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2.2 ELI-NP Gamma Beam Source (ELI-NP-GBS)

3.1.3 Contraintes optiques

A experiência tem mostrado que o fácil acesso a serviços de saúde não assegura por si só um nível de saúde satisfatório. Existem vários factores psico-socio-culturais que influenciam na tomada de decisões e na execução de acções de saúde.

Como referem Piovesan e Temporini, a importância que as pessoas conferem à sua saúde e aos cuidados para preservá-la depende, em especial, de padrões económicos, conhecimentos, hábitos, atitudes e crenças aprendidas culturalmente (como citado em Lopes da Silva, Temporini, Neustein & Araújo, 2004, p. 786).

Ao analisar o conhecimento dos glaucomatosos sobre a sua doença e o seu tratamento, vários estudos constataram que a população investigada estava pouco informada sobre a doença adquirida, sobre o seu tratamento e sobre os métodos para o diagnóstico e monitorização do Glaucoma.

Segundo o Programa Nacional de Intervenção Integrada sobre Determinantes da

Saúde Relacionados com os Estilos de Vida, “os cidadãos, enquanto principais

Página 30 participar, através da sua mobilização individual ou colectiva na concepção e desenvolvimento de acções tendentes a promover a saúde” (DGS, 2004, p.5).

Como tal, há que dar impulso a uma adequada mobilização de diferentes sectores da vida social e económica, que contribua para aumentar a literacia e a capacidade de participação dos cidadãos em matéria de saúde (World Health Report [WHR], 2002).

A memorização da informação disponibilizada é frequentemente imprecisa, sobretudo quando o paciente é idoso. O envelhecimento acarreta dificuldades em memorizar a informação dada, sobretudo se a pessoa em questão já possui conhecimentos ou crenças em si mesmos contraditórios.

Como indicam Khurana, Lee e Challa, a informação é frequentemente apresentada de um modo excessivamente complexo. Além do trabalho de Svarstadt et al., outros estudos demonstraram que os boletins informativos são frequentemente apresentados num tamanho de letra muito pequeno para muitos pacientes idosos lerem, e escritos ao nível do décimo ano ou acima, o que se revela um desafio para aqueles com fraca literacia em saúde (como citado em Shrank & Avorn, 2007, p.736).

Também Shrank e Avorn (2007), reforçaram a ideia de que são necessários esforços para fornecer aos pacientes educação acerca dos seus fármacos de um modo integrado e coerente em vez dos pedaços de informação redundantes, descoordenados e difíceis de ler. É necessária uma nova abordagem na qual a informação seja apresentada de forma facilmente legível. Também é necessário avaliar as melhores formas de educar os pacientes acerca do tratamento (p.737).

Segundo Kessels (2003), os pacientes têm tendência a focalizarem-se na informação ligada ao diagnóstico da doença, não retendo as instruções dadas acerca do seu tratamento.

Ley sublinhou a eficácia da comunicação em Saúde e insiste na importância da memorização e da compreensão da informação. O paciente irá esquecer

Página 31 imediatamente entre 40% a 80% das informações que lhe são comunicadas. Esta fracção é tanto maior quanto a mensagem dada tenha sido densa e complexa. Por outro lado, só metade das informações que o paciente consegue captar será interpretada correctamente. O stress produzido pela informação contribui, igualmente, para alterar a capacidade de memorização (como citado em Detry-Morel, 2006, p. 220).

Uma informação apropriada, uma estratégia educativa para com os pacientes e uma boa relação profissional / paciente são prioritárias. Uma comunicação aberta e compreensiva com o paciente é decisiva. Tendo em conta o seu nível cultural e certos factores destabilizadores, é necessário um esforço para explicar ao paciente, o que é o Glaucoma e as respectivas consequências. Será conveniente explicar-lhe a finalidade e o mecanismo do tratamento, os seus inconvenientes e os seus efeitos secundários. Uma informação bem transmitida, clara e simples, tem mais hipótese de ser facilmente compreendida do que uma informação que será necessária corrigir. Instruções simples, claras e específicas são certamente mais eficazes que termos gerais (Detry-Morel, 2006, p. 222).

