Relativamente aos recursos financeiros dos BLV, não foram formuladas questões
específicas sobre os montantes atribuídos pelas entidades enquadradoras, tendo
apenas sido pedida uma avaliação da sua suficiência. A maioria dos inquiridos
considerou que os recursos financeiros de que dispõe são suficientes ou muito
suficientes (Figura 22).
Figura 22 Avaliação dos recursos financeiros disponibilizados ao BLV pela entidade
enquadradora
N = 51; Fonte: Inquérito a BLV, 2011 8 33 8 2 0 5 10 15 20 25 30 35Quadro 30 Avaliação da suficiência dos recursos financeiros disponibilizados pela
entidade enquadradora ao BLV(média*)
Entidade enquadradora (N = 51)
Pessoa coletiva de direito público (ex. câmara municipal)
2,02 Pessoa coletiva de direito privado (ex.
ONG, fundação, associação)
2,50 Ano de criação (N = 51) Até 2005 2,30 2006-2008 2,07 2009-2011 1,92 Recursos humanos (N = 48)
Menos de um trabalhador a tempo inteiro 2,18 Mais de um trabalhador a tempo inteiro 2,08 Número de voluntários inscritos (N = 48) Até 60 2,20 60 a 150 voluntários 1,95 Mais de 150 voluntários 2,18 Número de organizações promotoras inscritas (N = 47) Até 10 2,13 11 a 30 2,13 Mais de 30 2,13 Proporção de voluntários integrados (N = 37) Até um terço 2,18 Até 2 terços 1,73 Mais de 2 terços 2,20
*Varia entre 1 “Muito suficientes” e 4 “Muito insuficientes”. Fonte: Inquérito a BLV, 2011
Verifica-se uma insatisfação maior com os recursos financeiros nos BLV enquadrados
por organizações não-governamentais, nos mais antigos e nos que têm menos
trabalhadores (Quadro 30). Por outro lado, apenas 4 dos BLV inquiridos referiram as
dificuldades financeiras nas respostas abertas à questão sobre dificuldades,
especificando que essas carências representam um obstáculo sobretudo para
formação dos voluntários e desenvolvimento de projetos.
Porém, através das entrevistas verifica-se que a satisfação relativamente aos recursos
financeiros existentes se deve ao facto de os BLV apostarem em atividades de baixo
custo. É assumido que a contenção nos pedidos de apoio financeiro às Câmaras tem
sido uma das estratégias para manter um bom relacionamento e evitar recusas.
um dos motivos do sucesso também deste programa é que é um programa barato, ou seja, nós tivemos de investir inicialmente apenas na divulgação, ainda estamos com os mesmos folhetos de há 10 anos (…) o boletim vai começar a ser mais barato agora
porque vamos transformá-lo em e-boletim, portanto vai passar a ser através da internet, (…) vamos imprimir nós, mas já não vai para uma gráfica, é um programa que é relativamente barato. (…) Não falta dinheiro, porque lá está, porque nós também não fazemos muitos gastos, e é exatamente por isso que este programa também tem sucesso e aceitação, porque senão, se implicasse outro tipo de gastos, seria mais complicado, porque a situação financeira da Câmara não é muito fácil. (…) Nós também temos o cuidado, nós equipa temos o cuidado de minimizar o impacto, porque já sabemos que é assim, que a Câmara está numa situação financeira muito difícil, temos um plano de saneamento financeiro neste momento a decorrer, portanto não podemos realmente fazer gastos, e nessa perspetiva já não pedimos mais do que aquilo que nós sabemos que será dado (entrevista B_03_CM)
É assim nós ao nível do querer, queremos sempre mais mas desenrascamo-nos. Tudo o que temos pedido, sabemos que há constrangimentos a nível nacional e internacional e essas coisas todas. Não pedimos nunca exageros. Pedimos os mínimos e temos visto satisfeitos os nossos pedidos. (entrevista J_06_CM)
Nós conseguimos fazer algumas coisas, também com muito esforço, muita carolice, e quase tudo a custo zero (entrevista C_03_CM)
Quando questionados em entrevista sobre a existência e/ou necessidade de uma
estratégia de angariação de fundos as posturas são diferentes consoante a entidade
enquadradora é uma organização não-governamental ou uma câmara municipal.
