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2.2 ELI-NP Gamma Beam Source (ELI-NP-GBS)

3.1.4 Les contraintes mécaniques

Educar a comunidade glaucomatosa é um primeiro componente na promoção dos cuidados oftalmológicos e na prevenção relativa à perda visual.

O Glaucoma é uma patologia onde a aderência dos pacientes à terapêutica é importante, uma vez que se trata de uma doença crónica, assintomática, podendo levar à perda irreversível de visão. A compliance do paciente à terapêutica é importante para optimizar os resultados a longo prazo.

Como indicam Berger, Bingefors e Hedblom, a eficácia de qualquer medicação depende da aderência do paciente (como citado em Lee, Walt, Chiang, Guckian, & keener, 2007, p.520). Para que essa aderência possa existir, e de acordo com Lee, Fechtner, Fiscella, Singh e Stewart (2000), o que podemos fazer é educar os pacientes acerca da natureza do Glaucoma e da importância do seu tratamento, e fornecer-lhes as ferramentas que os podem ajudar a ser compliants.

Também Moraes Ramalho et al. (2007) salientam a necessidade de um maior reforço na educação e sensibilização da população, uma vez que é sabido que a falta de aderência ao tratamento é um dos maiores factores de risco para a progressão da doença, o que, em última análise, pode resultar em definitiva e

Página 34 acentuada redução da função visual, com consequências sociais graves. Isto permite-nos inferir que a falta de aderência ao tratamento tem várias vertentes com inúmeras implicações sociais (p. 813).

Como sublinhou Singh, a característica central para todas as áreas de não

compliance tem como elo comum a educação dos pacientes. Existem muitos

estudos que mostraram que os pacientes que têm um maior conhecimento da doença estão mais propensos a serem compliants com a terapia do que aqueles que não têm. E este facto atravessa, de facto, todas as barreiras socio-económicas. Apenas porque se é um licenciado não significa que alguém seja compliant. O factor principal é realmente um conhecimento da patologia (Lee, Fechtner, Fiscella, Singh & Stewart, 2000, p. S4).

William Stewart lembrou que existe um grande número de pessoas que não tem acesso à Internet por causa do seu nível económico ou que não têm interesse em aprender mais acerca da sua doença, preferindo permanecer dependentes do seu médico para lhes fornecer os cuidados sem explicações adicionais. “O meu palpite é que eles compõem uma grande porção da população não compliant que nós temos de atingir” (Lee, Fechtner, Fiscella, Singh & Stewart, 2000, p. S4).

O Glaucoma é análogo à hipertensão arterial, em que os doentes são assintomáticos quando começam o tratamento necessitando geralmente de tratamento vitalício (Deokule, Sadiq, & Shah, 2004, p.12).

A ignorância dos pacientes sobre o seu tratamento e a falta de cumprimento com o tratamento são dois grandes obstáculos na gestão do Glaucoma.

O sucesso do tratamento do Glaucoma depende da sensibilização para a doença e da boa compliance do tratamento pelo paciente (Gwira, 2006, p.17).

É necessário educar tendo como objecto o processo da doença e os benefícios e riscos de intervenções alternativas de modo a que os doentes possam participar activamente no desenvolvimento de um plano de acção adequado (American

Página 35 Como indicam Khurana, Lee e Challa (2003), existe a necessidade de melhorar a comunicação e a educação em matéria das medicações dos doentes. Apesar dos numerosos avanços na terapêutica e na qualidade dos cuidados de saúde, muitos pacientes sabem pouco ou nada sobre a sua medicação, e vários estudos têm demonstrado que os pacientes não têm conhecimento sobre a sua medicação (p. 50).

Como afirma Almeida (2007) “(…) a falta de informação é nefasta para a grande maioria dos doentes relativamente à obediência terapêutica podendo muitos deles desconhecer a sua doença e o seu carácter crónico não respeitando as prescrições terapêuticas em consequência” (p.177).

Devido à falta de conhecimento do paciente quanto à sua medicação, há claramente uma necessidade de melhorar a educação do paciente. De acordo com Gibbs, Waters e George, foi estimado que 30% a 50% dos utentes não seguem os seus regimes medicamentosos devido à falta de informação (como citado em Khurana, Lee & Challa, 2003, p. 52).

Estes resultados ilustram a importância de se proporcionar outras fontes de informação e educação do paciente, para a utilização adequada dos medicamentos (Khurana, Lee & Challa, 2003, p. 52).