As tecnologias de informação e comunicação que contenham figuras e pictogramas poderão também melhorar a compreensão dos utentes (Khurana, Lee & Challa, 2003, p. 52).

Os “boletins informativos” dos medicamentos oculares estão escritos de uma forma complexa para a média dos pacientes. As abordagens educativas com enfoque nos medicamentos devem ser escritas de um modo simples e ter aplicações práticas para a compreensão dos pacientes. Como afirmaram Flack e McGhee (2006), comunicar eficazmente irá sem dúvida ajudar o paciente a compreender melhor a doença e a nutrir a relação entre o profissional e o paciente.

Num estudo realizado por Taylor, Galbraith e Mills (2002), os pacientes estavam muito preocupados com o seu Glaucoma porque sabiam que a consequência da doença não tratada ou tratada de forma fraca é muito frequentemente a cegueira. Alguns pacientes expressaram preocupação com os seus filhos adultos ou outros membros da família que não acreditavam que poderiam vir a ter Glaucoma. Pediram

Página 32 que houvesse mais educação para aumentar a sensibilização face à doença (p. 406).

De acordo com Temporini, José, Gondim e Dantas, acções educativas constroem a base para a promoção da saúde ocular e a preservação do sistema visual, aumentando a capacidade dos indivíduos de tomar decisões relativas a comportamentos que influenciarão a sua saúde (como citado em Lopes da Silva, Temporini, Neustein & Araújo, 2004, p. 786).

Especificamente, os programas de educação necessitarão de orientar aqueles que já sabem que, devido à sua doença, apresentam um maior risco de perda de visão. Os objectivos da educação devem incidir não só na modificação das percepções dos indivíduos em risco de perda visual, mas também no fornecimento de informações quanto aos benefícios do tratamento. Além disso, os programas educacionais devem também ser orientados no sentido de envolver amigos e familiares no apoio à procura de cuidados oftalmológicos de modo a minimizar o medo relativo do tratamento.

Como indica Almeida (2007) “será importante salientar que o doente poderá continuar a viver normalmente, porque esta mensagem é muitas vezes difícil de passar” (p.178).

Os horários complicados e um grande número de pacientes atendidos em hospitais afectam a maneira como os pacientes são ensinados e a quantidade de tempo disponível para esta formação.

É difícil disponibilizar tempo para a educação, a promoção da saúde e em particular para a prevenção da perda visual. Os sistemas de saúde, no entanto, têm a responsabilidade de educar os seus utentes e as comunidades sobre a promoção da saúde, tal como está referido nos objectivos da Visão 2020.

Estratégias criativas são necessárias para cumprir os objectivos educacionais nos sistemas de saúde de hoje. De acordo com Oermann, Webb e Ashare (2003), uma estratégia possível é oferecer a educação para a saúde nas salas de espera de clínicas e de hospitais locais onde, por vezes, os pacientes gastam uma quantidade

Página 33 considerável de tempo. Esta educação permite ensinar os pacientes a melhorar e a manter a sua saúde e, ao mesmo, ocupa-lhes o tempo enquanto esperam (p.102).

Para reduzir a perda visual numa comunidade glaucomatosa é necessário fazer o tratamento apropriado. Como indica Bressler (2002), os benefícios e limites do tratamento devem ser explicados aos pacientes, enfatizando que não é possível reverter a deterioração, mas que um tratamento atempado pode preservar a visão ou reduzir o risco de perda visual futura (p.150).

Apesar da possibilidade de prevenção, Omoti e Ukponmwan (2005) referem vários estudos publicados em que a compliance dos pacientes Glaucomatosos é fraca e entre 20% a 66% deles não cumpre a sua medicação como prescrita.