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Couples de v.a

Dans le document Statistique La théorie et ses applications (Page 43-46)

A explanação da problemática enformadora da presente investigação ancorou-se na revisitação da literatura e na mobilização de um leque diversificado de perspetivas teóricas, algumas heterodoxas, que inspiraram a construção de conceitos centrais explorados nos capítulos anteriores. Neste ponto, torna-se essencial abordar, desde logo, os pressupostos teóricos arrogados e a lógica de relações traçada face ao objeto empírico representada no modelo analítico, bem como as hipóteses teóricas orientadoras do estudo.

A pesquisa sustenta-se numa questão de partida geral, a saber: em que medida os modelos organizacionais e gestionários e o seu potencial de aplicação na intervenção levada a cabo pelas ONGD portuguesas refletem traços de empreendedorismo social? Esta indagação desdobra-se em três perguntas de formulação mais específica, e intrinsecamente interligadas: Como se configuram os modelos organizacionais e gestionários destas organizações? Como se definem os perfis de profissionalização enquanto resultado dos modelos organizacionais e gestionários? Quais as implicações dos perfis de profissionalização na definição de uma intervenção com potencial de criação de impacto?

A respetiva exploração alimentou a definição de cinco objetivos, designadamente: i) identificar o papel do empreendedorismo social no contexto da economia social europeia e do modelo de Estado-Providência português; ii) analisar o empreendedorismo social como resultado de um processo de profissionalização; iii) caracterizar os modelos organizacionais e

130 gestionários de ONGD portuguesas; iv) construir uma tipologia de profissionalização aplicada às ONGD; v) analisar o potencial das práticas organizacionais e gestionárias das ONGD estudo de caso na criação de impacto. Os objetivos traçados justificaram uma linha de raciocínio articulada em três níveis de análise – macro (com um cariz eminentemente teórico), meso (enfoque teórico-empírico) e o micro (carácter empírico) – num encadeamento interpretativo dos fenómenos da profissionalização e do empreendedorismo social.

No que concerne o nível macro de análise e em correspondência com os objetivos formulados num primeiro momento da dissertação exposto no capítulo 1, procuramos identificar e descrever o modelo de Estado-Providência português e a sua relação com a economia social. No capítulo 2 problematizamos o empreendedorismo social e a profissionalização, enquanto fenómenos para a criação de impacto social. Atenda-se que relativamente às dimensões analíticas que sustentam o conceito de profissionalização construído no presente trabalho, as dimensões estrutura de governação e modelos de liderança foram agregados no tratamento empírico que realizamos.

Associado ao nível meso da investigação, enquadramos histórica e político-legalmente as ONGD portuguesas, o que complementamos com o levantamento e sistematização de um retrato caracterizador do total das ONGD registadas junto do interlocutor público juridicamente reconhecido para o efeito. O propósito deste mapeamento exploratório, efetuado no capítulo 4, consiste em identificar algumas tendências organizacionais e gestionárias deste subcampo específico de organizações que configuram o campo da economia social em Portugal.

Ao nível micro questionamos, a partir do conceito de profissionalização, os modelos organizacionais e de gestão das 23 ONGD nacionais (selecionadas como objeto empírico do estudo), balizados pelas sete dimensões analíticas expostas no capítulo 2, as quais se sustentam, como veremos no capítulo 5, em indicadores compósitos de correlação construídos para o efeito. Trata-se, portanto, de reconhecer a sua maior ou menor orientação para a profissionalização e de tipificar a posteriori perfis de profissionalização, cujos significados foram analisados, de forma hermenêutica, ou seja, de uma análise extensiva de tipificação de perfis passamos a uma análise intensiva, de carácter interpretativo, sobre o que significam concretamente estes perfis a partir da sua análise em profundidade em duas ONGD selecionadas para o efeito.

Portanto, ao nível micro prosseguimos, no capítulo 6, com a exploração empírica das diferentes dimensões de análise, segundo uma abordagem qualitativa. O foco da investigação incidiu sobre a compreensão dos modelos organizacionais e gestionários determinados com maior e menor perfil de profissionalização e o potencial das práticas que lhes estão subjacentes

131 numa intervenção com impacto por parte das ONGD objeto de estudo de caso, explicando os seus contributos para orientações mais ou menos fortes de empreendedorismo social.

