Chapitre 8 : Le discours linguistique et ses applications
1. Des difficultés d’appropriation des concepts grammaticaux
Tomada de posição
[Já sabemos que aquilo que cada um de nós faz na construção de um mundo melhor é só uma gota no oceano. O que talvez não saibamos plenamente é que sem essas gotas o oceano deixaria de existir. Pois é! Num momento em que se fala tanto de onda de violência, de atentados aos direitos humanos, de ataques sangrentos, faz-se necessário retomarmos a idéia da responsabilidade de cada um para com o mundo em que vivemos.]
O editorial inicia partindo do pressuposto de que os leitores se esforçam pela melhoria do mundo e isso está implícito na expressão “aquilo que cada um de nós faz
na construção de um mundo melhor”. Portanto, não é aquilo que alguns fazem por um
A idéia de um mundo melhor surge como analogia a uma das propostas da linha editorial da revista: a construção de um mundo unido. Essa proposta aparece com freqüência nas páginas de Cidade Nova a tal ponto que uma das seções da revista se chama justamente “Mundo unido”.
Outro dado interessante desse trecho é que o editorial recorre à intertextualização restrita e explícita com o dito popular “é só uma gota no oceano” para mensurar o empenho de “cada um” por “um mundo melhor”. Mas o objetivo não é confirmar o dito e sim redimensioná-lo: “O que talvez não saibamos plenamente é que sem essas gotas o oceano deixaria de existir”. Portanto, o ponto relevante desse trecho é a idéia de que o protagonismo de cada pessoa, mesmo que seja com pequenas ações, é essencial para que o mundo se torne melhor.
Em seguida, nota-se outro recurso intertextual marcado pela seguinte expressão: “Num momento em que se fala tanto de onda de violência, de atentados aos direitos
humanos, de ataques sangrentos”. Quando o autor afirma “num momento em que se
fala”, ele está chamando a atenção para outros textos presentes na voz dessas pessoas – que podem ser os jornalistas – que estão falando em “onda de violência, de atentados aos direitos humanos, de ataques sangrentos”.
E a afirmação “faz-se necessário retomarmos a idéia da responsabilidade” dá indicação do uso de um processo intertextual que vem bem caracterizado pela presença do verbo “retomar”, que significa tomar novamente, ou seja, a revista afirma que está resgatando um tema que já foi abordado anteriormente, provavelmente em outra ou outras matérias de Cidade Nova.
Nesse sentido, o texto parte do pressuposto de que os leitores, por serem assinantes, já leram algo sobre essa idéia de que cada um tem sua parcela de responsabilidade sobre o mundo em que vive.
Por meio da intertextualidade é possível resgatar essa noção de responsabilidade individual com o mundo em muitos textos da revista. Citamos alguns a título de exemplo: “Não tenha medo de ser protagonista” (CN nº8, 2002, p. 3); “Protagonistas de uma nova cultura” (CN nº4, 2001, p. 35); “Leigos- protagonistas” (CN nº7, 1998, p. 38 e 39).
De fato, há um destaque significativo nas páginas de Cidade Nova à importância da atuação efetiva e participativa dos indivíduos no ambiente social em que estão inseridos. Recentemente a revista – assim como aconteceu com seção “Mundo Unido” –
criou uma seção específica para enfatizar e incentivar o protagonismo de seus leitores na sociedade. Por esse motivo, a seção se chama “Protagonistas”.
[A mídia com a sua velocidade na exposição dos acontecimentos poderia nos dar a impressão de que os fatos acontecem fora de nós. Conseqüência disso: ou nos acostumamos às tragédias que ocorrem ou a nossa indignação não transcende a esfera dos sentimentos, o que não nos leva a uma tomada de posição.]
Aqui o texto faz uma critica ao ritmo frenético da mídia e à forma como as notícias são elaboradas, de maneira tal que cria um certo distanciamento entre o fato noticiado e as pessoas que o acompanham, fazendo-as permanecerem inertes e limitadas ao sentimentalismo.
