Na abordagem que enfatiza o ensino temos a teoria comportamentalista como principal referência e John Broadus Watson (1878 – 1959) e Burrhus Frederic Skinner (1904 -1990) como os maiores representantes. Essa abordagem é conhecida como ambientalista, associativista, comportamentalista, empirista ou behaviorista (REGO, 2010, p. 88; BOCK, FURTADO & TEIXEIRA, 1999, p. 45). O termo behaviorismo foi introduzido pelo americano John Broadus Watson, em um artigo de 1913 intitulado:
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“Psicologia: como os behavioristas a veem”. Watson, elegendo o comportamento como
objeto da psicologia, funda seu pressuposto como base de que ao nascermos somos corpo biológico e fisiológico, portanto todo conhecimento e psiquismo humano são construídos socialmente e resultado direto da experiência, da vivência. Skinner acrescenta às constatações de Watson que não somente a experiência, mas sua aliança com a ação é que promove a aprendizagem (SKINNER, 1968/1972, p. 06).
Além de ser socialmente constituído, esse conhecimento precisar ser experimentado, observado, pois o comportamentalismo é uma ciência positivista. Por isso, para o Behaviorismo, somos parecidos com qualquer animal do ponto de vista biológico e nos processos básicos do comportamento (SKINNER 1968/1972), portanto, as pesquisas sobre o comportamento humano vão ser desenvolvidas em animais em condições controladas e, depois, generalizadas para o comportamento humano, partindo da premissa de que as maiores estruturas que possuímos, assim como nos demais animais, são os instintos. Essa abordagem não considera o simbolismo e o psiquismo humano a priori. Para o behaviorismo o condicionamento é a forma como se processa o conhecimento. Seu pressuposto básico é que quem aprende não sabe como aprendeu. Segundo Skinner os reforçadores precisam ser modelados, dispostos em determinadas contingências, e ter uma programação (SKINNER, 1968/1972, p. 15).
A questão central para o behaviorismo (que implica o campo da educação) é como o conhecimento é ensinado às pessoas, como esse conhecimento que está fora do ser vai ser internalizado, instalado, copiado. O aprendizado é, na verdade, uma sucessão de respostas a estímulos do meio. O condicionamento é esse processo de aprender sobre determinadas condições, onde as respostas são observáveis e advêm de estímulos externos. Por isso, o behaviorismo, ao pensar sobre o conhecimento, parte do ponto de que tudo o que os seres humanos vão conhecer vai ser aprendido do meio social, das experiências, das intervenções externas (MIZUKAMI, 2007, p. 19). Para Skinner (1968/1972, p. 62) esse processo de condicionamento na educação é “simples e direto”. O ensino é um arranjo de contingências sob as quais os alunos aprendem. Eles podem aprendem sem serem ensinados no seu ambiente natural, mas os professores arranjam contingências especiais que aceleram a aprendizagem, facilitando o aparecimento do comportamento que, de outro modo, seria adquirido vagarosamente, ou asseguram o aparecimento do comportamento que poderia, de outro modo, não ocorrer.
As teorizações de Skinner e Watson foram decisivas para as formulações no campo educacional. O behaviorismo foi adotado pela educação, implicando métodos
49 diretivos ao considerar que o aluno, para conhecer, precisa preencher vazios que possui, cabendo ao professor e as tecnologias de ensino a tarefa de transmitir tais partes. As experiências educacionais baseadas no behaviorismo são agrupadas dentro do campo da Pedagogia nos conceitos de pedagogia tradicional ou abordagem empirista. Ressalta o papel do professor, dos métodos de instrução e dos conteúdos, pois aprender é uma consequência do ensinar; o aprender está subordinado a quem ensina. A função da escola é a preparação moral e intelectual do aluno para assumir sua posição na sociedade porque o compromisso da escola é a transmissão da cultura e a modelagem do comportamento (ANTUNES-ROCHA, 2011, p. 5; REGO, 2010, p.89).
Rego (2010) aponta outras características dessa abordagem na pedagogia tradicional: os conteúdos são descontextualizados da realidade social e cotidiana do aluno; as regras de convívio e estudo são impostas por uma instância diferente e
superior aos alunos; a “cultura geral” é o centro dos conteúdos que devem ser ensinados
via transmissão, por isso o estudante assume um papel secundário e passivo devido a sua imaturidade e inexperiência; o trabalho individual, o silêncio, a concentração, o esforço e a disciplina são valorizados, pois são condições para que o aluno receba os conhecimentos do professor, logo a conversa, as trocas de informação, a interação são tidos como dispersão, bagunça, indisciplina; o adulto, representado na figura do professor e dos que ocupam os cargos de direção, coordenação e supervisão é considerado um ser acabado, pronto e perfeito que deve transmitir às crianças o conhecimento e, por consequência da organização didática e estrutural da escola, bem como moldar seu caráter e seu comportamento; cabe ao adulto montar os programas a partir de uma progressão de graus de complexidade das disciplinas, além de direcionar, punir, treinar, vigiar, avaliar periodicamente as produções e os comportamentos dos alunos; é ele que garante que o ensino se concretize em aprendizagens; o produto da aprendizagem é aquilo que a criança consegue fazer sozinha; o erro deve ser eliminado, por isso se processam associações entre estímulos e respostas corretas; aprendizagem é comparada com memorização e repetição.
Em síntese, essa abordagem leva em consideração que o conhecimento vem da experiência, pois parte da premissa que o sujeito, ao nascer nada conhece. Sua relação com o mundo empírico através dos órgãos do sentido imprime nele os conhecimentos. Dessa forma, conhecer está associado à experiência no meio físico e social e se concretiza pela mudança no comportamento. Esse, por sua vez, se dá pelo treinamento e pelo condicionamento, conforme as leis do condicionamento operante de Skinner.
50 Dessa forma o intelecto humano é formado pelos fatores externos ao sujeito. O desenvolvimento e a aprendizagem são um único processo que ocorre simultaneamente. As mudanças no comportamento revelam o grau de aprendizagem e de desenvolvimento dos sujeitos. Essa abordagem associada à educação trouxe a formulação de uma proposta em que o professor, como eixo central da formação, domina o planejamento das ações pedagógicas e controla o comportamento dos alunos por meio de reforços. O professor ensina ao aluno por meio de transmissão de conteúdos, que deve seguir uma lógica progressiva e cumulativa. Por isso aprender é sinônimo de memorização e repetição de um conhecimento que é externo ao aluno.