O modelo analítico (Figura 3.5) pretende dar conta da complexidade da relação que as questões de partida e os objetivos sustentam. As lógicas de correspondência e de sentidos assumidos na pesquisa e refletidas no modelo analítico devem ser lidas a partir das variáveis dependentes de segundo grau, designadamente os modelos organizacionais e gestionários e o potencial de intervenção com impacto. Estes são caracterizados com base nas variáveis independentes de primeiro grau, presumindo-se uma interconexão entre si, com implicações recíprocas. A respetiva combinação resulta na determinação de perfis de profissionalização das ONGD portuguesas, os quais constituem a variável dependente intermédia. Por sua vez, estes perfis conduziram ao estudo em profundidade do potencial de intervenção com impacto – variável dependente de segundo grau – que assume um foco interpretativo e abrange ONGD com um perfil de profissionalização suficientemente diversificado, para garantir a sua representatividade social (Guerra, 2006).

A articulação dialética presumida entre os modelos organizacionais e gestionários e o potencial de intervenção com impacto estudou-se à luz da problemática do empreendedorismo social. Com efeito, os perfis de empreendedorismo social representam a variável dependente principal do estudo e a sua compreensão radica na análise das lógicas de funcionamento das variáveis dependentes de segundo grau e da variável compósita dependente intermédia.

Considerando que o empreendedorismo social alicerça-se numa missão predominantemente social (Austin, Stevenson & Wei-Skillern, 2006; Martin & Osberg, 2007), o seu compromisso para criar valor social (Peredo & McLean, 2006; Mair & Martí, 2006) remete para uma abordagem nova de resolução de necessidades sociais (Hulgård, 2010). Esta decorre da capitalização dos recursos disponíveis, da identificação das oportunidades e da capacidade de potenciá-las de forma empreendedora (Drayton, 2002). Trata-se, portanto, do uso eficaz e eficiente de recursos (Nicholls & Cho, 2006), cuja combinação criativa possibilita o desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis de resposta a necessidades sociais e, concludentemente, instigadoras de mudança social (Mair & Martí, 2006; OCDE, 2010).

Nesta linha de raciocínio, presumimos que as ONGD com uma configuração organizacional e gestionária profissionalizada revelam um maior potencial de intervenção com impacto. No estudo, assumimos o impacto gerado pelas ONGD sempre em prol de um ideal de transformação social sistémica (Alvord, Brown & Letts, 2004).

132 Figura 3.5 – Modelo analítico

O modelo de Estado-Providência português e a economia social representam, por sua vez, as variáveis independentes, assumindo um carácter contextual e estruturante dos tipos de profissionalização identificados nas ONGD nacionais e a sua influência no fomento de organizações socialmente empreendedoras. Ou seja, tornou-se pertinente analisar e compreender a problemática da profissionalização das ONGD portuguesas, sob o enquadramento teórico da economia social e do modelo de Estado-Providência português e o posicionamento político-ideológico deste último face ao empreendedorismo social.

A partir da problematização teórica apresentada e explicitada nos capítulos anteriores do estudo mobilizamos o conceito de profissionalização e de empreendedorismo social, cuja arquitetura de dimensões e de relações ilustramos no modelo de análise construído, e está na base da formulação de um conjunto de hipóteses de investigação. Neste sentido, a primeira hipótese de pesquisa refere-se à forma de estruturação das relações funcionais e hierárquicas entre a direção estatutária e os órgãos executivos da organização. Com efeito, remete para o

133 nível de verticalização do poder de uma ONGD, o qual depende de modelos de liderança centralizados ou de delegação, se abordados em termos polares.

O envolvimento dos stakeholders internos e externos em decisões estratégicas, a autonomia de decisão operacional e o trabalho em equipa são representativos de modelos organizacionais descentralizados, promotores de mecanismos de delegação do trabalho. Logo, a primeira hipótese de investigação aventa que estruturas de governação hierárquicas e modelos de liderança centralizados limitam processos de tomada de decisão participados, democráticos e autónomos, revelando tratar-se de organizações pouco profissionalizadas.