Essa postura está em diálogo, por meio da intertextualidade restrita e implícita, com os textos dos anais do Seminário Internacional sobre Comunicação de 2003 – promovido pela NetOne, entidade ligada ao Movimento dos Focolares – que defende a existência de uma finalidade intrínseca da comunicação: o encontro entre uma pessoa e o mundo que a circunda, ou seja, a comunicação deve ser encontro e não simples relação.
Esse conceito está embasado na noção de uma comunicação “verdadeira” tanto para aquele que comunica quanto para seu interlocutor, uma comunicação que gere diálogo fazendo com que as pessoas “não permaneçam da mesma forma que estavam antes da respectiva interação comunicativa” (Siniscalco, p. 45, 2003).
Portanto, o editorial da revista manifesta uma relação dissonante com a forma de produção da notícia que anestesia o público, criando um certo conformismo nas pessoas diante dos acontecimentos, mesmo naqueles catastróficos. Intrinsecamente Cidade Nova se define com um veículo que diverge da grande mídia no aspecto da construção e função da notícia.
[No entanto, posição é o que precisamos ter diante do mundo. Como dizia Gandhi: “Ninguém toca no outro sem tocar em mim!”.]
A idéia do protagonismo defendida pela revista vem reforçada por uma intertextualização restrita e explícita com o texto de Mohandas Karamchand, o Mahatma Gandhi. Interessante observar que Cidade Nova é uma revista ligada ao universo católico e ainda que Gandhi seja uma personalidade reconhecida e respeitada por toda a comunidade internacional, não se pode esquecer que ele é um expoente do hinduísmo.
A referência a uma personalidade não cristã, como Gandhi, não é um fato isolado. Observa-se com muita freqüência essa postura nas páginas da revista e isso mostra uma outra característica do estilo da Cidade Nova: a abertura e o diálogo com as crenças religiosas. Apresentamos algumas matérias que dão destaque a personalidades de outras religiões, a título de exemplificação:
Budismo: Tenzin Gytaso, 14º Dalai Lama (Tibete, um drama esquecido, nº6, março de 1996, p. 14 a 15); Kojun Handa, um dos grandes expoentes do budismo tendai (De mãos dadas pela paz, nº 7, julho de 2002, p. 33).
Islamismo: Muhammad Khamenei, aiatolá diretor do Centro Filosófico do Irã (O amor, fundamento do verdadeiro Islã, nº 12, 2001, p. 9 a 11); Warith Dean Mohammed, imã e líder da ala moderada dos muçulmanos afro-americanos (Muçulmanos e Cristãos: o destino é a paz, nº 1-2, 2001).
Judaísmo: Henri Sobel, rabino presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista (Diálogo: caminho seguro de paz, nº 3, março de 1999); rabino Israel Singer, presidente do Congresso Mundial Hebraico (Chega de guerra: um grito de judeus e palestinos, nº 6, 2002, p.16 a 19).
Induísmo: Shri Krishnaraj Vanavarayar, um dos maiores exponentes do Hinduismo (Do Oriente, a paz, nº 6, 2002, p. 22 e 23).
[E a nossa posição poderá adquirir os mais diversos matizes, de acordo com a consciência e a criatividade de cada pessoa e de cada grupo. Pode haver quem se sinta interpelado a assumir um compromisso político partidário, quem se engaje em associações religiosas. Os caminhos são muitos. Mas existe o caminho por excelência: o amor pessoal e concreto que deve tornar-se visível em tudo o que fazemos.]
É interessante observar os seguintes trechos do editorial: “nossa posição poderá
adquirir os mais diversos matizes de acordo com a consciência e a criatividade de cada pessoa e de cada grupo”, “os caminhos são muitos” e “mas existe o caminho por excelência: o amor pessoal e concreto que deve tornar-se visível em tudo o que fazemos”. Eles evidenciam um conceito cultural da expressão “amor” e não apenas
religioso, ou seja, implicitamente se lê: não importa a convicção, aquilo que se faz ou em que se acredita, o importante é injetar o amor em todas as nossas ações.
De fato, assim como identificamos no estilo da revista um destaque para o diálogo inter-religioso, percebe-se também um espaço significativo dado à importância das manifestações culturais não necessariamente religiosas. Relacionamos algumas matérias que estão, de certa forma, intertextualizadas com essa postura: “Recriar o mundo com a beleza” (nº 6, 1999, p. 39 a 41); “A civilização do diálogo” (nº01-02, janeiro-fevereiro de 2001, p. 17) e “A opção pela não-violência” (nº09, setembro de 2002, p. 10).
