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DESCRIPTION DES COMPOSANTES DU MILIEU .1 Milieu physique

Dans le document MINISTÈRE DES TRANSPORTS DU QUÉBEC (Page 52-56)

Carte 2-2 Problématique du tronçon de la route 175 à l’étude

3.2 DESCRIPTION DES COMPOSANTES DU MILIEU .1 Milieu physique

Para apreender dos jovens agricultores familiares suas perspectivas relativas à permanência na atividade agrícola familiar, procurou-se sondar sua avaliação do modo de vida dos pais, atualmente em plena atividade como agricultores familiares, com a intenção de apreender seu interesse em reproduzir os mesmos modos de vida e atividade. Nesse primeiro momento, foi-lhes perguntado: “Como você avalia o modo de vida de seus pais? Você gostaria de viver do mesmo modo de seus pais? Você gostaria de suceder seu pai ou sua mãe na gestão da propriedade familiar?”

À primeira pergunta, referente ao modo de vida de seus pais, 20% escolheram a opção ótimo, 48%, bom, 12%, regular, 20%, ruim, e ninguém marcou a opção péssimo. Deste modo, percebe-se que predominam avaliações positivas sobre a questão. Em geral, as respostas negativas sobre o modo de vida dos pais (regular, ruim), somando 30%, revelam alguma dificuldade de os jovens assumirem um dia o lugar dos pais, caso se considere a sua avaliação. As respostas de teor negativo podem significar, mais do que rejeição, o desejo de modificar os modos de vida, de relacionamento no grupo doméstico, bem como os modos de trabalho. Em grande parte, demonstram que estão em conformidade com o modo de vida dos pais (tabela 20).

A segunda pergunta, relativa à possibilidade de viver como seus pais, foi proposta para apreender a disposição dos jovens em reproduzir tal modo de vida: Foram oferecidas três opções: sim, sim, mas com mudanças e não. Os resultados apontam 40% respostas

afirmativas, 20%, negativas, e 40%, para sim, mas com mudanças. Percebe-se que existe, para mais da metade dos entrevistados, uma disposição favorável à reprodução do modo de vida dos pais, mesmo com mudanças, e menos da metade, mas com um percentual expressivo, não coloca em seus projetos a vontade de viver do mesmo modo dos pais, ou seja na agricultura familiar ou no trabalho familiar agrícola. Percebe-se também que os jovens agricultores familiares acolhem os valores vividos no trabalho familiar que receberam dos pais e em que estão inseridos, mas pensam em promover algumas mudanças, como por exemplo, residir na cidade, não casar com agricultor ou com agricultora, prosseguir os estudos para arrumar emprego na cidade. Essa indicação confirma as respostas dadas pelos mesmos jovens à questão referente ao ser jovem: “ouvir os mais velhos, mas não se prenderem a eles” (ROSA), e “contribuir para a transformação do mundo e da sociedade” (AMANDA).

Segundo Abramovay (1996, p. 35), “o processo sucessório e a formação da nova geração de agricultores parece obedecer a uma espécie de automatismo: a agricultura familiar produz, gera novos agricultores familiares”. No entanto, outros fatores estão em jogo no processo de socialização das novas gerações, como por exemplo, a propriedade: todos os agricultores familiares são pequenos proprietários e não há, na região, a possibilidade de aquisição ou de ocupação de novas terras. Como o trabalho na agricultura familiar é totalmente vinculado à terra, os filhos sabem que nem todos vão poder suceder os pais na agricultura, e os pais vivem o dilema de escolher a qual dos filhos vai caber a sucessão. Além da sucessão na propriedade, outro dilema que se apresenta na agricultura familiar diz respeito à reprodução do modo de vida ligado à atividade agrícola. Segundo Ferreira e Alves (2009, p. 246),

para os jovens que vivem no campo, as oportunidades de trabalho e construção de autonomia são mais difíceis, pois se inserem em padrões culturais que operam com a lógica da continuidade da atividade agrícola, em estreita relação com o tamanho da terra a que estejam vinculados por laços de família. Assim a transmissão da propriedade – e sua continuidade –, que passa pelos critérios de sucessão/herança, constitui um dos fatores que provocam a desestabilização da agricultura familiar e o afastamento dos jovens das lides agrícolas.

