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Quanto à aplicação do modelo DPSIR em bacias hidrográficas, destacamos o estudo de Landim Neto (2013), que tem como um de seus objetivos a aplicação do modelo DPSIR na Bacia Hidrográfica do Rio Guaribas (CE). Desse modo, este estudo evidenciou a presença de três forças motrizes atuantes neste recorte espacial, na qual, inicialmente temos: a urbanização, da qual, utilizou-se como indicadores de pressões, a evolução demográfica e dos núcleos localizados nesta bacia, refletido sobre o estado através das condições do saneamento básico dos distritos municipais e na contaminação e uso das águas superficiais. Tendo como impacto, a emissão de efluentes domésticos sem tratamento, deposição inadequada de resíduos sólidos no campo de dunas, desmatamentos e queimadas. Sendo assim, consideram- se como respostas, meios que assegurem e melhorem os serviços públicos que envolvem a educação, saúde, saneamento, transporte, segurança, cultura e lazer.

A força motriz Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) (indústrias e alterações na paisagem local) tem como indicadores de pressão, a especulação imobiliária (transformações sociais, culturais, econômicas e ambientais) e alterações na distribuição da população tradicional e indígena. Desse modo, o estado referiu-se às instalações industriais do CIPP. Quantos aos impactos, temos os impactos cumulativos (impermeabilização do solo, extinção e fragmentação dos sistemas hídricos superficiais, desmatamento de extensas áreas, interferências na infraestrutura nas áreas de preservação permanente). Dessa maneira, foram sugeridas como respostas a implantação de unidades de conservação estaduais.

A força motriz utilização dos recursos naturais têm como indicadores de pressão, a evolução dos principais usos dos recursos naturais entre o período de (1958, 1988 e 2007). Quanto ao indicador de estado tem-se o uso atual da terra da bacia hidrográfica. Os indicadores de impactos utilizados foi um check-list das interferências humanas presentes nas localidades inseridas na bacia. Portanto, recomenda-se como respostas, a presença de organizações comunitárias em forma de associações e grupos organizados que direcionem as suas ações para o melhoramento da qualidade de vida da população residente.

Desse modo, com base nos resultados obtidos referentes ao citado estudo, na qual, remeteu-se à aplicação do modelo DPSIR. Percebe-se que neste trabalho, o objeto de estudo encontra-se inserido em uma área litorânea, o que de fato, demonstra que está sendo orientada por meio de uma dinâmica ambiental, econômica e social típica deste ambiente. Desse modo, a determinação das forças motrizes se deu com base nisso, e quanto aos outros indicadores,

estes foram fundamentados e complementados a partir da inserção de dados disponibilizados por diversas instituições e na visita a campo. Em contraste, a nossa área de estudo localizasse no interior do estado do Rio Grande do Norte, fazendo com que esteja norteada a respeito de uma dinâmica totalmente distinta em relação ao do estudo de Landim Neto (2013), no entanto, auxiliou-nos no estabelecimento das forças motrizes, que tiveram a identificação de suas pressões resultantes do registro de fotografias e de dados pesquisados. Que subsequentemente, possibilitou-nos através dos posteriores indicadores, gerar cenários preditivos para estes. Dessa maneira, a aplicação do modelo DPSIR no estudo de Landim Neto (2013) e no nosso, apresentaram-se de forma diferenciada, porém, acredita-se que através destas duas obras somando-se a tantas outras, proporcionarão benefícios para a literatura por meio da publicação de estudos de caso referentes à região Nordeste, com a aplicação do modelo DPSIR nas bacias hidrográficas consideradas como unidades de planejamento e gestão.

No que refere-se ao mapeamento do uso e ocupação da terra utilizando-se como objeto de estudo as bacias hidrográficas e tendo o subsídio das geotecnologias como metodologia empregada, temos trabalhos como o de Barbosa Neto et al. (2011) que propuseram como objetivo, a realização do mapeamento do uso da terra da Bacia Hidrográfica do Rio Natuba (PE) na escala de 1:25.000, possibilitando assim, reunir informação mais detalhadas acerca da utilização da terra, para se ter uma melhor compreensão da dinâmica e dos prováveis conflitos relacionados aos usos ali estabelecidos.