Assim como acontece com a valorização ao diálogo inter-relogioso, o espaço que a revista reserva à cultura contemporânea nasce do dialogismo com o Movimento dos Focolares que – como mencionamos na análise do editorial nº 4, “Sob as cinzas da CPI” – tem o objetivo de contribuir para a “fraternidade universal e compor em unidade, na diversidade, a família humana mediante a quatro diálogos: com a Igreja Católica, com cristãos de diversas Igrejas e comunidades eclesiais, com fiéis de outras religiões e com pessoas de boa vontade de convicção não religiosa”, (Vandeleene, 2003, p.443)
[Acompanhando as constantes e sistemáticas violações aos direitos humanos e, sobretudo, à vida – podemos enxergar a força destruidora da violência, que gera sempre violência. Estamos diante de um círculo vicioso: combate-se o terror com o terror, um combate que gera mais terror. É, portanto, necessário romper esse círculo com o amor. Quanta violência já foi evitada porque alguém se dispôs a tomar a iniciativa de amor!
Cidade Nova já publicou diversos testemunhos neste sentido.]
Nesse trecho há uma intertextualização restrita e explícita com um outro dito popular: “A violência gera violência”, e é a partir desse processo intertextual que o editorialista cria uma analogia: “Combate-se o terror com o terror, um combate que gera
mais terror”. Em seguida, a revista apresenta uma espécie de solução para combater
essa postura considerada equivocada: “É, portanto, necessário romper esse círculo com o amor”.
Como afirma Discini (2004), estilo e intertextualidade estão estreitamente ligados. Nesse sentido, podemos observar, através de uma análise intertextual das matérias da revista, um recurso marcante no estilo de Cidade Nova: a postura propositiva de seus textos, ou seja, quando se apresenta um quadro negativo, logo em seguida quase sempre vem uma alternativa de mudança a esse respectivo quadro. Uma clara evidência do que estamos falando está no final desse trecho do editorial: “Quanta violência já foi evitada porque alguém se dispôs a tomar a iniciativa de amor! Cidade
Nova já publicou diversos testemunhos neste sentido”.
Isso significa que os artigos da revista não se limitam à apresentação dos acontecimentos como normalmente ocorre nos cotidianos e semanários. Nesse sentido, as matérias de Cidade Nova podem ser consideradas como opinativas e formativas. Isso porque – por meio do posicionamento marcante e explícito de sua linha editorial, associada ao Movimento dos Focolares – a revista vai formando a opinião dos seus leitores a partir da concepção focolarina no que diz respeito aos mais variados assuntos: ciência, política, economia, meio ambiente, família, sociedade, religião etc.
Portanto, segundo uma concepção bakhtiniana, podemos afirmar que os enunciados em Cidade Nova são tecidos por fios ideológicos, visando a uma transformação social: a construção de um mundo unido, que é um dos valores propostos pelos Focolares. Isso significa que o Movimento defende, de certa forma, uma transformação social que não significa, necessariamente, uma mudança de classes sociais, mas de mentalidade social, ou seja, que a comunidade internacional mire sempre uma convivência mais fraterna, pacífica, solidária e, sobretudo, unida.
Bakhtin afirma que é justamente através das palavras que ocorrem as mudanças sociais, até mesmo aquelas que ainda não adquiriram consistência e forma acabadas. Isso significa que Cidade Nova assume o papel de interação da axiologia do Movimento com os assinantes da revista, buscando a consolidação de uma nova cultura que nasce da espiritualidade focolarina.
[Assim como a conseqüência da violência é a perpetuação dela mesma, a conseqüência do amor é a sua autodifusão. E não existe nada mais produtivo do que difundi-lo sempre e concretamente – dizer concretamente é só força de expressão já que não existe amor sem que ele assuma forma em atitudes.]
