram os riscos de inundações e consigam percebê-los de outro modo, estando conscientes de que podem estar sujeitos à ocorrência de inundações e seus impactos, mesmo que nunca tenham ocorrido danos significativos que tenham afetado todas elas.

Campos (1999) também teceu importantes considerações sobre uma educação ambiental voltada para o entendimento dos riscos ambientais e de outros tipos de riscos presentes na sociedade, conforme se destaca a seguir:

La “educación ambiental” constituye un promisorio punto de apoyo para el fomento temprano de una conciencia integral de riesgo entre los jóvenes, es decir, no limitada a los “riesgos de desastre”. Ampliación particularmente relevante, porque la educación formal tiene un papel decisivo en la formación de conciencia y responsabilidad ante las variadas formas de riesgo existentes en una sociedad concreta, afectando diferencialmente a sus integrantes.(CAMPOS, 1999, p. 54)

Diante do que foi comentado sobre a percepção dos riscos de inundações na área, ressalta-se a importância de um programa de EA que exponha e discuta com os moradores (crianças, jovens, adultos e idosos) os condicionantes das inundações, levando-as a entender entre outros aspectos, a relação entre a ação antrópica e os riscos de inundações, pois se sabe que na referida área, os riscos de inundações são agravados por ações inadequadas de alguns moradores, como o despejo de lixo no rio, fato que ocorre em muitas outras áreas e é enfatizado na citação seguinte:

Embora os condicionantes das cheias e inundações tenham a sua origem em fatores naturais, as intervenções antrópicas têm se mostrado determinantes no agravamento das consequências desses fenômenos. O uso e ocupação das planícies naturais de inundação, a obstrução dos cursos d’água por obras hidráulicas inadequadas e pelo lançamento de lixo, a impermeabilização dos solos urbanos dentre outras, são ações que contribuem para agravar o impacto sócio-econômico dos eventos de cheias. (MEDEIROS, 2011, p. 2)

Ou seja, a EA pode levar as pessoas a entenderem os condicionantes antrópicos das inundações, tais como o acúmulo de lixo e a impermeabilização do solo, e desse modo, poderá contribuir para que elas evitem ações que reforcem a existência desses condicionantes. Deve-se, portanto, estimular e fortalecer a consciência de que as ações humanas podem condicionar o aumento dos riscos de inundações, fazendo com que as pessoas reflitam sobre suas ações e assumam

novas posturas. É preciso sensibilizar as pessoas, levá-las a compreender que o ato de jogar lixo nos canais fluviais e em suas margens pode colaborar para a ocorrência de inundações com consequências mais significativas, na medida em que dificulta o escoamento das águas. É necessário explicar ainda que o desmatamento nas margens de rios e riachos também acarreta repercussões negativas que refletem na vida humana e nos ecossistemas de modo geral, enfatizando que potencializam a ocorrência de inundações.

Ao colaborar para a construção de uma percepção de riscos mais próxima da realidade objetiva e mais alinhada com o viés técnico, ao orientar medidas e planos de ações que visem evitar ou pelo menos minimizar possíveis danos, a educação ambiental estará exercendo parte de seu papel, construindo valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, para a qualidade de vida da sociedade e sua sustentabilidade.