Desse modo, obteve-se como resultados uma diversidade de usos sobre este recorte espacial, sendo delimitadas onze classes, a citar: cana-de-açúcar (3,41%); cana-de-açúcar e mata em regeneração (0,62%); depósito de resíduos sólidos (0,4%); horticultura (6,2%); mata atlântica (11,85%); pastagem (1,01%); pastagem e frutíferas diversas (17,91%); pastagem e pedreiras (2,75%); policultura com a presença de cana-de-açúcar, pastagem, feijão, banana, macaxeira, mata em regeneração e frutíferas diversas (13,5%); policultura com a presença de horticultura, pastagem e frutíferas diversas (22,72%); policultura com a presença de pastagem, horticultura e frutíferas diversas (19,62%). Desse modo, a partir da análise dos dados, percebeu-se que cerca de 55,84% da área desta bacia é dominada por policultivos, que vem modificando a configuração de uma paisagem historicamente caracterizada por predominar o cultivo de cana-de-açúcar, da qual, vem perdendo espaço. Além da identificação de conflitos referente à localização de um depósito de resíduos sólidos inadequado.

Mais ainda, em estudo Ferreira e Pereira Filho (2009) objetivaram a produção de mapas temáticos referentes ao uso e ocupação da terra de três Sub-Bacias Hidrográficas

(Arroio Cadena, Rio Vacacaí-Mirim e Rio Ibicuí-Mirim) localizadas no Rio Grande do Sul para o ano de 2006, através do apoio das geotecnologias, na intenção de obter dados acerca do meio físico dos recortes espaciais em estudo, além de, correlacioná-los com informações referentes à morfometria e declividade média, servindo como auxílio, para uma adequada organização.

Desse modo, o fator declividade foi o principal condicionador do uso e ocupação da terra destas três sub-bacias, na qual, foi verificado que, em decorrência da presença de elevadas declividades em alguns locais, o que impossibilita o manejo de determinados usos intensivos. O que dessa maneira, proporcionou a existência de uma vegetação mais preservada e densa. Por outro lado, as que não apresentaram a mesma configuração quanto ao relevo, exibem usos e ocupações inadequadas, das quais, refletem sobre a qualidade ambiental e dos recursos hídricos.

Assim, na Sub-Bacia do Arroio Cadena foram distinguidas quatro classes de uso e ocupação da terra, das quais temos: corpos d’água (0,30%); área urbana de Santa Maria (62,40%); floresta Sub-Caducifólia (19,50%) e, campos e vegetação de pequeno porte (17,80%). Já na Sub-Bacia do Rio Vacacaí-Mirim, determinou-se cinco classes, a saber: corpos d’água (0,94%); agricultura (15,47%); área urbana e de uso misto (22,44%); pastagens (6,06%) e, floresta Sub-Caducifólia (55,09%). Por fim, na Sub-Bacia do Rio Ibicuí-Mirim estabeleceu-se as seguintes classes, a citar: corpos d’água (1,53%); agricultura (29,03%); floresta Sub-Caducifólia (35,41%); campos (18,82%) e pastagens (15,21%).

Além destes, também há o de Cardoso e Aquino (2014) que detém como finalidade a elaboração do mapeamento do uso e ocupação da terra da Sub-Bacia do Riacho do Roncador (MA), utilizando-se de imagens de alta resolução espacial obtidas do Google Earth (Google ©). Como resultados, estabeleceram-se quatorze classes de uso e ocupação da terra, a saber: vegetação nativa (70%); loteamento (17,4%); agricultura (4,6%); Solo exposto (2,1%); edificação urbana/rural (1,5%); água (0,6%); indústrias (0,5%); mineração (0,4%); reflorestamento (0,4%); pista de pouso (0,2%); linha de transmissão de energia da CHESF (1,6%); lixão (0,1%); rodovias (0,6%); linha férrea (0,01%). Conforme os dados citados, a classe vegetação nativa predomina sobre este recorte espacial, porém, nesta classe estão incluídos vários estágios de regeneração.