Também os boletins informativos das medicações oculares são escritos num registo dificilmente compreendido pela maior parte dos pacientes. A informação sobre os fármacos nos rótulos e folhetos é uma fonte de conhecimento para os pacientes enquanto tentam calcular os riscos e os benefícios dos mesmos para os administrarem de um modo seguro. No entanto, esta informação é, para os pacientes, frequentemente inconsistente, incompleta, e de difícil leitura e compreensão (Shrank & Avorn, 2007, p.731).

As informações clínicas devem ser transmitidas num nível que reflicta os níveis de literacia da população-alvo. Se os pacientes recebem, através de uma forma adequada de ensino, informação quanto à sua medicação, ficam mais habilitados a

Página 36 participar nos seus cuidados de uma forma eficaz (Khurana, Lee & Challa, 2003, p. 52).

Como já referido, e de acordo com Lee, Fechtner e Fiscella, os benefícios educativos podem ser particularmente úteis para pacientes com Glaucoma, onde a

compliance do paciente (um factor importante para o eventual resultado do

tratamento da doença) é fraca (como citado em Khurana, Lee & Challa, 2003, p. 52).

Em particular, os pacientes idosos têm especiais dificuldades na leitura e na compreensão dos rótulos dos fármacos. O fraco entendimento das instruções de medicação pode também inibir uma capacidade dos pacientes para aderirem à terapia como prescrita.

A fraca literacia em saúde é uma barreira crítica aos cuidados adequados. Estes problemas são, segundo Wolf et al., especialmente importantes relativamente à informação sobre a medicação (como citado em Shrank & Avorn, 2007, p.732).

De acordo com Oermann, Harris e Dammeyer (2001), a educação do paciente é uma componente essencial da qualidade dos cuidados de saúde. Para muitos pacientes esta pode ser a única oportunidade que têm de aprender sobre os seus problemas de saúde e desenvolver aptidões para a gestão do seu próprio tratamento.

Tal como mencionado por Kaelber e Bates (2007), ninguém deve investir mais na promoção da sua própria saúde, do que os próprios pacientes. No nosso actual paradigma da saúde, no entanto, as organizações dos cuidados de saúde não reconhecem suficientemente o papel fundamental que os pacientes podem desempenhar para preservar a sua própria saúde (p. S43).

Como indicam Shrank e Avorn (2007), para tomar decisões correctas acerca do uso de medicamentos e para os tomar de um modo apropriado, os pacientes têm de ter pelo menos um entendimento básico acerca dos riscos e dos benefícios dos seus fármacos e do modo como os devem administrar (p.731).

Página 37 A educação é benéfica para os pacientes de várias formas. Pacientes informados estão mais propensos a cooperar com os esquemas terapêuticos e demonstram uma melhor gestão dos seus problemas de saúde do que pacientes que não estão informados. Sensibilizar os pacientes permite que eles se tornem mais informados sobre as opções de tratamento e sobre os riscos e os benefícios permitindo-lhes participar mais activamente nas suas decisões de saúde (Oermann, Masserang, Maxey, & Lange, 2002, p.247).

A questão da educação do paciente é especialmente importante para os profissionais da saúde da visão em situações crónicas, como o Glaucoma. Os pacientes a fazer medicação antiglaucomatosa necessitam aprender e compreender como a correcta utilização dos seus medicamentos pode optimizar a terapêutica e prevenir a perda visual.

Existem poucos estudos sobre a compliance em pacientes com Glaucoma. Todos os estudos sugerem que a compliance entre os pacientes com Glaucoma é bastante fraca. Além disso, mesmo aqueles pacientes seleccionados para a realização desses estudos serão provavelmente mais aderentes do que outros. Se a não

compliance não é reconhecida, ela poderá conduzir a cirurgias desnecessárias, com

alguma morbilidade associada. É um elemento muito importante que deve ser enfatizado a todos os pacientes, para que eles compreendam a sua importância (Stewart, Natale, Konstas, Phelan, & Pfeiffer, 2003).

Riffenburgh sublinhou que o Glaucoma é a mais importante patologia na qual o ponto de vista do paciente pode modificar o resultado clínico. A fraca compreensão da doença e do seu tratamento pode levar a um maior grau de não compliance (como citado em Stewart, Natale, Konstas, Phelan, & Pfeiffer, 2003).

Estudos recentes demonstraram que a redução da PIO é eficaz para prevenir o avanço do Glaucoma. Isto é verdade para o início do Glaucoma, para o Glaucoma avançado e também para Glaucoma de tensão normal. Assim, é razoável presumir que a não compliance irá influenciar negativamente o resultado da doença (Stewart, Natale, Konstas, Phelan, & Pfeiffer, 2003).

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2.3.4. Componentes da educação para a saúde no domínio do Glaucoma e