O grifo desse trecho esta intertextualizado de forma restrita e implícita com um texto de Lubich que por sua vez está intertextualizado com narrativas bíblicas. Eis o pensamento de Lubich e em seguida os textos bíblicos:
Sem dúvida, amando em verdade, isto é, descobrindo Jesus nos irmãos, não amamos só com sentimentos e paixão, mas amamos concretamente. Desta vez façamos nosso lema ‘amar com fatos’. (Lubich, p. 95, 1993)
Filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas com ações e em verdade”. (1 João 3, 18).
Meus irmãos de que adianta alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Pode a fé salvar, neste caso? Se um irmão ou irmã não tem como quer se vestir e o que comer todos os dias, e um de vós lhes disser: ‘Ide em paz, aquecei-vos, bom apetite!’, sem porém, lhes dar o necessário para subsistir, de que adiantaria? Do mesmo modo a fé que não tivesse morta estaria morta no seu isolamento”. (Tiago 2.14 a 17).
Portanto, Cidade Nova, assim como o texto de Lubich e os trechos bíblicos, defende uma participação ativa dos indivíduos, ou seja: belos discursos não são suficientes, porque se necessita de ação efetiva, atos concretos de amor fraternal com os outros. E dentro de uma visão dialógica há também uma intertextualização com os ditos: “arregaçar as mangas” e “colocar a mão na massa”, que enfatizam a necessidade de ação concreta e imediata.
[Escutar alguém que está sofrendo por causa de alguma preocupação, por exemplo, pode parecer só um ato de compaixão sem maiores repercussões sociais. Mas se esse alguém estivesse decidido a cometer um ato de violência ou um ato de
terrorismo, essa simples escuta poderia significar a preservação de vidas inocentes. Quantas pessoas já foram salvas com esse método!]
O primeiro período desse parágrafo faz referência à importância dos pequenos gestos das pessoas, ilustrado com o ato de escutar alguém. No texto, esses pequenos gestos – aparentemente muito simples de se fazer e que as às vezes podem até parecer inúteis diante das mazelas e das necessidades da comunidade humana – são, na verdade, essenciais se vistos numa perspectiva dialógica, no grande mosaico que é a coletividade humana. Nesse sentido, o editorial resgata a idéia da importância da “gota no oceano”.
O processo dialógico mostra ainda que esse trecho está intertextualizado com muitos conceitos populares, como a história do passarinho que de gota em gota tentava apagar o incêndio da floresta, ou os ditos popular que dizem: “É de grão em grão que a galinha enche o papo” e “gota a gota o mar se esgota”.
Observamos ainda, neste trecho do editorial, uma intertextualização restrita e explícita com uma passagem de um dos livros do Movimento dos Focolares: “O evangelho não falha! Fatos do dia-a-dia”, organizado por Doriana Zamboni, uma das primeiras focolarinas (Zamboni, 2004, p. 91).
O texto do livro, que está intertextualizado com a passagem do editorial em destaque, tem como título “O mundo mudará”, e conta o episódio ocorrido com um jovem colombiano que, após um bate-papo com um desconhecido, numa estação rodoviária, conseguiu, sem dar-se conta, evitar um atentado terrorista. Isso porque o desconhecido pretendia explodir o ônibus que o jovem deveria tomar, mas após o diálogo que tiveram decidiu cancelar aquela missão trágica.
O livro destaca que o jovem não fez nada de grandioso para demover o desconhecido de sua intenção terrorista, até porque ele nem sequer tinha ciência dela. O jovem apenas lhe relatou alguns fatos de sua vida que eram inspirados no Evangelho, assim como lhe falou da confiança que tinha no amor como força capaz de transformar a Colômbia e o mundo.
O texto destaca que essa atitude foi suficiente para que o terrorista refletisse e desistisse do atentado que estava prestes a fazer, assassinando pessoas que nem sequer poderiam ser responsabilizadas pela situação política colombiana.
Portanto, uma atitude aparentemente sem grande repercussão foi a grande responsável pela salvaguarda de muitas vidas. Nota-se claramente a proximidade deste relato com o trecho do editorial: “Escutar alguém que está sofrendo (…) pode parecer só
um ato de compaixão sem maiores repercussões sociais. Mas se esse alguém estivesse decidido a cometer um ato de violência ou um ato de terrorismo, essa simples escuta poderia significar a preservação de vidas inocentes. Quantas pessoas já foram salvas com esse método!”