Ao admitirmos que a adoção de modelos organizacionais centralizados condiciona a profissionalização das ONGD equacionamos, também, as suas implicações nos modelos gestionários. Neste âmbito, emergiu uma segunda hipótese de pesquisa sustentada no propósito que a ausência de planeamento e gestão estratégica constituem um obstáculo à profissionalização das organizações. Atenda-se que a definição de um planeamento estratégico remete para o envolvimento de diversos stakeholders, materializa-se num documento de registo, contempla indicadores quantitativos e a implementação de instrumentos de monitorização e avaliação do desempenho organizacional alinhados com os objetivos estratégicos estabelecidos. Por conseguinte, a centralização do planeamento estratégico na direção estatutária condiciona a profissionalização das ONGD nacionais e um planeamento de curto prazo reflete uma perspetiva gestionária imediatista e, portanto, também contrária a uma orientação estratégica.

Acresce que o papel das ONGD enquanto atores da economia social prende-se, em última instância, com a promoção do desenvolvimento sustentável, pelo que a profissionalização destas organizações implica, igualmente, a adoção de práticas ambientais, bem como a implementação de processos de certificação dos produtos e/ou serviços prestados. Estes são encarados como catalisadores de legitimação organizacional e como condição para a obtenção de diversos tipos de capitais.

De igual modo, esta legitimação urge, a montante, uma prática de reporte do desempenho organizacional. A adoção de processos e ferramentas de prestação de contas promovem o envolvimento de stakeholders e lógicas de funcionamento participativas. Logo, presumimos que uma modalidade de prestação de contas descendente e direcionada para os stakeholders internos e externos veicula transparência. Os efeitos daí decorrentes prendem-se com a mobilização de capital simbólico, social e o potencial acesso e/ou fidelização de financiadores.

Nesta lógica de raciocínio, assumimos a adoção de processos e ferramentas de reporte do desempenho organizacional como reflexo de uma orientação gestionária estratégica. A

134 combinação de processos e instrumentos de prestação de contas de carácter obrigatório-legal e o reporte económico, social e ambiental especializado articulam-se e presumiram-se como uma prática de aprendizagem contínua, promotora de um desempenho organizacional eficaz. Neste âmbito, formulamos uma outra hipótese de investigação, arrogando que a ausência de processos e instrumentos de prestação de contas especializados e a sua aplicação sob um racional ascendente e funcionalista enfraquecem o grau de profissionalização das organizações.

Os modelos de gestão caracterizam-se, também, pela existência, ou não, de práticas de GRH (assalariados e voluntários), cuja definição remete para um quadro estratégico ou de instrumentalização das mesmas. Considerando que a eficiência das ferramentas de GRH pressupõe o desenvolvimento profissional, a aquisição de competências, a motivação e a satisfação dos trabalhadores (assalariados e voluntários), contribui, deste modo, para a eficácia do seu desempenho, bem como para a sua retenção na organização. De igual modo, assumimos o recrutamento de recursos humanos residentes na área de intervenção das organizações como um fator de dinamização socioeconómica local, o que representa traços de profissionalização. Estes estão, igualmente, presentes, a nosso ver, na promoção de uma GRH descentralizada face à direção estatutária, nomeadamente quando esta não acumula funções de execução técnica e, portanto, não acompanha a gestão quotidiana da organização. Trata-se de adotar uma modalidade gestionária facilitadora do envolvimento dos stakeholders internos, do seu reconhecimento e de processos transversais de aprendizagem contínua. A combinação estruturada de ferramentas de GRH é sobremaneira importante atendendo a que pode funcionar como fator de motivação, competindo com a questão salarial que representa uma desvantagem face aos restantes sectores de atividade. Nesta linha argumentativa, uma quarta hipótese de pesquisa sustenta que a ausência de definição de ferramentas de GRH condiciona a motivação e o compromisso dos trabalhadores (assalariados e voluntários), bem como o seu desenvolvimento pessoal e das suas competências, restringindo o grau de profissionalização das organizações.

Outra vertente de análise da profissionalização incidiu sobre as modalidades de financiamento das ONGD portuguesas. Considerando que as suas fontes de financiamento derivam das lógicas organizacionais e gestionárias, assumimos que uma ONGD cuja estratégia de angariação de fundos aposte na centralização numa única fonte de financiamento constitui um fator determinante para a sua dependência financeira. A fraca e/ou ausência de profissionalização das ONGD nacionais sustentou-se, portanto, sob a perspetiva de um círculo vicioso, em que, por um lado, decorre da insustentabilidade financeira destas organizações e,

135 por outro, a sua dependência financeira condiciona o investimento na profissionalização das mesmas.