Os BLV em que a câmara municipal é a entidade enquadradora não têm estratégia de
angariação de fundos, uma vez que existem obstáculos burocráticos a esse tipo de
atividade e à gestão desses fundos.
O principal financiador do Banco é a Câmara. Não há outros financiadores. Nem tentamos sequer que haja. (entrevista E_04_CM)
Até porque se o Banco é da câmara é muito complicado aqui os fundos andarem a mexer-se, porque no protocolo está que é a câmara que assegura. (entrevista Q_09_CM) tudo obedece a um...nós como funcionários da Câmara não podemos [angaria fundos externos]...temos que pensar que estas coisas são mais...pronto, exigem uma forma diferente (entrevista A_02_CM)
Não [procuramos financiamento externo], porque isso, pronto, depois tem a ver com a legislação e as entidades públicas, e pedir apoios e depois isso tem que ser... Tem que depois ser aprovado, e depois não se ter qualquer outro contacto com a entidade contratualizante e, pronto, é complicado. A Câmara estar a pedir gratuitamente...Porque é fácil através de uma entidade sem fins lucrativos que não seja pública, aí é fácil. Agora, uma entidade pública estar através da...é mais complicado, é. (entrevista D_04_CM)
Nos BLV enquadrados por organizações não-governamentais encontram-se duas
situações distintas. Nos BLV mais dinâmicos existe a preocupação em desenvolver
projetos para obter financiamento, fazer parcerias e pensar as questões de
financiamento mais a longo prazo; nos menos dinâmicos o financiamento vem da
entidade enquadradora – via quotas, por exemplo – pelo que não são feitos esforços
pelo BLV enquanto tal para angariar mais financiamento.
Temos conseguido desenvolver projetos comunitários que nos permitem financiar algumas destas atividades, no âmbito do voluntariado de proximidade tivemos uma iniciativa comunitária onde financiou um conjunto de atividades. Neste momento temos também um projeto transfronteiriço com a Cruz Vermelha Espanhola e Portuguesa, que também financia algumas atividades, temos conseguido fazer um equilíbrio meio por meio entre o investimento da … [entidade enquadradora] e o financiamento de projetos comunitários. (…) Temos uma preocupação constante em desenvolver projetos que nos permitam financiar as actividades, neste momento estou a trabalhar num projeto internacional para financiar novas atividades, este projeto que está a decorrer termina daqui a um ano e meio, 2013 mas estamos já a trabalhar para o futuro e para garantir financiamentos portanto, temos essa preocupação constante e regular em arranjar financiamentos para fazermos mais e melhor (entrevista F_05_ONG)
É a instituição, é a XXX de XXX, é o único [financiador] (…) Não temos nenhuma estratégia de angariação de fundos, neste momento não, aquilo que nós vamos fazendo é aquilo que vai sendo promovido pela instituição, e vai sendo custeado pela instituição
(entrevista G_05_ONG)
O valor das quotas dos associados da promotora que é a associação em 2011 é superior ao subsídio recebido do município (entrevista L_07_ONG)
Uma estratégia dos BLV para suprir a falta de recursos financeiros tem sido o recurso a
apoios em géneros ou serviços, junto de parceiros mecenas
Já pedimos apoios a empresas para ações de voluntariado, como o AKI, essas coisas...