Por meio do dialogismo é possível perceber ainda que há uma intertextualização do editorial com outros artigos de edições anteriores da revista. Citamos alguns: “Pacificadores em ação: Atitudes que transformam” (CN nº 5, 2002, p.29); “A paz só pode se tornar uma realidade se for construída nos pequenos atos da vida cotidiana” (CN, nº 7, 2003, p.8); “Cidadãos que dão sentido à política: Com uma proposta clara de levar a fraternidade para a política, cidadãos de todos os níveis sociais atuam no aperfeiçoamento do processo democrático e na revitalização política. Em Porto Alegre, Natal e Brasília realizaram-se algumas experiências emblemáticas desse engajamento” (CN, nº 9, 2004, p. 18 a 21).
[Quando injetamos amor em todas as nossas ações, colocamos em movimento as nossas energias mais profundas, a nossa capacidade de transformação. E, do mesmo modo, provocamos nos outros esses mesmos resultados. Estabelece-se, assim, um círculo virtuoso que vai transformando aos poucos tudo o que está ao nosso redor. E isso tem uma potência inimaginável se pensarmos que, amando, colocamos em movimento a força de Deus que está em nós. Daí é fácil concluir que, se amarmos, tudo é possível já que é Deus o condutor da história.]
Aqui o editorialista trabalha com dois conceitos. No primeiro há uma inversão do conceito “violência gera sempre violência” ou seja, “o amor gera amor”. Essa inversão, de acordo com o texto, é a grande força capaz de transformar o mundo. No segundo, vem em evidência a noção da intercessão divina: Deus que atua diretamente nas ações humanas.
Acreditamos que essa concepção de que o amor gera amor e que contagia o mundo surge no editorial é mais uma evidência da relação dialógica entre Cidade Nova e o Movimento dos Focolares. Defendemos isso pela proximidade desse conceito apresentado no editorial com alguns textos de Lubich, por exemplo, quando ela enfatiza que o amor é uma força capaz de transformar até mesmo as estruturas do mundo e que o amor atrai amor. Destacamos dois trechos como exemplificação:
Sim, foi o amor, uma centelha que se acendeu, difundiu luz a seu redor e explodiu num incêndio.
O amor mesmo irradia, o amor mesmo dá testemunho. (Lubich, p. 77, 2004)
Nosso amor recíproco ocupará cada vez mais espaço em nossa vida e se tornará mais forte, será sempre mais a nossa ‘veste’.
Então, sim, o mundo à nossa volta se transformará pouco a pouco. Precisamos ser assim, viver assim, amar assim”. (Lubich, p. 155, 1993).
O segundo conceito trabalhado neste trecho do editorial diz respeito à atuação da divindade sobre a humanidade. Nota-se que há uma relação dialógica com a concepção judaico-cristã, principalmente nos textos do Antigo Testamento, livro sagrado tanto para os cristãos quanto para os judeus. Destacamos três passagens que mostram esse dialogismo:
Quem dotou o homem de uma boca? Ou quem o faz mudo ou surdo, o que vê ou cego? Não sou eu, Iahweh? Vai, pois, eu estarei em tua boca, e te direi o que hás de falar. (Exodo 4,11).
Não fica aterrorizado diante deles, pois Iahweh teu Deus, que habita em teu meio, é Deus grande e terrível. Iahweh teu
Deus pouco a pouco irá expulsando estas nações da tua frente; não poderás exterminá-las rapidamente: as feras do campo se multiplicariam contra ti. É Iahweh teu Deus quem vai entregá-las a ti: elas ficarão profundamente perturbadas até que sejam exterminadas. Ele vai entregar seus reis em tua mão, e tu apagarás seu nome de sob o céu: ninguém resistirás em tua presença, até que o tenhas exterminado. (Deuteronônimo 7,21- 24).
Toda a terra saberá que há um Deus em Israel, e toda essa assembléia conhecerá que não é pela espada nem pela lança que Iahweh concede a vitória, porque Iahweh é senhor da batalha e ele vos entregará em nossas mãos. (Samuel 17,46-47).