Nesta ótica, consideramos que as ONGD cujos modelos gestionários favoreçam a procura e o acesso a fontes diversificadas de financiamento, quer em termos geográficos quer ao nível institucional e de pertença sectorial, e o desenvolvimento de atividades geradoras de receitas, evidenciam uma orientação financeira profissionalizada. De igual modo, encaramos a definição de processos de fidelização de financiadores como indicativa de traços de profissionalização, dada a mobilização tácita de competências técnicas e a pressuposta adoção de mecanismos de reporte contínuo, promotores da legitimação organizacional. A quinta hipótese teórica incidiu, portanto, sobre a questão do financiamento, em que a ausência de diversificação de fontes de financiamento, de processos de fidelização de financiadores e de dinamização de atividades para o autofinanciamento torna as ONGD frágeis em termos de sustentabilidade financeira, o que revela uma fraca profissionalização.

A ênfase na obtenção de capital financeiro assume-se, também, em termos das relações de colaboração. Esta proposição antecede uma outra que se prende com o reconhecimento institucional das ONGD portuguesas e a potencial obtenção de capital simbólico, social e financeiro decorrente de uma lógica de funcionamento colaborativa, e que se materializa na integração em redes nacionais e internacionais, bem como no desenvolvimento de parcerias, intra e intersectoriais, no domínio nacional e internacional. No seguimento destas correlações, colocamos a hipótese que um inexistente ou reduzido envolvimento em redes e estabelecimento de relações de parceria, bem como o foco destas no domínio nacional e numa pertença institucional e sectorial única condicionam a orientação estratégica das ONGD, reduzindo o seu grau de profissionalização.

O processo de envolvimento dos (potenciais) stakeholders alimentou a formulação da última hipótese da pesquisa. Considerando que a comunicação externa pode envolver e mobilizar públicos distintos, presumimos que o uso de diferentes ferramentas de comunicação possibilita a angariação de diversos tipos de recursos (financeiros, humanos, técnicos e materiais) e o reconhecimento público da atuação organizacional. Nesta vertente argumentativa, assumimos que a existência desta prática gestionária promove a difusão de informação organizacional, cujos moldes (instrumentos e formato) da informação comunicada influem na transparência das organizações, orientando-se estrategicamente para aquisição de poder simbólico. A legitimação da atuação organizacional reflete, por conseguinte, traços de profissionalização. Neste sentido, arrogamos que a ausência do uso diversificado de ferramentas de comunicação externa por parte das organizações fragiliza a sua profissionalização.

136 2. Entre o posicionamento filosófico e a construção do percurso da investigação

Desde logo, assumimos que qualquer investigação é uma análise parcial do real social, significativamente influenciada pelo posicionamento filosófico do investigador. “As perspetivas, o desenho e os métodos contribuem todos para uma abordagem de pesquisa que tende a ser quantitativa, qualitativa ou mista” (Creswell, 2014, p. 17).

O presente estudo enquadra-se na perspetiva filosófica pragmatista, caracterizada pelo foco no problema de pesquisa, que remete para a mobilização articulada de estratégias qualitativas e quantitativas executadas para uma compreensão aprofundada do mesmo e, deste modo, incorrendo na aplicação de uma estratégia pluralista de recolha e análise de dados e consequente interpretação (Creswell, 2014). Se as perspetivas puristas rejeitam a combinação de metodologias qualitativas e quantitativas, dado ancorarem-se em pressupostos epistemológicos distintos, os pragmatistas argumentam, todavia, as vantagens da mobilização de diferentes métodos para uma melhor compreensão do fenómeno em estudo (Niglas, 2000). Neste sentido, reconhecemos as diferenças entre as abordagens de pesquisa, contudo sublinhamos e defendemos que uma abordagem mista possibilita uma (des)construção mais efetiva da problemática em estudo.

A este respeito, Creswell (2014) refere que o pragmatismo não se esgota numa abordagem de pesquisa, pelo contrário, alicerça-se nos pressupostos quantitativos e qualitativos e, como tal, recorre a diferentes métodos e técnicas de recolha e análise de dados associados a cada um deles, selecionados em função da problemática em estudo. A abordagem mista de pesquisa, de origem recente, situada nomeadamente nos finais dos anos 80 e inícios dos anos 90 do século XX, tem sido alvo de debate e materializada num conjunto de procedimentos metodológicos a partir de estudos ancorados em diferentes áreas disciplinares (Creswell, 2014). De uma ampla diversidade conceptual90, esta abordagem ganhou crescente relevo pelas suas características e as quais pesaram na definição do desenho da presente investigação.