Assim, pode-se perceber a complexidade de situações que envolvem a disposição dos jovens filhos de agricultores familiares em reproduzirem seu grupo social de origem. O processo de trabalho familiar agrícola atua como mecanismo de socialização e tende, portanto, para sua reprodução, mas fatores como o tamanho e a transmissão da propriedade

agrícola e a não disponibilidade de expansão das áreas de produção reduzem, para os jovens, as possibilidades de estabelecerem-se com autonomia na atividade que aprenderam com os pais.

5.1.1 Sucessão dos pais na gestão da propriedade agrícola

Outro fator determinante para a reprodução da agricultura familiar, na preocupação dos jovens, é o processo sucessório, em virtude da pouca possibilidade de os filhos, engajados no trabalho familiar agrícola com os pais, virem a sucedê-los na gestão da propriedade que é, geralmente, muito pequena. Para apreender como os jovens sujeitos desta pesquisa enfrentam essa questão foi apresentada mais uma pergunta, com o intuito de sondar as disposições dos jovens agricultores familiares para reproduzirem a vida na agricultura familiar: “Você gostaria de suceder seu pai ou sua mãe na gestão da propriedade familiar?” Quatro opções foram oferecidas: sim, não, mais ou menos, e ainda não pensei nessa possibilidade (tabela 21).

Uma vez que o processo sucessório corresponde à transferência da gestão da propriedade de pais para os filhos, ou de uma geração à outra, é uma situação complexa, porque depende de diversos fatores, como o número dos filhos, o tamanho da propriedade, o desejo de se estabelecer na cidade, a qualidade da terra, entre outros. Por isso mesmo esta pergunta exigiu dos entrevistados uma reflexão mais acurada e trabalhar ao mesmo tempo suas disposições interiores e confrontá-las com a realidade material e externa da propriedade e do número de herdeiros.

Verifica-se que 40% escolheram SIM, que gostariam de suceder os pais; para 32%, a resposta foi negativa, não contam com essa possibilidade em seus projetos; 20% deles afirmam não terem clareza, ficando no MAIS OU MENOS; e 8% responderam negativamente ao afirmar não estar preocupados com a sucessão dos pais. O percentual dos que responderam que pretendem suceder os pais predomina sobre as demais alternativas, mas representa menos da metade dos entrevistados.

No entanto, é também expressivo o percentual dos que ainda não se preocupam com a questão, alternativas mais ou menos e ainda não pensei nessa possibilidade. Os dados podem revelar que não estão muito interessados por essa questão em suas perspectivas de futuro.

É sintomático que 32% dos que responderam ao questionário não pretendam suceder aos pais na gestão da propriedade familiar. Pode ser que eles pensem em outras

oportunidades de trabalho não agrícola, porque não elegeram o modo de vida dos pais para sua realização profissional.

A questão da herança da propriedade familiar também influencia a disposição em reproduzir o modo de vida dos pais no trabalho agrícola familiar. Foi perguntado, então, quais as expectativas dos jovens em herdar a propriedade dos pais: 20% informam ser os únicos herdeiros; 20% que não vão herdar a terra; 30% que não há espaço para todos os herdeiros; 10% pensam que vão herdar por igual; e 20% que vão ter ainda que negociar para ver quem sucederá os pais na gestão da propriedade.

Esses dados revelam a importância da propriedade e seu tamanho, para a questão da reprodução social da agricultura familiar na região onde todas as propriedades são pequenas. A escolha por “Não há espaço para todos” manifesta duas possibilidades: que a propriedade poderá ficar com um dos filhos, mediante negociação, ou que sabem que não vão herdar a propriedade.

De fato, conforme tabela 22, as propriedades de terra dos agricultores familiares da região de Baixa Verde, em média têm seis alqueires, são pequenas para uma distribuição entre dois ou mais filhos.

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