Section II- Les déterminants de la consommation halal
II.5 Confiance en l’authenticité de la certification halal
Diferentemente da fotografia jornalística, a fotografia documental permite ao fotógrafo ter mais liberdade para mostrar melhor o seu “olhar;” pode dirigir as cenas, e as pessoas envolvidas montam a composição das fotos. Nem por isso, entretanto, a fotografia documental deixa de mostrar uma realidade; ela é apenas mais trabalhada para dar total veracidade ao que se deseja introduzir numa narrativa.
Como de hábito, essa espécie de registro fotográfico é formada por um conjunto de imagens, editadas sob uma estética, de forma a dar um sentido de narrativa ao espectador. Com esssa característica, ela conta uma história com começo, meio e fim. Desse modo, leva a cada apreciador o sentido de interpretação.
O economista Sebastião Salgado abraçou o universo da fotografia e, em pouco tempo, tornou-se um prestigiado fotógrafo. Fotografando sempre em branco e preto, e realizando reportagens sobre a condição humana e social, costuma dedicar meses ou até anos para desenvolver um mesmo tema. A seguir, alguns exemplos de seu trabalho.
Figura 6: Fotógrafo faz fotografias inéditas denunciando fome e pobreza extrema.
Sebastião Salgado. Tigre, 1986. Fonte: Site: Foto&Jornalismo.
Figura 7: Fotógrafo faz fotografias inéditas denunciando fome e pobreza extrema.
Sebastião Salgado. Etiópia, 1985. Fonte: Site: Foto&Jornalismo.
Na maioria das vezes, a fotografia documental é previamente estudada, pensada, e elaborada sob forma de pesquisa; visa uma pequena produção e, por vezes,
necessitando de equipamentos especiais para que seu resultado saia a contento. Em geral, são imagens feitas com mais tempo, sem o compromisso com o aqui e agora. Trata-se de recursos para que as possibilidades narrativas que ela contém se apresentem como construtora de sentido. A esse respeito, o depoimento de Schaeffer:
Uma obra fotográfica bem-sucedida não se limita necessariamente a nos fazer ver. Com frequência, ela também nos faz pensar [...].Não nos surpreenderemos, portanto, ao descobrir que o ingresso da fotografia nos arcanos da arte fez ranger as engrenagens bem lubrificadas do pensamento estético (SCHAEFFER, 2000 p.137).
Tanto os trabalhos de fotojornalismo como os de foto documental – hoje são praticamente todos digitais, embora tenha uma pequena parcela de profissionais que ainda trabalham com câmeras analógicas – também passam por um processo de pós- produção. Esse processo utiliza softwares de tratamento e novos recortes; incluem ou excluem algum item da cena; seus tons e cores são modificados. No final, o resultado acaba sendo um tanto diferente em relação à cena primeira, que foi recortada apenas pelo clique fotográfico. Esse é o momento que leva a se fazer a maioria das indagações sobre o que é real, ou o que não é real em uma imagem fotográfica, ou seja, se a imagem obtida corresponde ou não à realidade que se encontra diante do fotógrafo.
De acordo com Dubois (2009 p.60), “todo dispositivo tecnológico pode, com seus próprios meios, jogar com a dialética entre a semelhança e a dessemelhança, analogia e desfiguração, forma e informe.”
Embora com o uso da tecnologia se altere mais facilmente uma imagem, nota-se, entretanto, com facilidade o que o fotógrafo está querendo informar com aquela alteração da realidade. Acontece que a verdade da imagem fotográfica está em cada pessoa, fotógrafo ou não, envolvido ou não, com uma mídia impressa, desde que seja ético e honesto, no seu compromisso com a verdade.
O fotógrafo pode mesmo editar a fotografia, tirando ou colocando algo em que esteja querendo evidenciar como verdade no contexto de uma narrativa que está sendo construida; sempre, porém, a serviço da autenticidade. Nesse sentido, a pertinência da famosa frase do fotógrafo e sociólogo americano Lewis Hine ao afirmar: “Embora as fotografias não possam mentir, os mentirosos podem fotografar”.
O professor português Jorge Pedro Sousa realizou estudos analíticos sobre jornalismo e foto documental e acredita que:
A alteração digital de fotografias jornalísticas, que apesar de as novas tecnologias trazerem vantagens incontestáveis no que diz respeito à qualidade da imagem, à expressividade e à capacidade de se vencer o tempo e o espaço com maior rapidez e comodidade, as questões ligadas à geração e manipulação digital de imagens são talvez das mais relevantes para o fotojornalismo atual, especificamente no que diz respeito à ética e à deontologia profissionais. Inclusivamente, a tecnologia digital da imagem está a ter cada vez maior utilização e é provável que venha a suplantar a fotografia tradicional, coisa que possivelmente, afetará a nossa percepção do mundo, os processos de geração de sentidos e , portanto, o processo de construção social da realidade (SOUSA, 1998, p.43).
Em aspectos gerais, a fotografia, qualquer que seja a sua especificidade, não serve apenas ao conteúdo de um projeto. A imagem fotográfica é também contemplativa,
voltada para o prazer visual. No mais, ela tem uma validade atemporal e não tem um papel importante em uma narrativa do ponto de vista cronológico. Uma fotografia pode ser observada sozinha ou em outros contextos, ampliando, dessa maneira, uma vasta gama de interpretações.
5 FOTOGRAFIA AUTORAL
A arte de fotografar herdou, nos primórdios do século XIX, a estética já pré estabelecida das pinturas do modernismo. Assim que as técnicas de revelação dos filmes e o campo da ótica foram se desenvolvendo com uma linguagem própria e com maor aprimoramento, essa arte passou a produzir a chamada fotografia artística.
As pessoas reuniam famílias, vestiam suas melhores roupas e, tal como era feito com as pinturas encomendadas pelos nobres, a fotografia seguia os mesmos passos daqueles tempos de nobreza. Porém, com uma forma de retratar muito mais fiel à realidade, diferentemente do que acontecia com as pinturas. Por esse motivo, transmitia maior credibilidade ao fato ou à pessoa que era retratada. A esse respeito, Boris Kossoy:
Desde o seu surgimento e ao longo de sua trajetória, até os nossos dias, a fotografia tem sido aceita e utilizada como prova definitiva, testemunho da verdade do fato ou dos fatos. Graças à sua natureza fisicoquímica, e hoje eletrônica de registrar aspectos (selecionados) do real, tal como estes fatos se parecem, a fotografia ganhou elevado status de credibilidade (KOSSOY 1989, p. 18).
Essa fidelidade ao real não exclui possiveis alterações. Com efeito, os fotógrafos, mesmo no início da história da fotografia, desenvolveram técnicas de retoques a mão para melhorar uma ou outra fisionomia que, por vezes, não era de natureza tão privilegiada.
A arte de fotografar logo se disseminou e os fotógrafos começaram a não mais fazer somente fotos posadas, fotos paradas, ou da natureza. As fotografias então,