De facto, a escolha desta abordagem de pesquisa pautou-se pela premissa que a mobilização das abordagens quer quantitativa quer qualitativa possibilita a combinatória das vantagens de cada uma e, deste modo, um maior aprofundamento e compreensão da problemática (Creswell, 2014, p. 218). A alavancagem de uma abordagem mista, em detrimento da aplicação purista de um quadro ontológico, epistemológico e metodológico único, prendeu-se, portanto, com o objetivo de melhor explicar e compreender o objeto de estudo. Atenda-se que a ênfase da

90 Cf. Niglas (2004), que elaborou um quadro sinóptico no qual categorizou três tipos de desenhos de pesquisa, com base nas terminologias ou classificações propostas por diversos autores.

137 abordagem multimétodos coloca-se na operacionalização de diferentes métodos para responder às perguntas de pesquisa, sendo que a análise e interpretação dos resultados obtidos devem ser consentâneos com os pressupostos subjacentes aos métodos mobilizados (Brannen, 2005).

Das diversas tipologias de desenhos de pesquisa no seio da abordagem de métodos mistos, a presente investigação reflete um desenho explicativo sequencial, variante seleção de participantes91 (Creswell & Plano Clark, 2011). Desde logo, salientamos que o desenho de pesquisa explicativo sequencial comporta, conforme a designação indica, duas fases (Creswell, 2014) e que, em específico, “Esta variante é usada quando o investigador está focado em analisar qualitativamente o fenómeno mas necessita de resultados quantitativos iniciais para identificar e intencionalmente selecionar os melhores participantes” (Creswell & Plano Clark, 2011, p. 86).

A este propósito, ressaltamos que os resultados obtidos na fase quantitativa do presente estudo constituíram uma pré-condição para a identificação e seleção intencional das duas ONGD participantes com o perfil de profissionalização (combinatória dos modelos organizacionais e gestionários) mais baixo e mais elevado, alvo de estudo de caso. Na fase qualitativa procedemos a uma análise em profundidade dos dois estudos de caso e à sua comparabilidade, aferindo o potencial das suas práticas organizacionais e gestionárias na criação de impacto, indicativas de traços de empreendedorismo social. O forte pendor qualitativo-interpretativo de captação do fenómeno do empreendedorismo social colocou, por conseguinte, maior ênfase na segunda fase e justificou a variante do desenho de investigação operacionalizada. Os resultados qualitativos e quantitativos foram posteriormente interpretados.

A Figura 3.6 corresponde a uma ilustração sinóptica, com recurso aos símbolos92 usados nas

pesquisas de métodos mistos, dos procedimentos aplicados e representativos das diferentes fases do percurso da investigação. Atenda-se, a respeito, que o uso das maiúsculas evidencia o carácter eminentemente qualitativo da presente pesquisa.

91 Na versão inglesa, designa-se por Explanatory sequential mixed methods e este tipo de desenho misto de pesquisa apresenta duas variantes, a saber: Follow-up explanation variant e Participant-selection variant. 92 Para um maior aprofundamento da sinalética dos métodos mistos, cf. Morse (1991) e Tashakkori e Teddlie (1998).

138 Figura 3.6 – Percurso da investigação

Fonte: Autora, adaptado de Creswell e Plano Clark (2011).

Importa, pois, apresentar as opções metodológicas atinentes às duas fases da pesquisa. Nas páginas seguintes explanamos a estratégia metodológica operacionalizada, ou seja, o como foi abordado o problema de pesquisa. De ressaltar, entretanto, que ao longo do capítulo 1 introduzimos o debate teórico-conceptual mais alargado em torno do sector da economia social e a escolha, no estudo, precisamente pelo conceito de “economia social”, todavia respeitamos a terminologia usada pelos autores mobilizados para a discussão. Aplicamos um procedimento idêntico relativamente ao termo de “ONGD”, o qual assumimos, para efeitos de exposição, como sinónimo de “ONG”, “organizações sem fins lucrativos”, “organizações da economia social” e “organizações do terceiro sector”.

No capítulo 2 mobilizamos duas matrizes analíticas, as Diretrizes GRI - Suplemento relativo ao sector das ONG (GRI-G3, 2010) e o modelo elaborado por Carreras e Sureda (2011), para a construção teórica do conceito de profissionalização, o qual se alicerçou em sete dimensões

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