(entrevista A_02_CM)
A nível para atividades que fazemos sim aí pedimos apoios. Para a manutenção do Banco não. Mas para atividades sim. Por exemplo, temos feito já há 3 anos, que estamos a fazer aí um encontro com idosos em que levamos os idosos à discoteca. E juntamos sempre 600-700 idosos. Portanto, a discoteca cede-nos gratuitamente o espaço e alguém para pôr a música. Temos sempre uma entidade que nos tem patrocinado o lanchinho. Outras, o transporte. Vamos pedindo. (entrevista I_06_CM)
Outros entrevistados reconhecem que seria interessante uma maior abordagem da
comunidade envolvente para a sustentação financeira do trabalho do Banco
a Câmara é o principal e o único… também seria interessante envolver mais a comunidade, talvez as empresas, outras coisas, mas isso são coisas que vamos vendo com o tempo …. Ainda não houve nenhuma estratégia de angariação de fundo, ainda estamos no primeiro ano. (…) a Câmara dá todos os recursos que pode, se aqui alguém falha não é a Câmara, quer dizer, a comunidade, as organizações e as empresas podem
dar mais, mas aí também a falha ainda é nossa, porque também ainda não as estimulámos para isso (entrevista T_10_CM)
Para além dos recursos humanos e financeiros, as entidades enquadradoras podem
proporcionar aos BLV outro tipo de recursos, como transportes, apoio informático,
equipamento e material, instalações, serviços especializados de publicidade, design,
etc. Nesta matéria as autarquias parecem dispor de mais recursos e mais diversificados
para apoiar os BLV que enquadram
nas ações de capacitação é que há que fazer fotocópias, há que fazer alguma documentação, que é tudo feito com a prata da casa, portanto, são consumos residuais. Mais do que isto, temos encontrado soluções – inclusivamente esta história deste manual, que acabou por ser por nós emitido – é residual, o valor. Posso dizer-lhe que nós tivemos um gasto na ordem dos 700 euros, na emissão daquele documento, porque temos conseguido trabalhar com os recursos seja do próprio município, seja das instituições...é possível fazer assim, é possível fazer assim. (entrevista K_06_CM)
A Câmara dá-nos transporte quando é preciso ir entregar ou fazer uma recolha. É principalmente a Câmara. (entrevista P_08_CM)
Ali se calhar existem alguns custos, mas, muitas vezes, conseguimos fazer custos – não digo que sejam custo zero – mas são custos que vamos partilhar ou dividir com outros departamentos. Nomeadamente a parte informática, a parte de logística de impressão, design gráfico. Muitas vezes temos recursos, dentro da Câmara, que conseguimos mobilizar. (entrevista C_03_CM)
Em termos de instalações é instalações da Câmara. É no próprio edifício da Câmara. Temos por exemplo, as formações faz-se em salas de formação da própria autarquia. Sei lá por exemplo eu tanto sou capaz de fazer a formação numa sala de um auditório como sou capaz de fazer no Museu… Portanto utilizamos as instalações municipais para fazer a formação. E isso para mim não é contabilizado como custo porque nós não pagamos aluguer. As fotocópias retiram-se pronto do serviço que se faz a fotocópia. (entrevista
S_09_CM)
De acordo com os resultados do inquérito, na esmagadora maioria dos casos os BLV
mostram-se satisfeitos com a disponibilização destes recursos (Figura 23).
Figura 23 Avaliação da suficiência dos outros recursos proporcionados pela entidade
enquadradora do BLV
N = 52; Fonte: Inquérito a BLV, 2011
Quadro 31 Avaliação da suficiência dos outros recursos disponibilizados pela entidade
enquadradora ao BLV(média*)
Entidade enquadradora (N = 51)
Pessoa coletiva de direito público (ex. câmara municipal)
1,83 Pessoa coletiva de direito privado (ex.
ONG, fundação, associação)
1,83 Ano de criação (N = 51) Até 2005 1,90 2006-2008 1,80 2009-2011 1,83 Recursos humanos (N = 48)
Menos de um trabalhador a tempo inteiro 2,00 Mais de um trabalhador a tempo inteiro 1,74 Número de voluntários inscritos (N = 48) Até 60 1,91 60 a 150 voluntários 1,67 Mais de 150 voluntários 2,00 Número de organizações promotoras inscritas (N = 47) Até 10 1,88 11 a 30 1,88 Mais de 30 1,88 14 33 5 0 5 10 15 20 25 30 35
Proporção de voluntários integrados (N = 37) Até um terço 1,91 Até 2 terços 1,73 Mais de 2 terços 1,94
*Varia entre 1 “Muito suficientes” e 4 “Muito insuficientes”. Fonte: Inquérito a BLV, 2011