E por fim, o de Seabra et al. (2014), na qual, pretendeu-se como objetivo, entender a organização espacial dos usos e ocupações da terra existentes na Bacia Hidrográfica do Rio Taperoá (PB) por meio da representação espacial destes. Desse modo, neste recorte espacial, foram determinadas sete classes de uso e ocupação da terra, a saber: agropecuária (71,29%),

água (0,57%); areia (0,52%); caatinga (26,49%); cobertura de nuvens (0,51%); áreas de sombra (0,34%); ocupação urbana (0,27%). Dessa maneira, observou-se que o predomínio da classe agropecuária apresenta grandes proporções, na qual, as atividades estimuladas pelo homem nesta área são bastante marcantes, em especial a criação de animais como a pecuária, e bem como, o fato de esta bacia localizar-se em uma das áreas mais secas do Brasil. O que assim, vem proporcionando a diminuição da cobertura vegetal de caatinga.

No tocante, aos quatro estudos referentes ao mapeamento do uso e ocupação da terra de bacias hidrográficas, destacamos que estes junto a outros milhares, fazem parte de um grande número de estudos que compõem o atual estado da arte. Desse modo, cada um destes aqui citados, trazem em sua essência de forma explícita ou até mesmo implícita, a importância da organização do uso do território deste recorte espacial, frente aos diversos problemas ocasionados devido a sua negligência. Assim, em sua maioria apresentou-se uma maior heterogeneidade de classes delimitadas, fato este proveniente da utilização de produtos em escalas maiores. Sendo assim, relevante para a análise de microbacias, das quais, apresentam menor extensão. O que em oposição, no nosso estudo não foi possível em decorrência, da manipulação de produtos em escala inadequada para a compreensão acurada da dinâmica deste objeto, contudo, isto não prejudicou os objetivos pretendidos aqui. Somado a isto, cada área de estudo mencionada e inclusive a nossa, estão norteadas sobre dinâmicas naturais e socioespaciais distintas, que refletem a respeito das suas características e particularidades diferentes. Desse modo, em nosso estudo delimitamos quatro classes de uso e ocupação da terra, das quais, 58% da área deste objeto são predominados com vegetação rala, seguindo-se com 35,7% atribuídos a vegetação densa, e apenas 4,5% representando solo exposto e 1,8% referentes aos corpos hídricos.

Por fim, no tocante aos estudos que realizaram um zoneamento ambiental, temos o de Silva et al. (2015), que têm como objeto de estudo as margens, ou melhor as APP’s do trecho urbano do Rio Apodi-Mossoró, que faz parte da Bacia Hidrográfica do Rio Apodi- Mossoró. Dessa forma, através de uma amostragem que correspondeu em média a 15% da área total do citado objeto, buscou-se como objetivo a elaboração de um zoneamento ambiental com foco sobre as áreas degradadas presentes nas margens do referente rio, estando sua área de análise localizada mais especificamente na parte urbana da cidade de Mossoró (RN). Assim, visaram detectar espaços que possuem prioridade para a realização de intervenções, em decorrência das dinâmicas socioespacias estabelecidas ali. Deste modo, aplicou-se a metodologia empregada por Costa, Guedes e Rocha (2014) e bem como, fazendo-se algumas adaptações.

Assim, foram-se delimitadas quatro zonas, tendo-se como referência os resultados obtidos da análise da paisagem, utilizando-se como critério o uso e ocupação do solo. Mediante isto, temos: a Zona de Uso Restrito - ZRU (compreendendo a classe vegetação arbórea, devendo ser destinada para preservação, sendo apenas utilizadas para atividades e questões científicas e/ou atividades que passem por um licenciamento ambiental), Zona de Risco - ZR (apresentam ocupações irregulares, que podem comprometer o ambiente e a população. Compreendendo assim, as classes Área Alagada e Edificação), Zona Agrícola - ZA (compreendendo a classe cultivo temporário), Zona para Recuperação - ZpR (exibem áreas alteradas sem a presença de vegetação, abrangendo assim a classe Solo Exposto). Já enquanto à delimitação de áreas prioritárias para intervenção, procedeu-se da seguinte maneira, a saber: nomeou-se três áreas, sendo estas extrema (compreendendo a ZpR e ZR), elevada (abrangendo a ZA) e a alta (compreendendo ZRU).

