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Au debut de l'annee, Fabienne a peu de choses a dire

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A educação profissional promove a transição entre a escola e o mundo do trabalho. O estágio, em sua dimensão profissionalizante, tem por finalidade propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem (OLIVEIRA, 2004).

A carga horária complementar referente ao estágio extracurricular nos cursos integrados do ensino médio no Ifes é optativa, ou seja, não há obrigatoriedade quanto a sua realização. Embora seja registrada pelos estudantes entrevistados a

importância do estágio, também sugere incômodo pela não realização dele ou pela dificuldade de encontrar uma vaga como estagiário.

[...] seria bom entrar num estágio, num emprego agora (no final do curso). O estágio não faz parte da grade (curricular), porque algum tempo foi obrigatório [...] (É importante) a gente poder fazer, ah...um estágio...que a gente aprende muito mais, assim trabalhando, que é ali que a gente vai por o quê a gente sabe em prática. (E 04, 18 anos, sexo feminino, curso de Eletrotécnica)

Difícil de achar oportunidade de estágio! Eu já me inscrevi no IEL-ES18 e no CIEE19, mas nenhum dos dois até agora, eu achei oportunidade de estágio! (E 16, 17 anos, sexo masculino, curso de Edificações)

A escassez do tempo, provocada pelo excesso das atividades escolares desses jovens, é apontada como a principal causa da impossibilidade da prática do estágio.

Como a gente estuda à tarde, só temos a possibilidade de trabalho de 4 horas, pela manhã, né!? E várias empresas não aceitam, a Vale, a Garoto, todos com esse empecilho de 6 horas. (E 01, 19 anos, sexo masculino, curso de Eletrotécnica)

E, eu já até cheguei a fazer umas 3 ou 4 entrevistas que o cara gosta de você, mas na hora do vamo vê, aí ele vê, pô, você tem que estar na escola de 12h50 às 18h30, perde totalmente...não tem tempo! Então, geralmente, tem empresa que oferece estágio de 4h, e a gente acaba ficando para trás nesse aspecto, entendeu?! (E 02, 18 anos, sexo masculino, curso de Eletrotécnica)

Além da falta de tempo, da dificuldade de vagas, existe a preferência por gênero. Tal fato também se torna uma demanda, que é vista como impedimento para a prática do estágio.

E, no estágio, eu também já vi, eles dão preferência a homens. (Os cursos de) Estradas e Edificações têm mais meninas, a (turma de) Mecânica é mais masculina, mas também tem meninas. As meninas da minha sala já tentaram estágio, mas eles dão preferência a homem! Aí, um menino conseguiu e ela (uma colega de turma), não, por causa disso! (E 03, 19 anos, sexo feminino, curso de Eletrotécnica)

O ingresso no mundo do trabalho é marcado por uma série de restrições, junto com exigências de qualificações cada vez maiores. Baseado nas estratégias do novo

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Instituto Euvaldo Lodi (ES) faz parte do Sistema Confederação Nacional de Indústria e tem como objetivo promover a interação entre a indústria e a escola, ofertando programa de estágios e bolsas educacionais.

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O Centro de Integração Empresa-Escola é uma instituição filantrópica, mantida pelo empresariado nacional, que trabalha em prol da juventude estudantil brasileira.

modelo de gestão, o perfil exigido ao candidato que busca um emprego pela primeira vez é necessário dispor de potencial de desenvolvimento, ou seja, “ter raciocínio lógico, iniciativa, garra, espírito de equipe, facilidade de comunicação e disposição para aprender” (NARDI, 2006, p. 115).

Considerando as novas configurações assumidas pelo trabalho, as mudanças ocorridas no mundo do trabalho parecem afetar diretamente a juventude e seus projetos de vida. Algumas palavras são correntes nos discursos que configuram os cenários organizacionais contemporâneos, tais como: empregabilidade, flexibilidade, terceirização, empreendedorismo, entre outras. Dessa forma,

Quer veiculados em meio a empresários, analistas de mercado ou trabalhadores em geral, tais discursos instituem novas práticas sociais e legitimam conceitos que, uma vez incorporados no imaginário social, passam a perpetuar essas práticas e a regular novos modos de subjetivação (VALORE & SELIG, 2010, p. 391).

Valores e conceitos tornam-se práticas que antecedem a entrada do jovem no mercado de trabalho, e isso é vivenciado no âmbito estudantil. O jovem se apropria do discurso da gestão e, para além do discurso, o transforma em prática. A fala abaixo é de uma das entrevistadas mais novas, que relaciona as responsabilidades da vida estudantil, vivenciadas na sala de aula, às (possíveis) exigências que surgirão no mercado de trabalho.

Hoje em dia, o mercado de trabalho pede pessoas muito mais proativas, você tem que ver a coisa antes dela acontecer! Você tem que ficar mais esperto assim...porque se você ficar esperando muito as ordens, esperando muito que alguém diga prá você o que você tem que fazer isso atrasa totalmente o desenvolvimento de algum trabalho, de alguma coisa. Igual, por exemplo, aqui (no Ifes), quando a gente tem que fazer algum trabalho, algum exercício, tem aquelas pessoas que pegam e começam a fazer no mesmo dia e tem aquelas pessoas que pegam e ficam procrastinando, deixando até o último dia prá fazer depois e ainda ficam perguntando o quê é prá fazer. Você tem que mandar, dar a ordem! E, dizer assim: Ah, você faz isso, você faz aquilo, você faz aquilo outro e se você não falar isso, ninguém vai fazer até o último dia, até o dia anterior da entrega, por exemplo! E, esse tipo de coisa não dá certo não, porque fica esperando muito até um dia antes, tem muita coisa que dá errado, tem muita coisa que não sai certo, tem muito negócio que acaba depois ficando mal feito... E, hoje em dia as pessoas no mercado de trabalho, não têm muita paciência pro negócio mal feito não, porque o trabalho mal feito custa dinheiro, então é dinheiro que você perde ou então, é dinheiro que você deixa de ganhar. E, ninguém quer perder dinheiro, ninguém quer deixar de ganhar dinheiro! (E 14, 17 anos, sexo feminino, curso de Edificações)

A lógica que controla o mundo do trabalho também invade as demais instâncias da vida pessoal. Dessa forma, ao bom profissional é exigida uma série de atributos pessoais, como a condição de empregabilidade (SENNETT, 2010; VALORE & SELIG, 2010). A escolaridade ganha um novo sentido como elemento básico para a empregabilidade e competitividade.

A empregabilidade é qualidade individual para o emprego, que exige uma formação em habilidades no campo das condutas, dos conhecimentos e dos valores que possibilite certa ‘flexibilidade’ pessoal para adaptar-se a situações imprevistas, ao desemprego, às mudanças de funções, à cognição de conhecimentos e condutas que o transformem em um cidadão multifuncional(GARCIA, 2009, p. 74)

Em 2012, o índice médio de desemprego no Brasil foi o menor em onze anos: 5,5%, de acordo com os dados coletados pelo IBGE em seis regiões metropolitanas. Entretanto, o índice de desocupação entre os jovens de 16 a 24 anos foi de 13,3%. A insegurança quanto ao futuro profissional, à instabilidade e a precarização podem afetar a nova geração (VALLE, 2013).

Diante das transformações decorrentes da reestruturação produtiva, da globalização, da precarização do trabalho e da flexibilidade do trabalho e do trabalhador, (in)justificadas pelo ideário do progresso, cabe perguntar aos jovens estudantes: O que é trabalho? Para que trabalhar?

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