Haja vista estes fatos percebeu-se, que a maior parte deste objeto é constituída por solo exposto (46,81%) e vegetação arbórea (28,18%). Para o zoneamento, a Zona para Recuperação apresentou maior destaque com aproximadamente 46%, seguida pela Zona de Uso Restrito em torno de 28%, Zona de Risco com aproximadamente 15% e a Zona Agrícola com cerca de 10%. Quanto às áreas prioritárias para intervenção, no geral apresentou-se da seguinte maneira, extrema (46,81%), elevada (25%) e alta (28,19%). Referente aos setores, há o destaque para o 01 e 04 por indicarem uma maior necessidade de intervenção, em decorrência da presença de valores maiores que 50% para a classe extrema. Além disso, unindo os valores da área extrema e elevada, percebeu-se que o setor 02 é o que precisa de maior atenção devido totalizar cerca de 83,25% com necessidade urgente de intervenção.

Ainda acerca desta temática, Guedes, Medeiros e Costa (2016), propuseram em um dos seus objetivos a delimitação de um zoneamento ambiental na Microbacia Hidrográfica do Rio Barra Nova (RN/PB), baseando-se nas características provenientes das classes de uso e ocupação da terra desta. É válido salientar, que esta é uma das microbacias que compõem a Sub-Bacia do Rio Seridó, da qual, o nosso objeto de estudo também está situado. Bem como, estes utilizaram-se de mesma metodologia que foi empregada no nosso estudo. Dessa maneira, quanto às zonas delimitadas, têm-se: a Zona de Uso Restrito que são compreendidas pelas classes corpos hídricos e caatinga densa, onde a dinâmica permitida sobre este espaço, apenas se referirá as atividade que não apresentam nenhum impacto e, que passem por um licenciamento ambiental. A Zona de Risco abrangendo a classe caatinga rala, na qual, em decorrência de ações inadequadas sobre esta, favoreceram características que proporcionam a vulnerabilidade à erosão. E a Zona para Recuperação Ambiental que abarca a classe solo

exposto, onde apresenta-se totalmente frágil e comprometida frente aos processos erosivos, devido as ações estabelecidas pelo ser humano.

Assim de fato, constatou-se que a delimitação deste zoneamento sobre o território do supracitado recorte espacial, não apresentou grandes disparidades entre os valores quantitativos das áreas das zonas estabelecidas, em relação à área total, onde temos: a Zona de Uso Restrito (31,47%), Zona de Risco (37,25%) e a Zona para Recuperação Ambiental (31,28%). O que demonstra uma situação preocupante e emergencial para tomadas de ações, na qual, as duas últimas zonas que necessitam de intervenções corretivas totalizam aproximadamente 68,5% da área total.

Em contraposição, o nosso estudo não apresentou a mesma homogeneidade referentes aos valores quantitativos das áreas das zonas, das quais, a Zona para Recuperação obteve apenas 4,5%, a Zona de Risco com 58% e a Zona para Preservação 37,5%. Mas, evidencia a presença de cerca de 62,5% desta área, da qual, devem ser palco de aplicações de novas políticas direcionadas a mitigação de suas características.

A partir destes dois estudos referentes ao zoneamento, que diferem-se em alguns pontos do que pretendeu-se aqui, no entanto, nos possibilitou notar a grande importância adquirida por essas análises, no que refere-se a uma caminhada em prol de um desenvolvimento de forma mais harmonioso entre as relações socioespacias e naturais desenvolvidas sobre as bacias hidrográficas.

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